Tupi

19/11/2007

“Tupi or not Tupi, that is the question.” A provocação lançada pelo escritor modernista Oswald de Andrade em seu “Manifesto antropófago”, de 1928 – uma brincadeira com o “ser ou não ser” de Hamlet – tem ressonâncias profundas na história do Brasil. Mais profundas do que podem parecer neste início de milênio em que Tupi, para a maioria dos brasileiros, é pouco mais que o nome indígena de um campo da Petrobras na Bacia de Santos, onde foram encontradas reservas que podem transformar o Brasil em exportador de petróleo.

As reservas vocabulares deixadas pelo tupi no português brasileiro também são vastas, estimadas em torno de dez mil palavras. O tronco tupi compreende dez famílias lingüísticas que ainda sobrevivem espalhadas pela América do Sul, com maior concentração no Brasil. Durante os primeiros séculos da colonização portuguesa, porém, sua vitalidade impressionava.

Na vertente tupinambá, da família tupi-guarani (da qual se tornaria uma palavra sinônima), o tupi teve sua gramática sistematizada pelos jesuítas. Depois de incorporar traços da cultura invasora, deu origem às “línguas gerais”, as mais faladas no dia-a-dia da colônia: a paulista, disseminada pelos bandeirantes, e a amazônica, também chamada nheengatu (“língua boa”) ou tupi moderno. As línguas gerais foram declaradas ilegais em meados do século 18 pelo Marquês de Pombal. Só a última ainda vive.

Sobre a origem de “tupi”, há uma fartura de teses. Nenhuma é tão aceita quanto a de Teodoro Sampaio, autor de “O tupi na geografia nacional”, para quem o termo é tu-u’pi, “o pai supremo”. Hove quem partisse daí para ver na palavra uma variante de tupã, deus dos povos tupis – o trovão. Já Silveira Bueno interpretou “o pai supremo” como “a língua primeira, a mais antiga”, provavelmente projetando nos índios uma preocupação filológica que era sua.

Texto publicado na “Revista da Semana”.

6 Comments

  • e.g.g. 19/11/2007 at 19:46

    e nosso velho todoprosa definha.

  • stanley 19/11/2007 at 21:52

    Zzzzzzzzzzzzzz……..

  • joaquim 19/11/2007 at 21:55

    Boa noite!!!!

  • Daniel Brazil 19/11/2007 at 21:56

    Na minha infância (da qual alguns neurônios persistem), sempre achei que a palavra tucupi me revelaria algo sobre a palavra tupi. Mais de 40 anos passados, a dúvida persiste. Será apenas um tupi com um cu no meio?

  • Pablo Dias Fortes 19/11/2007 at 22:58

    Sérgio, não que vc não conheça, mas há um trabalho muito interessente do prof. Ataliba de Castilho sobre isso e muito mais. Está no livro “Linguística Românica”, do Ilari. Só não lembro bem agora a editora e o ano. Seria também mais uma boa referência pra quem quisesse ir mais fundo no assunto.

  • cecy fernandes de assid 25/11/2008 at 09:23

    Primeiro blog em Guarani/Português:
    http://guaraniportugues.blogspot.com/

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