Quando escritores falam de sexo – e isso não é ficção

15/02/2012


Desta vez a lista do Flavorwire (em inglês) é picante: cartas de amor com conteúdo sexual, na maior parte dos casos explícito, assinadas por escritores famosos. Leitura muito divertida. James Joyce (foto), insuperável, faz até Charles Bukowski parecer um coroinha.

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O crítico acadêmico João Cezar de Castro Rocha publicou na última edição do Prosa & Verso um artigo alentador e de leitura obrigatória. Ainda bem que a fauna e a flora da universidade são diversificadas a ponto de incluir visões lúcidas, autocríticas e generosas como esta:

Dada a pluralidade da produção atual, é impossível decretar a morte da crítica ou o impasse definitivo da literatura, simplesmente porque há muito tempo não mais existe uma única forma de poesia, prosa ou crítica — aspecto que desautoriza juízos totalizadores.

A tarefa atual da crítica é realizar uma arqueologia das formas do presente, a fim de descrever os movimentos novos esboçados na prosa, na poesia, no ensaio e na interlocução crescente com os meios audiovisuais e digitais. O único modo de fazê-lo é dedicar-se à leitura atenta da produção contemporânea, em lugar de proferir sentenças magistrais, com base na hermenêutica mediúnica dos profissionais do obituário alheio.

Trata-se de evitar a vocação fóssil do crítico que recorre ao truque fácil de confundir o agudo com o obscuro.

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Este artigo (em inglês) de um renomado pesquisador acadêmico americano – sobre suas tentativas frustradas de consertar um artigo torto na Wikipedia citando fontes primárias, todas rejeitadas em nome de fontes secundárias duvidosas – levanta um ótimo debate sobre os limites do crowd-sourcing, que ambiciona engarrafar a tal “sabedoria das multidões”.

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Não se deve acusar de provincianismo aqueles que vêm da província, mas, quando se comportam com arrogância sem igual, como fizera o Sr. Piffl-Percevic, aí, havendo oportunidade, cumpre, sim, registrar o fato.

Há um certo estado de espírito — entre o cansaço, a desilusão e a impaciência difusa — em que o último resquício de humor se despede do cidadão. Para esses casos extremos existe um bálsamo chamado Thomas Bernhard (aqui em “Meus prêmios”, Companhia das Letras, 2011).

4 Comments

  • Felipe Charbel 15/02/2012 at 14:02

    O artigo do João Cezar de Castro Rocha é ótimo, cheio de boas pistas e boas perguntas. A ideia de que “a tarefa atual da crítica é realizar uma arqueologia das formas do presente”, mesmo formulada assim de modo muito categórico, me parece certeira.

  • Marcelo ac 17/02/2012 at 19:42

    O “Sabático”, Suplemento Literário do Estadão, fez uma entrevista com o João Cezar de Castro Rocha, ano passado, por ocasião do lançamento do seu livro “Crítica Literária: em busca do tempo perdido” que me pareceu extremamente esclarecedora. Para entender o embate entre critica acadêmica e critica literária jornalistica, o livro me parece essencial.

  • Marcelo ac 17/02/2012 at 20:46

    O embate coloca a crítica literária jornalística em certa vantagem, ao conferir-lhe extraordinária qualidade. Quanta a acadêmica, parece ter perdido um pouco o bonde da história. De resto, é ler o livro. (Editora Argos, 447 páginas, $49,00)

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