Quando o bonito fica bonito demais?

15/03/2013

httpv://www.youtube.com/watch?v=CdTN_3kgPaY

Hoje o Pop Literário de Sexta deixa momentaneamente de lado as velharias e as esquisitices para falar de duas produções cinematográficas atuais, cheias de estrelas e de apelo midiático. Os filmes eu ainda não vi, mas esses dois trailers de adaptações recentíssimas de clássicos da literatura, um do século XIX e o outro do XX, são promissores.

Acima, o trailer de “O grande Gatsby”, adaptação do romance do americano F. Scott Fitzgerald feita pelo australiano Baz Luhrmann, com Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan, filme escolhido para abrir o Festival de Cannes em maio.

Abaixo, o de “Anna Karenina”, leitura do romance do russo Leon Tolstói que está estreando este fim de semana no Brasil, com boa recepção crítica. Tem Keira Knightley, Jude Law e Kelly MacDonald no elenco, o grande Tom Stoppard no roteiro e um Oscar na bagagem – o de figurino, o que talvez seja sintomático.

Os dois filmes parecem bonitos de doer. O que eu fiquei pensando aqui – está bem, confesso que sou meio implicante – é se não parecem bonitos demais. E o que há de errado nisso? Em princípio nada, claro, mas bolos pomposamente confeitados, com recheio pobre ou indigesto, são uma das metáforas possíveis para a forma como nosso tempo vê a literatura.

De todo modo, ênfase nas aparências à parte, acho difícil que os dois possam ser julgados em bloco. Recheio pobre ou indigesto é algo improvável num filme escrito por Stoppard. Já no caso de Luhrmann, diretor de um abacaxi chamado “Moulin Rouge” e famoso por levar o excesso de estilização a níveis carnavalescos, não seria surpresa nenhuma. A conferir.

httpv://www.youtube.com/watch?v=2deqzl8b9c4

3 Comments

  • Ana Lúcia Rodrigues 15/03/2013 at 19:23

    Vi o filme em Portugal. Gostei de ter visto, mas sem deslumbramento. A bela atriz Keira Knightley não me convenceu nem um pouco como Anna Karenina. Muito menos Aaron Taylor-Johnson como Vronsky. Jude Law como Alexei Karenin sem dúvida tinha a densidade necessária, e a presença que ofuscou os demais parceiros no drama.
    Há belas tomadas de cena, e o figurino é sim de grande beleza. Saí do cinema satisfeita, mas no dia seguinte já tinha esquecido o filme. O livro, este ficou para sempre.

  • HENRIQUE 15/03/2013 at 20:15

    Esse grande Gatbsy é um luxossssss talvez um pouco enfeitado mas é bonito Só falta mais essência mesmo é pq tem um quê de Moulin Rougue então tem que ter ultra profundidade e não tem

  • rosângela 19/03/2013 at 14:17

    Digo: Cinema sempre foi meu “fraco” ( literalmente). Ia na adolescência, na juventude, para não ficar mal com a turma. Lá chegando, naquele escurinho empipocado, eu dormia e nem a pipoca me acordava. E quando acordava, queria saber o que aconteceu para comentar com os colegas no outro dia em sala de aula.Até hoje, não sei por quê, mas durmo quando sento para ver seriado, filmes, etc. O único filme que me lembro de ter visto do principio ao fim, foi Tootsie, com Dustin Hoffman. E falar isso em rodinha de intelectual dos anos 80 era se preparar para ser “chacoteado”. Mas era verdade. Hoje continuo sem ir ao cinema. Nem o Oscar me atrai aos filmes.Fiquei com vontade de assistir “Amor”, mas pelo andar da carruagem…
    Bem, ler, é outra coisa. Leio muito.O livro cai quando o sono vem, mas posso rever as páginas.

    Uma perguntinha: O que Tolstoi resenharia desse longa

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