Por que ‘Laranja mecânica’ ainda dá suco e outros links

31/08/2012

Malcolm McDowell como Alex no filme de Kubrick

Em artigo no “New York Times” (em inglês), adaptado do prefácio que escreveu para a edição comemorativa do livro no Reino Unido, Martin Amis tenta entender por que o romance “Laranja mecânica”, de Anthony Burgess, ainda está vivo (certamente mais do que o filme homônimo de Stanley Kubrick) meio século após seu lançamento. Sua aposta é que a chama que não se apaga reside na improvável paixão extremada de Alex, o sociopata caricatural que cultiva a “ultraviolência”, pela música clássica:

Num só golpe, e sem sentimentalismo, Alex é realinhado. Ele agora foi equipado com uma alma, até mesmo com uma suspeita de inocência. Burgess ventila a sugestão sinistra, mas não implausível, de que Beethoven e Birkenau não apenas coexistiram, mas se combinaram e conspiraram, inspirando sonhos loucos de supremacia e onipotência.

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A propósito, isto é para quem não resiste a uma lista, por mais questionável que ela seja: o site Popcrunch escolhe os 16 (estranha opção numérica) maiores romances distópicos de todos os tempos, por ordem decrescente de grandeza. Todos escritos em inglês, claro, em lógica semelhante àquela que transforma em World Series o campeonato americano de beisebol (embora seja preciso reconhecer que o gênero se confunde com a anglofonia, a inclusão de um “1Q84” de Haruki Murakami, por exemplo, faria maravilhas pela credibilidade da lista). “Laranja mecânica” pegou medalha de bronze, à frente de “Admirável mundo novo” e “1984” e atrás apenas de “A estrada”, de Cormac McCarthy”, e do campeão The Diamond Age, de Neal Stephenson, inédito no Brasil. Então tá.

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Como vivemos em admiráveis tempos digitais, e vêm aí dois dias de folga, deixo de presente a quem se interessar uma preciosa entrevista do grande Julio Cortázar a Joaquin Soler Serrano para o programa A fondo, da Radiotelevisión Española, em 1977 – um dos últimos anos em que foi possível ter aqueles dentes impunemente. (Gracias ao amigo Ernani Ssó.) São mais de duas horas de papo que fazem justiça ao nome do programa, um longa-metragem inteiro. Bom fim de semana a todos.

httpv://youtu.be/gmj2KvRVW1E

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