Enquete: qual é o grande personagem da nossa literatura?

21/03/2012

O jornal literário “Rascunho” está preparando sua edição de aniversário – o 12º, marca heroica – e me pede um depoimento breve sobre “uma característica, uma marca da literatura brasileira atual”. Vale notar que a chamada “nova literatura” do país tem mais ou menos a idade do jornal curitibano, o que ajuda a entender a atenção sem rival com que ele a vem acompanhando desde 2000.

Tentei dar uma resposta não viciada, entre o otimismo com uma efervescência “profissional” que é inédita em nossa história e o reconhecimento de que ainda falta um salto, quem sabe vários saltos – a conquista do leitor é provavelmente o maior deles, mas a afirmação de uma crítica mais consequente e menos autista não fica muito atrás. Depois que mandei o texto para o editor Rogério Pereira, porém, a questão continuou dando voltas em minha cabeça.

Foi só então que me ocorreu o problema do personagem – que os antigos chamavam de a personagem, no feminino, mesmo que fosse macho. Mas de que personagem estamos falando? De nenhum, aí é que está. Até agora, o século não parece ter dado à literatura brasileira um daqueles personagens que transcendem o texto e vão se incorporar à galeria mais ampla da cultura geral.

É claro que, tendo a ver também com fatores que escapam à qualidade intrínseca do texto, como o peso cultural declinante da literatura, essa falta pode ser um simples sintoma e não explicação de coisa alguma. Nem é o caso de entrar aqui na discussão sobre a centralidade do personagem inaugurada por Aristóteles – que o considerava secundário diante da ação. Basta observar que, de uma forma ou de outra, é com esses simulacros de gente que o público se relaciona emocionalmente. Isso torna os personagens bons termômetros da penetração de uma obra no imaginário de uma coletividade – proeza que, sem dúvida, está entre os saltos que a literatura brasileira contemporânea ainda precisa dar.

Nem sempre foi assim, claro. Abrangendo de 1852, quando foi publicado o primeiro capítulo do folhetim “Memórias de um sargento de milícias”, de Manuel Antônio de Almeida, a 1977, ano de “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, aí vai uma lista de onze personagens marcantes da literatura brasileira. Um time de futebol inteiro. Quem leva o seu voto? Se não for nenhum destes, mas um ausente, não deixe de registrar seu protesto na caixa de comentários.

Assim, enquanto não nascem (nascerão?) novos gigantes, pelo menos nós não deixamos os velhos caírem no esquecimento.

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52 Comments

  • Rafael Rodrigues 21/03/2012 at 13:33

    Zeca, do Pornopopéia, mas, como ele não está na lista, eu vou de Macunaíma.

  • Sherlock 21/03/2012 at 13:48

    Por que o Diadorim e não o Riobaldo? Para mim, quem vive as angústias do romance e do amor que considerava impossível é o personagem narrador, e não o outro (outra?). E se adentramos um pouco mais no Grande Sertão, vemos a transformação final do personagem como mero efeito lítero-social: a paixão de Riobaldo sempre foi, afinal, por Diadorim, que ele não sabia que era mulher. Enfim, considero equivocada a escolha do personagem mais relevante da trama.

  • Leonardo 21/03/2012 at 13:56

    De personagens da literatura atual, me ocorreu um que, meio sem querer, pois fui ler despretensiosamente umas poucas páginas do livro e no fim me entusiasmei, me prendeu muito a atenção e me fez pensar nele por dias, até por ele se misturar indistinguivelmente do seu próprio autor: o pai em “O Filho Eterno” do Cristovão Tezza. É uma narrativa tão íntima que fica até estranho ler uma narração em terceira pessoa, mas nos faz ter o afastamento necessário pra não ler o livro como uma mera auto-biografia. E o que nos prende a essa personagem é que apesar de ser narrado um perfeito melodrama, o nascimento do seu filho com síndrome de Down, ele não é nem um pouco sentimentalista, e é até bem nojentinho, um sujeito com uma alma artística e individualista, que não nega os sentimentos mais mesquinhos. Ele não é o que alguém poderia querer que ele fosse, especialmente nessa situação. Mas no fim é justamente isso o que torna a sua aprendizagem mais profunda, verdadeira e convincente.

  • José do Norte 21/03/2012 at 14:13

    Gosto muito de Peri.

  • Guilherme Sobota 21/03/2012 at 14:32

    Sérgio, tudo bem?

    Concordo com o amigo ali embaixo e vou além: será que em “Dom Casmurro”, o grande personagem não seja justamente o Bentinho, ao invés de Capitu? Creio que o mesmo se aplica em Grande Sertão. Isso me lembra uma crítica que li de “O grande Gatsby”, não lembro de quem (mas acho que isso é um consenso), que o grande personagem não era o Gatsby, mas sim o narrador. Enfim…

    Quanto ao séc XXI, dentro dele, pelo menos, o Zeca do Pornopopéia é pra ser um grande candidato, hein?

    Um abraço.

  • Carlos fc 21/03/2012 at 14:37

    Nenhum desses ombreia com o major Policarpo Quaresma,o herói do Brasil.

  • Cristiano 21/03/2012 at 14:46

    Poxa, Sérgio…e o Fabiano, de Vidas Secas? Grande abraço.

  • Sérgio Rodrigues 21/03/2012 at 14:52

    Guilherme e Sherlock, esse é um ponto de vista defensável, sem dúvida. Se levarmos a sério o esquema personagem esférico x personagem plano de E.M. Forster, então vocês têm razão. Riobaldo Tatarana e Bentinho têm profundidade, e tanto Diadorim quanto Capitu são enigmáticas demais, elípticas demais para chegar a isso. Mas me pergunto: se fose Bentinho ali na lista, ele estaria em primeiro lugar, como está Capitu a esta altura da votação? Duvido muito. O que é uma prova de que Forster (como sustenta James Wood, aliás) estava meio equivocado. Capitu e Diadorim parecem ressoar mais justamente pelo que lhes falta. O fascínio que as duas exercem sobre os narradores se transfere para o leitor. Estou tranquilo com minhas escolhas. Abraços.

  • Reg Prata 21/03/2012 at 14:55

    Embora eu tenha votado (não vou dizer em quem hehehe), acho meio injusto isso de escolher o melhor personagem da literatura brasileiro. Seria algo semelhante a escolher o melhor brasileiro de todos os tempos ( NESSA pesquisa eu não votei)…

  • Sérgio Rodrigues 21/03/2012 at 14:56

    Cristiano, Fabiano poderia estar aqui. Acabou cortado porque me parece o caso de um personagem que fica abaixo do romance. Em outras palavras, a força impressionante de “Vidas secas” não depende tanto dele, está distribuída por todo o livro. É minha opinião, em todo caso. Baleia também disputou vaga. Abraço.

  • eliane fernandes 21/03/2012 at 14:57

    Todos esses personagens são muito fortes em nossa literatura. Acrescentaria mais: Macunaima,Luzia Homem,Iracema, e acrescentaria também Ana Terra que assim como Capitão Rodrigo foi personagem de suma importância em O Tempo E O vento.

  • Arthur 21/03/2012 at 15:01

    Por um momento, senti falta do Bentinho. Mas, antes mesmo de ler os comentários, percebi ser uma decisão acertada. Lendo-os só tive mais certeza.

    Depois de ler a lista, fiquei BEM indeciso entre os quatro com os quais tive contato por meio da leitura mesmo (Brás, Capitu, Emília e Macabéa… tá, talvez a Emília não tivesse chance comigo). Mas acabei votando na mais votada até agora mesmo.

  • Aguinaldo Mendes da Silva 21/03/2012 at 15:02

    Eu votei na Diadorim, mas eu queria votar em “Riobaldo Tatarana”, cujo nome não consta na lista

  • Priscilla Guimaraes 21/03/2012 at 15:10

    Rapaz, e o Policarpo Quaresma? E a escravinha Isaura? E Peri, o guarani?

    Mas a enquente eh boa, hein….Dah pra ficar pensando muito!

  • Suzana Paiva 21/03/2012 at 15:13

    Escolha muito difícil! Também senti falta do Bentinho e do Fabiano de Vidas Secas, personagens inesquecíveis! Gostei da votação e quero acompanhar!

  • Denise Borges 21/03/2012 at 15:18

    Existem muitos personagens marcantes na literatura brasileira. Acredito que a Macabea e a Aurélia, apesar de muito diferentes são as mais marcantes.

  • Sérgio Rodrigues 21/03/2012 at 15:18

    Priscilla, desses que você cita, acho que a ausência maior é mesmo o Policarpo Quaresma, lembrado também pelo Carlos FC. Mas agora entendo o técnico da seleção: não dava para escalar todo mundo! Abs.

  • Thiago 21/03/2012 at 15:31

    Ñ sei se é da época citada, mas faltou o Peri de “O Guarani” – José de Alencar

  • Priscilla Guimaraes 21/03/2012 at 15:36

    Poxa, com certeza, o cara queria que a gente falasse tupi-guarani!PQ foi um personagem e tanto, mesmo….mas muitos outros foram tambem….espero que essa enquete desperte a curiosidade pela nossa literatura, que eh tanto rica quanto eh desprestigiada! Abraco!

  • Kátia Bizzarro 21/03/2012 at 15:49

    Cadê o Dr. Bacamarte?

  • pablo 21/03/2012 at 16:02

    Meu voto foi para o capitão Rodrigo Cambará, personagem da Trilogia “O e o Vento” de Érico Veríssimo”. Porém não posso deixar de registrar meu protesto pela ausência de Pedro Arcanjo, o irresistível personagem de “Tenda dos Milagres”. De resto, é sempre bom discutirmos (boa) literatura, ainda que para divergir!
    Um abraço.

  • Thiago 21/03/2012 at 16:08

    Capitu é o maior personagem literário, sem dúvida nenhuma. Não tem nem pra onde.

  • Nino - SP 21/03/2012 at 16:15

    Gente, e o “Rubião” de Quincas Borba? E o “Bentinho” de Dom Casmurro? São personagens intensos, sofridos, inesquecíveis. Não podem ficar de fora.

  • ronaldopelli 21/03/2012 at 16:47

    foi bem difícil votar na enquete porque fiquei na dúvida sobre o significado dela – claro que é amplo como qualquer frase é, e não deve ser mesmo fechado.

    a minha dúvida, porém, é igual a outras de sempre quando o assunto é escolher “o melhor”, “o mais importante”, essas coisas. “melhor” ou “mais importante” para mim, ou de um modo geral, para a sociedade, ou, em outras palavras, mais representativo?

    se fosse a segunda opção, dificilmente a escolha sairia da Emília, mas aí envolveria a questão da adaptação e poderíamos pensar se ela é realmente mais importante por conta da literatura ou da tv.

    a minha opção foi, porém, a primeira acepção e tive que concordar com a maioria até agora. no âmbito da literatura -e nela somente-, Capitu é o personagem mais importante que já foi escrito no Brasil. o que é um belo exemplar, posso sugerir, até.

  • marcelo 21/03/2012 at 17:35

    Capitao Rodrigo. O tempo e o vento é o livro mais subestimado da nossa literatura.

  • sonia jaconi 21/03/2012 at 17:35

    Certamente existem outros persongagem da literatura brasileira que poderiam rechear esta lista, como Fabiano de Vidas Secas. Mas os que aqui estão representam, sem dúvida, o grande valor artístico e intelectual de muitos escritores nacioanis. Macabéa, para mim, é um personagem muito bem construído que incomoda o leitor através de usa insignificância social e de sua vida sem sabor… De tão tola e alheia ao mundo, chega a pertubar o outro, a enfadar o espaço e, principalmente, a mexer com o humor do leitor. Que criação magnífica… Senti raiva, pena, admiração, amor e ódio por Macabeá. Para quem a conheceu, impossível de esquecê-la….

  • sonia jaconi 21/03/2012 at 17:40

    *correção (personagens / perturbar)

  • Paloma 21/03/2012 at 17:43

    Concordo que falta Ana Terra (O tempo e o Vento, Érico Veríssimo), e Raquel (de Os Deuses de Raquel, do Moacyr Scliar).

  • Sherlock 21/03/2012 at 17:48

    É, acho que é igual a seleção brasileira: cada um tem um time na cabeça – e haja discussão pra chegar a um consenso!! ehe
    Não votei ainda na enquete (embora esteja tendendo a votar em Gabriela), mas sinto falta, como eu e outros já apontamos, de alguns personagens bem relevantes: Policarpo, Dr. Bacamarte, Riobaldo (que seria meu voto, rs) e um pouco conhecido, mas, para mim, um dos melhores já criados: o professor Jeremias, do Leo Vaz.

  • André Bianchini 21/03/2012 at 18:39

    Acho que está faltando nessa lista o Geraldo Viramundo, de O Grande Mentecapto.

  • CARLOS AUGUSTO ALVES 21/03/2012 at 20:03

    Macabéa foi inesquecível , Capitu indecifrável, senti falta de Clarissa, que me apaixonei quando tinha 13 anos, ao ler Música ao Longe” de Érico Veríssimo. Votei em Diadorim em homenagem a Riobaldo, cuja saga leio e releio sem cansar!

  • Maria José Lula 21/03/2012 at 21:45

    O tempo e o vento foi um dos melhores livros que lí até hoje; realmente Érico Veríssimo se superou neste personagem. Valeu!

  • Raquel Sallaberry Brião 21/03/2012 at 22:03

    Sei que Capitu é a mais lembrada, apesar de não gostar nem um pouquinho dessa rapariga… Meu preferido é o Capitão Rodrigo Cambará.

  • Carmem Lucia Bassitt 21/03/2012 at 22:45

    Desculpe descordar,mais o grande personagem da nossa literatura,conhecida pelas crianças e pelos não crianças e sem duvida a Emília e a Narizinho do pica pau amarelo

  • elizabel dorigon 21/03/2012 at 23:29

    adoro Grande Sertão:Veredas…

  • Ernani Ssó 22/03/2012 at 09:30

    Cadê a Rita Baiana? Cadê o coronel Ponciano de Azeredo Furtado? Em tempo, Ana Terra é muito mais consistente que o capitão Rodrigo.

  • Kylderi 22/03/2012 at 20:40

    Lembro-me do sargento Getúlio e o alferes do início de Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro (S. Getúlio também se tornou filme);Maria Moura, Dora, de Rachel de Queiroz; Iracema, Ceci e Peri, de José de Alencar; Engraçadinha, de Nelson Rodrigues; e Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo.

  • Paulo 22/03/2012 at 21:19

    Prefiro Riobaldo a Diadorim também. Alguns personagens legais, não necessariamente para ganhar, mas pelo menos para estar na lista: Sargento Getúlio, Maria Moura, Policarpo Quaresma, Zé do Burro, do Pagador de Promessas, e, como Machado tem mais de um, pelo menos outro de Jorge Amado, que era um grande criador de personagens. Ah, Chicó e João Grilo são mais representativos que muitos desses aí das opções. Ou só vale de romances?

  • Anrafel 22/03/2012 at 23:32

    Sérgio convocou onze, que seriam os titulares (gostei da presença de André, de “Lavoura Arcaica”). Grandes craques, nomes confirmados em qualquer seleção verde-e-amarela. Eu (todo brasileiro é um técnico) chamaria mais alguns para ficar na reserva ou até mesmo para tentar tomar o lugar dos titulares: Paulo Honório, de “São Bernardo”, Policarpo Quaresma, Miguilim e Dito, de “Campo Geral”, o Padre Nando, de “Quarup”, Nelsinho, de “O Vampiro de Curitiba” e alguns etc..

  • Anrafel 22/03/2012 at 23:35

    Ah, sim, Luiz Galvez, O Imperador do Acre.

  • Márcio Fidélis 23/03/2012 at 07:17

    Muito legal esse exercício! Igualmente difícil de definir… “Pedro Bala” de Capitães da Areia” – Jorge Amado, marcou-me demais. Mas, não tenho coragem de votar contra a Capitu; ainda tem a Emília… Meu Deus como esquecer a Macabéa???? unidunitê salamemingue… Abraço

  • Thiago Maia 23/03/2012 at 08:16

    Já que a enquete se tornou em seu complemento, voto na ausência de Perilo Ambrósio, O Barão de Pirapuama e na minha opinião o maior vilão da literatura brasileira.

  • Thiago Maia 23/03/2012 at 08:32

    Mas só de João Ubaldo tem ainda Dr. Lúcio Nemésio, o inominado de Diário do farol, Maria da Fé (aliás, xará de Diadorim), Patrício Macário, Ana Carocha, João Budião etc. De Autran Dourado, no mínimo o intangível janeleiro Bê P. Lima.

  • Tiago Franco Correa 23/03/2012 at 13:30

    Votei em Capitu, mas o grande personagem de Dom Casmurro é, sem dúvida, Bentinho. Capitu hipnotiza a todos (o próprio marido, Escobar, Sancha) com seu olhar de ressaca, mas é através do olhar desconfiado de Bento Santiago que a mulher ganha corpo. Nunca conseguimos decidir se estamos lidando com um marido traído ou um paranoico renomado, que tem dúvidas sobre a própria paternidade.

  • Thiago Maia 23/03/2012 at 14:07

    Cismei, reli trechos, a cisma estava certa e eu errado: o personagem escravo de Viva o povo brasileiro, fundador da Irmandade da Casa da Farinha, justiceiro ambíguo (!), come-quieto, sinistro é Júlio Dandão. Budião é fundamental em um desenlace importante do romance, mas não é aquele que quis citar na minha lista itaparicana.

  • beneditocglima 25/03/2012 at 18:42

    Considero Capitu a grande personagem da Literatura Brasileira,lamento apenas,que a nova geração não tenha conseguido ler nenhuma das obras elencadas nesta enquete.Quase todas essas obras as li,por orientação de um grande prof Alexandrino Santos Mauro (falecido) que exigia que o aluno do Ensino Médio lesse um livro por mes.

  • Fabio Said 26/03/2012 at 10:34

    Tem certos personagens que a gente sente que o escritor dedicou tanto cuidado à sua construção, lapidou tanto a sua humanidade, colocou tantas nuances e contradições que parece mesmo que a história fica em segundo plano, ou, pelo menos, só existe para engrandecer esse personagem. É quando o escritor se aproxima do Criador e molda a vida a partir das palavras, em vez do barro.

    Nesse sentido, vou dar o meu pitaco e dizer que é imperdóável não se poder votar no grande Coronel Ponciano de Azeredo Furtado, “neto do velho Simeão”, que é, na minha visão leiga, o personagem mais bem trabalhado de nossa literatura. Nunca uma figura fictícia foi tão gloriosa e tão patética, tão nobre, tão humana.

    Fosse José Cândido de Carvalho um narcisista renascentista, terminaria seu livro em delírio: parla, parla!

    Se bem que o Coronel já fala, não é? Posso ouvi-lo agora mesmo.

  • Fabiano Costa Coelho 26/03/2012 at 11:26

    Votaria em Riobaldo (na minha visão, muito maior que Diadorim, cuja importância é sentida fundamentalmente pelo reflexo que causa em Riobaldo).
    Optei por Capitão Rodrigo, personagem completíssimo, excepcionalmente concebido pelo hoje relegado (injustamente) a segundo plano, Érico Veríssimo.
    O livro Lavoura Arcaica é maravilhoso, por seu experimento poético, que tem a força de prender o leitor, mesmo na presença de um enredo mínimo, banal, quase ausente. Mas André não deixa grandes marcas, enquanto personagem.

  • Denise Araujo 26/03/2012 at 12:21

    Sônia Jaconi, em tão simples palavras você falou brilhantemente da diversidade humana de Macabéa. Parabéns. Sinto exatamente assim. Clarice revelou que sempre quis escrever sobre um caso que conheceu sobre uma moça que recebeu bom presságio de uma cartomante e envolveu-se em altos sonhos de felicidade, para logo em seguida ruminar com a morte. Personagem que, na linguagem do próprio Rodrigo S.M., traria o impacto de um soco no estômago. Impossível passar imune por ela.

  • Humberto 26/03/2012 at 17:34

    Faltou a cachorra Baleia, no mínimo um dos mais comoventes personagens da nossa literatura.

  • Waldir Moreira Jr (@MoreiraJr7) 01/06/2012 at 15:25

    Fiquei triste por não ver nenhuma menção a Tibicuera, cuja concepção leva à ficção encarnada em um personagem indígena pelo grande Érico Veríssimo. Romances, alguns enfadonhos, suplantaram a aventura atemporal de um viajor de nossa história, contando modificações pontuais de um Brasil de muitos, porém, para poucos. “As Aventuras de Tibicuera”, a meu ver, é um baita livro que se fora editado em um país de língua inglesa e falasse de um aborígene norte-americano, um algonquino, teria muito mais sucesso e estaria nesta lista, com certeza. Não por menos, Tibicuera = sf (tupi) Localidade abandonada pelos moradores. Faz sentido…

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