O melhor que se pode fazer pela “Enciclopédia de Literatura Brasileira” que o Instituto Itaú Cultural pôs no ar em seu bonito site na terça-feira é não visitá-la. Não por enquanto. Vamos ser justos e, até por respeito aos seus “consultores editoriais” – os escritores Luiz Ruffato e Flávio Carneiro e a professora Regina Dalcastagné –, esperar que a aprimorem. Do jeito que está, o trabalho é um perigo para leitores desavisados. Não é que Ivana Arruda Leite, uma escritora interessante, não mereça um verbete. Deve merecer. Mas de modo algum poderia furar uma fila em que Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst ainda aguardam a vez. Este é só um dos 277 furos que contei em três minutos e meio na “Enciclopédia”, um espantoso conjunto de 106 nomes de “todos os tempos” cuja única defesa parece ser a precipitação de pôr no ar um trabalho maciçamente inacabado e sem apreço a prioridades. O blogueiro exagera? Julgue você mesmo. Que o meu colega de site Daniel Galera, talentoso que só, é um bom nome para uma enciclopédia dessas, estou pronto a defender com veemência. Mas se Campos de Carvalho não aparece, nem Lúcio Cardoso, nem Rubem Fonseca, nem…

