Tezza: ‘Nossa literatura não existe fora do Brasil’

02/03/2010

Cristovão Tezza fará amanhã – o que, com o fuso horário, significa daqui a algumas horas – uma palestra na Austrália, como convidado do Festival de Artes de Adelaide, onde foi parar a bordo do sucesso de seu romance “O filho eterno”. Por email, entre uma Foster’s e outra, o escritor catarinense achou tempo para uma conversa sobre suas experiências nesta fronteira que, de tão pouco explorada, é quase selvagem: a da verdadeira projeção internacional de um livro brasileiro de “ficção literária”. Resumo de sua impressão geral: “A literatura brasileira não existe fora do Brasil. Ponto. Ninguém conhece absolutamente nada daqui, à exceção de meia dúzia de professores universitários”.

1. A que países “O filho eterno” já o levou e onde você sentiu maior receptividade?

– “O filho eterno” já me levou a Portugal, França, Espanha (Barcelona; a tradução foi em catalão!) e, agora, Austrália. O livro saiu também na Holanda e na Itália. Ainda não tenho uma idéia completa da recepção, mas o livro está indo muito bem na França, onde teve boa recepção crítica e ganhou o prêmio anual da Associação Francesa de Psiquiatria, que contempla obras literárias com temas que se relacionam com a área; e na Holanda, também com boa crítica e com boas vendas.

2. Paulo Coelho à parte, temos daqui a impressão de que o mundo não parece interessado na literatura brasileira, e até autores búlgaros gozam de mais boa vontade. Confere? O que os estrangeiros que você encontrou conhecem do que se faz aqui?

– Esse é um fato inescapável: a literatura brasileira não existe fora do Brasil. Ponto. Ninguém conhece absolutamente nada daqui, à exceção de meia dúzia de professores universitários envolvidos em departamentos de literatura brasileira e portuguesa, para consumo escolar e acadêmico, sempre mínimo. Aqui na Austrália levei um certo susto, porque sou praticamente o único autor do Festival de Adelaide (que, além de teatro, dança, música e outras artes inclui uma Semana do Escritor, para a qual fui convidado) de um país em que não se fala a língua inglesa. Conversando com John Coetzee, ele disse que ficou surpreendido com a total “autonomia” da arte brasileira em geral – o que eu entendi como um certo “autismo brasileiro”, uma arte que parece que não tem relação com nada.

3. E o próximo livro, como fica nessa roda-viva? Você é o tipo de escritor que consegue escrever em aeroportos e quartos de hotel?

– Essa é a primeira semana em que não sou mais professor da universidade. Pedi demissão. Quero viver uma vida tranquila agora, ler e escrever com prazer, fazer as coisas mais devagar. Jamais escrevi literatura em hotel – não consigo. Meu novo romance já está praticamente pronto; consegui tirar dois meses de férias, em dezembro e janeiro, para terminá-lo. Deve sair em outubro pela Record.

102 Comments

  • Rafaela Gimenes 02/03/2010 at 10:40

    Não creio! Que bosta!

  • Douglas 02/03/2010 at 10:49

    Pulga atrás da orelha, caríssimos: falamos de novos autores ou de brasileiros? Encontrei Machado em livrarias na Alemanha, México, Argentina, Colômbia, França e Estados Unidos. E pensando melhor, também Clarice, Jorge Amado e Guimarães Rosa. É pouco? É. Mas ainda assim há.

    Por outro lado: acho que temos um mercado livreiro bastante diverso pra economia e pro público que temos. Acho que isso deixa a gente meio mal acostumado. Não acham não?

  • Noga Sklar 02/03/2010 at 11:12

    É tudo verdade. O advento dos livros digitais, no entanto, abre uma boa possibilidade de mudar isso, pois reduz drasticamente a dificuldade de penetração num mercado estrangeiro. Falta alguém (quem sabe o governo) que se habilite a financiar as traduções, claro. Tenho pensado muito nisso.
    No mais, além de competente, Tezza é um sortudo, não é mesmo? Nada como poder “ler e escrever com prazer, fazer as coisas mais devagar”. Fiquei com inveja, ah, fiquei mesmo.

    • carlos 02/03/2010 at 11:35

      A questão parece que não tem à ver com mecanismos.
      Mas sim, com conteúdos.

  • Rafael 02/03/2010 at 11:21

    Alguém aqui conhece algo da literatura australiana?

    • Sérgio Rodrigues 02/03/2010 at 11:42

      Rafael: o ponto não é este, claro, mas já que vc perguntou… Peter Carey é australiano e já teve um monte de livros lançados aqui, por Record e Companhia. Coetzee é adotivo, mas seus últimos livros se passam na Austrália. Deve haver outros, mas não dá para comparar a carreira internacional de quem escreve em inglês com a de quem escreve em português. São planetas diferentes.

    • Rafael 02/03/2010 at 15:01

      Sérgio,
      Pela sua resposta, que envolve um único escritor nativo e um sul-africano que ambientou parte dos seus livros na Austrália, é como se não houvesse uma literatura astraliana. Certo?
      Vamos ser francos: tirando a dos países europeus de sempre (Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Rússia) e a dos Estados Unidos, a literatura dos demais países é inexistente para nós. Veja bem: estou falando de literatura e não de um ou outro escritor individual. Gosto muito dos livros do Sandor Marai e nada sei sobre a literatura húngara; conheço razoavelmente bem, no entanto, as literaturas espanhola e a inglesa.
      Não é preciso viajar até a Austrália para se dar conta disso!

    • pedro curiango 02/03/2010 at 15:27

      Em 1973, o prêmio Nobel de literatura foi para a Austrália: Patrick White, autor de “The Eye of the Storm,” que li e recomendo como um grande romance.

    • Victor Hugo 02/03/2010 at 17:43

      Pois é, nucna ouvi falar de nenhum desses aí. Mas tem comentário de letrados aqui. Certamente um letrado estrangeiro conhece, sim, a literatura brasileira. Agora assim como um brasileiro leigo e iletrado desconhece a literatura australiana, ou mesmo americana, acho natural que os australianos desconheçam a nossa, da mesma forma…

    • Sérgio Rodrigues 03/03/2010 at 16:43

      Não, Rafael, errado. Você perguntou se alguém conhecia “algo” da literatura australiana, eu lhe dei algo e meio – Coetzee, mais do que ambientar seus livros lá, adotou o país. O Curiango aumentou a conta. Mas insisto que toda essa conversa passa muito longe do ponto. Repare que o Tezza não fala só da Austrália, embora esteja lá agora. Aliás, convém reparar ainda que ele está falando – o que não deve ter lhe escapado, mas muitos aqui não perceberam – de literatura contemporânea.

    • Amâncio Siqueira 30/03/2010 at 10:10

      São poucos escritores nacionais que fazem tanto sucesso aqui quanto o Markus Zuzak.

  • carlos 02/03/2010 at 11:32

    É caro Sergio;
    Eu também me mortifico com essa nossa histérica e eufórica
    insignificância existencial.
    O brasil gira (?) em órbita própria…

  • julio jaguari 02/03/2010 at 11:34

    É pena sabermos que não existimos fora do nosso Brasil,nosso povo dá tanto valor a eles e menos valor a nós.

  • carlos 02/03/2010 at 11:57

    Desculpe discordar, mas essa estória de que valorizamos a cultura estrangeira em detrimento da nossa(?), é um mito.
    Se assimilássemos o bom exemplo universal, também teríamos o que oferecer (em retribuição) ao mundo civilizado.
    Parece que só consumimos do universo inteligente, aquilo que possa ser aproveitado hedonísticamente.

  • Breno Kümmel 02/03/2010 at 12:27

    E por que mesmo temos que ser lidos por estrangeiros?

    Acho que a pessoa que melhor colocou esta questão foi um pobre fulano que resenhou maravilhosamente um livro do Rubem fonseca na amazon.com:

    This was quite disappointing. I searched for quite a while trying to select a novel by a Brazilian writer in preparation for my visit to Brazil. Whenever I leave the U.S., I try to gain some familiarity with the place I’m visiting through the literature of the country. I was unsuccessful with this novel. The story begins with a woman paying a visit to the main character and leaving a bag of gems. The author moves on from there with pages of detailed information about gems (I did learn that Brazil is a major gem producing county). Then there’s another storyline about the main character making a movie based on an old book of some sort but this storyline is equally boring. I took the book with me thinking that it would get better if I read it in Brazil. No such luck. After 100 pages I nearly through it from my hotel balcony. Since it was a library copy I was forced to bring it back. I found nothing creative or imaginative about this novel (I doubt that the translator did that bad of a job). After talking to a number of Brazilians, the one author that surfaced time and time again was Jorge Armando (spelling cold be wrong). I’ll give him a try in a few months after the fresh memories of Brazil fade a bit. While “Vast Emotions and Imperfect Thoughts” was a disappointment, I have nothing but positive things to say about Brazil. The country is breathtaking, the people are wonderful and the food is scrumptious. I love Bahia!

    Acho que não tem mais o que acrescentar.

    • Mariana 02/03/2010 at 15:04

      Ele não colocou questão nenhuma, só falou do seu gosto pessoal – e desse ponto de vista qualquer coisa que ele diga é legítima, diga-se de passagem. Mas do ponto de vista da contribuição positiva ou negativa do livro à literatura brasileira ou mundial, de sua originalidade ou não, de sua estrutura textual, etc, etc, ele não acrescentou absolutamente nada. Ele achou o livro aborrecido? Sagrado direito dele. Mas daí a uma opinião que não foi além da mera expressão do gosto pessoal virar o resumo da ópera…

    • Rafael 02/03/2010 at 15:18

      Rubem Fonseca é um pedante cuja técnica literária consiste em misturar referências eruditas com fluidos corporais. Um assassino frio que gosta de seviciar suas vítimas com vagar antes de enviá-las ao outro mundo seria um personagem vulgar qualquer; mas se esse mesmo assassino sabe latim e repete sentenças latinas ad nauseam enquanto suas vítimas agonizam, sangrando, sendo mutiladas, tomadas de espasmos de dor e sofrimento torna-se ele ipso facto um personagem de Rubem Fonseca.
      O comentarias da Amazon foi preciso: a história perde-se em divagações eruditas.
      Achei a crítica bem fundamentada.

    • Victor Hugo 02/03/2010 at 18:14

      De fato. O que notamos é que os estrangeiros procuram ler literatura brasileira, pensando em achar algo descritivo do brasil… Não passa pela cabeça deles a idéia de que o brasileiro pense em coisas que transcendam o brasil. Não somos tão fixados no nosso próprio umbigo quanto eles. Eles não nos lêem, mas nós lemos todos os livros deles…

    • Mariana 03/03/2010 at 15:48

      Rafael, você fundamentou bem melhor.
      Agora, explicando melhor o que me agasta, o que eu acho mesmo de lascar, é essa historinha: um gringo se decpciona com o primeiro livro brasileiro que tentou ler (não diz nem se foi até o fim), obviamente não tem a menor ideia do conjunto, e – bingo!! – aí está porque não somos e talvez não devamos ser lidos. Hello!!!
      Rubem Fonseca é pedante? Aborrecido? Pois que seja, e o leitor que ache isso e o que mais quiser. Mas daí à leitura parcial de um gringo, descrita num site de compras, ser a que melhor coloca a questão sobre a inserção da literatura brasileira… Essa é de doer!!!! Não presta nem como metáfora, se é que é isso o que se tentou…

  • Marcelino Felix 02/03/2010 at 12:49

    Não creio no que esse cara fala. Esqueceu de Ariano Suassuna, Machado de Assis,, Jorge Amado Guimarães Rosa, Paulo Coelho, etc, etc, etc!

  • Joao Gomes 02/03/2010 at 13:02

    O Brasil nao é autista!
    PROTESTO! Tezza foi la para Adelaide exibir seu terceiro-mundismo desfazendo do seu proprio pais.
    Banana para todos eles!

    Editores, escritores precisam melhorar suas ESTRATÉGIAS, PLANEJAMENTOS, LOGISTICA E PARAR DE FICAR RECLAMANDO E PEDIDO BENCAO AO GOVERNO!
    POVO, VAMOS TRABALHAR. INVENTE E MOVIMENTE-SE!

  • C. S. Soares 02/03/2010 at 13:07

    E dentro do Brasil, existe? Tenho dúvidas. Ainda, assim, prefiro ser otimista. Um dia, poderá existir; é uma questão de planejamento e de dar tempo ao tempo.

  • Escriba Encapuzado 02/03/2010 at 13:21

    Sérgio,

    Gosto muito dos textos deste espaço. Eu gostaria de propor um tema, se me permite: metodologias (e regras) de escrita.

    Li a respeito disso no Guardian.co.uk, onde autores conceituados davam suas dicas para escritores amadores. Eu mesmo escrevi algo sobre isso em meu blog.

    Bem, fica aí a sugestão.

    • carlos 02/03/2010 at 13:57

      Gostei do codinome. É teatral (ou literário?!…),

  • gilvas 02/03/2010 at 13:38

    os autores citados no primeiro comentário são todos antigos…

  • Renato 02/03/2010 at 14:03

    acho que a um engano nessa questão,onde fica Jorge Amado,Paulo Coelho,entre outros escritores que fazem susseso fora do pais?,talves deva ser muito fraquinho o que o sujeito escreveu,talves não dispertou intereçe,muitos pensão que fizeram o maximo mas quando cai na real sai criticando os outros,a literatura brasileira quando presta e lida mundo a fora sim abraços

    • carlos 02/03/2010 at 14:38

      Desculpe cara, não entendi nada!
      Sem ofensas; mas sabe escrever em português, do Brasil?

  • Tibor Moricz 02/03/2010 at 14:06

    E o Tezza se inclui no seletíssimo clube dos que vivem SÓ de literatura. No Brasil? São poucos, muito poucos. Quantos, mesmo?

  • Priscila 02/03/2010 at 14:08

    Acho que o mais relevante a ser dito é que a literatura brasileira é tão pouco difundida até mesmo entre nós. Tenho 23 anos e é incrível ver que a maioria das pessoas com quem estudo/convivo, nunca ouviram (quem dirá leram) falar sobre inúmeros autores nacionais. Preferem pesquisar a lista de mais lidos de qualquer revista pra pegarem indicações de livros, que quase em sua totalidade são estrangeiros. Falta, na verdade, maior propaganda de que o que temos aqui tem tanto valor quanto o que vem de fora.

  • Tibor Moricz 02/03/2010 at 14:43

    Talvez o Tezza encabece a inglória tarefa de tornar um pouquinho visível lá fora o que é completamente invisível aqui dentro: nossa literatura.

  • Gilberto Costa - Belo Horizonte 02/03/2010 at 15:04

    Azar dos estrangeiros. Afinal estão sendo privados de escritores do porte de Machado de Assis, Erico Verissimo, Raquel de Queiroz, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e outros que realmente fizeram literatura com L maiusculo. Agora se Tezza estiver se referindo aos “escritores” de hoje, verdadeiros oportunistas feito Chico Buarque, Caetano “frescura tropical” Veloso, Jô ( bongô global) Soares ou Diego Mainardi e seu direitismo empedernido e rancoroso, ai sim, os gringos não estão perdendo muita coisa.

    • carlos 02/03/2010 at 15:18

      Quem se interessa em conhecer as crônicas de uma sociedade medíocre e corrupta, de um rio de janeiro decadente, já na época imperial? Ou as enfadonhas e intermináveis narrativas da história remota do rio grande do sul? Ou as aventuras e desventuras de um jagunço no sertão de minas gerais, de um autor que precisa inventar palavras, para justificar sua baixa criatividade literária?
      Hoje, isso tudo pertence à prateleira do folclore. Coisa que só os chatos e reacionários gostam de ler e tentar esfregar na cara dos outros.
      (Nada pessoal, é claro).

    • Amâncio Siqueira 30/03/2010 at 10:19

      Cara, se tudo o que você conhece de literatura brasileira contemporânea é isso, então o problema é mais sério do que todos estavam pensando.

  • carlos alberto cunha 02/03/2010 at 15:31

    A questão dos autores nacionais, antes de passar pela qualidade dos livros, é mais mercadológica. Quem não cacareja não vende os ovos. Também tem a boa vontade dos meios de comunicação, cujos criticos literários, para parecerem chiques, tem que listar um autor estrangeiro, senão, seu conceito de intelectualidade fica prejudicado. Um bom exemplo é a besta do Diego Mainardi.

  • rubia uchoa 02/03/2010 at 15:33

    … Dizer que a literatura brasileira nao existe fora do brasil é aberrante..Principalmente num momento em que um autor americano publica a bigrafia de Clarice Lispector.. que Ë BRASILEIRA… ( só um exemplo entre muitos que temos )
    Acho precipitado ele ter pedido demissào da universidade…..

  • Tomás 02/03/2010 at 15:46

    Haha, os comentários de hoje estão completamente surreais e, coicidentemente com o tema do livro de Tezza, completamente autistas. Cada um fala uma coisa mais disparatada do que a outra. Quer dizer, entendo o que a rubia quer dizer com achar precipitado o Tezza pedir demissão, mas será que faz algum sentido um comentário desses? Pelo amor de Guimarães Rosa, o cara ganhou mais de meio milhão em prêmios. Mas, enfim, na verdade não tenho nada a dizer. Só senti vontade de participar desse movimento de autismo coletivo. Desculpem aos que leram este comentário extenso e inútil.

  • Ernâni Getirana 02/03/2010 at 16:24

    Não há mesmo literatura brasileira fora dos 8.511.965 Km quadrados derra terra de não-leitores. Educação de péssima qualidade só pode dar nisso. Não há não apenas literatura brasileira, mas também ciência brasileira fora dessa área chamada Brasil. Bah.

    • sandro 02/03/2010 at 20:53

      So lembrando que nao sao os nao leitores os responsaveis pelo insucesso da nossa literatura sao os escritores mesmo…..E que sao ate bem estudadinhos ou nao?

  • augusto 02/03/2010 at 16:30

    Será que de uma forma geral, essa pouca importancia não está diretamente ligada ao fato de produzirmos em lingua portuguesa. Pessoa, Eça, tambem não tiveram ou tem uma importancia mundial à altura da grande literatura que produziram.
    No nosso caso específico, precisamos criar leitores que estimulem autores, para que um mercado se estabelaça e depois tentar outros voos. è triste saber que o pais do bundalelê e do futebol (atualmente mediocre) é periférico, mas essa é a verdade…

    • Victor Hugo 02/03/2010 at 17:38

      Sim. E quem sabe o que se produz na literatura dinamarqueza ou sueca atualmente? Nossa língua não é exatamente a língua mais falada no mundo culto, civilizado, e com dinheiro para consumir literatura, e isso certamente influi…

  • Adilson 02/03/2010 at 17:16

    Talvez estejamos sendo excessivamente dramáticos. De fato, nossos autores estão bem longe das listas de best sellers dos EUA e da Europa. E daí? Será que é lá que desejamos estar? Eu, particularmente, fico muito mais preocupado quando vejo tantos livros de qualidade duvidosa (estrangeiros ou não) nas listas brasileiras de mais vendidos.
    Está na hora de largar mão desse ufanismo infantil de querer provar que o Brasil é tão digno de ser admirado quanto o resto do mundo. Apesar dos nossos complexos, não é da nossa conta se os americanos e europeus só enxergam o próprio umbigo.
    Sinceramente, acho que ganharemos mais cuidando melhor dos nossos leitores e, é claro, dos nossos autores.

    • otavio 02/03/2010 at 19:00

      Ufanismo infantil? Ufanismo infantil, pra mim, é virar as costas pro que se faz no resto do mundo, abrir mão de dialogar! O ponto não são apenas as listas de best sellers, o ponto é a literatura contemporânea e a nossa capacidade de ter relação com esse mundo… sob pena de corrermos sempre atrás do próprio rabo.

    • sandro 02/03/2010 at 20:56

      Perfeito!!!!!!!

  • Franco Sued 02/03/2010 at 17:19

    Não me surpreende que a nossa literatura seja pouco conhecida lá fora, nem acho que devemos nos preocupar com isso. Melhor seria se nos dedicássemos a torná-la conhecida aqui, dentro das nossas próprias fronteiras, onde é tão ignorada. Infelizmente a baixa qualidade da educação e a tendência herdada do nosso passado colonial de valorizar excessivamente as produções alienígenas em detrimento dos autores brasileiros fazem com que as coisas por aqui não andem como gostaríamos.

  • Victor Hugo 02/03/2010 at 17:35

    Também acho que pouco importa. Se os estrangeiros desconhecem um Machado de Assis, e se não há nenhum outro autor popular atual tão conhecido como o Paulo Coelho. Tudo bem. O que realmente importa é difundir a literatura brasileira, para os brasileiros, primeiro. Lá fora, já é uma pretensão secundária…

  • Stonis 02/03/2010 at 17:48

    Ler é uma arte que se aprende em casa, se seus pais são letrados egostam de ler desde literatura até ciencia complexa e tem cabedal para entender ambos, não há motivos que seus filhos não gostem.. isso é estatística básica e a psicologia comportamental explica de maneira clara a correlação entre genialidade e letras precoces.
    Infelizmente devido a nossa colonização ter sido feita por um povo semiletrado, apesar de desbravador.
    O nosso problema educacional de base arrasta-se a 50 anos, onde há excesso de bacharelismo e um minimo de ciencia aplicada, por isso temos esse fracasso com 30 milhoes de analfabetos outros 75 milhoes de semi letrados.

  • Marcelo ac 02/03/2010 at 18:18

    Fico me perguntando como é que alguém vai se interessar por literatura no Brasil, se os nossos professores são quase analfabetos?? Como é que o país vai gerar novos escritores com um estímulo tão baixo?? A coisa só pode cheirar mal mesmo, como muito acertadamente disse o Tezza!!!

  • Prof. Moisés- ANdradina/SP 02/03/2010 at 18:35

    Dicordo de toda a impressão do ínfimo escritor brasileiro. Para quem não conhece LITERATURA acha que a literatura de banca é CONHECIMENTO! Então onde ficam os nossos clássicos de Graciliano Ramos que foram traduzidos para mais de 40 idiomas? Onde fica Machado de Assis? E a CLarice Lispector? E a RUth Rocha com tantos prêmios internacionais e livros publicados por toda a Europa? E a Lígia Fagundes Telles que é mundialmente conhecida? Talvez os aborígenes australianos não nos conheça, ou melhor nem sabem quem são os inexpressivos escritores australianos!KKKK Penso completamente do que está citado acima! Creio que os estrangeiros não são capazes de entender a complexidade de nosso Idioma, então tudo fica mais sintetizados na lingua mercantilista! Penso que só podemos dizer que a Literatura dos outros é boa, desde que falemos muito bem nosso idioma e conhecemos e valorizamos nossa cultura e Literatura? Reflitam! Leiam! O Brasil é muito mais que um mago chamado Paulo COelho e um ex-presidente chamado Sarney ou FHC! Somos o país de Manoel de Barros, de Mário de ANdrade, de Menotti del Picchia, de Guimarães Rosa, de Érico Veríssimo, de Milton Hatoun, etc!

    • gerson 05/03/2010 at 09:46

      O bom, velho e clássico estilo de professor de gramática/literatura de cidade do interior. Por quanto tempo bateremos no peito dos clássicos? Por quanto tempo nos negaremos a produzir mais? A dialogar?

  • Prof. Moisés- ANdradina/SP 02/03/2010 at 18:36

    Dicordo de toda a impressão do ínfimo escritor brasileiro. Para quem não conhece LITERATURA acha que a literatura de banca é CONHECIMENTO! Então onde ficam os nossos clássicos de Graciliano Ramos que foram traduzidos para mais de 40 idiomas? Onde fica Machado de Assis? E a CLarice Lispector? E a RUth Rocha com tantos prêmios internacionais e livros publicados por toda a Europa? E a Lígia Fagundes Telles que é mundialmente conhecida? Talvez os aborígenes australianos não nos conheçam, ou melhor nem sabem quem são os inexpressivos escritores australianos!KKKK Penso completamente do que está citado acima! Creio que os estrangeiros não são capazes de entender a complexidade de nosso Idioma, então tudo fica mais sintetizados na lingua mercantilista! Penso que só podemos dizer que a Literatura dos outros é boa, desde que falemos muito bem nosso idioma e conhecemos e valorizamos nossa cultura e Literatura? Reflitam! Leiam! O Brasil é muito mais que um mago chamado Paulo COelho e um ex-presidente chamado Sarney ou FHC! Somos o país de Manoel de Barros, de Mário de ANdrade, de Menotti del Picchia, de Guimarães Rosa, de Érico Veríssimo, de Milton Hatoun, etc!

  • Jose carlos Prado Alves 02/03/2010 at 18:47

    O problema não esta la fora e sim aqui dentro. Quantos brasileiros já ouviram falr de Tezza? e quantos ja ouviram falar de Tessalia, Elenita, e congeneres?
    Querer que australiano conheça literatura brasileira é utopia. Provavelmente tambem nunca ouviram falar de Camões. E quantos brasileiros conhecem literatura australiana?

  • Milton Ribeiro 02/03/2010 at 18:48

    Nada contra o post, só que é óbvio!

  • Marcelo ac 02/03/2010 at 19:36

    No Boom dos anos 70 na Europa, mal fomos notados. Insistem porque insistem que Guimarães Rosa foi descoberto. Acho difícil com aquele tanto de neologismo. Pior é essa mania de brasileiro achar que é alguma coisa, primeiro nisso, o maior naquilo, e por aí vai. O Brasil é insignificante mesmo, tem Pelé made in Brasil, mulata e Carnaval – ´que só apareceu no Google um dia. Drummond, Cabral, Bandeira, nem no Brasil todo as pessoas conhecem. É triste mesmo o nível daqui e a nossa expressão lá fora. Êta brasilsão né!!!

  • Marcelo ac 02/03/2010 at 19:56

    Escritores estrangeiros que vinham para a Flip, anos passados, tinham conhecimento da nossa literatura, às vezes, no avião. Aí chegavam aqui e diziam que conheceram tal escritor lendo no avião. Se a nossa literatura não é prestigiada aqui, não é lá fora que ela vai ser.

  • María Cristina Quiñónez 02/03/2010 at 20:09

    Defendi tese sobre Clarice Lispector quando ela não era ” Fashion” como o pessoal gosta de dizer. Não é que não seja conhecida a Literatura Brasileira. O que acontece é que aqui no Brasil, não se valoriza sequer a língua portuguesa.Sou americana residente no Brasil e aprendi o Português na Louisiana State University. Concordo que não havia lista de espera para estudar Português mas quando fui monitora de ensino, o Português começou a ser estudado primeiro como curiosidade e depois pelo entusiasmo que os alunos encontravam na sala de aula e na comunidade de estudantes brasileiros que faziam pós-graduação em Baton Rouge. Eu conheci a Clarice lá e aqui ainda tive a felicidade de tê-la conhecido em vida.
    Penso que como todo Povo, ninguém valoriza a própria cultura e litaratura. Como queremos que o pessoal lá fora valorize?

    • carlos 02/03/2010 at 20:51

      Esse comentário foi pessoal. Não vale.
      Se eu conhecer Rubem Guerra ou João Ubaldo Ribeiro, ou ambos, pessoalmente; também vou me fascinar…
      Isto não significa nada. A literatura é maior do que isso.
      Não é um bicho de estimação.

  • Marcos Bonfim 02/03/2010 at 20:12

    Prof. Moisés disse: “E a Lígia Fagundes Telles que é mundialmente conhecida?”. É uma frase de Policarmo Quaresma? É para rir ou para chorar?

    • sandro 02/03/2010 at 21:02

      Os dois

  • Teresa 02/03/2010 at 20:25

    Quem é mais conhecido do público leitor: Khaled Hosseini no Brasil ou Cristóvão Tezza na Europa? Se for o primeiro, realmente ele tem razão.

    • Amâncio Siqueira 30/03/2010 at 10:05

      Na verdade, Khaled Hosseini é mais conhecido que o Tezza aqui no Brasil mesmo.

  • Sérgio Rodrigues 02/03/2010 at 20:29

    Recebi o seguinte email de Fabio Lima, da Biblioteca Nacional. Com sua autorização, divido-o com os leitores, por ser relevante para o debate:

    Caro Sérgio,

    Li a conversa com Cristovão Tezza publicada no Todoprosa. A edição australiana de O filho eterno (The eternal son, Scribe Publications, 2010), teve apoio do Programa de Apoio à Tradução de Autores Brasileiros da Fundação Biblioteca Nacional. O programa oferece bolsas a editoras estrangeiras interessadas em publicar autores brasileiros.

    O edital (www.bn.br/translationgrant) deste ano acabou de ser publicado e as inscrições vão até 31 de março.

    Um abraço,

    Fábio Lima
    Fundação Biblioteca Nacional
    Coordenadoria Geral do Livro e da Leitura

  • Marcelo ac 02/03/2010 at 20:45

    Sérgio, Biblioteca Nacional é Rio de Janeiro. O Brasil é maior do que isso. É uma iniciativa, e mesmo assim de autor super premiado aqui. Temos mais do que um Tezza. Veja, seus livros mesmo, os de Sérgio Rodrigues, parece que são só encontrados nos grandes centros do Sudeste. Saindo dai, é dificil te encontrar. Belo Horizonte, não te vi por lá!! Belém, não te vi por lá!!! Literatura de ficção é só no fundo da livraria!!! Não existe estímulo para leitura no Brasil, para o culto da inteligência. Fui livreiro e andei por muitos lugares. Quantas vezes armei meu circo na pérgula de uma Universidade e saía de lá da mesma forma que entrava: a zero. Nem professor aparecia!!! Viva o Brasil, esse país promete!

  • sandro 02/03/2010 at 21:11

    A questão é……. isso tudo ainda tem alguma importancia?!!!!Acho que não.Literatura ruim e povo ruim nunca serão conhecidos ,ainda bem.Ha!! somos conhecidos sim carnaval,corruptos de montão,bbb etc etc etc vcs acham que isso tudo existe porque somos cultos hahahahah!!!! olha ai que beleza de portugues

  • Marcelo ac 02/03/2010 at 21:30

    Sérgio, parece que estou monopolizando o debate, o que não queria. Mas, enfim… Ao lado da primeira profissão, que era a de redator de propaganda, e além de livreiro, recentemente, também fui professor de português em escola pública há alguns anos atrás. Mais precisamente, numa praia. Bom, como professor de português do segundo grau, era obrigado a passar de ano aluno semi-analfabeto, que quase só conseguia escrever o nome. A diretora da escola nos pressionava, a todos os professores, a não deixar ninguém para trás. Não podia haver reprovação!!! Era uma exigência da Secretaria da Educação de um determinado Estado. O que eu vi, inclusive, em work shops promovidos para os professores de português, era bem comprometedor!!! Isso, naturalmente, em uma escola pública. Não posso dizer das particulares. Em todo caso, isso é lamentável e muito sério. Quem sabe, só um retrato três por quatro do Brasil…

  • Bruna Dionisio 02/03/2010 at 21:32

    O mais grave não é os livros, a literatura brasileira não ser conhecida lá fora, pois nós não podemos esperar dos outros o que nós mesmos não conhecemos…..Infelismente

  • Ana Cristina Melo 02/03/2010 at 22:30

    O pior, Sérgio, é percebermos que nossa literatura às vezes não existe nem aqui dentro. O povo só conhece os escritores midiáticos. E a mídia só conhece um grupo muito pequeno.
    Venho lutando como formiguinha carregando seu açúcar para dar visibilidade aos escritores. Um dia quem sabe…

  • Carla Campos 03/03/2010 at 08:14

    Parabéns pelo post.

  • Marcelo ac 03/03/2010 at 09:05

    Recentemente uma amiga me disse, chegando de Londres depois de muitos anos morando lá: Esse país parece que só anda para trás!! Meio histérico, quase mesmo ofendido, respondi: Não, o Brasil mudou muito. Você não tem visto? Agora nós temos por aqui festas, simpósios, encontros e saraus literários por todo canto!! Cínica, ela respondeu: Há quantos anos vocês tem isso? Eu engoli em seco e fiquei quieto.

  • carlos iconoclasta 03/03/2010 at 10:25

    Talvez estejamos sendo demasiado severos com o trabalho dos escritores e distribuidores, e conosco mesmo, que lemos habitualmente. Toda a nossa indigência cultural deve em grande parte ser debitada ao elevadíssimo custo de vida, cobrado nessa ilha socialista.
    A carga tributária necessária para alimentar uma máquina estatal tirânica e insaciável é tão colossal, que chega a ser invisível à olho nú, por que transcende os horizontes imediatos. A noção e os princípios de cidadania e relação do estado com o indivíduo são cuidadosamente desvirtuados ao longo do processo educacional(?). Em poucas palavras, o livro é caro. Muito caro. Não há como potencializar a cultura num ambiente hostil desses. Agora tem essa estória de bolsa cultura, que logo deve se transformar em instrumento de manipulação ideológica e fonte de corrupção e desvios.
    E então continua levitando sobre nossas consciências, a pergunta que não quer calar:
    Você……. sabe votar?

    • Rodrigo 03/03/2010 at 10:42

      Ah, agora a culpa e da constituição de 88, ou do Lula mesmo, quem sabe?

      Tivemos o douto FHC e o (diria Caetano) analfabeto Lula e a barca não desviou muito do curso.

      O problema não é a presença do Estado é a falta dele na educação primária.

      Mas mesmo com todo o investimento, ainda assim, é mundial o fenômeno de que a literatura não consegue competir com internet, video-game, cinema 3D, etc., seja em Cuba ou nos EUA (mas eu aposto que em Cuba se lê mais).

      Concordo com o Adylson vários posts atrás, me preocupa muito mais a presença de literatura estrangeira de baixa qualidade nas listas de mais vendidos no Brasil, do que a ausência de nossos escritores nas listas do exterior.

    • carlos iconoclasta 03/03/2010 at 10:51

      Protesto registrado. Pergunta ainda em suspenso….

    • Hefestus 03/03/2010 at 14:49

      E vai continuar em suspenso, Carlos Iconoclasta. Embora partes de sua argumentação sejam realmente pertinentes (o preço dos livros, por exemplo), a pergunta que você considera a mais importante não tem a ver com o debate, é desvio de tema puro e simples – o que não deveria me surpreender em alguém que escreve como você escreve, mas enfim…

    • carlos iconoclasta 03/03/2010 at 16:09

      Vou considerar isso como um “não”.

    • Hefestus 04/03/2010 at 15:01

      E eu vou considerar tua interpretação como um “não” a outra pergunta: “Iconoclasta, você sabe ler?”

    • carlos iconoclasta 04/03/2010 at 15:48

      Eu citaria brecht para você.
      Mas não vou fazer isso. Acho pedante esse negócio de citações. E no seu caso, particularmente constrangedor.
      Mesmo assim, obrigado por replicar.
      (À propósito, gostei do seu avatar)

    • gerson 05/03/2010 at 09:37

      Mas que parada, que pergunta mais sem método! Desculpe, caro iconoclasta, mas iconoclastia sem método dá nisso mesmo, crítica sem objeto… relacione direito os temas, por favor. Você está parecendo aquelas pessoas para quem todo debate vai parar nas mesmas causas. A discussão sobre o livro e sobre a relação do brasileiro com a leitura vai bem além. E o pior é que concordo em gênero, número e grau com as suas ressalvas a esse nosso destrutivo ogro filantrópico.

    • gerson 05/03/2010 at 09:41

      Fora que livro não tem tributação, o que ajuda a desvincular um chororô do outro.

    • Amâncio Siqueira 30/03/2010 at 08:56

      Não percebo em que seu comentário se encaixa na discussão. O livro ser caro aqui em nada se relaciona com o fato de não sermos conhecidos lá. Na verdade, o livro é caro no Brasil, mas livros estrangeiros vendem aos milhares no nosso país. O fato é que as editoras nacionais vão lá fora procurar bestiselers. Não há interesse de vender direitos autorais para outros países, e sim de comprá-los. Complexo de vira-lata, que é corroborado por comentários como o seu.

  • Marcelo ac 03/03/2010 at 10:52

    O que me preocupa é a corrupção endêmica do Brasil!!!! Como já disse muito bem João Ubaldo Ribeiro, aliás com muita coragem, desprendimento e senso cívico, o grande problema da sociedade brasileira é a corrupção. Acredito que ela esteja impregnada em vários níveis. Só essa falta de comprometimento das nossas classes políticas com uma visão de longo prazo do país, e não com esse imediatismo eleitoreiro, desse ou daquele partido político, só isso já compromete uma geração de brasileiros. O que dizer então da nossa literatura? em português, vinda de um país do terceiro mundo, recém saída de uma ditadura e sobrevivendo num país provinciano de analfabetos!!?? Vou não vou chorar aqui porque é feio !

    • gerson 05/03/2010 at 09:39

      Outra explicação com causas certas pra problemas errados. Culpar política, economia e tudo o mais, infelizmente, é fácil, é honesto, mas não responde a nenhuma das questões apresentadas de fato!

  • Rosângela 03/03/2010 at 13:38

    Não vamos longe, não. Claro que não sou escritora, mas recebi aqui “cassetada no Kengo”, por “tentar” mostrar um “outro lado do momento” não menos literatura e não mesmo história e que, querendo ou não, está para acontecer em nosso meio, mas as pessoas não “querem ver”. Muitos escritores abordaram o que tentei abordar aqui, mas não levaram a cassetada que levei. Veja bem, se escritores, letrados, cultos, não dão nem oportunidade de uma visão diferente ( e nem por isso, falsa) a uma “escrevinhadora do cotidiano a frente”, como vamos reclamar de nossos livros não serem lidos lá?

    Ou o que estou falando está fora do assnto?
    se tiver, me desculpe. Não estou reivindicando me aceitar, pois já sabia de ante mão que não seria aceita nos blogs, pois o ser humano gosta de bajulação e não de ouvir as verdades que cortam entre alma e espírito.
    E se este assunto não serve porque é “fundo religioso”, serve pelo menos para colocar na caixinha de “contos a serem conferidos amanhã”, logo após as festas religiosas do país.

    • Hefestus 03/03/2010 at 14:51

      Rosângela, já pensou em fazer terapia?

  • Hélio Jorge Cordeiro 03/03/2010 at 14:10

    Trata-se simplesmente de protagonismo internacional. Coisa que só agora o nosso país esta exercendo no cenário mundial; quiça daqui mais alguns anos (não muitos), claro, se não mudarem as políticas das relações internacionais, que agora se efetua e, diga de passagem, de maneira exitosa. Este país está, aos poucos e muito a contra gosto das elites, deixando de ser um país vira-latas.

    Ah, a propósito, lembro aqui um artigo que li escrito por Laura Bacelar sobre o Movimento em Prol dos Escritores Desconhecidos.

    • carlos iconoclasta 03/03/2010 at 14:33

      Cara, não transforme o debate em plebiscito.
      Se não, sua literatura nunca vai sair da (restrita) esfera bolivarista.
      A literatura é maior do que isto!

  • Joao Gomes 03/03/2010 at 15:50

    S. Rodrigues e amigos,

    Um amigo me enviou este modelo de Petição e divulgo aqui para todos os leitores, escritores e aspirantes.
    Pode ser interessante.

    Seria interessante se o mesmo fosse feito às bancadas de seus estados.

    Um abraço
    JGM

    Exmos. Srs. Deputados e Senadores Federais da Bancada do Estado ______________________

    A preocupação com a difusão da cultura, a disseminação do hábito de leitura e o desenvolvimento da cidadania passam, obrigatoriamente, por obstáculos que apenas a ação decisiva e concentrada de esforços pode solucionar. Nós, autores, fazemos a nossa parte, mas o custo final dos livros é agravado por um detalhe que poderia ser facilmente solucionado, caso a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos criasse uma tarifa “cultural”, mas de caráter eminentemente “social” para a remessa de livros através do Correio.
    Solicito, como escritor, de Vv. Excelências que analisem a questão, sugerindo a criação, pelo Correio, de tarifas especiais quando a correspondência contenha, comprovadamente, livros.
    Essa tarifa poderia ser até diferenciada: uma, quando a remessa for efetuada por uma Livraria ou Editora e outra, menor, quando a remessa fosse efetuada comprovadamente pelo próprio autor. O ideal é que fosse apenas uma, que influisse nesse custo de remessa e facilitasse essas remessas.
    Tenho certeza que essa medida seria muito bem vinda e muito bem vista por parte de escritores e intelectuais de todo o país e, seguramente, soaria extremamente simpática ao público leitor.

    Cordiais saudações

    • Rafael 03/03/2010 at 16:37

      Que idiotice…

    • Rodrigo 04/03/2010 at 08:02

      Eu aplaudo a iniciativa.

      Um mediocre (não estou dizendo que seja o caso) que realiza suas proezas medianas é muito mais importante do que um gênio na hora de opinar sobre as realizações alheias.

    • Marcelo ac 04/03/2010 at 09:48

      Concordo plenamente com o Rafael ! Baixar ainda mais o preço do livro, é absurdo !! Porque que ao invés de comprar uma calça nova, uma camisa nova, sair todo pirilampo(a) por aí, o sujeito não compra um livro?? Esse paternalismo do estado é o fim da picada…

  • Thales de Athayde 03/03/2010 at 17:56

    Caro Sérgio, estás com toda a razão. Precisamos “virar” a mesa daqui para frente. Mesmo sem a ajuda do governo, nós os brasileiros quase não lemos, também. Tenho um romance pronto e ainda não publicado. Percorro um caminho que chamo de “via crucis” para vê-lo publicado um dia. Não é falta de dinheiro; é falta de ânimo por causa da abstinência do brasileiro em ler. Se aqui no Brasil é difícil imagine fora do Brasil.

  • Rosângela 03/03/2010 at 19:33

    Hefetus, seria muito bom “ter uma pia”. Afinal, é lugar de limpeza… Incluisve a Literaura poderia ser uma pia para o Brasil.

  • magnólio santalúcia 03/03/2010 at 19:36

    ‘o bisneto efêmero’? não, não conheço.

    • Marcelo ac 04/03/2010 at 10:58

      Não era por menos: com aquele salário dos substitutos só mesmo procurando outra coisa para fazer. Minha própria contratação já era um erro, você não concorda?? Com a minha formação, era meio estranho, não??

  • Joao Gomes 03/03/2010 at 22:34

    …eu nao disse. O cara foi por conta do Erário Público e ainda desce o sarrafo no brasi!
    Eita! Ô ingratidao da gota serena!

    • gerson 05/03/2010 at 09:43

      Pois é, João Gomes. Mas ele é escritor, não marketeiro. O que você quer, escritores cooptados?

    • carlos iconoclasta 05/03/2010 at 11:26

      E qual seria a postura e a indumentária adequada para a ocasião?
      Talvez nosso nobre representante devesse envergar uma indefectível camiseta da seleção canarinho, um chapéu do
      glorioso santos dumont, e uma maquiagem da baianacarioca postiça, carmem miranda.
      Isso provavelmente intimidaria as críticas insolentes dos aborígenes.
      Quanto às impressões do evento, poderiam ficar à cargo da redação de algum funcionário de carreira e/ou confiança do respectivo ministério. (Ou não… )

  • Fernanda Nogas 04/03/2010 at 17:23

    Sou jornalista e tive o prazer de ter aulas com Tezza, ainda na Universidade. De longe, uma das mais brilhantes pessoas que já conheci.
    Acredito nele como um excelente representante da nossa literatura fora do país. Posso dizer que é um duplo orgulho vê-lo ganhar tamanha projeção com O Filho Eterno: por mostrar o que é produzido no Brasil, e por vencer as barreiras naturais a um escritor vindo de uma cidade como Curitiba, sem tradição literária ou grandes editoras.
    (Quem, como eu, é de Curitiba, entende bem estas barreiras).
    Vida longa à carreira internacional de Tezza e da literatura brasileira.

    • Marcelo ac 04/03/2010 at 23:46

      Fernanda! Não sei se você vai ler o post, em todo caso o assunto é a Arte e Letra Editora, ai de Curitiba. É um endereço que eu consegui via este blog. O próprio Sérgio Rodrigues já publicou na revista deles. O Tel é (41) 3223.53.02. Pegue maiores informações sobre a revista que eles publicam e tente começar por aí mesmo. Também estou tentando há algum tempo, mas é bem difícil. Boa sorte!

  • Joao Gomes 05/03/2010 at 10:19

    Nao vou me preocupa os escrevinhadores deste espaco, visto que a tese de “autismo”, pontificada por Tezza acabou se confirmando nos comentarios de comentadores de ocasiao.

  • Joao Gomes 05/03/2010 at 10:20

    digo “nao me preocupa”

  • J.Paulo 29/06/2010 at 21:04

    “Quero viver uma vida tranquila agora, ler e escrever com prazer, fazer as coisas mais devagar.”

    Eis aqui um dos meus ideais de vida.

  • Fernanda Nogas 22/03/2012 at 11:08

    Marcelo ac
    Exatamente um ano depois, vejo o seu post. Interessante coincidência! Espero que veja esse post (quem sabe daqui um ano?)
    Agradeço pelo contato da editora, publicar em Curitiba é realmente complicado. Mas é sempre bom lembrar: pode ser difícil, não impossível, concorda?

    abs

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