Queimem Monica Ali!

27/07/2006

Virou caso de polícia a filmagem, em Londres, do longa-metragem “Brick Lane”, baseado no livro homônimo da princesa do multiculturalismo inglês Monica Ali (leia aqui nota publicada no Todoprosa sobre o último livro da autora). A comunidade bengalesa que Monica Ali retrata no livro – e à qual ela pertence – está revoltada com o que alega ser um retrato preconceituoso e estereotipado de sua gente.

Os protestos ganharam tal vulto que a produtora cancelou as filmagens em locações na região bengalesa de Londres, seguindo o conselho da polícia. Não bastou. Está prevista para domingo uma passeata em que exemplares do livro serão queimados. “Ela tem direito à liberdade de expressão, nós temos o direito de queimar livros”, declarou Abdus Salique, líder de uma certa “Campanha contra o filme Brick Lane de Monica Ali”. O movimento reúne centenas de pessoas e foi lançado oficialmente ontem, segundo reportagem (em inglês) do “Guardian”.

Uma manifestação de trogloditismo? Claro que é. Mas é comovente também. Quer dizer que a ficção, tratada como uma excentricidade cada vez mais irrelevante em termos sociais, ainda é capaz de provocar toda essa mobilização em algum lugar do mundo? Bom saber que o papel não está restrito a cartuns dinamarqueses.

9 Comments

  • james jorge barbosa flores 27/07/2006 at 18:34

    saboroso, delicioso o trecho final da matéria… Sartre continua vivo: o inferno é o outro (que nos mostra quem somos).

  • cagliostro 27/07/2006 at 22:00

    Welcome to hell…

  • lao 28/07/2006 at 10:54

    Poxa, estranho. Também fiquei feliz com isso. E gostei mais da resposta do figura: ela TEM DIREITO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, nós temos o direito de queimar livros”. Vá lá..não sou a favor de queimar livros (bem..há alguns..) mas é melhor do que queimar livrarias ou bibliotecas..ou seus escritores..
    abrs,

  • André Pessoa 28/07/2006 at 12:12

    Não há discurso capaz de tornar palatável o ato de queimar livros.

  • fat james 28/07/2006 at 12:23

    “Em qualquer lugar que se queimem livros, mais cedo ou mais tarde se queimarão homens.” A frase é de Heine, que teve seus livros queimados pelos nazistas.

  • milton de almeida pinheiro 28/07/2006 at 15:10

    Sou contra, evidentemente, o ato de queimar livros; todos os ditadores, sempre que puderam, fizeram suas fogueirinhas. Mas, no caso, os queimadores não estavam queimando livros; estavam queimando vários exemplares de um mesmo livro.

    A autora agradece, pois cada exemplar queimado foi comprado em uma livraria e ela receberá direitos autorais.

  • Msim 28/07/2006 at 21:34

    Prq ninguém se importou enquanto o livro era apenas um livro?

    Filmes são perigosos…

  • Writing Ghosts 28/07/2006 at 21:40

    acho que poderia se queimar muitos livros, limpar de vez por todas as grande bibliotecas de lixos comercialóides, obras nascidas do capitalismo vicejante e “paramilitante” de algumas editoras.

    com muitos eu quero dizer não milhares, mas talvez milhões de livros; suas bilhões de páginas alçando vôo com as fagulhas da enorme fogueira. …fabuloso.

    magnífico! o que o tempo levaria centenas de anos para fazer, resolvido em poucas horas.

    imaginem: uma grande fornalha estatal. com a cabeça de Baal, e no ventre trazendo a bocarra aberta e vaporante. Lá dentro, só alguns vagos gemidos retorcidos e enfim:o crepitar silencioso e totalitário.

    para começar, que tal um novo Index? vou propor a algum político demente, desses corrompíveis. não deve ser difícil de achar.

  • Writing Ghosts 28/07/2006 at 21:45

    – Queimar, queimar! Fogo neles! aargh…

    (e esfregando as mãos, doidivanas:)

    – Ardam, blasfêmias e heresias!

    (no fim do ato eu me atiro junto. cai o pano)

    FIM

  • eli 17/06/2008 at 11:19

    que idiotice queimar livros, podemos sempre só ler os bons livros sem termos de queimar os maus…mas definitivamente nao devemos queimar os de Monica Ali. ela é fantástica – adorei o Alentejo Blue

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