Vamos nos concentrar só um pouquinho?

08/01/2010

A coisa explodiu. São tantos os e-readers e tabletes sendo apresentados por estes dias no Consumer Electronics Show, em Las Vegas, que este blog, depois de acompanhar o tema do livro digital com algum interesse por tanto tempo, entrega oficialmente os pontos. Está tudo muito bom, mas vocês realmente esperam que eu me informe sobre tudo aquilo? Exerço o meu direito de Bartleby: prefiro não.

Que, não por coincidência, pode ser justamente o direito fundamental que a avalanche internética tem nos feito esquecer: prefiro não. Tentarei explicar.

Mas para tanto peço desculpas e cito, depois de dizer que não o faria, uma das tais engenhocas recém-lançadas, que leva o insuportável nome de “enTourage eDGe” e pode ser conferida neste vídeo. Trata-se da primeira máquina que combina e-reader com netbook – tela de tinta eletrônica de um lado, tela de cristal líquido do outro. Para que você possa, até que enfim!, ler tranquilamente seu “Guerra e paz” com o olho esquerdo enquanto, com o direito, confere emails, comenta um status ou outro no Facebook e se diverte com aquele último vídeo imperdível no YouTube.

Ah, você prefere não fazer isso? Bem-vindo ao clube.

Ando apaixonado pelo Kindle, e de repente fica claro o que mais me agrada nele: é um aparelho bisonho, quase jurássico, feito exclusivamente para ler. Ponto. Melhor dizendo, comprar e ler, mas não sejamos cínicos demais: o mercantilismo que para a Amazon é um bom negócio também interessa a você, que não gostaria de esperar semanas ou mesmo meses para ter acesso a um lançamento que pode estar diante de seus olhos em segundos. Comprar e ler, eis tudo. Bendita limitação. O fuzuê da internet com suas infinitas distrações fica lá fora.

Não tenho a pretensão de falar aqui em termos universalizantes sobre o futuro da leitura. Estou tentando dar conta da minha leitura, o que não é pouco nesses tempos incertos. Mas talvez haja uma lei de abrangência maior nessa intuição, algo que é sintetizado assim pelo especialista em comunicação Howard Rheingold: “A atenção é o letramento fundamental”. A frase lapidar faz parte de uma das respostas mais interessantes à monumental enquete promovida pela revista Edge entre cientistas, editores e escritores – “Como a internet mudou nosso modo de pensar?” Prossegue Rheingold: “Eu me preocupo com os bilhões de pessoas que estão ganhando acesso à internet sem ter a menor idéia de como encontrar conhecimento e verificar sua acurácia, de como advogar e participar em vez de consumir passivamente, de como disciplinar e empregar a atenção quando se está sempre online…”

É este último ponto que afeta profundamente a leitura de livros. Sem uma capacidade mínima de concentrar a atenção, de isolar o zunzum do mundo, ninguém consegue ler nem duas páginas do Cebolinha. A internet é uma maravilha, não me entendam mal. Mas é também o mais eficaz exterminador de concentração já inventado pelo homem. Sendo assim…

Meu e-reader sem browser, por favor.

36 Comments

  • cely 08/01/2010 at 15:15

    Quando éramos crianças,meu pai vivia muito preocupado com a nossa avidez por “gibis”.Ele dizia pra minha mãe que corríamos o sério risco de não termos mais concentração para lermos o que ele chamava de boa leitura.Ainda bem que ele estava enganado,pelo menos em relação aos seus filhos…Continuo sendo uma velha ratazana de biblioteca,mas,conheço várias pessoas que não tem nem paciência de ler algo até o fim.Tem a capacidade de abrir na última página para ver “como termina”. Confesso que neste assunto que voce aborda,quando leio,quero ler.sossegada,mesmo que seja o o Cebolinha.Interrupção?Só para o golinho de cerveja e o belisquinho que isso é muito bom…

  • gilvas 08/01/2010 at 15:28

    em outras palavras: um livro não deixará de ser um livro simplesmente porque seu suporte é digital. tenho percebido esta tendência também, e com muito alívio.

  • Aletheia 08/01/2010 at 16:08

    Quanto aos leitores, estou muito longe deles, mais por questões financeiras, do que por quaquer outra coisa. Acho que podem ser uma ALTERNATIVA, embora faça as mesmas ressalvas suas.
    Eu me preocupo com meu filho (para não dizer, meus colegas de trabalho), que não conseguem discernir que um determinado texto atribuído a um determinado autor (pela internet), não seja dele realmente.
    Mas, estou aberta, tanto quanto você, a novos suportes de texto.
    Quanto à concentração, está claro que as habilidades do ser humano não são compatíveis com uma atenção focada em múltiplos interesses ao mesmo tempo, sem que seja por isso penalizada.
    Espero (acho que esperamos, todos que gostamos de ler), que o tempo venha nos trazer boas-novas.

  • Rosângela 08/01/2010 at 16:09

    Nâo sei “ficar” sem eles…
    Não sei “focar” sem eles..

    Folhear é muito bom… ajuda na concentração…

  • Rosângela 08/01/2010 at 16:10

    O Tibor me deu umas dicas sobre o que fazer com muitos deles… rsrs

  • C. S. Soares 08/01/2010 at 16:14

    Sérgio, dois lançamentos me chamaram a atenção na CES (e não foi relativo ao hardware):

    1) BLIO (ereader software do Ray Kurzweil) e
    2) THE COPIA (rede social + software + ereader).

    Não por acaso, eles representam algo aobre o que venho escrevendo e falando já há algum tempo:

    1) o livro (ou ebook) é o software;
    2) leremos (e escreveremos) em público e coletivamente.

    Acrescento um item extra á lista de features que os “livros” certamente possuirão: realidade aumentada. O livro (mesmo o de papel) interagirá com a tecnologia. Veja o exemplo da Esquire…

    Outras novidades da CES, e mais, no Twitter do Pontolit.

    Forte Abraço.

  • Claudio 08/01/2010 at 16:37

    Prefiro livro tradicional

    • Hélio Jost 08/01/2010 at 21:16

      O “velho” livro pode ser lido em qualquer lugar. É prazeirosissimo. Nada de baterias, pilhas ou fios. Creio que na esteira das novidades digitais estamos fragilizando a vida.

  • Rafael 08/01/2010 at 16:39

    O grande pecado dos entusiastas da Internet (e olhe que a Internet é, sem dúvida, a grande invenção da última meia década) é essa crença ingênua nas virtudes da abundância e do excesso. Na Roma antiga, os textos eram escritos sem que as palavras fossem separadas por espaços em branco e não se diferenciavam as maiúsculas das minúsculas. As primeiras palavras da Eneida, que muitos, acredito, só conhecem por causa daquele capítulo das Memórias Póstumas de Brás Cubas em que o narrador ouve pela primeira vez o nome da sua futura amante, eram assim dispostas na escrita à moda antiga:

    ARMAVIRUMQUECANO,TROIAEQUIPRIMUSABORIS

    Essa característica gráfica do latim antigo exigia do leitor um esforço adicional na individualização das palavras, algo impossível para quem não dispensasse muita, muita mesmo, atenção durante a leitura. Com os incrementos da arte tipográfica que apareceram a partir da Idade Média, a leitura tornou-se muito mais fácil. O leitor moderno lê o mesmo texto dessa forma:

    Arma virumque cano, Troiae qui primus ab oris

    Tais facilidades, embora houvessem agilizado a leitura, permitindo ao leitor a absorção de maior quantidade de informação, reduziram a necessidade da concentração e, por conseqüência, produziram uma queda de qualidade da leitura. Esse é o paradoxo das inovações: ao facilitar a vida, ao proporcionar ao homem um maior domínio sobre a natureza, elas fazem dele um ser cada vez mais preguiçoso, relapso, desleixado.
    Não é à toa que a Internet, com toda sua monumental oferta de informação, é o terreno mais fértil onde brota a erva má da ignorância e da estupidez.

    • Apolônio 08/01/2010 at 17:06

      “Internet (…), a grande invenção da última meia década”

      “última meia década”

      “erva má da ignorância e da estupidez”

    • Rafael 08/01/2010 at 17:21

      Tá bom, corrijo-me: “meio século”.

    • C. S. Soares 08/01/2010 at 18:06

      Rafael, sabemos que Platão era contra a tecnologia da ‘escrita’ (prejudicaria a memória). Séculos e mais séculos depois, a tecnologia de Gutenberg fez com que os livros deixassem de ser escritos (ou copiados) apenas para Deus.

      Hoje, esse pessímismo chama-se internet, cuja sombra surgiu em 1945 num artigo da Atlantic Monthly, para começar materializar-se na Arpanet, em 1969.

      O caminho é longo. A leitura e a escrita são apenas dois dos processos impactados. Como sou otimista, penso que novas formas de uso do nosso cérebro, mais avançadas, surgirão desse impacto.

      Lembro da terceira lei de A. C. Clarke, sobre tecnologia e magia. Nada de novo. Lembremos que as tradições gnósticas e cabalísticas, há muito tempo, consideram as palavras dotadas de aspectos mágicos.

  • Drex Alvarez 08/01/2010 at 16:53

    Não à toda, Sérgio, uma das principais dúvidas da galera que tenho ouvido em relação ao Kindle é “dá pra ler blogs nele? dá pra acessar sites e e-mails?”.

    Ou seja, a questão vai bem além do fetichista embate papel X tela… E passa muito pela vontade (ou disposição…) que uma massa crítica de pessoas ainda terá em concentrar-se em leituras mais extensas.

    Estou bem curioso pra saber se a Amazon vai manter o Kindle jurássico (como vc vem descreveu…), e manter sua singularidade como “livro”, ou vai ceder às tendências e torná-lo multi-tarefa.

    Talvez, aí sim, isso sinalize então qual será o destino da leitura / literatura tal como a conhecemos (Nostradamus mode on/off…) :-)

  • Carlos Alberto 08/01/2010 at 17:28

    Concordo com tudo o que o nosso comentarista falou. Nada melhor do que voce se concentrar (viajar, sonhar) através da leitura de um bom livro (destes de papel mesmo, que cabem em suas mãos, que voce pode parar de vez em quando para beber uma cervejinha e voltar á ele sem ter que reiniciar ou resetar ou acessar qualquer coisa que seja!)
    Existem coisas que não deviam ser inventadas ou nasceram para não dar certo!!!

    Carlos Alberto

  • Thiago Maia 08/01/2010 at 20:04

    Todoprosa: 1001 utilidades.

    • Thiago Maia 08/01/2010 at 20:23

      Opa. 1003…

    • Sérgio Rodrigues 08/01/2010 at 21:06

      Obrigado pelo slogan, Thiago. 1004 amanhã!

  • Isabel Pinheiro 08/01/2010 at 20:40

    Quando eu comprei o Kindle, muita gente me perguntou por que eu não tinha comprado o Nook, da Barnes&Noble, que tem tela colorida e “deslizável” e sei lá mais o quê. Eu respondi que foi justamente por isso: queria algo para ler, e não para brincar. Não tenho, nem pretendo, ter nem iPhone, quanto mais uma maquininha dispersiva.

    Sérgio, uma curiosidade: vc acha que está lendo mais rápido no Kindle? Eu tive essa impressão e dois amigos meus disseram a mesma coisa.

    Quanto à internet… Eu não vivo sem. Mas quem é jornalista e trabalha com gente da geração Z sabe que ela pode ser a maior inimiga de um trabalho bem-feito. “Ah, estava no site.” “Ah, eu vi na Wikipedia.” Tenho vontade de matar.

    • Sérgio Rodrigues 08/01/2010 at 21:04

      Isabel, não reparei nessa leitura mais rápida não. Mas, quando se trata de literatura, sempre fui um slow reader.

  • U-carbureto 08/01/2010 at 21:54

    “Uma história era algo direto e simples, que não permitia que nada se intrometesse entre ela e seu leitor – nenhum intermediário incompetente e cheio de ambições próprias, nenhuma pressão do tempo, nenhuma limitação de recursos. Na história era só querer, era só escrever e ter um mundo inteiro (…) Uma história era uma forma de telepatia. Por meio de símbolos traçados com tinta numa página, ela conseguia transmitir pensamentos e sentimentos de sua mente para a mente de seu leitor. Era um processo mágico, tão corriqueiro que ninguém parava para pensar e se admirar.”
    (Ian McEwan, Reparação)

    Convenhamos, o suporte usado é secundário, é a Literatura o que interessa.

  • Noga Sklar 09/01/2010 at 01:43

    Sergio, concordo com tudo. Já tenho o Kindle há quase dois meses e ainda “não enjoei”: tem gente que espera que a gente enjoe, como de qualquer gadget supérfluo. Transformou para melhor a experiência de leitura e satisfaz plenamente.

  • João Sebastião Bastos 09/01/2010 at 10:32

    O obsoletismo programado aplica-se a tudo (ou quase tudo) em nossos dias. Fazer o consumidor sentir-se um estranho em relação aos últimos lançamentos, faze-lo sentir-se incompleto por isso, foi elevado á categoria de arte pelo poder do marketing da informática .Isso produz uma contra-partida mental, que é a dispersão e a sensação de viver um eterno agora . Nos anos 60, McLuhan já falava na Galáxia de Gutemberg, para descrever situação análoga, com diversidade gerando dispersividade.Nada mais que a face cultural do velho consumismo.

  • Rosângela 09/01/2010 at 11:22

    Para mim o note book é uma excelente máquina de escrever onde muitos( no meu caso, uns três ou quatro) podem ler o que ouso escrever.

    Sei que chagará o tempo onde nem aqui poderei estar, pois sendo a “máquina da besta” vai querer se “embestar” para dentro de nós. Estarei correndo para os campos , talvez com gravetos escrevendo na areia… Sei lá. Mas que não me deixarei marcar pela besta. Não me deixarei.

    Viverei momentos de grandes aventuras… Com certeza…

  • Rosângela 09/01/2010 at 11:35

    Sobre o comentario meu acima uma perguntinha:

    Onde deveria ser uma vírgula e não um ponto final? Pois é…
    Valeu…

  • Alexandre de S Thiago Lemke 09/01/2010 at 22:17

    Tanto meu lado tecnófilo quanto meu lado literófilo (não tenho lado bibliófilo) estão adorando essa nova mania, apesar de eu ainda não ter tocado em nenhum e-book ainda.

    Mas concordo contigo, um livro eletrônico tem que ser antes de tudo um livro, não um mp666.

    O MeioBit fez um post sobre os lançamentos do CES

    http://www.meiobit.com/meio-bit/hardware/e-readers-s-o-sensa-o-na-ces-2010

    Estou bem feliz com a possibilidade de tela colorida sem dor no olho. Vou poder ter uma coleção de HQ sem ter que alugar um depósito.

  • Klaus 10/01/2010 at 00:42

    Eu concordo completa e irrestritamente. Não sei de onde vem essa necessidade absurda de se estar conectado o tempo todo. Concentrar-se dá uma paz tão grande, ah se eles soubessem. Acho muito provável que livros sejam mundos que não precisam de satélites em suas órbitas.

  • Clotilde Tavares 10/01/2010 at 09:54

    Estou conectada á Internet desde 1994 – quinze anos no ar. leio , escrevo, produzo, me informo, e agora estou publicando meus livros – alguns que já saíram em papel, para dowload gratuito em .pdf. Passo cerca de 10 horas por dia na frente do notebook.
    Sempre fui leitora voraz, tenho uma biblioteca de 2.500 livros. Mas há uns 4 ou 5 anos que leio muito na tela do notebook, livros digitais que baixo da Internet – existe uma grande quantidade, incluindo lançamentos, se você souber onde encontrá-los. Do mesmo jeitinho de videos, filmes e música. Acabo de comprar o PRS-600 da Sony, porque ler na tela do notebook está acabando com meus olhos idosos de 62 anos. E não tenho mais onde armazenar livro de papel, o apartamento não cabe mais.
    Não gosto do Kindle por ser atrelado à Amazon; e como já tenho cerca de 600 livros na minha biblioteca digital, tenho leitura para muito tempo ainda sem precisar comprar.
    Se as pessoas vão ler mais com tudo isso? Ora, minha gente! A Internet é uma instância da comunicação humana como qualquer outra. As pessoas entram ali para fazer o que lhes interessa e o que acham que devem fazer. Conheço gente que só usa Orkut e não sabe passar um email. Conheço gente que compra o jornal, lê a pagina de esportes e põe o resto no lixo.
    Quando a agonia de ficar conectado o tempo todo, passei a minha vida pré-Internet ouvindo as pessoas dizerem que eu passava o tempo todo lendo. “Larga esse livro, Clotilde!” – era a frase que eu mais ouvia. mesmo assim, de livro na mão, casei-me algumas vezes, tive filhos e netos. E em dezembro fui a uma viagem de navio onde fiquei totalmente sem internet por sete dias – e nem me lembrei de twitter, MSN, e-mail…

  • Clotilde Tavares 10/01/2010 at 09:55

    E o dono do blog me desculpe pelo comentário quilométrico. Me empolguei…

  • Mr. WRITER 11/01/2010 at 12:38

    Não gosto de gadgets… geralmente são levados em assaltos a onibus e derivados…
    Com eceção daquela menina que rouba livros, ladrões não roubam livros em assaltos.

  • Duda 12/01/2010 at 02:43

    Bem…. adorei o texto, a ideia e os comentários. E, por isso, me permito fazer algumas pequenas observações, afinal, como é bom ler e ver coisas com nivel intelectual minimamente aceitáveis na internet.
    Explico: em tempos de “miguxês” e afins, é duro ler coisas com sentido, inteligentes e (é o mínimo) no bom e velho PORTUGUÊS. Então, entendam, todos, isso com um elogio.

    Depois desse “prefácio”, gostaria de ver dois lados da moeda. Um deles é: tecnologias podem, OU NÃO, substituir as antigas. Algumas se tornam ultrapassadas. Outras se tornam alternativas. Do mesmo jeito que um video cassete foi engolido por DVD’s, bem como fitas K7 por CD’s; a TV não matou o cinema nem o rádio, que não foram mortos pela internet.

    Por isso, não acredito no fim da imprensa escrita e impressa. Afinal, arquivos necessitam de aparelhos para serem lidos. Um livro… bem… esse não precisa de NADA. O que, para mim, mostra que não é realmente obrigatória a migração.

    Para ser mais explícito, diria mais duas e definitivas formas de pensar (não que sejam as únicas): Sou relativamente jovem (33), portanto não vi o que vou falar, mas vi milhares de pessoas sofrendo por isto: “Tenho rolos de Super 8, mas não consigo mais ver nem passar para Cd’s, DVD’s, Blu-Rays. Queria tanto…” Pode ser que consiga, mas… talvez nunca mais. Idem para vinis de 78 rotações e afins.

    E…. além disso… passei por 2 experiências similares há pouco mais de um mês: Fiquei sem energia elétrica por 3 dias. O que vc faz? Vc descobre que é refém disso! NÃO HÁ o que fazer sem energia, hoje! Nada de internet, TV, rádio (vc ainda tem um de pilha?), banho quente, luz… nada! A saída para não ficar louco? Uma simples vela e um bom livro…

    Entendam ENERGIA como pilhas, baterias, ou qualquer forma de AC/DC. Se, por algum motivo absurdo, o mundo ficar sem energia por uma semana, o que acontecerá conosco? E mais: daqui 500 anos, quanto de sabedoria e conhecimento podem ser desperdiçados simplesmente por falta de aparelhos para recuperarmos nossa memória ancestral? As pinturas rupestres continuam “vivas”. Um e-book talvez seja ilegível daqui 30 anos…

    Abraços a todos e parabéns pelo nível. Quisera eu que existissem milhões de sites/blogs como este.

  • Everton 12/01/2010 at 10:25

    Sou mais um da turma do “exclusivamente para ler” . Tenho o Kindle há um mês e estou completamente viciado. Mais da metade dos livros que leio são em inglês e o dicionário embutido é um recurso valiosíssimo, além da facilidade ao acesso de centenas de livros de domínio público. Em termos de equipamento, precisaria apenas de um pouco mais de contraste e velocidade, o resto é perfeito.
    O que ainda incomoda é a ausência de algumas obras no formato digital.
    Acordem editores! Nós queremos comprar e vocês negam-se a vender.
    Para quem ainda não botou as mãos em um eReader, aconselho: experimente antes de dispensá-los como supérfluos ou modismos. Tenho 70 livros de papel ainda por ler e está difícil voltar a eles.

  • Barbara 27/01/2010 at 00:52

    Brilhante e lúcido.
    Tá certo. Prefiro o jurássico também. Na verdade continuo no Triássico, com meus bons e velhos livros. Mas to gostando dessa ideia de Kindle e kandle e thumbthing.

    Beijo!

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