As mais belas livrarias do mundo

01/02/2012

Selexyz é o nome da livraria das fotos acima, diante da qual um lugar-comum como “templo dos livros” ganha uma inesperada força expressiva. Foi montada no interior de uma antiga igreja dominicana em Maastricht, na Holanda, e vem em primeiro lugar entre as 20 livrarias mais belas do mundo, segundo uma das mais inspiradoras listas que o Flavorwire já compilou. O Brasil também comparece (com a Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo).

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Se essa lista fosse um documentário, poderia ter a narração em off de Jonathan Franzen, que acaba de recitar (aqui, em inglês) no festival Hay de Cartagena, na Colômbia, a maior defesa dos livros impressos ouvida nos últimos tempos. De forma um tanto surpreendente, o autor de “Liberdade” não se referiu ao aroma inebriante da tinta no papel ou algum outro clichê do gênero. Atacou justamente aquilo que os entusiastas do meio digital mais exaltam: a aura de impermanência – ou seja, a plasticidade, a permeabilidade, a interatividade, o compartilhamento, a coautoria – do texto lido na tela.

“Talvez ninguém ligue para livros impressos daqui a cinquenta anos, mas eu ligo”, disse Franzen, um dos autores confirmados na próxima Festa Literária Internacional de Paraty. “Quando leio um livro, tenho nas mãos um objeto específico, num lugar e numa hora específicos. O fato de que, quando tiro o livro da estante, ele ainda diz a mesma coisa – isso é reconfortante. Alguém trabalhou duro para tornar a linguagem exatamente adequada, bem do jeito que queria. E tinha tanta certeza disso que mandou imprimir o texto em tinta sobre papel. Uma tela sempre dá a impressão de que podemos deletar aquilo, mudar, mover. Para uma pessoa louca por literatura como eu, não é permanente o bastante. Tudo mais na vida é fluido, mas ali está aquele texto que não muda. Ainda haverá leitores daqui a cinquenta anos que pensem assim? Que terão essa fome por algo permanente e inalterável?”

Eu diria que sim, haverá. Como também haverá livrarias que parecem catedrais. Mas isso é só um chute, claro. Em 2062 a gente conversa.

19 Comments

  • Adriana karnal 01/02/2012 at 14:23

    eu, provinciana, achei que a El Ateneu em B.A. fosse a mais bonita.

  • Cláudio DF 01/02/2012 at 14:40

    Cadê a lista??? Penso que é relevante né…

  • Sérgio Rodrigues 01/02/2012 at 14:53

    Adriana: provincianismo nenhum. A El Ateneo está na lista, claro. Seria absurdo se não estivesse.

    Cláudio, é só seguir o link.

  • luiz 01/02/2012 at 15:13

    a livraria do espaço cultura na paulista deveria estar ai! é sensacional

  • nanci sampaio 01/02/2012 at 17:28

    Sérgio:
    Que bacana!Essas fotos lindas me fizeram lembrar do livro “Casa de papel”, de Carlos Maria Dominguez, onde o livro é o grande protagonista da história e cuja narrativa é encantadora.
    Ainda que virtualmente, o passeio por essas livrarias, vale muito a pena.
    Viva o livro!
    Abraço, da Nanci.

  • nara maranhao 01/02/2012 at 18:09

    O prazer de se ter um livro nas mãos,é insubstituível.
    Não acredito ,e torço,para que os livros não desapareçam.
    Ler na tela de um computador,não dá nem um vigésimo de alegria,do que se sente com um livro nas mãos.E,quando se pega um livro que já se leu,velho,você tem a sensação de reencontrar um velho amigo.

  • Arthur 01/02/2012 at 21:59

    Esse site faz umas listas muito boas. Já tinha mandado para os colegas do trabalho a lista de bibliotecas mais bonitas. Quando encaminhei a de livrarias, alguns deles confundiram e disseram que já tinha recebido. Não tinha me ligado no momento, mas agora me toquei: uma livraria-catedral, um templo de livros, parece ser uma ideia mais associada a bibliotecas do que a livrarias… É mesmo difícil ver algumas das que estão listadas e pensar que aquilo é um comércio e não um local para admiração de livros, para uma confraria de bibliófilos se reunir.

    Nunca mais tinha tido o prazer de passear numa livraria. Meus instintos consumistas (melhoremos a expressão: bibliófilos) foram atiçados novamente, depois de anos de marasmo, com a inauguração da Livraria Cultura aqui em Curitiba. Que, dizem, não chega aos pés, em acervo, tamanho e qualidade, da que há na Paulista. Em minhas compras constantes pela internet (fiz até um post dando dicas de economia online http://oleitorcomum.blogspot.com/2012/01/ler-e-caro-compras.html), acabei esquecendo disso de conhecer coisas ali, nas estantes. Fora que é uma coisa (para mim, ainda que com você eu não precise ficar explicitando isso) de outro mundo ver ao vivo livros que pensava que só veria importando e esperando algumas semanas.

    Interessante o Franzen. Na Bienal daqui, há dois anos, eu já estava prestes a arremessar 2666 na cabeça do próximo palestrante que falasse do cheiro do livro e adjacências. Bom ouvir (ler/ver) um ponto de vista mais esquecido da questão. Quero muito vê-lo na Flip. Espero que tudo dê certo para eu ir.

  • josé eugênio Grillo 01/02/2012 at 22:17

    #ficadica – bibliotecas – antigas e modernas. Algumas de tirar o fôlego.

  • Maria de Fatima Botelho Sardinha 02/02/2012 at 00:31

    De um templo religioso aonde os homens e mulheres procuravam a paz de espírito e sentir e apreender valores morais num espaço físico em que a imponência e beleza completavaa sensação de bem estar. Transformar esse espaço numa biblioteca foi uma escolha brilhante porque que permitiu continuar a transmitir com os livros que divulga o mesmo alimento espiritual e espalhar do saber e dos valores do conhecimento.

  • Laercio de Sousa Jr 02/02/2012 at 00:34

    Merece WOW!!!

  • Noga Sklar 02/02/2012 at 10:17

    É. Acabo de chegar de Paris, a mais antidigital cidade do mundo… É livraria pra todo canto! Me esbaldei na Shakespeare and Company, mas não espalhem. Afinal, não posso me dar ao luxo de detonar o livro digital!

  • Noga Sklar 02/02/2012 at 10:17

    Mas, em tempo, meu kindle viajou comigo, e foi incrível também, por que a gente não pode ter o melhor de 2 mundos?

  • Aparecida Maria 02/02/2012 at 11:31

    Que espetáculo,são essas livrarias!! Mas a leitura de um bom livro é sem sombra de duvida a melhor sensação que podemos ter,pois nos apronfundamos tanto ,que logo passamos a fazer parte da leitura,nos envolvemos tanto que vivemos os acontecimentos,como se tivéssemos dentro da história.Se é romantico nos identificamos e passamos a tomar o lugar do personagem e vivemos os momentos cruciais…viajamos,ai como sofro,rs…pra resumir leia,leia,leia porque é sensacional!!!!!
    É isso aí, Aparecida! Se mais leitores tivessem o seu entusiasmo, a situação da leitura no Brasil seria melhor. Um abraço.

  • Franco 02/02/2012 at 14:54

    Sérgio te acompanho a um bom tempo e queria saber por que vc não fala muito de poetas ou é impressão minha. gostaria de sugeri Nauro Machado

    Um abraço!!!

    Caro Franco, nada contra a poesia, lógico. Acontece que o assunto do blog, como o nome diz, é só prosa. Questão de foco. Um abraço.

  • Vanessa 02/02/2012 at 17:56

    meu, que espetáculo.
    http://garotadistraida.wordpress.com

  • Paulo Tavares 06/02/2012 at 17:54

    A beleza esta simplesmente na visão de o quanto o livro pode muda uma vida, lê uma livro e mas que acompanha o autor na sua ideia, o livro leva a interpretação do autor mais e a vivencia, experiência do leitor que vai da forma sentido e assim ele realça o seu próprio conhecimento, pois onde não tem livraria o conhecimento sempre demora a chegar.

  • Marize Rena 10/02/2012 at 11:57

    Nossa, que coisa linda, um templo de cultura que inspira paz! Isso ninguém prescinde. Lugares que inspirem, nos traga cultura, paz e convívio social.

  • sergio marcone 19/02/2012 at 18:51

    Faz jus ao ‘Religião para ateus’, de Alain de Botton.

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