Zumbis de Bolãno, choro de Lethem e outros links

23/11/2011

Sim, Roberto Bolaño (foto) escreveu uma história de zumbis – tendo a TV como intermediária, mas escreveu. Clique aqui para ver uma animação (meio desanimada, mas estilosa) baseada em seu conto The colonel’s son, “O filho do coronel”, publicado pela “Granta” inglesa em sua edição de horror. (Via The Book Bench.)

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Antes eu me satisfazia com a imagem nebulosa de um novo e persuasivo crítico que deixava todo mundo excitado e nervoso ao atacar apaixonadamente romances em que as pessoas (inclusive eu) apaixonadamente acreditavam; agora eu me via na posição de revisar essa imagem em favor da impressão de um crítico nada convincente cujo ar de amplitude erudita mascarava – mal – um paroquialismo punitivo.

O escritor americano Jonathan Lethem conta no “Los Angeles Review of Books” (em inglês, acesso livre) como descobriu que o rei – isto é, o crítico James Wood, de quem até então era fã – estava nu quando este lhe dedicou uma resenha negativa, oito (!) anos atrás. Não se pode negar coragem a Lethem por se expor assim, lambendo em público uma ferida que, tanto tempo depois, ainda se recusa a cicatrizar. Infelizmente, este elogio ambíguo é o único que consigo fazer ao artigo, um petardo que sai pela culatra e, obviamente sem querer, acaba dando ao crítico e aos críticos em geral uma importância excessiva, em detrimento dos criadores. Para quem suportar bem o constrangimento da leitura, um capítulo curioso na história dessa guerra sem fim.

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Nossa pesquisa mostrou uma ausência importante: a falta de pesquisadores que estudem profunda e detalhadamente a cadeia criativa do livro. Praticamente toda a literatura existente mapeia a questão da leitura, da formação de leitores e mediadores, bem como o mercado editorial, mas pouco ou nada se fala dos escritores e ilustradores, do seu percurso de formação e de suas questões profissionais. Existe, em nosso entendimento, uma profunda necessidade de organizar um grupo de pesquisa, vinculado a universidades e centros de pesquisa de políticas culturais, que problematize e crie conhecimentos relevantes sobre o funcionamento da cadeia criativa no país.

Clique aqui para ler a íntegra de um relatório sobre a “cadeia criativa do livro” encomendado pelo Ministério da Cultura.

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Agenda cheia. Participo hoje à noite da Semana do Livro de Jaraguá do Sul (SC), falando sobre “Jornalismo, crítica e literatura”. E sábado estarei na II Literata, em Sete Lagoas (MG), para participar de duas mesas sobre Fernando Sabino, o homenageado deste ano: a primeira ao lado de Humberto Werneck e Luís Henrique Pellanda, sobre o escritor como prolífico missivista; a outra com João Paulo Cuenca e Paulo Roberto Pires, tendo como foco o romancista.

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