“O jogo da amarelinha” seria então um produto mais próximo de Thelonius Monk e “62 [Modelo para armar]”, mais próximo de Bill Evans. “O jogo da amarelinha” é um mundo fechado e autônomo, complexo e completo e, ao mesmo tempo, muito aberto, como a música de Monk: dispõe de um tronco central – a primeira forma de leitura – e de numerosos capítulos que se intercalam à vontade e se manifestam como composições solistas com aspecto de improvisações; o centro de gravidade persiste e as harmonias rompem a narrativa tradicional. “62”, por sua vez, é a fronteira e o cavaleiro que se perde no mistério depois de ultrapassá-la. Muito já se falou da influência do jazz sobre a literatura de Julio Cortázar – a começar por ele mesmo. Mas este luxuoso ensaio do escritor madrilenho José Maria Guelbenzu (pdf de acesso livre, em espanhol), publicado na edição de abril da revista “Claves de razón práctica”, consegue desenhar novas e deliciosas harmonias em sua variação sobre o tema. [Via El Boomeran(g)]

