Soa o apito final

11/12/2008

Encerra-se aqui, pelo menos para este blog, o capítulo da Copa de Literatura Brasileira 2008. E se encerra com festa. Saiu hoje o resultado da final: “O filho eterno” 11 x 3 “O dia Mastroianni”.

A festa fica por conta da orgia de opiniões que o formato da competição proporciona, com todos os juízes (bom, quase todos) entrando em campo ao mesmo tempo para justificar seus votos. Todas as atrações do circo estão lá, numa diversidade bonita de ver.

Melhor ainda quando se constata que, no balanço final, o ambiente conserva uma sanidade básica, que também pode ser chamada de inteligência coletiva. Por mais que se deva – e se deve mesmo – desconfiar das consagrações unânimes, se o grande livro de Cristovão Tezza deixasse de levar mais esse “título”, perdendo para o livrinho apenas bom de João Paulo Cuenca, haveria motivo de preocupação.

Houve até um bônus inesperado: Nelson de Oliveira compareceu mais sério, suando a camisa de árbitro, em contraste dramático com sua primeira atuação na Copa.

Enfim, não sei se isso tem a ver com o efeito embriagante de toda festa, mas termino minha participação na CLB com vontade de retocar as críticas à edição deste ano que fiz lá na caixa de comentários e depois reproduzi aqui no blog. Talvez fracasso não seja um bom nome para a coisa, afinal, embora em alguns momentos ela tenha cortejado o mais puro e estéril aranzel – resta saber se poderia ser diferente, tratando-se de uma competição de literatura. E brasileira.

Fica aqui um sincero agradecimento público ao Lucas Murtinho, o talentoso cartola da CLB, por ter me envolvido na brincadeira. Mas ano que vem vou de arquibancada.

14 Comments

  • Andre Araujo 11/12/2008 at 10:49

    Eu gosto bastante da ideia da Copa, e do formato do site também, só uns juízes que querem aparecer mais que o jogo (os Márcio Rezende da Literatura?)…
    Mas o que eu gostei, é que é uma forma legal de divulgar autores nacionais que têm talento…

    Seria legal fazer a final de Tóquio entre Tezza e Assis Brasil, e uma final de “campeões morais” entre Galera e Saavedra….

    e, só para acrescentar, gostaria de dar meus parabéns ao Sérgio, pela forma com que assumiu o compromisso de participar da Copa, pelas críticas, comentários e principalmente pela resenha…

    Off-Topic…. Sérgio, achei o livro da minha amiga…

  • Andre Araujo 11/12/2008 at 10:52

    off topic 2… continuamos com problemas de fuso….

  • Fernando Torres 11/12/2008 at 10:52

    Sérgio, nos últimos 20 ou 30 anos, existiu algum livro que causou tanto “frisson” quanto o do Tezza? Estou tentando lembrar não consigo. Embora eu ainda mantenha minha posição que o Hatoum ainda é um autor sem precedentes no quesito de prêmios, mais pela regularidade que pelo abocanhamento geral deles.

  • Tibor Moricz 11/12/2008 at 11:24

    Competição brasileira (seja do que for) sem pega pra capar, sururu, barraco, confusão, diz que me diz, bafafá, bagunça e soco no ouvido não tem graça.

  • Jonas 11/12/2008 at 11:47

    É realmente uma pena ver uma boa idéia afundar por culpa de alguns jurados infelizes, “essas porra”.

  • André 11/12/2008 at 18:07

    Sérgio, gostei das suas duas resenhas. No final, a maioria escreveu bem.

    Nem vou comentar “esses porra”.

    Fiquei também incomodado com o Nelson de Oliveira. O cara lê Filho Eterno e Um Dias Mastrionni. E aí faz um voto estético-ideológico em favor última por ele não é realista. Precisa ter muita frieza para descartar tudo o que a obra do Tezza traz e ficar pensando “mas isso é realismo”. Que importa se é realista ou não? O importante é que funciona. Bem, ele descarta tudo isso em favor de um livro fraco só porque está na sua linha de ideologia estética. Ajuda a entender como os ideólogos-políticos no poder são tão sanguinários. Nada importa, só a ideologia abstrata.

  • Isabel Pinheiro 12/12/2008 at 08:33

    Como eu não sou amiga de escritor nenhum, novo ou veterano, e não entendo absolutamente nada de crítica literária ou teorias do gênero, adoraria ser jurada dessa Copa e poder simplesmente dizer, no final, “voto nesse porque gostei mais dele”. Eu havia guardado todos os emails para ler as partidas de uma vez, mas com calma. Não consegui chegar nem ao jogo do Sérgio. Tudo muito chato.

  • Eric Novello 12/12/2008 at 09:25

    André,
    Que bom que o Nelson tem uma opinião e critérios diferentes, não? E que além de tê-los deixa bem claro quais são para que os leitores possam concordar ou não com ele. Opinião é igual, ãhn, nariz, cada um tem o seu, alguns mais empinados. O importante é saber organizar a linha de pensamento de modo que outras pessoas possam acompanhá-la para buscar pontos de concordância e discordância.
    Abs!

  • Sérgio Rodrigues 12/12/2008 at 10:30

    André, também acho esse critério “realismo não” uma coisa lamentável, mas pelo menos é um critério. Ainda é melhor que criterio nenhum, essas porra.

    Isabel, eu diria que o erro foi ter guardado tudo para ler de uma vez. Ninguém agüentaria, realmente. É como atacar uma pilha de jornais velhos. Um pouco de cada vez, acredite, a coisa tem a sua graça, apesar de todos os problemas que já foram comentados aqui.

    André Araújo, eu estava para te dizer que a L&PM acaba de lançar “As virgens suicidas” em versão pocket. Mas se você já encontrou, melhor. Espero que sua amiga goste.

    Abraços a todos.

  • Andre Araujo 12/12/2008 at 14:14

    Daniel,

    Nem nas livrarias de verdade você vai achar entre os mais vendidos…

  • Andre Araujo 12/12/2008 at 14:14

    agora eu que estou com um problema de 1 hora de fuso…

  • Daniel Brazil 12/12/2008 at 14:50

    Ontem fui a um hipermercado paulistano, desses que tem de alface a pneu, passando por máquinas fotográficas. Parei na “livraria”, dividida por seções tipo auto-ajuda, culinária, etc.
    Nos “mais vendidos” , nem sinal do Filho Eterno. Nem nos “menos vendidos”. Simplesmente não existe. Já os caçadores de pipas de Kabul estavam todos lá…

  • Dina Zvetana 12/12/2008 at 18:17

    Daniel,
    e por que vc acha que O Filho Eterno deveria estar na lista dos mais-vendidos? Que vantagem isso traria pra humanidade ou pra quem quer que seja? Você acha que o Brasil seria um país melhor se as pessoas lessem O Filho Eterno?!

    Na boa, não entendo esse proselitismo literário de algumas pessoas. Eu amo literatura, mas não quero convencer ninguém a ler nada. Quem leu, ótimo. Quem não leu, paciência. A arte é mesmo para pouca gente.

  • Daniel Brazil 12/12/2008 at 18:29

    Dina, ele deveria estar pelo menos nas prateleiras, não acha? Realmente acho que o Brasil seria um país melhor se as pessoas tivessem acesso ao que de melhor aqui se produz.

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