Que livro você aprenderia de cor?

10/05/2010

No terreno cada vez mais batido da interatividade internética, o pessoal do Papeles Perdidos (em espanhol), blog do “Babelia”, encontrou um cantinho original: perguntar aos leitores que livro eles memorizariam para salvar do fogo, como se fossem aqueles heróis da resistência de “Farenheit 451”, de Ray Bradbury.

Cerca de oitenta livros ganharam menção. O título mais citado, com oito votos, foi “Cem anos de solidão”. Em seguida vieram “O apanhador no campo de centeio”, “Dom Quixote” e “O jogo da amarelinha”, com quatro votos cada um. A turma dos três votos teve “A Divina Comédia”, “A ilha do tesouro”, “A origem das espécies”, a “Ilíada”, “Os miseráveis” e, sim, “O pequeno príncipe” – este, disparado, o mais fácil de decorar.

Será que daria no mesmo perguntar simplesmente ao leitor qual é a sua obra literária preferida de todos os tempos? Talvez sim, mas tenho minhas dúvidas. O peso absurdo de eleger um único livro para aprender de cor – ou seja, de coração – e salvar do aniquilamento completo parece fazer com que a escolha seja no mínimo mais ponderada. Eu, por exemplo, ainda não consegui decidir o meu. E você?

84 Comments

  • Celina 10/05/2010 at 20:18

    O terrível dessa escolha é pensar que eu só poderia salvar UM; o quê seria dos demais?
    Nossa, que Escolha de Sofia…

    Mas há um livro que eu gostaria de salvar: Não Verás País Nenhum, do Ignácio Loyola Brandão.

  • denise bottmann 10/05/2010 at 20:22

    não tenho dúvida: a bíblia, claro. o difícil seria decorar ela todinha.

  • Lineu 10/05/2010 at 20:24

    Eu memorizaria “O Doador” de Lois Lory

  • denise bottmann 10/05/2010 at 20:51

    em tempo: não sou católica. sou historiadora 😉

  • denise bottmann 10/05/2010 at 20:52

    e se a bíblia inteira for grande demais, pelo menos o AT eu decoraria. gente… qualé, né?

  • Hefestus 10/05/2010 at 21:28

    Por motivos que dizem respeito menos ao pseudônimo que uso e mais à paixão que tenho pelo livro, tentaria decorar a “Ilíada” – fechando um ciclo e devolvendo o livro às suas origens, pensando bem.

  • Livia 10/05/2010 at 21:39

    Pode ser Orgulho e Preconceito? Seria uma tragédia ver mr. Darcy consumido pelo fogo…

    • Fátima 11/05/2010 at 09:48

      Eu também salvaria Orgulho e Preconceito. Jane Austen merece ser lida e relida…

  • Samuel 10/05/2010 at 21:52

    Só decorei um: “Caminho Suave”; gostaria de ter na cabeça todos os livros da boneca Emilia.

  • Samuel 10/05/2010 at 21:55

    Ah, “Dom Casmurro”, ainda não decorei, mas estou me esforçando; já li várias vezes. O problema é que é sempre um livro diferente da leitura anterior…

  • gilvas 10/05/2010 at 23:15

    o retrato de dorian gray, claro!

  • Gabriel Pimenta 11/05/2010 at 01:24

    Supondo que todos os livros seriam consumidos pelo fogo, decoraria alguns da coleção “Gato e Rato”, como “As Pintas do Preá” e “O Jogo e a Bola”.

    Mais curtos e mais eficientes para realfabetizar um mundo sem livros.

  • Rosângela 11/05/2010 at 07:37

    Isso é o que se chama futucar leão com vara curta. Digo Leão porque é o Leão mesmo. Olha, Sérgio, estes pesquisadores não tiveram acesso aos discípulos de Jesus e por isso a Bíblia não foi mencionada. Pois eu DECLARO: A Bíblia! Meu livro preferido e ÚNICO que salva. Quer dizer, se decorar a Bíblia mas não amar Jesus que é a própria Palavra de Deus, não adianta nada.

  • Rosângela 11/05/2010 at 07:39

    Sem a Bíblia, vão continuar carregando imagens para aqui e ali, e a CEGUEIRA carregando todos para o buraco. Esta é a menagem principal da Bíblia: Não farás para ti nenhuma imagem de escultura e só adorarás a Teu Deus.

  • RicardoLyra 11/05/2010 at 08:30

    ..mas um só?.. ..e não dá pra ser um poema..? seria mais produtivo….! ..vá lá.. “O Coração das Trevas”..

  • Lúcia 11/05/2010 at 08:35

    Se valer poesia, fica fácil: A Rosa do Povo, de Drummond!

  • Lina Vianna 11/05/2010 at 08:36

    Eu decoraria Farenheit 451 do Ray Bradbury

  • Thaís 11/05/2010 at 09:18

    Salvaria da fogueira, não só pelo apelo afetivo mas também pelo papel que ocupa em nossa literatura, a “Grande Sertão: Veredas”.

  • Ilmar Carvalho 11/05/2010 at 10:05

    Putz, um só é dificil. Mas, para não ficar de fora da consulta, indico On the road, do Kerouac.

  • Priscila 11/05/2010 at 10:07

    Dom Casmurro

  • Noise 11/05/2010 at 10:18

    O Processo, de Kafka.

  • Renata 11/05/2010 at 10:20

    A Metamorfose! Que já quase sei de cor…rs

  • Telma 11/05/2010 at 10:21

    Bom, o meu livro predileto é o Dom Casmurro e, por isso, já decorei a história de trás pra frente, da frente pra trás, de todas as formas.

  • Ana 11/05/2010 at 10:28

    O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Marquez

  • A biblia, mesmo sabendo que daria um baita trabalho…rs

  • arabela 11/05/2010 at 10:41

    O livro que eu apenderia de cor seria a Bíblia Sagrada, por reconhecê-la como o Livro dos Livros.

  • Roberto Prado 11/05/2010 at 10:54

    Todos do Murilo Rubião

  • Claudio Faria 11/05/2010 at 10:59

    Um livro que jamais poderia ser perdido é “Grande Sertão: Veredas”. Fácil de decorar, não?

  • Leobertol 11/05/2010 at 11:04

    A lei do Triunfo de Napoleon Hill. simplesmente a bíblia do sucesso.

  • Ronnie 11/05/2010 at 11:05

    Sem dúvida, “O DECAMERÃO”!!!!!!!

  • Rosemeri Sirnes 11/05/2010 at 11:05

    Eu salvaria Machado. Como Dom Casmurro já foi citado, salvo Memorial de Aires.

  • Silvio Barreto de Almeida Castro 11/05/2010 at 11:06

    “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano.

  • Paulo Ilmar Kasmirski 11/05/2010 at 11:18

    Historia do Bruxo de Benjamin Constant

    Que tem um retorno dos tempos primitivos anexado, a confissão dos três que voltaram depois da morte para se confessar

  • Antonio César 11/05/2010 at 11:23

    Estou com a Telma, Dom Casmurro tem uma história fácil, dá prá contar com detalhes.

  • Luiz S. 11/05/2010 at 11:45

    A Ilha do Tesouro

  • Rafael 11/05/2010 at 12:11

    Ah, como esse povo gosta de uma enquete!

  • Francisco Fagundes 11/05/2010 at 12:54

    Pra ficar só naqueles escritos por gente nossa, “O Coronel e o Lobisomem”, do José Cândido de Carvalho, o conto “O Cobrador”, de Rubem Fonseca, “O Encontro Marcado”, do Fernando Sabino, “O Sorriso do Lagarto”, do João Ubaldo.
    Ih! São tantos, tantos! – que o melhor é simplesmente não ter que tomar este tipo de decisão.

  • Francisco Fagundes 11/05/2010 at 12:56

    E, claro, todos os do mestre Mário Quintana!

  • romano 11/05/2010 at 13:53

    começaria “sendo “os irmãos karamazov”, Dostoievski, também tentaria ser algum livro do Pessoa, ou ficaria perto de alguem que o fosse, rs, também acho que teria uma baita inveja de quem pegasse para si o “sobre herois e tumbas” do Sabato e tantos outros… e ficaria longe das “pessoas-biblia”, ou melhor dizendo, das pessoas que pensam “carregar” uma única verdade, seja ela qual for.

  • Ricardo 11/05/2010 at 14:12

    “A Origem das Espécies” para salvar a Humanidade das baboseiras criacionistas e fundamentalistas…

  • Adriana Karnal 11/05/2010 at 14:47

    Decorar um livro não implica em ser o melhor…sei o início de Iracema de cor, mas nem por isso considero o melhor livro…será q existe um q pode ser considerado o “the best”?
    com disseram acima, Machado é sempre bom, mas não posso dizer q é o melhor, tem tanta coisa boa…q duvida cruel essa!!!

  • clelio 11/05/2010 at 15:02

    O homem e sua hora – Mário Faustino

  • Arrivista 11/05/2010 at 15:34

    “Como Fazer Amigos e Influenciar as Pessoas” – Indispensável para se dar bem numa nova ordem social…

  • Saint-Clair Stockler 11/05/2010 at 15:49

    Sete histórias góticas, de Isac Dinesen. Ou qualquer livro de Marguerite Yourcenar (de preferência Alexis ou Memórias de Adriano ou Novelas orientais, mas é muito cruel pensar na possibilidade de não-salvação seja lá de que livro for de Marguerite Yourcenar). Ou Mistérios, de Lygia Fagundes Telles. Ou Pedras de Calcutá, de Caio Fernando Abreu. Ou O amante, de Marguerite Duras. Ou O coração é um caçador solitário, de Carson McCullers. Ou Assassinato no Expresso do Oriente ou O caso dos dez negrinhos ou O assassinato de Roger Ackroyd ou O misterioso Sr. Quin. Ou toda a série do Sandman, do Neil Gaiman. Ou O fio da navalha, de Somerset Maugham. Ou Demian, de Heman Hesse. Ou O perfume, de Patrick Suskind, ou…

    Meu Deus, são tantas e tão importantes as possibilidades, que sinto uma vertigem!

  • Saint-Clair Stockler 11/05/2010 at 15:50

    (Esqueci de dar a autoria de alguns dos livros mencionados: a querida Agatha Christie, eterna)

  • Bernadete 11/05/2010 at 16:17

    Difícil esta. Não sei se conseguiria decorar Cem anos de Solidão, mas com certeza, iria tentar!

  • Ricardo Costa 11/05/2010 at 21:58

    Olá Sérgio!

    Acho que tentaria decorar “A Vida Breve” do Onetti.

    Algumas partes já decorei…

    Abraço!

  • Daniel Brazil 11/05/2010 at 23:18

    Um bom dicionário…

  • mdv 12/05/2010 at 00:59

    Acho uma bobagem; literatura não tem a ver com oralidade, muito menos a decoreba absurda que demandaria. As histórias que se passam oralmente podem ser lindas, mas não são literatura. abraço

    • Gerson 14/05/2010 at 17:30

      mas que bobagem sem fim, mdv! É claro que literatura tem a ver com oralidade, sempre teve. Algo que se escreve e que se declama depois deixa, por isso, de ser literatura? Onde ficam, ademais, as sonoridades, os ritmos, que, na pior das hipóteses, repetimos mentalmente? Quanto ao decoreba, concordo.

  • Ronel 12/05/2010 at 01:07

    Fiquei surpreso em saber que o livro mais citado foi o Cem Anos de Solidão, pois essa seria a obra que eu também memorizaria, mesmo não estando entre os melhores livros que já li.

  • Krishna 12/05/2010 at 11:07

    Eu decoraria Cem Anos de Solidão. Já sei o começo de cor!

  • Rosângela 12/05/2010 at 11:19

    Engraçado, né, gente? Parece que “de cor” é “de mente”. Mas na verdade é “de coração”. “De coração…”
    vejam:
    http://agloriadosenhorsobrecampos.blogspot.com/2010/05/nao-tao-prosa-mas-tambem-com-comecos.html

  • Rafael 12/05/2010 at 13:11

    Se algum amigo meu aparecesse na minha frente e começasse a recitar, palavra por palavra, os Cem Anos de Solidão, eu, tocado por essa demonstração de indizível esforço intelectual, evitaria manter contato com o indivíduo para todo o sempre. Diante dessa prova cabal de sério distúrbio mental, seria uma grande tolice expor-me a sabe-se lá que rompantes de loucura uma mente doentia é capaz de se entregar.

  • rosangela petta 12/05/2010 at 13:40

    Pôxa, Sérgio, não consigo guardar na cabeça nem o que almocei ontem… rs

  • Ana Muniz 12/05/2010 at 14:00

    Se houvesse a possibilidade de escolher apenas 1 livro para decorar (ñ sei se conseguiria decorar-lo), o livro escolhido por mim sem duvidas seria a Biblia. Pois é um livro atemporal e sempre atual e sua propositura.

  • clelio 12/05/2010 at 15:56

    Impressiona a incapacidade de abstração de alguns, tratando a brincadeira como se fosse um sério problema da literatura. E o humor Sérgio? O humor? Todo mundo decorando o sobrescritos para aprender alguma coisa.

  • Fábio 12/05/2010 at 16:35

    Bom de saber de cor é poesia. Vou de Divina Comédia. Mas o primeiro que me veio à cabeça foi o Grande Sertão: Veredas, que sempre gosto de ler em voz alta.

  • Amâncio Siqueira 12/05/2010 at 17:31

    Nikos Kazantzakis. Todos.

  • ronaldo 12/05/2010 at 18:14

    “Funes, el memorioso” – por razões óbvias.

    • clelio 12/05/2010 at 18:17

      óbvia ululante e perfeita a escolha

    • Sérgio Rodrigues 12/05/2010 at 18:19

      Ronaldo, mesmo sendo um conto e não um livro, o prêmio de melhor resposta já é seu.

    • Humberto 14/05/2010 at 21:10

      Depois de ler sua resposta, desisti de dar a minha.

  • nilton 12/05/2010 at 19:01

    o morro dos ventos uivantes.
    e nunca haveria tédio, porque são tantas vozes e há tanto drama… e o vento gemendo pela frestas nas paredes e envergando as árvores… as folhas suspensas…
    o morro dos ventos uivantes.

  • Nabylla 13/05/2010 at 08:27

    Os sofrimentos do jovem Werther – Goethe

  • Caminhante 13/05/2010 at 09:11

    Orlando, Virginia Woolf. Já li tantas vezes que não estou tão longe assim de decorá-lo.

  • Rubia 13/05/2010 at 16:30

    Sem dúvida, Grandes Esperanças, de Charles Dickens. 😉

  • Rodrigo de Oliveira 14/05/2010 at 12:41

    “A Montanha Mágica”.

    Na verdade, fico meio assustado que ninguém tenha falado sobre ele ainda (sendo, enfim, o grande romance do século XX e tal).

  • Richelieu 14/05/2010 at 16:11

    O Guia do Mochileiro das Galáxias.

  • Iona Stevens 14/05/2010 at 19:58

    Eu tentaria decorar Ulysses, do James Joyce..

    Aí a certa altura desistiria e decoraria então “V.” do Thomas Pynchon

  • Silvia 15/05/2010 at 15:44

    Eu penso que é muito dificil escolher apenas um livro que vamos guardar na memória. Mas acho que poderia sim, dizer que guardaria Gabriel Garcia Marques…li Cem Anos…acho que umas tres vezes…sim, ficaria com ele.

  • ruy mendes 15/05/2010 at 18:16

    meridiano de Sangue- Cormac Mcarthy

  • Rafael Beraldo Dourado 15/05/2010 at 22:52

    Assim como disse Richelieudisse, eu endosso:
    O Guia do Mochileiro das Galáxias.

    Aliás, decoraria todos os cinco! Isso se já não os tenho decorados. E viva Douglas Adams (em nossos corações, pelo menos)!

  • mariana sanchez 16/05/2010 at 16:05

    Boa enquete, Sérgio. Lembro de ter ficado impressionada (e com uma pontinha de inveja) do ator Guilherme Leme em seu monólogo O Estrangeiro – o cara decorou de cabo a rabo o livro do Camus. Sei partes inteiras de Rayuela, mas não saberia qual livro escolher para salvar do fogo. (Gracias por el fuego, do Benedetti, parece piada pronta, né?)

  • Jorge Leberg 16/05/2010 at 16:20

    Apenas um? Não é a minha obra predileta do meu autor predileto, mas justamente por ser a mais completa dele, onde praticamente condensou todos os temas que o inquietaram por quase toda a vida (influência intelectual, filosófica e emocional determinante dos estudos de vários outros pensadores), salvaria Os Irmãos Karamázov, do Dostô.

  • Wilson Rodrigues 16/05/2010 at 20:10

    Eu decoraria um livro inteiro, LAVOURA ARCAICA, do Raduan Nassar, e um conto, ORGULHO, do Rubem Fonseca, ambos reinventam o termo “magistral”.

  • luana 17/05/2010 at 00:24

    Todos os poemas de Celso Luiz Paulini.

  • Rafael 17/05/2010 at 12:26

    O poema Amor/Humor do Oswald de Andrade.

  • Diogo 17/05/2010 at 13:24

    O Senhor do Anéis, JRR Tolkien. Definitivamente! Mas concordo que apenas um livro é complicado de escolher.

  • Ary 16/06/2010 at 16:31

    A MONTANHA MÁGICA – T.MANN

  • Roberto Mafra 28/06/2010 at 12:55

    Eu salvaria “Vanity Fair” de William Thackeray. Acho esta obra de uma perfeição quase absurda.Os personagens parecem literalmente saltar das páginas. Em segundo lugar viria “Judas, o Obscuro”, um livro comovente, sofrido, lindo em sua melancolia .

  • carol 08/07/2010 at 10:20

    Quando eu voltar a ser criança. Autor Janusz Korczak.

    http://www.anacarolinabrasil.blogspot.com

  • Lina Vianna 31/08/2013 at 05:08

    Fácil, fácil: eu decoraria Farenheit 451

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