Sei lá, mil livros… (II)

30/01/2009

Crise séria no mercado editorial turco, o secretário-geral do sindicato nacional dos escritores aparece com uma proposta que, embora pareça fadada a ser ignorada pelo governo de lá, tem tudo para frutificar em certos setores da literatura brasileira: “Poderia ser um primeiro passo se o ministério (da Cultura) comprasse mil exemplares de cada livro publicado”. Atenção, isso é só uma notícia: depois não vão dizer que eu dei a idéia.

Via blog de livros da “New Yorker”.

9 Comments

  • Roberto 30/01/2009 at 13:31

    O Ministério da Educação já compra Marcelino Freire, Nazarian, Férrez….

  • Rodrigo 30/01/2009 at 13:42

    Há tanto dinheiro indo para produções audiovisuais e musicais que não necessitam de estímulo governamental.

    Acho que o governo deve mesmo investir em acervos de bibliotecas públicas comprando lançamentos editorias (não sei em que quantidade e com que critério).

    Essa crença de que a mão invisível do mercado literário vai selecionando as melhores publicações é muito ingênua.

    O governo tem que se preocupar com acessibilidade e não com a qualidade das produções, isso se atinge com o tempo e de preferência com elevação do padrão crítico dos leitores, mas para isso eles tem que ter acesso aos livros.

    Até que essa notícia poderia virar idéia.

  • Rafael 30/01/2009 at 14:22

    Em princípio, sou contra o uso de dinheiro público para tais finalidades.

    No entanto, senhores, apoio, e com veemência, uma medida que decerto contribuirá inestimavelmente para o avanço da cultura e o desenvolvimento das letras: o uso de dinheiro público para subsidiar certos escritores, contanto que estes, em contrapartida, assumam o encargo de nunca mais escrever!

    Só não direi nomes, pois hoje acordei tomado pelo espírito da benevolência.

  • Pedro Curiango 30/01/2009 at 16:47

    “CADA LIVRO PUBLICADO,“ Sérgio? Isto seria um dos maiores estragos feitos à cultura literária brasileira. Seria boa, entretanto, a retomada de um programa que o Instituto Nacional do Livro tinha tempos atrás: comprar, a preço de capa, uma certa quantidade de exemplares (200?) de livros de autores brasileiros escolhidos por uma comissão de escritores reconhecidos como de qualidade dentro de sua própria classe. E distribuí-los com as bibliotecas pelo Brasil afora. Creio que tal programa foi extinto quando se deu início ao subsídio para edições, que, no fim, se tornou absurdo quando a aprovação de milhares de livros de “poesia” dependia apenas de uma carta de recomendação de um deputado qualquer… PC

  • Claudio Soares 30/01/2009 at 18:21

    Sérgio, vc é mesmo um gozador… Aliás, vc não, o secretário-geral do sindicato nacional dos escritores turcos [deve ser parente do fundador da Associação Internacional de Proteção às Borboletas do Afeganistão].

    Agora, falando sério, esse pessoal anda mesmo na contramão da história. Enquando nos EUA [que na próxima semana sediará em NY a terceira TOC] cresce o movimento dos autores indie, autores verdadeiramente empreendedores, na Turquia [e aqui] ainda se espera que o governo custeie escritores?

  • Tomás 30/01/2009 at 19:50

    Mil exemplares? Só Mil? Que merreca! Tinham que comprar logo uns dez mil, pra dar uma folga monetária aos futuros expoentes da literatura mundial. Dez não, uns trinta mil, vai, pra esse pessoal poder conhecer o mundo, ampliar os horizontes, aí sim.

  • Rodrigo 31/01/2009 at 08:52

    É mesmo, talvez até devam criar uma revista:

    Escritores S/A , já que escritor bom é aquele empreendedor, o que sabe se vender. Estes tem mais qualidade. Taí a lista de best-sellers para comprovar que os melhores são os que vendem mais.

  • Pedro Curiango 31/01/2009 at 14:48

    Uma pergunta: alguém já leu algum dos livros do Cesare Battisti?

  • Satan-Clair Stockler 31/01/2009 at 23:05

    Eu sou super a favor de o governo brasileiro arranjar bolsas para escritores, por exemplo (que nem o governo francês sempre fez). Se o Guilherme Fontes pode descolar milhões – repito MILHÕES – pra fazer um filme que só deus sabe se existe (“Chatô”), se a Norma Bengel pode fazer a mesmíssima coisa, por que eu não haveria de receber uma mísera bolsa de 2 ou 3 mil reais por mês, durante 12 ou 24 meses, pra escrever um livro?

    O problema dos escritores brasileiros – e dos leitores, lamento acrescentar – é que pensam pequeno, porque estão acostumados à sua vidinha minúscula. Comecem a pensar como “cineastas”, meus caros! Vocês verão que vossas vidas hão de melhorar – e muito!

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