Quem tem medo de JT Leroy?

21/06/2007

O “caso JT Leroy” foi tão embaraçoso para o establishment literário em geral que acabou sendo muito menos discutido do que merece. Levantou-se uma orelha do tapete, varreu-se o assunto, uma pena. Vale aproveitar o fato de a confusão ter finalmente chegado aos tribunais na forma de uma acusação de fraude – leia a reportagem do “New York Times”, mediante cadastro gratuito – para recordar a história.

Para quem não se lembra, o escritor-personalidade JT Leroy, apresentado como um jovem travesti drogado, prostituído e soropositivo, salvo por um triz da ruína por sua genialidade literária, entrou em cena em 2000 nos Estados Unidos para virar uma celebridade instantânea.

A questão constrangedora é: quanto da imediata e festiva adoção de JT pela imprensa literária se devia à sua biografia e quanto à literatura em si? Porque a biografia provou-se mais falsa do que uma prestação de contas do presidente do Senado. E se o texto era mesmo tão espetacular quanto andaram dizendo, que importância tinha um nom de plume? Por que, do dia para a noite, todo mundo que o cobrira de elogios saiu assobiando para cima?

JT Leroy, soube-se há dois anos, era na verdade uma dona de casa quarentona chamada Laura Albert. A irmã de um namorado dela andou representando o papel do “escritor maldito” em aparições públicas – inclusive no Brasil, onde a Geração Editorial lançou dois livros de Leroy, “Sarah” e “Maldito coração”, e o autor foi tratado como uma espécie de “novo Salinger”.

No julgamento, a defesa de Laura Albert tenta afastar de sua cliente a pecha de manipuladora cínica ao apresentá-la como uma pessoa perturbada, com problemas psíquicos que a fizeram desenvolver uma “personalidade alternativa”. O que talvez seja – ou não? – mais uma camada ficcional nessa história fascinante.

48 Comments

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 12:37

    Quem traduziu um (ou seriam os dois?) dos seus romances foi o Santiago Nazarian, que andou com ele pra cima e pra baixo aqui no Brasil mas confessa até hoje não ter certeza se estava com “o” JT Leroy certo. Sim, porque houve vários: ao menos uns três.

    Chegou-se a cogitar que a tal atriz que o descobriu fosse a autora dos livros. Não sabia que tinham descoberto essa jovem com problemas de personalidade. Pra mim, continua tudo sendo uma mentira. Essa explicação não me convence, é rocambolesca demais. Prefiro achar que é a atriz.

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 12:43

    Sobre a qualidade literária de JT Leroy:

    Não cheguei a ler nenhum dos seus livros, porque eram caros. Mas li, em pé mesmo, dentro da livraria, a primeira página de um deles (sim, Bemveja: a gente não precisa beber TODO o vidro de veneno pra saber que mata; uma ou duas gotinhas só já nos esclarecem o fato). Gostei. Muito interessante, muito “Cristiane F. drogada & prostituída”, mas com qualidade literária. Bem-escrito. Gostaria de ler mais. Ler ambos os romances.

    A imprensa literária constrói bolhas: de uma hora pra outra alça aos píncaros do Olimpo Literário ídolos instantâneos e depois, com a mesma rapidez, lançam-nos na lama. Faz parte da natureza humana: nada nos dá mais prazer do que ver as agruras de ídolos que, há pouco, amávamos mais que a vida. Vejam Michael Jackson, vejam a (argh) Britney, vejam a Paris. Felizmente, os ídolos literários são menos “visíveis”, menos espetaculares (o que são uns poucos milhares de leitores em comparação com os milhões – talvez, bilhões – de fãs de uma Madonna, com ou se cacófato?)

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 12:47

    Aos que não conhecem a história do(s) JT Leroy: ele é um cara pequeno, magrinho, que só anda de óculos escuros e peruca loura. Não tira os dois em público por nada deste mundo, nem de dia nem de noite. A explicação é que, como sofreu agressões sexuais na infância e adolescência (sua mãe era prostituta e foi ela quem o “iniciou” no métier), tem problemas emocionais até hoje que o impedem de se mostrar.

    Daí que houve, pelo menos, 3 JT Leroys: basta ver as fotos e os vídeos dele pra perceber que o formato do rosto é diferente. Em algumas, JT Leroy, por baixo dos imensos óculos escuros e da peruca, tem um rostinho redondo, feminino. Em outras, um rosto mais afilado. Várias pessoas foram contratadas, é de se imaginar, para representar JT Leroy.

    Aliás, essa história dava um bom romance, hein?

  • Areias 21/06/2007 at 12:48

    Episódio semelhante (ou quase) foi o doRomand Gary, que criou o Émile Ajar para assinar o romance (La vie devant soi) e assim papar um segundo Goncourt. Depois, tentou embarcar na mentira e chamou um sobrinho para assumir o papel de autor. Acabou descoberto, ou ele mesmo se revelou, eu acho, já que o sobrinho em questão gostou dos holofotes e começou a incorporar o autor inexistente.

  • Arnaldo 21/06/2007 at 13:02

    Tem o James Frey, de “Um milhão de pedacinhos” – rolou até um recall quando descobriram que seu livro não era autobiográfico. O problema está na síndrome do furo jornalístico, que contamina até cadernos que não deviam ter compromisso com a pressa. Conselho do Tom Stoppard: “Don’t clap too loudly, it’s a very old world”.

  • Magnificat 21/06/2007 at 13:12

    Lembro-me de pelo menos duas histórias vagamente semelhantes, com a vantagem de serem verde-amarelas:

    O já famoso “segredo de Polichinelo” envolvendo o autor do romance Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva, que deve a forma final de seu livro ao Caio Fernando Abreu (se bem que, segundo me contaram, ele passou pelas mão de pelo menos outras duas pessoas – mas não vou revelar nomes, nem sob tortura). Houve uma época que, lendo o livro, eu podia apontar frases e trechos inteiros que eram, seguramente, saídas das mãos do Caio. Hoje em dia, com a idade, deixei de ser tão perceptivo.

    Outra história é a da autora de Com licença, eu vou à luta, Eliane Maciel, que foi um MEGA bestsseller na década de 80. Que – surpresa! – não escreveu o seu “livro autobiográfico”. Ao menos, não na forma como o conhecemos. Ela tinha nada mais que um punhado de textos confusos e mal-escritos, que passaram pelas mãos de algumas pessoas. Uma dessas pessoas me contou que chegava a rir, ao ver Eliane Maciel dando entrevistas dizendo o quanto tinha sido difícil escrever o seu livro e se auto-elogiando. Hahahahaha. Isso é que se chama “entrar no papel”.

    Mas, afinal de contas, o que nós podemos esperar de um país em que um dos Presidentes da Academia Brasileira de Letras (Arnaldo Niskier), com centenas de livros publicados, NUNCA escreveu uma linha sequer deles? Sabe-se que os seus ghost writers têm de assinar um contrato (cuja única cópia fica com o Sr. Niskier) que só falta prometer lançá-los ao fogo do Inferno, caso venha à público a informação que tão gentilmente eu acabo de lhes contar.

    Imagino que haja dezenas de outras histórias semelhantes, que nunca vêm à tona…

    Triste Bahia – quer dizer, triste Brasil…

  • Dom Gustavo 21/06/2007 at 13:34

    A pilantragem sempre rendeu mais do que a honestidade. Simplesmente porque assegura os aplausos dos idiotas, ou seja, da oceânica maioria.

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 13:47

    Oooops, não deixem o Claudio Soares ler o que o Magnificat contou, senão ele vai ter uma desilusão lítero-amorosa… hehehe.

  • Claudio Soares 21/06/2007 at 13:49

    o melhor do post é o terceiro parágrafo.

    penso: quem afinal de contas (se) engana a quem?

    “adoções festivas” de “gênios” literários deveriam ser tratadas com mais cautela. inclusive no “país tropical e abençoado”.

    o “caso jt leroy” me parece um caso exemplar de “hoax pelo hoax”. novidade não é, pois a figura do “ghost writer” é antiga. não vejo muita diferença. jt roy (laura albert) é apenas zszoze kósta de si mesmo(a).

    acrescentando ao tema, levanto uma questão: e os livros em si tb podem ser alvo de hoaxs? parece que é o que acontece com o harry potter 7.

    o livro que bate todos os recordes de pré-venda parece que foi hackeado. saiu hoje na cnet. está lá no pontolit tb. abs.

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 13:51

    Magnificat:

    A história do livro do Marcelo R. Paiva eu já tinha ouvido lá nos corredores do Instituto de Letras da Uerj… Como você disse: não é bem um “segredo”, né? Só não é algo que se comente por aí…

    As outras duas histórias são, pelo menos pra mim, inéditas. Como dizem os gays: que bafão, hein? :-)

    Como você sabe essa história do Arnaldo Niskier? Você foi ghost writer dele? (Saint-Clair, dando uma de detetive)

  • Claudio Soares 21/06/2007 at 13:51

    saint: por favor desenhe :-)

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 13:55

    Claudio: de nós todos que comentamos aqui no TP você é o que parece estar mais próximo da ABL. Aliás, acho que é o único. Pelo menos, tem divulgado muitas notinhas sobre a ABL e as coisas que se fazem lá (as coisas literárias, quero dizer). Por isso que brinquei, dizendo que você teria uma desilusão lítero-amorosa ao ler o que o (ou a) Magnificat escreveu…

  • Claudio Soares 21/06/2007 at 14:08

    rsrsrs ok. tá valendo, saint :-)

  • Silvio... Silva 21/06/2007 at 14:15

    Gente, alguém aí se lembra de Rigoberta Menchú? Até nobel da paz ela faturou! Com o tempo, muito da biografia “forrest gump” dela (que também ajudou a vender livros, ganhar nobel, etc.) mostrou-se cheia de falsificações tipo a desse sujeito Leroy.

  • Claudio Soares 21/06/2007 at 14:21

    ainda nesse assunto: acabei de ler a notícia sobre o caso harry potter no globo online (http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/06/21/296454630.asp).

    nao existe uma única referência ao site da cnet e a materia é nitidamente uma pura tradução da que pode ser lida no site americano.

    pelo visto existem muitos jt leroys por aí, mais do que imaginávamos.

  • Claudio Soares 21/06/2007 at 14:24

    bem, na verdade a fonte de origem é a Reuters.

  • Marco Polli 21/06/2007 at 14:48

    Podemos inventar o que seriam grandes encândalos literários brasileiros:

    Dalton Trevisan não é esse recluso rigoroso, seria apenas um pseudônimo de um radialista de AM em Curitiba.

    Raduan Nassar não parou nunca de escrever. Ele já tem 15 romances finalizados que serão colocados no mercado simultaneamente.

    Ferréz na verdade é de uma milionária família paulistana.

    Todos livros de Paulo Coelho haviam sido rascunhados por Raul Seixas.

    Rubem Fonseca comandou um assalto na virada de ano para 1974.

    Jorge Amado mantinha no subsolo de uma casa no Pelourinho uma dezena de escritores trabalhando para ele.

  • Fernando Molica 21/06/2007 at 14:58

    A questão é saber se os livros do(a) JT Leroy teriam vendido tanto se não houvesse o personagem. Arrisco dizer que não. Lembro também do livro da Eliane Maciel, lançado pela Codecri – a biografia da autora ou “autora” (sei lá) era mais importante que o livro em si. Enfim, talvez a construção de um personagem para o autor seja tão ou mais importante que a construção dos personagens do livro em si.

  • Djalma Toledo 21/06/2007 at 15:48

    Até Jorge Amado ?

    Karacas. E o Roberto Marinho também virou imotal …

  • Bemveja 21/06/2007 at 16:07

    Isso é estelionato, e remonta à célebre história do “Ossian” (James McPherson) no séc.XVIII. O pior dessa história, além do golpe aplicado nos leitores incautos, é a glamourização da figura do drogado, que remonta, por sua vez, aos sres.De Quincey e Baudelaire no séc.XIX. Ou seja, nada de novo.

  • Piada 21/06/2007 at 16:31

    Quem leva a série empulhações como esta tem miolo mole, não interessa se se pretende crítico, escritor ou editor. Publicado no Brasil pela Geração Editorial? Bom… Não é de se esperar coisa melhor.

    No Brasil também temos uma fraude parecida, embora com a devida microdimensão tupiniquim. O “escritor” Nelson de Oliveira criou um falso poeta chamado Valerio Oliveira e vem publicando livros do sujeito há alguns anos. Já vi vários patetas metidos a escritores elogiando o sujeito – alguns em conivência com o tal Nelson, outros por patetice mesmo, sem notar que estão sendo enganados. E há jornalistas que já publicaram resenhas e notas sobre o inexistente Valerio. Os releases com que os livros são enviados à imprensa são ridículos: dizem que o sujeito foi elogiado por meio mundo, que vive na Califórnia, que é excêntrico e não dá entrevistas etc.

    Aliás, esta história de releases mentirosos já vem desde a época do Bruno Tolentino, cujo livro As HOras de Katarina foi publicado no Brasil pela Companhias das Lesmas acompanhado de falsos elogios de grandes poetas europeus, de quem o tal Tolentino se dizia amigo. Na edição da Companhia das Lesmas, há também a informação de que Tolentino publicara livros em francês e em inglês e que fora editor da revista de poesia de Oxford. Ora, é só colocar o nome do sujeito no Google e nada aparece a respeito… Não é estranho?

    Que tal uma nota sobre as empulhações literárias brasileiras?

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 17:11

    “Companhia das Lesmas” – hahahahahaha. Adorei!

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 17:17

    Pô, Piada, nada a ver revelar a história do Nelson, poxa… Eu já sabia, mas fiquei de boca fechada. Recebi há alguns anos um livrinho minúsculo (nas dimensões), enviado pela “Editora” do Valério Oliveira, com uma biografia & coisa e tal. Achei bem legal. Tenho o livrinho até hoje, guardado no envelope original. Como sou fã apaixonado de literatura policial, não foi difícil descobrir quem era a pessoa por trás daquilo.

    O Nelson não está prejudicando ninguém com essa sua brincadeira (ao contrário, por exemplo, do Sr. Niskier – supondo que a história seja verdadeira). Há diferença entre uma brincadeira literária e má-fé. Acho que todos nós devíamos saber disso…

    P.s.: e o Magnificat ainda não respondeu a pergunta que lhe fiz…

  • Bemveja 21/06/2007 at 17:20

    Marco Polli, sobre sua observação acima e sobre o tema do tópico em geral (que aliás está provocando ótimos comentários), lembro o tratamento ficcional irônico e definitivo do tema pelo Borges (obviamente) em “Pierre Menard, autor del Quijote”.

  • Bemveja 21/06/2007 at 17:29

    “Menard (acaso sin quererlo) ha enriquecido mediante una técnica nueva el arte detenido y rudimentario de la lectura: la técnica del anacronismo deliberado y de las atribuciones erróneas.”

    http://www.literatura.us/borges/pierre.html

  • Guilherme 21/06/2007 at 17:53

    Saint-Clair, o traudutor de “Sarah” nao foi o Santiago Nazarian e sim Flavio Moura. Boa parte do marketing do escritor(a) está exatamente no argumento da obra, que supostamente é de fundo autobiográfico. Funciona assim: Cherry Vanilla é um pré-adolescente criado como menina que vive em um trailer na companhia de sua mãe e ambos são controlados por um cafetão, que os explora junto aos caminhneiros. Certo dia, a m~~ae o abandona e Cherry Vanilla foge. Acaba caindo nas mãos de outro cafetão e por aí a história vai. Parece chulo, mas o mérito da obra está exatamente na ausência de descriçoes pornográficas ou escatológicas. Não há nem palavrões!!! Não chega a chapar, mas vale, sim. Eu achei em um sebo por 10 reais e não me arrependi.

  • Saint-Clair Stockler 21/06/2007 at 17:56

    Valeu, Guilherme, pelas informações. Vou torcer pra achar algum dos livros do JT Leroy num sebo…

  • Guilherme 21/06/2007 at 18:07

    Digamos que JT Leroy é um Mirisola despido na linguagem e denso no conteúdo

  • joao gomes 21/06/2007 at 18:22

    Ah! JT Leroy heterônimo??

    Essa dona-de-casa usou a cabeça. Como Max Geringher já disse: “quem não tem pedigree tem que ter degree”. E ela inovou em forjar um pseudodegree. Felizmente não caí na onde daquele tempo.

    Essa história, essa reportagem pode ser também mais um meio de obter vendagem e notoriedade nesta nossa época de multidões ávidas por novidades e celebridades.

  • joao gomes 21/06/2007 at 18:22

    Ah! JT Leroy heterônimo??

    Essa dona-de-casa usou a cabeça. Como Max Geringher já disse: “quem não tem pedigree tem que ter degree”. E ela inovou em forjar um pseudodegree. Felizmente não caí na onde daquele tempo.

    Essa história, essa reportagem pode ser também mais um meio de obter vendagem e notoriedade nesta nossa época de multidões ávidas por novidades e celebridades.

  • Cezar Santos 21/06/2007 at 18:55

    É a contrafação, que existe em tudo e em todo lugar. Por que não existiria na literatura?
    Em alguns casos pode até render livros interessantes, posto que a literautra é um terreno propício para tal, depende da habilidade do escritor.
    Agora, por que a dona de casa quarentona chamada Laura Albert que escreveu o livro se penitenciou? Tinha mais é que assumir e dizer que escreveu o pastiche e que inventou outro autor pra coisa. Poderia dar como motivo o fato do livro ser ruim pra daná…
    Quem gostou gostou, ora…

    A Geração realmente publica uns troços…mas ela também publica coisas legais…. não é dela os livros do Wil Self? Taí, um cara chegada numa contrafação que escreve uns pastiches muito interessantes de ler, né não?

  • Magnificat 21/06/2007 at 18:58

    Saint-Claire, ao contrário de algumas pessoas, que podem contar com auxílio governamental (“bolsas” e outras formas de auxílio financeiro), dando-se ao luxo de passar tardes inteiras contectados à Web, preciso trabalhar para ganhar o pão de cada dia. Tenho uma tradução de um manuscrito de 457 páginas a realizar, além de ter apanhado uma gripe terrível nos últimos 3 dias.

    Respondendo a sua questão: prefiro não respondê-la. Se estivéssemos nos EUA, evocaria a Quinta emenda em minha defesa…

  • Magnificat 21/06/2007 at 19:00

    Perdão: “Saint-Clair”, sem “e” no final. Sei o quanto isso te irrita.

  • Perguntar não ofende 21/06/2007 at 20:39

    Deve ser difícil traduzir um manuscrito. Vai publicar como, Magnificat? Num pergaminho?

  • Magnificat 21/06/2007 at 21:40

    Do Aurélio:

    “Manuscrito – 3. Edit. Original de texto, mesmo que mecanografado.”

    Estou traduzindo um romance, meu caro/minha cara. Quem vai publicar será a Editora. Meu trabalho é mais humilde, mais monástico.

  • Thiago Maia 21/06/2007 at 22:12

    Calma.

    Abaixo há um pequenino spoiler de O ano da morte de Ricardo Reis, quase nada diante da grandeza do livro:
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    Saint-Clair, só pela piadinha: você já leu o romance O ano da morte de Ricardo Reis, do José Saramago, em que Ricardo Reis dialoga com um fantasma muito íntimo?
    : ))))))))))))))))))))))))))))))))
    Você é uma figuraça.
    Um abração.

  • Mriandy 21/06/2007 at 23:09

    Eu adoraria entrar neste embate, mas estou cansada e com sono. Mas eu adooooooroooo mesmo esse assunto. Portanto dou minha contribuição! Leiam “Nome falso” (na tradução) de Ricardo Piglia! O rolo é por aí! Envolve acadêmicos, literatos e literatos todos em uma conspiração na qual ninguém tem o rabo solto (mas também não está preso) e cuja conclusão perfeita é: não há propriedade de palavras. Perfeito Boa noite!

  • João Paulo 22/06/2007 at 07:58

    Caramba, o Dalton Trevisan é o Dalton Trevisan, mesmo rsrs. Eu o conheço desde um prolongado tempo que passei em Curitiba a trabalho e posso garantir que ele nem é tão recluso assim. Gosta ou pelo menos gostava de trocar pernas pela Rua XV e de bater-papo com alguns poucos amigos, entre os quais orgulhosamente me incluo, mas nem era tão difícil vê-lo por lá.
    E não era, definitivamente, locutor de Am nem Fm. Rs.

  • joao gomes 22/06/2007 at 09:29

    obs.:

    João Gomes é João Gomes mesmo! mesmo havendo milhares de homônimos neste vasto mundo, e-mundo, imundo.

  • Saint-Clair Stockler 22/06/2007 at 16:04

    Thiago:

    O ano da morte de Ricardo Reis é um dos meus Saramagos preferidos. Se bem que “o” meu Saramago preferido é um livrinho para o qual ninguém dá a menor bola: Manual de pintura e caligrafia.

    Li “O ano…” numa edição portuguesa, roubada da Biblioteca do Instituto de Letras (calma lá: não fui eu que roubei, não. Um amigo roubou e eu pedi emprestado. Da última vez em que foi na cada dele, vi que o livro continua lá)

  • Saint-Clair Stockler 22/06/2007 at 16:08

    Magnificat:

    DETESTO mesmo que me chamem de “Saint-ClairE” – é horrível. Esse “e” maldito só serve pra me irritar. Obrigado pela correção…

  • matador 22/06/2007 at 17:55

    ô Saint-Clair! Rouba de novo o livro e devolve pro Instituto. Vale a pena: você terá cem anos de perdão :)

  • Cezar Santos 22/06/2007 at 17:55

    Saint-Clair..
    O Manual também é um dos meus Saramagos preferidos, bicho… sem bem que gosto pra caramba do “A jangada de pedra”… puta livraço!

  • Saint-Clair Stockler 23/06/2007 at 11:02

    matador:

    se eu fizer isso, perco o amigo. Ele é gay – e, você sabe, gays são vingativos… :-(

  • Saint-Clair Stockler 23/06/2007 at 11:03

    Cezar: é engraçado, mas desses Saramagos mais badalados, só consegui gostar de um: O Evangelho segundo Jesus Cristo.

  • Daniel Brazil 23/06/2007 at 19:53

    Bem, tínhamos o Nelson Rodrigues, certo? Assinou livros como Suzana Flag…

  • Cristina 17/01/2015 at 22:08

    O interessante pra mim é: uma dona de casa escreveu livros que foram aclamados, e ainda criou uma personagem , que foi tão real que o mundo acreditou. Para mim, genial.

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