Sylvia Plath como ‘chick lit’ e outros links

28/01/2013

“A redoma de vidro” (The bell jar), o único romance da poeta americana Sylvia Plath, foi lançado sob o pseudônimo de Victoria Lucas em 1963, poucos dias antes de sua morte. Está completando meio século, portanto, e para comemorar a data o editor teve a ideia de relançá-lo embalado na inacreditável capa chick lit aí ao lado. Como se Sylvia Plath e Sophie Kinsella não fossem antípodas, mas irmãs literárias. Tempos realmente estranhos: um dia vamos rir disso tudo?

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Em compensação, como os tempos estranhos são os mesmos em que a informação flui com liberdade inédita, o áudio do famoso discurso de paraninfo feito por David Foster Wallace em 2005, chamado “Isto é água” (e lançado recentemente no Brasil na coletânea de ensaios “Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo”), pode ser ouvido na íntegra, em duas partes, aqui.

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Para mim, a oficina foi essencial para, digamos, começar a escrever. Porque, na Oficina, uma das maiores revelações foi a de que o apelo sensorial é um dos maiores méritos que um texto pode ter. Dito assim – e de repente eu me leio –, parece uma platitude, uma banalidade, uma ociosidade. Mas, dentro de uma sala de aula, vindo da boca do Assis (Brasil), todos naquele embate para se entender o que faz literatura ser literatura, o conselho “provoquem os sentidos do leitor” compôs, e continua compondo, um sentido transcendente.

O trecho acima faz parte do depoimento da escritora Cíntia Moscovich incluído no livro “A escrita criativa – Pensar e escrever literatura” (ediPUCRS), volume lançado no fim do ano passado com coordenação do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, nosso maior “oficineiro”. Por sua sala de aula passaram nos últimos 28 anos, além de Cíntia, praticamente todos os autores – Galeras, Laubs, Scotts – que tornam a literatura gaúcha contemporânea a mais forte do país.

4 Comments

  • glaucia hoppe meibach de oliveira 28/01/2013 at 23:29

    fazer outro lançamento do ótimo The bell jar de sylvia plath com chick lit bom a autora deve estar se revirando no túmulo glau hoppe

  • Gabriela Erbetta 28/01/2013 at 23:51

    Acho que não conheço tanto a chick lit: bati o olho na capa e pensei num daqueles folhetins tragicômicos do Nelson Rodrigues…

  • Rosängela Maria 29/01/2013 at 16:36

    Eureka! Por isso que a Bíblia é um Livro Transcendente, ela aguça realmente, todos os sentidos do leitor. Um escrito no período de 1200 anos mais ou menos, e hiper contemporaneo. Não duvide.

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