Do ato de escrever pelado e outros assuntos

17/01/2007

Não tenha dúvida: o ato de escrever era infinitamente mais complicado (e sobretudo mais moroso) antigamente. O que não impediu que alguns praticantes lhe acrescentassem novos estorvos – que, para eles, deduzo, não eram propriamente estorvos; antes, um estimulante. Assim como o visconde de Valmont, o libertino personagem de Chordelos de Laclos, seu contemporâneo Voltaire, por exemplo, adorava redigir cartas e escritos menos íntimos sobre as costas nuas de suas amantes. Tão singular mesa de trabalho não lhe afetou a criatividade. Nem a saúde; muito pelo contrário: Voltaire produziu bastante e chegou aos 84 anos.

É de se presumir que, ao rabiscar palavras sobre o dorso desnudo de uma dama, Voltaire vez por outra também estivesse como Deus o criou. Nisso não foi um inovador. Alguns gregos da Antiguidade já haviam feito a mesma coisa, não raro apoiando-se (e inspirando-se) na região glútea de um efebo. “Com a bunda de fora, eu nem sequer anoto um número de telefone”, revelou Truman Capote, que, apesar de tudo, não gostava de misturar os canais. Para ele, havia a hora de deitar com os efebos e a hora de deitar para escrever. “Sou um escritor completamente horizontal”, definiu, numa entrevista, citando Mark Twain e Robert Louis Stevenson como companheiros de preferência pela criação em decúbito dorsal.

Twain, Stevenson e Capote gostavam de escrever deitados, porém vestidos. Victor Hugo preferia o inverso: escrever sentado, mas nu em pêlo.

E por aí vai nos levando, de caso em caso, de sorriso em gargalhada, a erudição de Sérgio Augusto. O maior jornalista de cultura do Brasil capricha no show de bola ao falar dos métodos de trabalho de grandes escritores no artigo-ensaio “As penas do ofício”, que dá título à sua última e recém-lançada coletânea (Agir, 310 páginas, R$ 34,90), com textos sobre temas variados escritos para a revista “Bravo!”.

51 Comments

  • Tibor Moricz 17/01/2007 at 17:43

    Fico imaginando o senhor ‘X’ em decúbito dorsal, lutando contra a caneta que teima em não escrever. Igualmente curioso é tentar imaginar o senhor ‘X’ tentando escrever em decúbito ventral. Pior é o senhor ‘X’ escrevendo nu e sentado… Sobre a privada. Odores não combinam com criação (que papo mais escatológico!). Quer saber? Sexo também não (Truman Capote estava certo)… Pelo menos não durante. Nos tempos do teclado e monitor, decúbitos e congêneres só provocariam uma visita urgente ao ortopedista.

  • Leticia Braun 17/01/2007 at 18:39

    Cada um sabe o que lhe estimula. Tem gente que já escreveu pérolas na prisão. Tem gente que já escreveu todo engravatado, numa canícula, atrás da mesa da repartição. E tem gente que ganha de sua editora lugares paradisíacos e não escreve coisa que preste. E assim caminha a humanidade.

  • Saint-Clair Stockler 17/01/2007 at 19:51

    Que coisa, não?

    Eu fico me perguntando se o sexo (tá, não tem nada a ver com a nudez, que é a essência desse post, mas é algo no mesmo “campo semântico”, digamos) faz bem pra literatura… Já sei: vão me citar Pasolini, Genet, Henry Miller, Anaïs, Régine Deforges & Caio Fernando Abreu.

    Por falar nisso: por que não temos mais literatura gay no Brasil? Alguém sabe explicar?

    (Ai, minha cabeça está frenética hoje – e olha que não tomei, inalei ou fumei nenhuma substância proibida nos últimos meses…)

  • Saint-Clair Stockler 17/01/2007 at 19:53

    Hum, mil desculpas, mas o meu Demônio da Guarda está me espicaçando pra fazer a pergunta: e você, Sérgio, escreve como? Pelado? :-)))

  • Sérgio Rodrigues 17/01/2007 at 21:15

    Nunca pelado, Saint-Clair. De pijama, galochas e chapéu-coco, de vez em quando.

  • Saint-Clair Stockler 17/01/2007 at 21:55

    Very British :-)

  • tibor moricz 17/01/2007 at 23:49

    Como você escreve, Saint Clair?

  • tibor moricz 17/01/2007 at 23:56

    Com relação à literatura gay, acho que temos poucos gays escrevendo algo que preste. Esse target é maravilhoso e normalmente possuidor de uma renda per capita acima da média. A classe GLS gasta bem. Editores burros que não entendem isso ou gays que se preocupam mais em brilhar nas passarelas do que desenvolver suas veias literárias? Responda quem puder.

  • Pedro Curiango 18/01/2007 at 01:47

    Achei estranhas as referências a Voltaire. Pelo que li algum tempo atrás ele demonstra em sua correspondência ter sido homossexual (não gosto muito da palavra “gay”). Quanto à literatura de temática homossexual no Brasil é um problema de qualidade: será que temos alguém como Jean Genet ou Gore Vidal?

  • Clarice 18/01/2007 at 06:28

    :) Descartes gostava de pensar deitado. Ah! Com roupa.

  • Clarice 18/01/2007 at 07:12
  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 08:51

    Tibor, em geral eu escrevo de cueca e chinelos havaianas (de vez em quando, descalço). Na verdade, quase o tempo todo em que estou em casa eu fico de cueca. Como sou gordo, e moro nessa maldita Cidade de São Sebastião, costumo sentir muito calor. Portanto a cuequinha não é um recurso sexy para atrair a Musa: é subterfúgio pra escapar do calor mesmo.

    Acho que eu jamais escreveria um texto (nem anotaria um número de telefone, alô Capote!) com um amante na cama ao meu lado. Tanta coisa mais divertida pra fazer! Vê-se que eu seria um péssimo personagem do filme O Livro de Cabeceira :-)

    P.s.: meu sonho, quando crescer, é me tornar um escritor gay pra tapar o buraco (ooops!) existente em nossas letras. Afinal, se uma larga parcela de pessoas na nossa sociedade não é representada artisticamente, será que ela existe? Anos atrás, um escritor chamado Alexandre Ribondi andou publicando uns contos (ou seriam novelas?) bem interessantes, por aquele selo GLS. O livro, se não me falha, chama-se “Na companhia dos homens”. Ribondi era um escritor ainda imperfeito, mas bem interessante. Não tinha atingido a perfeição técnica de um Caio Fernando Abreu, de um João Silvério Trevisan ou de um Silviano Santiago, mas prometia. Acontece que ele sumiu, a última notícia que tive dele é que está morando nos EUA. Será que desistiu de ser o nosso David Leavitt? Também pudera: num país onde os nossos artistas NÃO assumem sua homossexualidade, tem-se de ser muito macho pra assumir que é viado!

    Há também a questão aludida pelo Tibor: quantos gays estão escrevendo literatura de qualidade? (Quantos heteros, diga-se de passagem?). Tem aquele cara do “Terceiro travesseiro” mas eu me recuso a comentar esse livro horroroso (hahaha, a Biblioteca de Letras da Uerj tem falta de tudo, autores brasileiros da década de 80 pra cá não se vêem pelas prateleiras, mas eles têm um exemplar de “O terceiro travesseiro”). O João Silvério e o Silviano Santiago são bissextos nessa área. Tá faltando gente. É uma pena, literatura gay é um ramo bem interessante da Literatura.

  • Clarice 18/01/2007 at 09:51

    Lesbos, Oscar Wilde e Virginia,
    Mas será o Benedito?
    Estamos aqui no século 21 e querem diferenciar escrita gay de escrita hetero.
    O que vocês acham disso?
    Nas artes plásticas, não sei o motivo, existem muitos gays assumidos e ninguém julga suas obras por este critério: pintura gay/ pintura hetero. Na literatura dhaveria de ser diferente?
    Na música…
    “-Evidentemente este arquiteto é gay. Vejam só os símbolos fálicos em suas arcadas. E as escadas, como todos sabemos, têm todas as características das escadarias gays.”

  • Deise Guelfi 18/01/2007 at 10:02

    Muito interessante, mas não acho que esses caprichos foram fundamentais nas construções das obras dos mencionados. Foi talento mesmo.

    Sérgio, eu adoraria vê-lo de galochas e chapeu.

    E Clarice, faço côro à suas palavras.
    A literatura gay é considerada gay porque os gays escritores escrevem apenas sobre os relacionamentos gays? É isso? Se for isso, está explicado.

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 11:18

    Clarice, a literatura tem peculiaridades que a diferenciam das outras artes por você citadas. Por ser um “espelho” que usa como técnica uma narração (ao contrário da maior parte das pinturas e músicas) está mais próxima de ser uma “cópia” da realidade objetiva, factual, ao nosso redor. Portanto há, sim, diversos tipos de literatura: gay, hetero, negra, etc, que refletem as diversas “realidades” ao nosso redor.

    Eu não diria com a mesma segurança que o fato de um pintor ser gay tem importância em sua pintura, mas um escritor ser gay é um dado importantíssimo para a compreensão da sua literatura. Estou, claro, falando de um escritor gay que escreve textos gays. Há muitos escritores gays (aliás, tem um que acabou de ganhar o Jabuti) cuja opção, preferência ou carma sexual não tem a menor influência em suas obras. Nem todo escritor negro escreve literatura negra, nem todo escritor gay escreve literatura gay e por aí vai… Ser “escritor alguma-coisa” exige uma tomada de posição. Toni Morrison é uma “escritora negra” porque decidiu focar e discutir em suas obras questões inerentes à negritude, assim como David Leavitt é um “escritor gay” porque decidiu lidar com as questões homossexuais em seus livros.

    Aliás, sobre a interessante questão de se há ou não literatura gay em língua portuguesa, recomendo o excelente ensaio do português Eduardo Pitta, intitulado “Fractura”. Ele faz uma diferenciação entre “literatura homossexual” e “literatura gay” muito curiosa e instigante. Esse livro não está disponível no Brasil, mas eu tenho um exemplar 😉

    O site do Eduardo Pitta (que é poeta, prosador e crítico) é : http://www.eduardopitta.com/

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 11:26

    Deise, eu acho sim que a literatura gay é considerada gay porque os escritores gays que a produzem dão um enfoque maior nas questões homossexuais.

    A Literatura com L maiúsculo (isso é, a mainstream) é branca, hetero e masculina. Por isso, seria redundante dizer “literatura hetero”. Mas não é redundante dizer “literatura gay”, “literatura negra” ou “literatura chicana”.

  • Tibor Moricz 18/01/2007 at 11:33

    Quando se alude a literatura gay, diz-se daquela literatura escrita por e para.
    Concordo plenamente que em pleno século XXI ficar diferenciando uma da outra é absurdo. Como grande parcela da população homossexual está dentro do armário, um ou outro livro gay tem o condão de oferecer a essa parcela a possibilidade de se identificar com um Universo com o qual não consegue lidar diretamente. Pode parecer estranho, mas, em geral, os gays são segregacionistas, fechando-se em núcleos, talvez para fugir ao preconceito ou ao estigma. Assim, um livro escrito por um gay, será lido por centenas ou milhares de outros. Eles procuram identificação.

  • ANGELO 18/01/2007 at 11:47

    Saint Clair, voce pode me dizer qual é o escritor que ganhou o jabuti?

  • Cezar Santos 18/01/2007 at 11:52

    Os gays estão aí na literatura, como em todas as outras vertentes culturais. Aliás, o lobby gay é poderosíssimo, principalmente nas redações. Senão como explicar o sucesso da literatura de um Marcelino Freire, que produz livros ruinzinhos que só, e mesmo assim são acolhidos como obras-primas? Como explicar o sucesso de Santiago Nazarian, cujos livros são tristes de ruins… é o típico caso do autor que sabe escrever, domina os fundamentos da escrita, tem cultura, etc., mas o resultado são livros que, francamente…
    O que não significa que gays só produzam porcarias. O Bernardo Carvalho melhorou muito nos últimos livros. Nove Luas é muito bom, Mongólia é bom…
    Quanto a “literatura gay”… sei não….livro que narra amores homossexuais (femininos ou masculinos) podem ser bons ou ruins… O que torna um livro bom está além de sua temática.

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 12:29

    Ângelo, desculpa, mas não. Se o cara nunca se assumiu publicamente, não sou eu que vou ficar assumindo pra ele.

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 12:31

    Cezar, não acho nem o Marcelino nem o Santiago maus escritores. Os livros de ambos são bons (ressalvo que não li os últimos de nenhum dos dois). Por que você os acha ruins?

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/01/2007 at 13:09

    O que Virginia Woolf escreve é literatura gay?
    Por que será que as pessoas têm que rotular tudo como foi dito em um cometários acima pela Clarice? Acho isso sem sentido de ambas as partes. Concorco com o fato de que a personalidade, a opção sexual, a cor da pele são influentes no que se produz, mas apenas a partir do ponto que esses aspectos trazem ao indivíduo alguma vivnecia particular geradora de situações capazes de produzir um material bom de verdade…
    Pergunta: O que Virginia Woolf escrevia era literatura lesbica? O que Capote escrevia era literatura gay?

  • Clarice 18/01/2007 at 13:21

    GhostWriter,
    Não escrevi isto. Muito pelo contrário. Estes são exemplos que não tem nada na sua escrita que revele sua homosexualidade. E com que talento.
    Próxima vez me expresso melhor.

  • Clarice 18/01/2007 at 13:22

    Angelo,
    Eu conheço um que ganhou o Jabuti. Mas não quem é vou dizer por motivos óbvios. Tem Nestlé também.

  • Clarice 18/01/2007 at 13:34

    Deise,
    :))

    Acabou que ninguém visitou o link que eu deixei.
    Prova que para literatos não há limites sexuais, cor da pele (alguns chamam raça), e o “inimigo” não é a palavra. É a chuva.
    O Sérgio escreve de galochas e chapéu. “O Poeta Pobre”, Karl Spitzweg, 1839 só escreve debaixo de seu guarda-chuva.

  • Jonas Lopes 18/01/2007 at 13:40

    Eu estou com a Clarice. Saint-Clair, eu realmente acho super nefasto que haja o gênero “literatura gay”. Tudo bem que um homossexual escreva sobre homossexuais – afinal, concordo com Guimarães, “sou donde nasci”. O escritor tem que escrever sobre o universo que conhece, afinal.

    Agora, escrever sobre gays não quer necessariamente dizer escrever para gays. Eu não sou sertanejo e adoro Guimarães, Graciliano. Acho uma besteira colocar-se à disposição de rótulos tão restritos. Eu me recuso a ler, por exemplo, uma mulher que faça literatura feminina. Acho Clarice Lispector uma autora universal. Sim, suas protagonistas são mulheres e muitas das coisas sobre as quais ela escreve se referem exclusivamente ao universo feminino – assim como a Toni Morrison, que você citou, e o seu universo negro e sulista. Mas ainda assim eu me identifiquei com vários dos dilemas metafísicos do G.H. e de vários outros livros dela. E não precisei ser mulher para isso.

    Clarice, você está falando do Noll? Ele é assumido, acho.

    E o Bernardo Carvalho é um ótimo exemplo de escritor gay que não faz literatura para gays. Universalidade é o essencial. Tenho pena de um autor que deseja escrever para apenas um tipo de leitor.

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/01/2007 at 13:41

    Clarice,
    você se expressou bem, acho que eu me expressei mal. Entendo que a escrita da pessoas que você mencionou não revelam sua sexualidade, e fazem isso com talento. O que eu quis dizer é que as pessoas querem rótulos em tudo que se produz hoje, rótulos do tipo gay, hetero, branco, negro, homem, mulher…
    Fiz o questionamento da posturas de Capote e Woolf exatamente pelo que você escreveu, em pleno século XXI ainda querem fazer distinções sobre o que um homosexual faz e um hetero faz… é a mesma coisa que diferenciar o que um “branco” faz e um “negro” faz… um é melhor que outro?
    O que caracteriza literatura gay? O que caracteriza literatura hetero? Por acaso seria o fato de, na primeira haver relações homoe na segunda relações hetero? Ou será que a opção do autor é que determina isso?
    Acho que não…
    A propósito, o Todoprosa é o blog mais civilizado do Nomínimo…

  • Tibor Moricz 18/01/2007 at 13:45

    Civilizado e andrógino.

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/01/2007 at 13:46

    O Jonas falou pouco mais falou tudo…
    Jonas, também me identifiquei muito com coisas que Clarice Lispector escreveu… coisa que superam as limitações de gênero… de opção sexual…
    Tive uma namorada que me apresentou Clarice Lispector anos atrás… acabei gostando muito mais do que ela…

  • Clarice 18/01/2007 at 14:00

    Mr. Ghost(WRITER) e Tibor,
    Falem baixinho a respeito da civilidade do Blog. Não espalha.

    Saint-Clair,
    A gente discorda neste ponto. Mas por favor manda uma foto para mim assim do jeitinho que você escreve.
    Eu te dou aula de inglês como recompensa. E adoro amigos gays. Perdi um e morro de saudade dele.
    Estou esperando a foto.

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/01/2007 at 14:08

    Clarice,
    Nos entendemos a respeito dos comentários?

  • Tibor Moricz 18/01/2007 at 14:18

    Ih… vai substituir um morto, Saint-Clair! Se eu fosse você não arriscava, vai que dá azar…

  • Marco Polli 18/01/2007 at 14:29

    Parecer ser interessante muito o livro do Sérgio Augusto. Sou curioso em saber em que medida os escritores conseguiam antes manter a atenção na sua atividade. Hoje, mesmo que você consiga um raro ambiente controlado e silencioso, há grande chance de você mesmo se dispersar: uma música nova ali, uma outra busca no google, ver se seus blogs preferidos foram atualizados, e assim vai.

    Para terminar: Victor Hugo podia gostar de escrever sentado e nu, mas seus leitores podem não gostar nada de imaginar isso.

  • Tibor Moricz 18/01/2007 at 14:47

    Civilizado, andrógino e livre…

  • Silvana P. B. Owen 18/01/2007 at 15:46

    Oi pessoal.

    O Hemingway escrevia em pé e usava um lápis para preencher seus intermináveis cadernos.

    Ghost, você acabou gostando mais da Clarice Lispector do que da namorada? Ou gostou mais da Clarice do que a moça gostava? Estou de bom humor hoje…

    Já notei que alguns de vocês são do Rio. Alguém interessado em integrar um grupo de escritores (sem grandes egos, please) que eu gostaria de formar?

    Abraços a todos.

  • Carmela 18/01/2007 at 16:37

    é mesmo, Marco, a internet dispersa MUITO =]

  • Clarice 18/01/2007 at 16:45

    Saint-Clair,
    Espero que voce não tenha ficado chateado com a divergência de opinião.
    Por favor não deixe de frequentar o Blog pois você é uma das pessoas que mais contribui com idéias, comentários e autores a respeito de literatura.
    Alguns pensam assim outros assado e só isto.
    Volte já. Right now viu?

  • Rocker girl 18/01/2007 at 17:19

    Não apenas escrever, mas poder ficar pelada horas ou dias a fio, em casa, é uma das vantagens de morar só. A sensação de liberdade e de intimidade consigo mesmo nos faz imaginar o barato daqueles naturistas malucos que se reuniram no Rio no final de 2006, para uma semana de atividades pelados nas praias. É inegável que existe uma graça toda especial nisso…

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 18:46

    Demorei a voltar porque estava no supermercado. Que fila, meu Deus! Dia de carne mais barata e os pobres todos fazem filas quilométricas pra economizar 50, 80 centavos! Que, é claro, eles vão prodigamente gastar tomando cerveja no boteco da esquina! Assim é a Lei do Equilíbrio Universal. Ou algo parecido. Um dia eu juro que vou entender.

    Mas eu não falei que o escritor gay (i. e., que escreve textos de temática homossexual) só deve ser lido por gays. Jamais falei isso! Seria uma sandice sem propósito e eu ainda não caí a este nível, hahaha. Marguerite Yourcenar dizia: “Todo ser que viveu a aventura humana sou eu”. Um romance “gay” pode ser lido por um hetero e ele se indentificar com o que está sendo tratado, sem precisar dar o fiofó pra isso. Digo-o do alto da minha experiência: quando leio os romances da Toni Morrison eu, que não sou negro (ou melhor, afro-americano) nem americano, me identifo integralmente com seus personagens. Porque somos todos seres humanos colados a um pedaço de lama que flutua no Universo. Mesmo no particular, há um escape para o Universal.

    Também não estou pregando que todo escritor gay tenha que escrever livros gays. O Bernardo Carvalho, que algum colega aí em cima citou bem, é gay e não escreve literatura gay. O que estava e estou dizendo é que me impressiona muito um país com dimensões continentais (adoro essa expressão “país com dimensões continentais”) não ter um grupo de escritores que lide em suas histórias com personagens e temáticas gays. A literatura é sobre a realidade que nos cerca e eu tenho certeza que qualquer um de nós aqui tem um conhecido, um amigo, um primo ou irmão, um colega de trabalho gay ou lésbica. Mas cadê as histórias sobre essas pessoas? Ou sobre pessoas de papel bem parecidas com essas de carne e osso? No Brasil, não temos. Por que? Ser gay não rende uma boa história? Os problemas dos gays não justificam a derrubada de algumas centenas de árvores pra virar papel pros livros? Meu ponto é este: não acho que todo gay escritor tenha que escrever histórias gays, mas o que me incomoda é o outro extremo: que nenhum, ou quase nenhum escritor gay, aventure-se a escrever histórias que se passem nesse universo tão rico que é o universo gay.

    Diga-se de passagem que nós também não temos, resguardando-se as devidas proporções, um(a) escritor(a) negro(a) escrevendo histórias com as mesmas pretensões da Toni Morrison nos EUA. Aí vocês vão me dizer: ah, mas aqui o racismo é diferente do racismo nos EUA. Verdade. Então as histórias têm de ser diferentes, mas onde estão elas? Alguém sabe dizer?

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 18:57

    Clarice,

    opiniões diferentes enriquecem o debate. Eu estou aqui pra aprender, pra trocar. Não sou dono de verdade nenhuma (em Literatura, aliás, não há Verdades). Não tenho necessidade de estar sempre certo. Enquanto as discussões estiverem nesse altíssimo nível, com todo mundo se respeitando (embora querendo pular uns na garganta dos outros, haha) e trocando idéias como bons amigos, eu vou aparecer por aqui. O TodoProsa é o site que eu mais gosto de visitar!

  • Clarice 18/01/2007 at 20:17

    Que alívio.
    Também gosto de vir aqui aqui, Saint-Clair, sobretudo pelo respeito que todos sempre demonstraram e a qualidade do debate.
    Agora te entendi e acho que você tem razão ao levantar que não se tem como tema a homosexualidade.
    Mas amigo, no Brasil nós não temos racismo, esqueceu?
    Os negros sabem muito bem que não devem entrar em certos lugares. Não precisa botar placa e se encaminham sem pestanejar para o elevador de serviço embora já exista lei. Apanham da polícia mas são culpados por nascença e são bandidos até se prove o contrário. Além do fato de pertencerem à classe dos pobres e serem muitos analfabetos.
    Os que sobem na vida arrumam logo uma esposa loirinha. Isto não é exclusividade do Brasil.
    Estamos lidando com questões complicadas.
    E é isto trocar idéias, se possível aceitando que ninguém tem de pensar igual. Odeio aqueles debates acalorados que ficam tentando de todas as formas convencer que sua visão é a correta.
    A gente já passou da adolescência ou já vivenciou este clima para chegar a conclusão que é chato e ineficiente.
    Então vamos iniciar nossa aula de inglês:
    primeira lição: “-The book is on the table” repeat.
    Homework: resumo de “Mrs Dalloway” para segunda-feira. Pode mandar para o meu e-mail em .doc zipado.

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 21:05

    Há uns 2 anos minha mãe fez tratamento de câncer no Hospital da Lagoa (o mesmo onde Clarice Lispector morreu, tendo ao lado Nélida Piñon ou Marina Colasanti, eu nunca sei muito bem qual). Fiquei “íntimo” do Hospital, de tanto andar pra cima e pra baixo e visitar ambulatórios, laboratórios, enfermarias & jardins. O que mais me chamava a atenção é que nunca, jamais, via um médico nem sequer mulato (que dirá negro). Eram todos de pele muito branca, alguns loiros, todos com etiqueta de “classe média alta” pra cima. Um hospital tão grande daqueles e sem nenhum médico negro! Depois, fui tentar puxar pela memória pra tentar me lembrar de já ter visto um médico negro. Nunca! Que impressionate. Tenho 34 anos e nunca vi um médico negro. “Alguma coisa está fora da ordem”, como canta o Caetano.

    Sobre as lições de inglês: o “the book is on the table” é fácil, difícil vai ser resumir Mrs. Dollaway. Serve “The hours”? 😉

  • pérsia 18/01/2007 at 21:09

    adoro Sérgio Augusto, cultura caudalosa, escrita clara. ” diz que” convidado pra escrever na veja, no primeiro artigo não cumpriu uns implícitos necessários. foi-se! (com C também caberia.)

    caro S-C, lendo os postados antigos de uma vez, acho que a Vigna deveria te pagar percentual pela constante divulgação (rs), eu agradeço a indicação já antiga. belo belo “eu deixei ele lá…” agora leio o ” dedo negro..” e agradeço antes. e acho que tem muita gente escrevendo e eu tenho gostado de muitos. até o de um jovem prêmio do senac “hoje está um dia morto”, ( o “até” porque senac e não jabuti, se bem .. deixa pra lá.)
    a todos um grande ano!

  • Marco Polli 18/01/2007 at 21:15

    Rocker girl, eu até gostaria de ver você escrevendo. É que a visão de Victor Hugo pelado pode perturbar a dramaticidade de Os Miseráveis.

  • Saint-Clair Stockler 18/01/2007 at 21:16

    Pérsia, eu gosto de fazer propaganda dos bons autores brasileiros que leio e gosto. Faço de graça mesmo, pelo prazer e respeito que tenho por eles. Às vezes uma divulgaçãozinha assim, boca-a-boca, digamos, se bem que o melhor seria teclado-a-teclado, ajuda. A Elvira e o Pellizzari merecem ter mais leitores, são ótimos autores vivos.

    Falando em premiados do Sesc/Senac, você conhece a Lúcia Bittencourt, que ganhou um prêmio pelo livro de contos “A secretária de Borges”? Excelente contista! Li uns contos dela em pé, na livraria mesmo (tava sem grana), e achei fantástica. Neste livro há um conto chamado “Herodíades” que quase me fez babar, mas o recato e o local público me impediram. Um gordo careca babando no meio de uma livraria… ia parecer o Homer Simpson (se bem que ele babaria no meio de uma lanchonete, jamais de uma livraria…) Taí uma “nova autora” que eu recomendo. Tenho predileção por contistas…

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/01/2007 at 23:41

    Silvana,
    Acanei gostando mais da Clarice do que a namorada gostava… e olha que ela gostava muito…

  • Mr. Ghost(WRITER) 18/01/2007 at 23:43

    digo, acabei gostando mais…

  • daniel 19/01/2007 at 10:48

    o sujeito que escreve sobre assuntos tão fascinantes, ricos e importantes quanto se o Truman Capote escreve pelado em pé ou vestido e deitado é “o maior jornalista de cultura do Brasil”??

    Bem, então fudeu tudo mesmo. Deve ser por isso que o nível do nosso jornalismo cultural é tão alto…

    A grande questão: como é que o Xexéo ainda não pôs esse cara no Globo? será que é por medo da competição?

  • Jonas Lopes 19/01/2007 at 15:37

    E Silvana, esqueça essa idéia de formar um grupo de escritores. Faça literatura. Já basta a Geração 90 enchendo o saco.

  • Cezar Santos 19/01/2007 at 16:43

    É isso aí, Daniel…
    O Sérgio Augusto é um tremendo jornalista sim, com idade suficiente pra ter vivido e conhecido coisas pra caramba. Ele sabe muito de cinema, de literatura, de música… Mas concordo com vc nesse ponto. Esse livro ai, sobre se os caras escrevem pelados ou vestidos, é o fim da picada.
    Como trata de nomões da literatura, fica uma coisa tipo “alta cultura”, quando não passa de porqueira… mas vale a pena ler. Ler sempre vale a pena, seja o que for, até bulas de remédios.
    Terminei de ler há poucas horas o “Borges e os orangotangos eternos”, do Verissimo. Cara, que coisa ruim, que livrinho besta, pura empulhação… mas confesso, melhor tê-lo lido que não… Vá entender a alma de um leitor.

  • Tibor Moricz 19/01/2007 at 16:49

    Querem ler porcaria? Experimentem André Vianco…

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