O livro, quando morre, vira ‘conteúdo’

07/12/2009

O artigo de Tim Adams no “Observer” de ontem (em inglês, acesso gratuito) versa sobre o tema-clichê do momento, para o qual confesso que minha paciência anda curta: o futuro dos livros na era do Kindle e tal. Mas faz isso de forma brilhante – e meio perturbadora. Segue seu naco inicial em tradução caseira:

Duas observações isoladas sobre literatura atraíram minha atenção nos últimos dias e se recusam a me abandonar. A primeira é de uma entrevista de Don DeLillo, autor do grande épico moderno “Submundo”. DeLillo contava como continua escrevendo numa máquina de escrever, e disse o seguinte: “Eu preciso do som das teclas, as teclas de uma máquina de escrever manual. Os braços martelando a página. Gosto de ver as palavras, as frases, à medida que se formam. É uma questão estética: ao trabalhar, tenho um senso de escultor sobre a forma que as palavras vão adquirindo.”

A segunda era um anúncio local em minhas páginas amarelas sobre um “game” para Nintendo DS que contém cem livros clássicos. O cartucho vende-se assim: “A Coleção 100 Livros Clássicos transforma seu Nintendo DS numa biblioteca portátil que contém romances de leitura obrigatória de autores icônicos como Charles Dickens, Jane Austen, William Shakespeare e muitos mais. Segure o DS como um livro e vire as páginas em touch screen. A Coleção 100 Livros Clássicos permite vários tipos de pesquisa, tais como procurar um livro que combine com seu estado de espírito, ou que tenha um formato específico como leitura breve”. A trilha sonora que pode acompanhar a leitura desses clássicos inclui o efeito enlatado de lareira crepitando.

Em algum ponto, essas duas observações pareciam entrar em conflito, numa espécie de paradoxo, mas demorei um pouco a entender qual era ele. Tinha, claro, alguma coisa a ver com o fato de que Don DeLillo, destacado romancista americano do presente, se aferra à tecnologia do passado, enquanto a tecnologia Nintendo do presente se apropria da velha palavra impressa do romance. Mas não era exatamente isso.

Trata-se mais de compreensões distintas do aspecto físico dos atos de escrever e ler. Os fabricantes do sucesso comercial da Nintendo acham que Shakespeare é um “autor icônico” de “romances de leitura obrigatória”, mas ao descrevê-lo dessa forma traem alguns dos efeitos colaterais de seu produto – tratam toda a literatura como se fosse apenas texto, conteúdo, algo para se rolar numa tela ao sabor de seu “estado de espírito”. DeLillo, que entende um bocado sobre a diferença entre literatura e conteúdo, resiste claramente a essa idéia. Escrever, para ele, é um ato altamente físico; o sentido se desvela e toma forma em palavras e sentenças individuais, e sua aparência externa é fundamental para aquilo que comunicam.

É bem possível que este Natal marque o momento em que a idéia Nintendo de literatura – e de leitura – ganhará precedência sobre a concepção de DeLillo. O crescimento nas vendas do Kindle e do Sony Reader – que conseguem armazenar milhares de textos, clássicos ou não, e um dia, quem sabe, poderão prover acesso digital a qualquer livro jamais escrito – parece indicar que vivemos um momento iPod: os livros, e em particular os romances, podem muito bem estar prestes a ter o destino de discos e CDs.

Até este ponto do artigo, eu pensava aquilo que venho pensando ultimamente. Sim, é claro que cedo ou tarde a venda de livros de papel sofrerá com a concorrência dos e-readers, mas isso pouco importa por dois motivos:

1. Eles certamente não desaparecerão – na pior das hipóteses, após verem suas vendas minguar ao longo de muitos anos, vão se transmutar em caros objetos de charme, itens de colecionador artisticamente trabalhados (destino que, por razões físicas, não estava ao alcance de discos e CDs);

2. Lida numa tela ou em resmas de papel, literatura continuará a ser literatura, uma palavra depois da outra, e portanto nada se perde.

O motivo 1 continua firme, mas confesso que o 2 foi abalado pela segunda parte do artigo, em que o autor discorre doutamente – e sem ranço tecnofóbico, embora passe muito longe do aplauso acrítico – sobre o caráter “solipsista”, centrado no ego e infinitamente dispersivo que o universo online exibe ao lado de, e entrelaçado com, seus irresistíveis trunfos. O artigo termina assim:

Por enquanto os Kindles e similares são aparelhos isolados, mas certamente não vai tardar o dia em que eles e os milhares de livros que contêm serão agrupados com todos os outros aplicativos obrigatórios num único computador que mediará nossas vidas: mais texto indiferenciado para combinar com nosso estado de espírito. “Tecnologias”, observa Sherry Turkle, “nunca são apenas ferramentas, mas objetos evocativos. Elas nos fazem ver a nós mesmos, e ao nosso mundo, de forma diferente”. Será que uma pessoa que está “sempre online” terá concentração para ler os grandes romances sociais – essa forma superior de “interação” com o mundo – numa tela? Será que alguém conseguirá enxergar longe o bastante além de si mesmo para escrever um?

Julguei entender por fim aquela história de palavras que tomam forma numa máquina de escrever: não estamos falando tanto do aspecto físico do ato, uma vez que as letras também tomam forma no Microsoft Word, e sim de um modo de ver o mundo. De estar no mundo. Um mundo que nos chega inteiramente mediado por uma tela que é “a nossa cara” – a tal ponto que nossa cara passa a ser ela – talvez não seja mesmo o mais fértil dos mundos para um certo tipo de escritura ambiciosa cuja leitura requer um esforço que, sendo grande, é uma pequena fração do que o autor despendeu – aquilo que Tim Adams simboliza em Don DeLillo. É claro que isso não seria o fim da literatura, apenas uma de suas transformações. E talvez o raciocínio todo tenha algo de paranóico, caso em que o “autor icônico” não poderia ser mais apropriado. Mas fiquei pensando.

31 Comments

  • Francisco 08/12/2009 at 03:08

    Sou tutor de EAD e repito isto há mais de dez anos: o nome da máquina é PC – Personal Computer. Ok, vou traduzir a idéia: computador PES-SO-AL. No futuro rirão da nossa tolice em não perceber que a escalada do PC é contemporânea ao individualismo yuppie dos anos Reagan. Quem é “sevado” (para usar uma expressão baiana) em parar de falar com uma pessoa presente para falar com outra no celular – sem hesitar, ou para uma pessoa “sevada” no uso de um aparelhinho de iPod que a isola totalmente do outro, que possibilidade tem a literatura, que é, tão somente, o diálogo consigo próprio para o testemunho dos olhos e da mente do outro? O que pode acabar com a literatura ficcional como a conhecemos não é a máquina. A máquina é só a imagem do homem que não quer “o diálogo consigo próprio para o testemunho dos olhos e da mente do outro”. Quem faz a máquina é o homem (depois de severas pesquisas de mercado…). As pessoas estão (veja o verbo), estão querendo isso. O homem quer estar só. É dolorido, mas é isso aí. As grades não são para afastar o ladrão, são para afastar “o outro”. O recesso em que está mergulhado o homem coletivo, desde a última crise do socialismo, nos jogou neste mundo de outros virtuais. Sendo tutor de EAD, vejo autores e mais autores propondo “trabalhos em grupo on-line”, “Paulo Freire na internet”, Vygotsky e a “construção coletiva do saber”… Não rola, o PC é uma máquina narcísica e individualista. Mais ou menos como estamos, pelo menos um pouquinho, todos nós e, de forma nitidamente agigantada, todos os netinhos de Reagan. Mas a literatura sobreviverá, por que, pelo menos até hoje, tem havido um movimento pendular entre o individual e o coletivo. Um movimento dialético entre as atitudes de não se implicar e de se implicar. Quanto ao livro… bom, tem lido as últimas noticias sobre os LP’s de vinil?

  • luana 08/12/2009 at 04:01

    O homem é só…o livro é sol,som,sonhos…

  • Thiago 08/12/2009 at 06:41

    Sou um leitor voraz. Sinceramente não acredito na extinção da literatura no papel. Quem gosta mesmo de ler não prescinde do prazer de ler um livro, folhear suas páginas, sentir o cheiro de novo.

  • Elton 08/12/2009 at 07:25

    O problema não está no livro digital. Se existe algum, ele está no mundo que possibilita essa nova tecnologia. Somos pretenciosos, queremos a biblioteca de Alexandria em nossas mãos quando lemos miseravelmente. A comparação com o Ipod é falha porque você não pode colocar seu kindle no play all enquanto faz outras coisas. A leitura implica outra disciplina para o corpo e para a mente e é essa disciplina que não temos mais – por bem ou por mal, para o bem ou para o mal. Por isso, livros digitais são mais sintomáticos que agentes de mudanças. Eles indicam mais uma época perturbada que pertubam a época. Pra quem realmente lê em quantidade, maravilha, é um avanço inegável – já falei, quero o meu. O resto da humanidade, porém, já faria muito se lesse os livros que têm em suas estantes. No mais, o kindle está condenado a ter um fim parecido com a tv a cabo: as pessoas terão infinitas trezentas opções, mas se limitarão a cinco. Com a diferença que as pessoas veem televisão.

    • Elton 08/12/2009 at 21:52

      Er… pretensiosos. Shame on me.

  • Santa Paula 08/12/2009 at 08:35

    … Por tudo isso, talvez, eu venho há 68 anos (minha idade), querendo ser escritor e não consigo. Ao terminar um “escrito”, um poema, um conto, etc, a sensação que sinto é a de que o meu trabalho já “nasceu” vencido, tal a velocidade do tempo, das coisas … Tudo hoje é tão “virtual”, tão acessível e tão banal, parece que o sentimento de “ridículo” transformou-se em “peça de museu” deixado a
    um canto da vida e da sociedade, para ser visto, talvez, por
    quem “interessar possa”.
    O homem vem, ao longo dos tempos, distanciando-se do
    “comum”, do “intrinsico”, do “verdadeiro”, travestindo-se de
    “imediatos”; Até mesmo o “aqui e agora” de ontem já não
    apresenta nenhum “valor” diante do “hoje virtual”, ainda que
    tudo nos pareça uma mentira.
    Enquanto isso a vida perpassa junto a nós pelas esquinas
    do tempo, amarelando nossas páginas escritas, supostamente cheias de coisas interessantes, impregnadas pelas marcas do nosso EU, grifadas pelas
    experiencias dos nossos CORAÇÕES, mas quase “comidas”, já a essa altura, pelas “traças” !
    Cheguei cedo à conclusão que a inexorabilidade do tempo
    é a única realidade desse nosso mundo VIRTUAL, e que
    meus pensamentos e palavras escritas estiveram sempre
    aquem do tempo, em estado de putrefação, como jaz , até
    hoje, na UTI das minhas idéias!
    Publicar o QUÊ, para QUEM, se a cada instante somos esvasiados de sentimentos pela “comunicação voraz” dos
    Meios, da Mídia, da Politica, das Catástrofes, da Fome e,
    principalmente, da CORRUPÇÃO?
    Estou pensando seriamente em, ao completar 70 anos ir
    para as Praças e Ruas “divulgar” meus trabalhos, imperfeitos, cheios de erros e sem nenhum valor, talvez para, simplesmente, cumprir com o meu dever de palavra,
    pois, quando em seu leito de morte, eu disse para mamãe,
    que ela fosse em Paz, que um dia eu me tornaria aquilo que ela sempre quis que eu fosse: um ESCRITOR!

    • Manoel Amaral 08/12/2009 at 10:32

      Santa Paula,

      Tenho 65 anos, em meu blog (http://osvandir.blogspot.com)escrevo em média três contos por semana sob os mais variados temas, de preferência sobre ufologia.
      Sigo o meu caminho.
      Acho que o Fidêncio tem razão, também vou colocar meus livros inteiramente gratuitos na internet.
      E viva o Kindle e outros meios de leitura!

      Manoel

    • cely 08/12/2009 at 11:53

      santa paula
      se voce é gaúcho,manda seus originais pro Sergio…..

  • FIDENCIO MACIEL 08/12/2009 at 08:35

    O livro eletrônico é muito interessante. Eu vivo em uma fazenda, no sertão do NORTE DE MINAS.
    Não tenho acesso a livrarias. Mas tenho Internert e computador.
    Com isto, tenho à disposição milhares de e.books, baratos.
    Estudei na ESCOLA DE MINAS de Ouro Preto que possui uma ótima biblioteca. A escola é centenária, de tradição francesa, fundada por Pedro II. Assim, a biblioteca é ótima. Entretanto, sai de Ouro Preto e a biblioteca me é inacessivel. Entre eu e a biblioteca existe uma distância de 700km. Veja este outro argumento a favor do e.book.
    Sou um escritor desconhecido. Como desconhecido, não consigo publicar meus livros. Se publicá-los, não consigo distribui-los. Mas estão todos na Internet, no meu site. E são consultados por milhares de pessoas. São gratuitos.
    Este fenômeno por si só esmaga a solução do livro impresso.
    A solução do livro impresso é uma carroça. Por mais bonita que seja, por mais esculpida, por mais elaborada continua uma carroça. Já imaginou quantas pessoas vivem no interior, longe de livrarias e de bibliotecas?
    Visite o meu site e leia Mãe Africa.
    Basta entrar no GOOGLE, escrever Fidencio Maciel e clicar na primeira referência.
    Você terá 5 livros para ler gratuitamente, de um escritor que não teria a chance de expor suas ideias, não fosse a existência do e.book.
    O livro impresso á uma carroça. Lindo, maravilhoso, mas uma carroça sem possibilidade de ir ao leitor onde ele se encontra.
    Fidencio Maciel

    • Daniel 08/12/2009 at 09:20

      Desculpe-me Fidencio, mas acredito que quanto mais palha jogarem no palheiro, mais difícil será encontrar as agulhas, principalmente as boas agulhas. Quantidade não é qualidade. Realmente, a eletrônica facilita a nossa vida de escritores iniciantes e desconhecidos, mas acredito que a batalha por ser conhecido e reconhecido cria os gerreiros e faz uma seleção natural nos realmente bons.

    • Manoel Amaral 08/12/2009 at 10:33

      Fidêncio,

      Parabéns!
      Vou seguir a sua idéia, também vou colocar meus livros inteiramente gratuito na internet.
      Passe por lá e dê a sua opinião.

      Manoel

    • Rosângela 08/12/2009 at 15:36

      E se tiver um jumentinho puxando esta carroça? rsrs

  • Marcelo ac 08/12/2009 at 09:43

    Até agora todos esses grandes centros que lançam e discutem e.books não colocaram na roda uma questão que a meu ver é crucial: a remuneração do escritor !! – isso sim é que é simploriedade. Como se todos aqueles que escrevem o fizessem apenas por diletantismo. Oras, oras!!

  • Catarina 08/12/2009 at 11:09

    Será que mesmo na era do pepel e da máquina de escrever exitia apenas uma maneira de ler? o que dizer da experiencia da leitura pro cego que lê em braile, ou que houve a narração de outra pessoa? e para a criança que ouve a mãe contando uma historinha? Quem sabe os PCs da vida não tragam Shakespeare de volta multiplicando as possibilidades de experimentá-lo a medida que multiplicam-se leitores em diferentes realidades.

  • Amorim Meneezes 08/12/2009 at 11:18

    Bem gente, se o livro qdo morre vira conteúdo o seu criador/autor, guerreiro, qdo morre deve virar Santo. Pois, nem tudo que está exposto nas livrarias tem conteúdo, mas, tenho certeza, que o que vcs. escrevem o têm. Escrevi em 8 anos uma obra de titulo “Um Maluco Careta em São Thomé das Letras” espero resposta de uma editora forte por quase dois anos, enquanto isso vou vendendo pelos shows e palestras que faço, para amigos, mas não vou dar de mão beijada para um sistema tão mostruoso capitalistamente falando, portanto pra mim não tem ai-pode não, por que quem tem poder geralmente não quer que o povo possa ler. No you tube tem um vídeo de minha autoria que reflete bem isso, acessem com o titulo “palhaço de brasilia” e passem para os amigos. Obrigado, e não desanimem. Rá!!!

  • Drex Alvarez 08/12/2009 at 11:47

    Sérgio,

    Concordo que sem muita dúvida que as ferramentas e tecnologias influenciam a cultura. E portanto, moldam nossa maneira de pensar e ver o mundo.

    Mas não tenho tanto medo que a literatura se extinguirá.

    Agora, quanto as livrarias, meu amigo. Que esse tal de Kindle acabou com meu sonho de abrir uma livraria, ah, isso acabou.

  • cely 08/12/2009 at 12:00

    Não sei se voces já notaram
    mas ninguém quer ler mais nem e.mail um pouco mais longo…..
    Dia destes dei um livro pra minha neta ler,disse que ela iria gostar muito,etc..
    dali 5 minutos ela chegou em mim e disse…
    “Vó eu li até a página 4, tá bom assim.Posso ver tv agora?”

  • ZéSarmento 08/12/2009 at 12:02

    Meu livro triste.Livro da moda.
    O comprei quando alguém me falou que o tinha lido e gostou.
    Bom, como era moda, acabei entrando e gastei na época alguns reais. Será que após os trinta e tantos anos, ainda não tinha a personalidade formada, ou são as voltas que a mente dá tentando acompanhar as tendências? De vez em quando elas nos pregam uma peça e acabamos entrando de cabeça.
    Só sei que o livro ficou anos me esperando na estante, e num dia qualquer de uma hora qualquer, vou eu fuçar noutros e o vejo se oferecendo pra mim. De graça até injeção na testa.
    Oferecido como estava, também me ofereci e o peguei.
    Livro ingrato, incompreensivo, esse. Ao invés de se abrir, se fechou e não se deixou abrir.
    Disse ele sem uma palavra, emudecido de tristeza, que estava revoltado com a minha pessoa, por tê-lo esquecido por tantos anos e que não servia mais pra leitura: havia passado da moda. Que eu deixasse na estante só pra enfeite, que pegasse agora dos livros didáticos, de história preferencialmente, já que se achava se graduando nessa matéria.
    Atendi, sou humanista, não o queria magoá-lo mais ainda.
    Como esse meu livro triste, muitos andam por aí enfeitando as estantes pelos donos não terem mais tempo de pegá-los e folheá-los desde o primeiro capítulo e lê-los deitado numa rede, no sofá, numa cadeira de balanço, sentando num tronco de árvore. Agora são leituras rápidas em passeios vorazes pela tela do computador, do celular…

  • Maurício 08/12/2009 at 12:21

    Olhe , sinceramente, a mim importa que, apesar da inovações tecnológicas , e, ainda que o livro se torne obsoleto , o que não pode acabar são os bons escritores. Pois sei que a evolução do homem sempre será maior que a das máquinas pela própria ambição de sua natureza. E como um rio embarreirado ,se descobrirão outros caminhos de entreter e aculturar os leitores sem que haja tanta disperção pelas midias que acompanham tais aparelhos e que acabam por deixar a literatura , a essencia dos textos em segundo plano. E aos intelectuais é sabido que há uma grande diferença entre “cultura de massa” e “cultura de qualidade ” passando pelo grau de sua superficialidade. E ai vejo a principal proposta desses aparelhos eletrônicos. Mas, elas(culturas) não se excluem e sim convivem de acorodo com os níveis almejados por cada pessoa.

  • Renan Henrique 08/12/2009 at 15:41

    assunto chato que deveria interessar mais pros editores do que pros leitores. que diferença faz o livro ter cheiro de papel ou de tela de computador? literatura ruim é ruim em qualquer formato e isso vale pro contrário também. e quem gosta de ler vai continuar lendo, quem nunca leu não vai entrar nessa de literatura por causa da Nitendo, vai continuar sem ler, oras bolas. confeso que isso faz parecer que vai rolar uma “revolução” das letras e etc… pura bobagem, mas enche páginas e mais páginas de blogs e cadernos culturais de jornais de rj-sp.

  • John Coltrane 08/12/2009 at 16:42

    É a melhor coisa mesmo que se disse sobre o Kindle até agora, para além desse debate bobo de cheiro do livro e coisas do gênero. Muito bom o post.

  • Rogério Moraes 08/12/2009 at 18:31

    Na verdade, com os downloads dos álbuns, a indústria fonográfica estrangeira há muito vem transformando os cds em obras de arte. É o caso da box Archives do Neil Young e das inúmeras Deluxe Editions que pipocam a cada mês. E a tendência lá fora é cada vez mais essa. No Brasil temos uma editora que investe no formato diferenciado das suas publicações, que é a Cosac & Naify. Bem, por enquanto continuarei com os meus livros tradicionais mesmo.

  • maria 08/12/2009 at 19:58

    É isso! Literatura não é conteúdo! Quando abro um livro, não estou procurando me informar, me entreter ou me tornar uma pessoa melhor. O que procuro, sempre, é o prazer de descobrir até onde um grande autor e uma grande estória podem me levar. Pensando assim, fiquei com dúvidas sobre se realmente este tipo de paixão combina com o tempo da informação fragmentada. E, pela primeira vez, me questionei se eu teria o mesmo amor pelos livros se, ao invés de ter nascido em 1974, tivesse nascido vinte anos depois.

  • João Sebastião Bastos 09/12/2009 at 00:40

    Parece que tudo virou emulação .O Nitendo também procura emular o livro e oferece como “valor agregado” a emulação de um supostamente adequado ambiente para leitura : crepitação de fogo na lareira…uma versão sul-americana poderia trazer o som de uma rede balançando ou da cadeira de balanço, ao sabor do comodismo do freguês. Tudo para ler escritores icônicos (puxa,é vivendo e aprendendo) conforme a opinião do autor da versão da máquina.Acho que tanta facilitação apenas reforça o conceito de literatura e do ato de ler como coisas chatas , que precisariam de tanta emulação para existir , do ponto de vista de quem já não gosta de ler, digital ou analógicamente.

  • Rafael 09/12/2009 at 18:31

    Eu adoro quando a caixa de comentários realiza a profecia anunciada no post principal.

  • Daniel Brazil 09/12/2009 at 21:52

    Acabo de patentear um aperfeiçoamento para o Kindle! Tem plástico de textura porosa e cheiro artificial de papel. (Creio que derrubei metade dos resistentes à tecnologia).

  • Carmen Silveira 10/12/2009 at 12:43

    A história está cheia de formatos para os livros (papiros, manuscritos etc). Agora são os Kindle. Acho que não derrubarão os livros de papel. Acho que eu poderia ler num aparelhinho desses (menos Machado e Fernando Pessoa), mas vou detestar os falsos sons de lareira ou outros recursos acústicos. SL não é comigo!

  • Diogo 12/01/2010 at 22:05

    Engraçado, li este post há algumas semanas, provavelmente no dia em que foi publicado. Como costuma acontecer, muito mais pela preguiça do que pela falta de tempo, fiz uma leitura transversal, pescando palavras-chave e algumas frases inteiras aqui e ali. Normalmente é suficiente. Naquele caso, não foi: eu sabia que não tinha entendido nada. Em parte por causa dessa consciência, em parte por causa do título antológico (não rola uma retrospectiva de melhores títulos?), o post ficou rolando na minha cabeça. Hoje voltei e li inteiro (inclusive a longa citação, que eu costumo inferir). Entendi.

    Entendi, mas acho que não concordei. Se de fato eu pesquei a idéia, a tese era de que a zona de conforto gerada pela “literatura Nintendo” (hahaha) pavimenta um terreno pouco propício para vôos literários mais ambiciosos. Não consegui entender em que sentido isso desmonta a obviedade de que “é só uma mudança de formato, de plataforma, foda-se o cheirinho do papel” e blablabla. A minha estante também não é a minha cara? (E, a cada dia, mais ela clama por um mecanismo de busca). E, se ela não precisa ser, o Kindle, ou o Nintendo DS, precisa? Pensando bem, acho que continuo não entendendo.

    Forte abraço a todos.

  • Gerusa 18/01/2010 at 10:26

    Ah, como tudo na vida tem seus prós e contras… esse é só mais um… mas, pensando mais a fundo acho que tenho uma utilidade ainda mais interessante para os e-books. Imaginem seus filhos, ou até mesmo você caro leitor, podendo baixar todos os livros didáticos num só aparelho. Estudantes com dificuldades visuais poderiam ampliar as fontes dos textos adaptando-as às suas necessidades e trazendo mais conforto e entendimento de conteúdo. Quantas dores lombares seriam evitadas sem tanto peso nas mochilas das crianças e quanto os pais e até mesmo os próprios governos poderiam economizar com isso? No mínimo um bom dinheiro e toneladas de papel. Opa! Mais uma saída para ajudar na preservação do meio ambiente. Com esse dinheiro os governos poderiam aumentar o salário dos professores. Que tal? Agora, abandonar meus livros de ficção e poesia no papel.. ich! Isso é amor eterno.

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