Todoprosa, ano 8: blog, eu?

21/06/2013

No dia 8 de maio de 2006, um texto chamado “Futebol, literatura e caneladas” – comentário sobre a suposta dívida que, segundo muitos críticos, a literatura brasileira tem com o futebol – inaugurava este blog. Não que eu tivesse inteira consciência, àquela altura, do que significava começar um blog.

Essa palavra, blog, ainda era mais empregada para nomear páginas marcadamente pessoais, de umbigo à mostra, e a ideia do Todoprosa era diferente: ser uma coluna jornalística que suprisse a lacuna da cobertura de livros na (finada) revista eletrônica NoMínimo, da qual eu era editor executivo.

Sim, a coluna teria atualização diária, não se furtaria a trazer links nacionais e estrangeiros quando estes fossem pertinentes, seria aberta a comentários dos leitores – incorporaria tudo o que o meio digital pudesse acrescentar, em termos de calor e vibração, a uma coluna jornalística. Mas coluna jornalística seria, e foi mesmo. Nunca deixou de ser.

Isso não quer dizer que não tenha sido também um blog. Formado na velha imprensa de papel (não peguei os lampiões a gás, mas ainda havia máquinas de escrever na redação do “Jornal do Brasil” quando lá cheguei como foca em 1984), acabei aprendendo aos trancos, mas depressa, que pajear um blog não era apenas escrever uma coluna. Significava algo fundamentalmente novo, com seus próprios prós e contras, todos vertiginosos.

Blogs de sucesso, naqueles primeiros anos do Todoprosa, eram pontos de encontro, salas de chat, ímas de malucos. Assinar um blog jornalístico significava ser, mais que um jornalista, um mestre de cerimônias, um anfitrião, um provocador, um bombeiro e um escravo acorrentado 24 horas por dia à caixa de comentários. Gostando disso ou não. Eu gostava disso. E de repente não. E depois sim, não, sim… Divertido, como se vê.

Hoje o cenário da cobertura literária na internet é completamente diferente. Por um lado não faltam ótimos blogs – profissionais e amadores – que tratam de livros com olhar jornalístico. Por outro, as redes sociais alteraram por completo o mapa do trânsito de informações. Agora cada leitor é um blogueiro conectado a outros blogueiros, ao infinito.

Sendo assim, um pouco mais de sete anos – e exatos 1.594 posts – depois de surgir, no momento em que completa três anos em VEJA.com, acho adequado que o Todoprosa finalmente se dê ao luxo de realizar a partir da semana que vem seu anseio mais íntimo e primordial: ser uma coluna jornalística. Semanal. Atualizada todo sábado, dia consagrado à literatura pela imprensa. Em vez do picadinho blogueiro, sempre um texto de maior fôlego, resenha ou ensaio breve.

Nos outros dias, sem falta, estarei sendo mais blogueiro do que nunca (certos hábitos não mudam) no vizinho Sobre Palavras, que a partir de segunda-feira passa a ser atualizado seis vezes por semana.

Deixo aqui, querido leitor, um convite que vem sendo renovado – e, para minha felicidade, aceito – há sete anos: apareça sempre. Aqui e lá. Bom fim de semana a todos.

14 Comments

  • Raquel 21/06/2013 at 14:28

    Sérgio,

    parabéns! Sou leitora desde o tempo do NoMínimo.

    • sergiorodrigues 21/06/2013 at 15:44

      Obrigado, Raquel. Continue na área! Um abraço.

  • Sérgio Karam 21/06/2013 at 18:36

    Aí, xará: tudo de bom no novo jeito de publicar. Lerei religiosamente aos sábados. Abraço!

    • sergiorodrigues 21/06/2013 at 19:40

      Valeu, meu amigo. Abração.

  • clara lopez 21/06/2013 at 20:14

    Boa sorte, esteja onde estiver. Ficarei atenta aos próximos passos,
    abraço,
    clara

  • Eduardo 22/06/2013 at 12:26

    Sergio, parabéns pela perenidade do blog, principalmente por ser um espaço onde são publicados textos (ou posts) nem sempre acessíveis à grande maioria de leitores.
    Como crítica (ou seria um pedido?), sinto falta de resenhas e textos “de maior fôlego” sobre os ditos clássicos da literatura, pois seu jeito de escrever, diferentemente do que acontece com alguns críticos literários, torna menos difícil a compreensão de passagens (ou obras) que muitas vezes tem sentido subliminar, intrincado, indireto, paradoxal…
    Forte abraço e boa sorte!
    Eduardo

  • Thiago Maia 23/06/2013 at 17:09

    Para mim começou com o post sobre a campanha de desconto de 30% no preço de tabela, de uma editora italiana (Mondadori?), que era ilustrada inclusive com hipotéticos títulos como: “Setenta anos de solidão”, “Catorze mil léguas submarinas” etc.
    E não parou mais.
    Um abraço, SR e demais.

    • sergiorodrigues 24/06/2013 at 09:17

      Caros Thiago, Clara, Eduardo, obrigado pela leitura. Conto com vocês nos encontros de sábado. Abraços.

  • Ataliba 24/06/2013 at 12:40

    Parabéns Sérgio! gosto muito do formato atual, por isso vou demorar a me acostumar com um único texto semanal, mas, fazer o que, vou continuar te seguindo.

  • Kylderi 24/06/2013 at 15:56

    Longa vida ao Todoprosa, Sérgio! Por favor, não deixe de passar as dicas e comentários sobre leitura, que me fizeram comprar mais livros. Li Diário da queda, As benevolentes e Habitante irreal graças a você.

    Felicidades!

  • Delair 25/06/2013 at 16:54

    Vai ser preciso ter algo fôlego mesmo pra valer a pena. O sobre palavras é muito insosso.

    • sergiorodrigues 25/06/2013 at 17:43

      Ataliba e Kylderi, obrigado e apareçam.

      Delair, fico feliz de registrar que a maioria dos leitores discorda de você. O Sobre Palavras cresce para atender à crescente demanda deles.

      Abraços a todos.

  • perola celeste 03/07/2013 at 13:48

    Gosto de te ler.

  • perola celeste 03/07/2013 at 13:50

    Delair, insosso???? Acho que você perdeu seu paladar. Só pode…

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