Potterlândia

16/09/2009

potterlandO gigantesco parque temático de Harry Potter que abrirá ano que vem em Orlando, na Flórida, leva o blogueiro Alison Flood a especular (em inglês, acesso gratuito) quais as outras obras literárias que mereceriam essa glória mundana – ele fala de C.S. Lewis e de Stephenie Meyer, tudo meio óbvio. Gostei mais quando aquele estranho parque temático de Dickens inaugurado na Inglaterra há dois anos – comentado na época aqui – inspirou em colegas blogueiros fantasias irônicas como a de um aterrorizante Castelo de Kafka.

É engraçado imaginar por dois minutos o tipo de empreendimento paraliterário do gênero que poderíamos ter no Brasil se houvesse por aqui mais dinheiro para gastar/apreço pela literatura/paixão por parques idiotas – sei lá qual é a melhor alternativa. Exercício para mentes desocupadas? Provavelmente sim. Mas que parece um desperdício nunca termos podido visitar o Sítio do Picapau Amarelo, comprar um potinho de purpurina com a marca Pirlimpimpim e almoçar uma galinha ensopada no Tia Nastácia, isso parece. (Sim, dizem que aquele que existe em Taubaté é simpático, mas parece estar mais para Museu Lobato, filho ilustre da terra, do que para parque temático.)

14 Comments

  • Isabel Pinheiro 16/09/2009 at 13:10

    Sérgio, o Sítio de Taubaté é de uma tristeza desoladora – pelo menos pra quem cresceu lendo ML e vendo aquela antiga série da Globo. Nem dá pra ser chamado de museu: não há nada de acervo pessoal do escritor. E nenhuma obra à venda, o pessoal que atende é muito fraco, o lugar é mal-cuidado… Mas parece que as crianças gostam porque existem lá umas figuras fantasiadas de Emília, Narizinho, Pedrinho. Uma pena.

  • André HP 16/09/2009 at 13:25

    Quando eu era criança, uns 15 anos atrás, tinha um da turma da mônica em Curitiba.

    Acho que ainda tem.

  • Tibor Moricz 16/09/2009 at 14:23

    Ainda sou criança e sinto falta dessas cousas. Parquinhos de diversão… adoro.

  • léo mariano 16/09/2009 at 15:07

    Olá Sergio.

    Sou de Taubaté e trabalhei no Sitio. Realmente a Isabel está certa. O sitio é desolador. E infelzimente o quadro continuará. principalmente por excesso de ingerencia.

    Nada menos que seis entidades, entre municipio, IPHAN, instituo Candido Portinari etc tomam conta do lugar, uma pequena chácara.

    Qualquer mínima reforma depende da ação conjuta de todas essas entidades. tudo é uma burocracia terrível.

    Há uns dois anos instalei um pequeno sistema de iluminação cênica na pequena sala de apresentação da casa. A iluminação foi usada poucas vezes. O sistema estrutural de eletridade da casa não suportava a luz.
    A diretoria correu atrás da reforma. A´te hoje, nada. Isso porque era uma coisa simples: só a troca da caixa de força do teatro e a troca da bitola dos cabos de energia.

    Se isso é difícil, imagine outras coisas mais sérias, como a reforma do telahdo – alguns quartos da casa, incluindo a pequena sala de apresentação, estão interditados – ou a manutencão de uma jaqueria imensa de duzentos anos ?
    Triste.

    Quanto a mão de obra, os personagens começaram como uma boa idéia que aos poucos foi degrigolando.

    Hoje, além do Sitio, quase todos os parques da cidade estão tomados de pessoas fantasias. Sério.O que causa uma paura danada, pois são poucos os atores realmente treinados. E esses poucos atores estão no Sitio.

    E isso tanto é verdade que quando esse atores se cansam de fazer emilia ou visconde e correm atrás de outras perspectivas na carreira, sempre alcançam otimos resultados, tanto na vida profissional, quanto acadêmica.

    abs bláblablei demais

  • Inútil 16/09/2009 at 15:08

    Acho que três escritores brasileiros criaram universos que dariam parques temáticos: o já citado Monteiro Lobato, Jorge Amado – agora também em quadrinhos e Guimarães Rosa. Um dia, quem sabe…

  • Rafael 16/09/2009 at 16:27

    Aqui em São Paulo, existe uma rua (Rua Augusta), toda ela dedicada a esse grande escritor e criador brasileiro, Carlos Zéfiro…

    • Ernani Ssó 17/09/2009 at 11:12

      Ainda bem que nesse caso houve justiça.

  • cely 16/09/2009 at 17:57

    Nâo sei não !Voce não cria o cenário na sua cabeça quando lê? Tenho impressão que me sentiria mal ou no mínimo seria desagradável se o”SITIO” fosse diferente daquele dos meus devaneios!

  • John Coltrane 16/09/2009 at 18:46

    O fato do nosso parque ser na casa onde o escritor morou – cenário em que imaginou tudo, em que construiu a história – é uma vantagem incomparável em relação a qualquer outro do mundo, por mais desenvolvido que seja. Mas ver a falta de cuidado mínimo no lugar é mesmo deprimente.

  • Hefestus 16/09/2009 at 19:31

    Venham ver o desfile de 20 de setembro daqui do RS e terão diante de vocês um dos mais estranhos parques temáticos da obra de Simões Lopes Neto… Na real, real, qualquer CTG é um parque temático de um universo de ficção.

  • Daniel Brazil 16/09/2009 at 21:21

    Por falar em gaúchos, seria engraçado um parque temático sobre a Antares do Érico Veríssimo. Poderiam chamar o George Romero (A Noite dos Mortos Vivos) para criar o clima…

  • josé rubens 17/09/2009 at 10:58

    Sérgio,

    Por que não criam uma Macondo ou uma Comala? Seria tão mais instigante…

  • Lauro Mesquita 20/09/2009 at 22:41

    Acho que Macunaíma daria um parque temático e um vídeo game. O livro tem tudo pra isso.

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