Trailer de livro é um ‘conceito ridículo’: prova número 1

09/03/2012

httpv://www.youtube.com/watch?v=EfzuOu4UIOU

O Pop Literário de Sexta não viveria sem eles, mas trailers de livros partem, segundo uma boa tirada de Drew Grant na Salon, de “um conceito razoavelmente ridículo: tentar vender literatura para pessoas que prefeririam esperar pela adaptação cinematográfica”. Seja como for, o gênero está em ascensão (transparência total: eu mesmo já cometi um e dificilmente escaparei de outros) e tem até seu próprio prêmio no âmbito da anglofonia, o Moby Awards, que destaca os melhores e os piores exemplares do mercado no período de um ano.

Nem sempre é fácil distinguir uns dos outros.

Grande vencedor (sem ironia) do Moby 2011, o vídeo acima ilustra bem a observação de Grant sobre o ridículo do conceito. Feito para promover o último romance de Gary Shteyngart, já lançado no Brasil com o título “Uma história de amor real e supertriste” (Rocco, tradução de Antônio E. de Moura Filho, R$ 49,50), o trailer é quase uma superprodução. Tem participações especiais de colegas do autor – especialmente Jeffrey Eugenides, Edmund White e Jay McInerney – e até do astro hollywoodiano James Franco.

Tudo para levar à estratosfera aquele manjado mandamento, “ria de si mesmo antes que os outros o façam”, caro a todo intelectual de nariz em pé que sonha em ser abraçado pelas multidões. Shteyngart, um escritor sério, capricha no papel de palhaço. A coisa é engraçada às vezes, constrangedora na maior parte do tempo, e no fim deixa no ar um miasma de desespero vendedor.

Em mais uma volta do parafuso, Jonathan Franzen levou o Moby 2011 de Pior Desempenho de um Escritor por começar seu monótono vídeo promocional de “Liberdade” alardeando o desconforto de ter que fazer vídeos promocionais.

One Comment

  • Tamara Sender 12/03/2012 at 01:59

    Adorei esse romance do Shteyngart (e também um conto dele que saiu uma vez na Granta chamado “Algumas anedotas sobre minha mulher”), mas concordo que o trailer é bem constrangedor. Podia passar sem essa. O livro se garante sozinho.

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