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Bernardo Carvalho: ‘O sol se põe em São Paulo’

12/03/2007

Um escritor frustrado de São Paulo é abordado num restaurante da Liberdade por uma velha senhora japonesa que diz se chamar Setsuko. Ela deseja lhe contar a história de um triângulo amoroso de desenho cambiante, nebuloso, passado no Japão do pós-guerra. É assim que o narrador entra, e atrás dele o leitor, num labirinto de sombras, simulacros, mentiras e mal-entendidos, com personagens desenraizados em busca de uma verdade que sempre lhes escapa, deixando em seu lugar a versão, o texto. Ou lacunas. Bernardo Carvalho volta a confirmar sua posição de mais “pós-moderno” dos escritores brasileiros – o que é um clichê, sim, mas não apenas isso – com o romance “O sol se põe em São Paulo” (Companhia das Letras, 168 páginas, 34 reais). Sucessor coerente de “Nove noites” e “Mongólia”, o novo livro se aproxima mais do segundo por não ter a urgência e a visceralidade que, no caso do primeiro, isentam os constantes dribles narrativos da acusação de artificialismo. Mesmo assim, e apesar de um certo desleixo formal que se manifesta sobretudo em alguns tiques de estilo e informações repetidas, é inegável que a amplitude histórica, geográfica e, digamos, filosófica da tela na qual Carvalho risca suas histórias o torna um caso raro na literatura brasileira, e sua obra, um saudável manifesto antiprovincianismo. No trecho abaixo, tirado do primeiro capítulo, o narrador encontra pela primeira vez a misteriosa Setsuko:

Passados quase dez anos sem dar as caras, agora que estava desempregado e separado da minha mulher, depois de me foder por nada, trabalhando como redator de comerciais de uma agência de publicidade, eu voltava de vez em quando ao Seiyoken. Os garçons eram os mesmos e me tratavam como se eu fosse um velho conhecido. Pensando bem, o mais certo seria dizer que, se até então eu não a percebera, era porque ela não se fazia ver. E encontros como aquele esperam a hora certa. Era uma velha discreta, que uma noite saiu do seu canto debaixo da escada, como uma aparição, para me impor o mistério do seu recolhimento. Sempre que estava sozinho, eu preferia ficar no balcão. Pelo menos tinha a companhia do sushiman. Uma vez, lá pelas tantas, quando já não restava ninguém no restaurante, a velha que eu nunca tinha percebido saiu de trás da caixa registradora onde passava as noites – deve ter se levantado e se aproximado furtivamente, porque só a notei quando já estava ao meu lado – e foi direto ao assunto: “O senhor é escritor?”. Fiquei mudo. Devo ter arregalado os olhos de um jeito que costumava afligir a minha mulher, tanto que ela logo se explicou, como se pedisse desculpas, referindo-se a um garçom: “O rapaz me disse que o senhor é escritor”. Era uma velha de cabelos grisalhos e escorridos, presos num rabo-de-cavalo que lhe dava uma aparência escolar, um vestígio anacrônico da juventude distante, como se uma jovem atriz tivesse se maquiado para interpretar uma anciã no teatro. Acho que estava com um vestido de seda azul-escuro. Já não tenho certeza. Deve ter sido uma mulher bonita. Era magra. O nariz era pontudo. Não correspondia ao padrão oriental. Os olhos também não eram tão amendoados. Estavam inchados, intumescidos, como nas máscaras de teatro nô, como se ela tivesse acabado de acordar ou estivesse chorando. Não estava. Não era alta, mas para mim, sentado no balcão, a sua presença súbita, em pé ao meu lado, conferia à dona do restaurante uma imponência inesperada. Era o contrário de si mesma, de tudo o que se podia imaginar de uma velha japonesa. Eu não podia saber que naquela noite, pouco antes de sair do seu canto para me confrontar com a consciência de uma fantasia que eu achava já ter enterrado, ela recebera a pior notícia da sua vida.

“Não”, respondi, um pouco bêbado, incomodado com o que me pareceu a princípio algum tipo de ironia ou piada de mau gosto (ainda mais àquela altura, em que eu me via desempregado e sem nenhuma outra perspectiva), embora tivesse havido um tempo, dez anos antes, em que costumava alardear as minhas ambições mais íntimas em público, sem a menor vergonha, sempre que surgia a oportunidade. “Na verdade, nunca escrevi nada.”

“O melhor escritor é sempre o que nunca escreveu nada”, ela respondeu, sem dar a entender se a ironia era por decepção ou por alívio, e se recolheu à sombra da caixa registradora, debaixo da escada atrás da porta de entrada, de onde nunca devia ter saído.

Pela primeira vez, me senti mal de estar ali. Depois de tantos anos, vi o que já não queria ver, que a minha ilusão não ia acabar enquanto eu não escrevesse a primeira linha; entendi que não tinha vencido os sonhos de adolescente, como chegara a acreditar, porque ainda nutria aquela fantasia infernal, só que agora em silêncio, só para mim. No fundo, ainda achava que pudesse escrever – e um dia me salvar não sabia bem do quê. A loucura era que nunca tivesse escrito nada além de um punhado de roteiros de comerciais. E só isso permitia que eu seguisse pensando que podia ser (ou que era) escritor, e que podia me salvar. Terminei de comer o mais rápido que pude e pedi a conta. Estava envergonhado. Saí sem olhar para trás. Pensei em não voltar mais ao restaurante. Voltei na semana seguinte.

Quando, um ano depois, num apartamento em Tóquio, o homem com lábio leporino terminou de ler a carta, em silêncio, e resolvi lhe contar a minha história, tentando explicar também por que havia desistido da literatura sem nem ao menos ter me aventurado uma vez que fosse, ele logo falou em masoquismo. Sem saber se ele se referia à história ou a mim, ignorei o comentário, que me pareceu automático e superficial, ainda mais naquelas circunstâncias. Preferi não retrucar. Queria que me contasse de uma vez por todas o que dizia a carta que ele acabava de ler. Esperava que ele a traduzisse. Expliquei que, se tinha voltado ao restaurante, fora por achar que a velha proprietária guardava um segredo. Eu queria saber por que era melhor não escrever nada.

A Liberdade é um desses bairros de São Paulo que, embora em menor escala do que nas regiões mais ricas, e por isso mesmo de um modo às vezes até simpático, ressalta no mau gosto da sua rala fantasia arquitetônica o que a cidade tem de mais pobre e de paradoxalmente mais autêntico: a vontade de passar pelo que não é. O pôr-do-sol em São Paulo é reputado como um dos mais espetaculares, por causa da poluição, eu disse ao homem com lábio leporino. Só fui entender que São Paulo era uma cidade de monumentos – mas onde os monumentos não existiam; eram por assim dizer invisíveis – no dia em que sonhei que dirigia um carro, de monumento em monumento, pelas ruas vazias de uma tarde de domingo, no inverno, uma estação que aqui também não existe. Eram monumentos que eu nunca tinha visto antes, e que só existiam no meu sonho, em lugares onde na realidade se erguem os prédios mais decrépitos ou as fantasias arquitetônicas mais tolas e não menos pavorosas. São Paulo não se enxerga – ou não chamaria periferia de periferia. Não é só eufemismo. Chamam-se excluídos aos oitenta por cento da população. Não é à toa que é uma cidade de publicitários. Em São Paulo, publicidade é literatura, expliquei ao homem com lábio leporino, em inglês, sem deixar claro se fazia uma crítica ou me justificava. É uma cidade que quer estar em outro lugar e em outro tempo. E essa vontade só a faz ser cada vez mais o que é e o que não quer ser. As mansões mouriscas e ecléticas do começo do século XX (a maioria derrubada) e os prédios mediterrâneos, neoclássicos, florentinos e normandos construídos há poucas décadas revelam o atraso do presente. Cada imigrante, achando que transplantava o estilo da sua terra e dos antepassados, acabou contribuindo para a caricatura local. Em Nova York, também houve um momento de exaltação capitalista, antes da quebra da bolsa, em 1929, quando o poder do novo dinheiro ergueu prédios renascentistas, na tentativa de transformar a cidade numa nova Florença. Quase cem anos depois, o poder do novo dinheiro ergueu em São Paulo – uma cidade sitiada pela miséria e pelo crime, dos quais esse mesmo poder se alimenta embora tente em vão excluí-los – prédios de estuque, que foram batizados de “estilo florentino”, na tentativa de imitar a antiga Nova York. Não é só que esteja tudo fora do lugar. Está tudo fora do tempo também. Na Liberdade, nem mesmo um bêbado, ao sair trôpego de um restaurante, acreditando que é escritor, pode achar que está numa viela tranqüila dos subúrbios de Tóquio e não numa megalópole violenta do Terceiro Mundo. E, no entanto, é disso que as ruas de São Paulo tentam convencer quem passa por elas: que está em outro lugar, num esforço inútil de aliviar a tensão e o incômodo de estar aqui, o mal-estar de viver no presente e de ser o que é.

113 Comentários

  • Saint-Clair Stockler 12/03/2007em11:47

    A capa do livro é muito bonita. Vou esperar pra ver se algum exemplar dele vai parar nas empoeiradas estantes da biblioteca do Instituto de Letras. Acho que não vai: eles lá têm tudo do Bernardo Carvalho, menos “Nove noites” e “Mongólia”. Acho que agora será um trio de ausências.

  • Fábio Ricardo 12/03/2007em13:06

    Que delícia de texto! De uma suavidade única, um estilo urbano e simplista que faz as linhas rolarem fáceis, gostosas. Muito interessante o modo com que ele abre a alma do personagem em poucas palavras, libertando-se de um sonho em apenas uma frase: – Na verdade, nunca escrevi nada.

  • Tibor Moricz 12/03/2007em13:28

    Redator publicitário tem sempre a sensação de que é escritor. Mas é uma coisa fugidia, sem forma definida. Praticamente todos querem SER escritores. Mas há uma diferença enorme entre texto publicitário e literatura… enorme.

  • Cezar Santos 12/03/2007em14:31

    Sérgio,
    Há poucos dias eu disse aqui mesmo da expectativa com o próximo trabalho do Bernardo. Pois é, chegou…
    Mas: “…labirinto de sombras, simulacros, mentiras e mal-entendidos, com personagens desenraizados em busca de uma verdade que sempre lhes escapa, deixando em seu lugar a versão, o texto…”
    Qual romance brasileiro não está dentro desse padrão?
    Meu Deus… parece que todos escrevem de acordo com um figurino… é uma coisa tão Chico Buarque, tão João Gilberto Noll, tão Bernardo Carvalho…
    Será que eu estou exigente demais?

    Acho que é por isso que estou na expectativa de ler um livro intitulado “As sementes de Flowerville”… pra ver se é algo um pouco fora desse figurino tão batido.

  • Cezar Santos 12/03/2007em14:32

    Agora, que capa maravilhosa, hein?!!

  • Samir 12/03/2007em15:45

    Tem uma música cantada pelo Emílio Santiago que diz assim: “agora, justamente agora, agora que eu penso em ir embora você me sorri, me sorri…”
    Pois é, agora que comecei minha pós-graduação, que estou empolgado e tenho uma batelada de textos teóricos para ler, descubro a deliciosa prosa de Bernardo Carvalho e seu recém-lançado O sol se põe em São Paulo.
    Comprei o livro na sexta-feira, meio no susto. Se bem que essas coisas nunca são na verdade no susto. Há muitos mistérios nos caminhos que nos levam a determinado autor. Comprei para ver qual era a do cara, um autor pelo qual tinha certa antipatia. Há alguns anos fui a um bate-papo com ele – que estava começando na ficção – e o ouvi dizer que escrevia feio de propósito. Em geral não gosto desses caras que querem passar a idéia de onipotência. De que chegaram lá pelo talento natural. Escrever é foda. Os caminhos são árduos e nem sempre vale a pena.
    Ele já era jornalista da Folha e, claro, sempre teve a crítica do jornal a seu favor – como muitos outros. Mas vejo que, no caso dele, o apoio é justificado. Prosa cínica, precisa, fluida, pós-moderna, com um pé na ficção e outro (claramente perceptível) no autobiográfico (claro, não há como fugir, e eu adoro auto-referências). E os clichês fazem parte também, desde que não se caia no clichê do clichê (se é que me entendem).
    Eu tinha um texto do Levi-Strauss para ler no fim de semana, para uma aula na segunda-feira (hoje) sobre esse texto. O antropólogo de Buttenheim dançou. Depois eu leio (que, se não, quem dança sou eu). Agora quero terminar O sol se põe… Além de tudo, o texto me fertiliza, o tipo de leitura que desata nós em você. Já fiz algumas alterações no livro que estou escrevendo inspiradas por essa leitura que apareceu do nada. Do nada, o caralho! Nada é do nada.

  • Felipe Lenhart 12/03/2007em16:01

    Gostei também. Dele, só tinha lido crônicas. Das últimas, lembro de uma sobre o zumbido, excelente. Bela capa mesmo.

  • Lorena 12/03/2007em17:04

    Também gostei, Sérgio! Gosto de escritores que falam sobre escrever! rs

  • Claudio Soares 12/03/2007em17:24

    (se repetir a msg, peço desculpas, pois a anterior ao ser enviada foi para o limbo) Saint-Clair: ligue, por favor, para 21 2569-1659, fale com Dona Josefa Moutinho, ela lhe tirará tds as dúvidas sobre a Biblioteca Popular da Tijuca. Clarice: A BPT fica na Rua Guapeni, 61, perto da Sáenz Peña. O Metrô Rio agora tem uma Biblioteca na Estação Central. Empréstimos gratuitos. A Biblioteca Rodolfo Garcia da ABL tb está de portas abertas para recebê-los. Não empresta, mas tem acervo e dependências espetaculares. Não custa lembrar que está rolando o concurso Afrânio Coutinho (mais info em http://www.academia.org.br ). Todas bibliotecas comentadas possuem acervo consultável pela internet. Forte abraço!

  • Jonas 12/03/2007em17:26

    Estou com o livro. Vamos ver.

  • Rui de Lucca 12/03/2007em17:31

    Gostei desse primeiro capítulo d’O sol se põe em São Paulo. Antes, tinha lido só o “Medo de Sade” do mesmo autor. Já está na lista de livros para o mês que vem.

  • Claudio Soares 12/03/2007em17:32

    Um livro começa-se a se ler pela capa. Bela capa. Agora, Sérgio, por favor, me explique o que significa ser “o mais ‘pós-moderno’ dos escritores brasileiros”?

    Se for realmente verdade (aqui eu me contradigo, que bom!) que um livro começa a ser lido pela capa, particularmente, considero o seu (The seeds of …), mais pós *.* (asterisco ponto asterisco) do que o do BC. Pode ser?

  • Saint-Clair Stockler 12/03/2007em17:36

    Claudio: anotado! Muito obrigado pela gentileza!

  • Claudio Soares 12/03/2007em18:01

    De nada Saint Clair. Tenho certeza de que vc vai gostar de lá. O atendimento é nota 10. Abs.

  • João Marcos Cantarino 12/03/2007em18:13

    Falaram que era inspirado em Tanizaki, pois pra mim tá mais pra Marcos Rey.

  • Clarice 12/03/2007em19:13

    Cláudio,
    Obrigada. Vou de Internet. De metrô é muito longe para mim.
    Impressionada de não ter gostado da capa. Todos gostaram!
    Por que será que eu não?

  • Clarice 12/03/2007em19:25

    “(…)o mal-estar de viver no presente e de ser o que é.”
    Mas agora que começou a ficar bom termina o excerto (palavrinha desgraçada de feia).
    Depois de uma razante em São Paulo e um vaticício sobre a condição humana fiquei com água na boca. rsrsrsrs
    Isto faz sentido?
    Cruz credo!
    Decididamente não estou nos meus melhores dias.

  • Saint-Clair Stockler 12/03/2007em19:26

    Um livro de 168 páginas custando 34 reais? É… Cada vez eu me convenço mais de que a melhor saída para o Brasil é o aeroporto.

  • Claudio Soares 12/03/2007em20:48

    O comentário de Saint-Clair faz todo o sentido.

    Vou dar (mais uma vez) o meu testemunho. Pedi a minha editora para manter um preço acessível (e eles concordaram) para o meu livro, principalmente por que estamos no Brasil (lembrando que o objetivo da editora é vender e o do escritor é ser lido).

    Meu romance (tem 464 páginas) foi pubicado em papel chamois, com capa de qualidade, e com preço de tabela R$39,90.

    Em praticamente todas livrarias está abaixo desse preço (Na FNAC chega estar a R$27,90). E estamos vendendo (pode até não estar na mídia como best seller :-), mas estamos vendendo, tanto que já fechamos um segundo romance).

    Vou perguntar ao meu editor qual é a mágica (ou pelo menos avisá-lo que estamos remando contra a maré :-).

    É aquela história, quem tem olho grande não entra na China (mas a China, já entrou no Brasil…): encalha. E não me venham com a “historinha” de que é por causa de tributação, blah, blah, blah…

  • Marcelo Moutinho 12/03/2007em23:27

    Fiz o mesmo, Claudio. Meu livro, com 128 páginas, saiu pela Rocco a acessíveis R$ 19.

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em08:36

    Clarice, não sei a razão, mas vi esse vídeo e achei que você ia gostar: http://www.youtube.com/watch?v=RKVbgkfFygY

    Não é uma graça?

  • Cezar Santos 13/03/2007em09:03

    Bom dia pra todos…
    Clarice,
    Espero que hoje vc esteja melhorzinha..rsss…
    Mas a capa é bonita mesmo, apesar de evidentemente “photoshopada”, principalmente naquele tom plúmbeo do céu (putz…gostou?!)…
    Pois é, o preço dos livros… O problema maior é que as editoras pensam no leitor que compra 2 livros por ano. Então nós, que compramos um pouquinho mais que isso, “se ferramos…”
    Depois reclamam de a gente ir pros “esquemas” alternativos e acabar lendo muita coisa sem pagar nada, embora nada se compare em ter o livro na mão, podendo anotá-lo etc e tal e saber que a qualquer momento, se quisermos/precisarmos, poderemos pegá-lo novamente. Ou seja, o bom mesmo é ter condições de comprar o livro, né?

  • Samir 13/03/2007em10:11

    É o primeiro passo para transformar o Brasil numa Venezuela. Mas, voltando ao assunto do post, também achei a capa de muito bom gosto.

  • Roberto R. 13/03/2007em10:35

    Cezar Santos, o leitor que “compra dois livros por ano” não lê Bernardo Carvalho. Não sei como a editora do Claudio Soares conseguiu um preço tão bom. No caso do Marcelo Moutinho, desconfio que um cidadão chamado Harry deva ter ajudado na hora de fazer o preço de capa… Depois o pessoal esculhamba os best-sellers.

  • valdir 13/03/2007em10:37

    sobre o preço dos livros: é caro, mas as pessoas precisam entender que é preciso valorizar a cultura também. meus amigos são todos uns pés-rapado, mas não se importam de pagar 500 reais por um tênis. 500 reais é dinheiro suficiente pra muitos livros. se o livro tá caro, todo mundo reclama. na verdade, o ponto primordial é que educação e cultura não são interessantes para o brasileiro. simbolicamente falando. e não é questão de preço. é questão de apelo, de circulação social.

  • Daniel Brazil 13/03/2007em12:21

    Desfiz a má impressão que tinha do Bernardo após uma dica lida aqui, há pouco tempo. Se este novo romance tiver as qualidades do “Nove Noites” (e ficar longe do esquematismo do “Onze”), será leitura prazeirosa.

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em12:52

    Pessoal, acho que essa reportagem saída na BBC interessará a todos nós:

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/03/070312_bestseller_pesquisa_mv.shtml

    Não é curioso?

  • Tibor Moricz 13/03/2007em13:02

    Muitos compram Ulisses só pra tê-lo na prateleira. Eu tentei ler O Alquimista e, pasmem, consegui lê-lo até o final. Não sem antes sofrer um bocado nos primeiros dois terços do livro. Parece que a leitura é um problema considerado sério também fora do Brasil. Mas aqui sempre o buraco é mais em baixo. Lá fora as pessoas ainda compram livros.

  • Roberto R. 13/03/2007em13:05

    A pesquisa é curiosa, mesmo, principalmente no que tange à porcentagem dos que compram livros como enfeite. Por outro lado… Você só desiste de ler um livro que comprou, não? É como pegar as estatísticas de trânsito e descobrir que os carros mais vendidos são os que mais se envolvem em acidente.

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em13:25

    Tibor, eu gostei muito de “O alquimista”. Devorei. Mas é claro que a história é toda chupada de “As mil e uma noites”… Nem o Paulo Coelho, com uma fonte maravilhosa dessas, conseguiria fazer muita merda, né?

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em13:27

    Tem livros nessa lista que eu desconheço. Autores idem. Mas me parece uma maldade fazerem isso com “O deus das pequenas coisas”, que é um livro delicioso!

  • Tibor Moricz 13/03/2007em13:36

    Saint-Clair, achei O Alquimista amarrado demais na primeira metade e pouquinho depois dela. Só depois é que deslanchou. Gostei do final (será porque acabou simplesmente?). Mas Brida não deu pra continuar depois da 20ª página.

  • Urtigão 13/03/2007em13:44

    A capa é bonita? Não tem que ser. O livro é caro? O mercado dá o troco. O texto do Bernardo é bom, isso sim interessa. Mas este trecho não é bom, detalhe que não mancha a qualidade da história: “Eu não podia saber que naquela noite, pouco antes de sair do seu canto para me confrontar com a consciência de uma fantasia que eu achava já ter enterrado, ela recebera a pior notícia da sua vida”. Uma palavra, “confrontar” estraga o período. O período não a prosa de Bernardo.

  • Clarice 13/03/2007em15:36

    Cesar,
    Melhorei nada.
    Achei também que o último parágrafo ‘ Liberdade e um…” começa a ser mais interessante.
    Não consigo gostar desta capa. Clichê para mim. Avião sobrevoando cidade e um ceú “plúmbeo” cheio de poluição.
    Estou estarrecida de estarem falando que leram “O Alquimista”.
    Me mandam pegar metrô para ir na biblioteca e ter de voltar três dias depois numa viagem de quase uma hora e meia.
    Tento abrir o texto da BBC e ele não abre.
    Urtigão implica com a palavra “confrontar” e diz que estraga o período.
    Livro como enfeite é a Bíblia e a enciclopédia Barsa.
    O outro além de ler o alquimista leu Brida.
    Eu tô louca que este post acabe.

  • Clarice 13/03/2007em15:37

    Com licença que vou tomar um Toddynho.

  • Clarice 13/03/2007em15:41

    Abriu o artigo e deparo com a frase:
    “O que surpreende o acadêmico é que este livro, bastante denso, continue freqüentando as listas de mais vendidos.”
    DENSO é a véia.
    Não aguento mais esta palavra. Já faz umas duas décadas que livro, filme, roteiro e sei lá o que é DENSO.
    Eu estou ficando tensa.
    Vou tomar 3 litros de toddynho.

  • Tibor Moricz 13/03/2007em16:28

    Li Brida, não. Tentei ler.

  • Tibor Moricz 13/03/2007em16:29

    Que atire a primeira pedra quem nunca leu porcaria.

  • Tibor Moricz 13/03/2007em16:31

    Li coisas ainda piores… Quer ver? Li André Vianco… Hours Concours das porcarias.

  • Claudio Soares 13/03/2007em16:49

    Clarice, sobre o metrô: não tem aquele slogan da Bibliex (já antiguinho por sinal) “viaje na leitura”? Pois, então 🙂

    Marcelo Moutinho e Roberto R: Ou seja, o preço é escolha da editora.

    A Sextante é um “case”. Os livro do Dan Brown foram para as lojas (na época em que ainda não o conheciamos) a menos de R$40,00 (e a compra dos direitos de publicação foi cara). Hoje, o CDV sai por R$19,00 (mais de 460 páginas tb). Os livros de Paulo Coelho pela Planeta saem a menos de R$20,00 (A Rocco, depois que PC saiu de lá, vende alguns de seus livros até mais barato que a Planeta). Os livros do Khaled Housseini (com e sem imagens) pela Nova Fronteira tb saem a preços interessantes (apesar do GS:V “special edition” sair a R$165,00!!! Tremenda bola fora!).

    Nada contra best-sellers. Livros no Brasil têm que ser mais baratos até para termos mais best-sellers. Não estaríamos desvalorizando a cultura não. Estaríamos reafirmando a sua importância. E outra coisa: as editoras deveriam apostar mais em autores nacionais. Deviam dar um tempo, parar de ficar trazendo qualquer porcaria estrangeira para cá e estimular a produção nacional (se lessemos mais os autores nacionais, duvido que um livro como o do Pamuk – mesmo sendo o Pamuk – , sem capa dura, custasse o que custa). Só assim saberemos que cara realmente tem a nossa literatura brasileira. Qts aqui nesse blog já não poderiam ter seus livros nas estantes das livrarias se a mentalidade desse mercado não fosse tão tacanha? Espero (ainda nessa vida) chegar em uma livraria e ver a estante de Literatura Nacional com mais livros do que a estante de Literatura Estrangeira. E tenham certeza de que isso não é xenofobia é apenas valorizar mais o que é nosso, e isso requer investimento e responsabilidade por parte das editoras (e mídia tb).

    Sobre o Paulo Coelho, eu diria que o cara é o nosso mais importante escritor (na atualidade). O mais famoso lá fora, está abrindo as portas para brasileiros no mundo inteiro, é preocupado com os seus leitores (isso deveria ser “default”, certo?) e ainda por cima dá força para os escritores iniciantes. Acrescento: dane-se a “inteligentzia”, danem-se os “intelectualóides”, eu leio Paulo Coelho sim, como leio Borges, como leio Lovercraft (Stephen King tb). E daí?

  • Tibor Moricz 13/03/2007em16:53

    É isso aí! Claúdio Soares pra Presidente!

  • Tibor Moricz 13/03/2007em16:55

    Pô… H.P. Lovecraft é bom.

  • Claudio Soares 13/03/2007em17:06

    Tibor, vamos fechar a nossa chapa para 2010? (se não inventarem um terceiro mandato, temos chance) 🙂 Também acho o Lovercraft muito bom (bom p’ra caramba!!!)

  • Claudio Soares 13/03/2007em17:22

    Saint-Clair: me estranha o Vernon God Little (esse é o título) encabeçando essa (diversificada) lista. Gosto do DBC Pierre. Nas primeiras páginas já dá para se decidir se iremos até o final (se essa for a decisão, o livro será devorado) ou se o largaremos. Bom, Ulisses é Ulisses. Ulisses não é para ser lido, é para ser consultado 🙂

  • Tibor Moricz 13/03/2007em17:31

    Tamos combinados, Claudio. Desenvolve aí o nome da chapa que eu vou atrás de correligionários. Agora, venhamos e convenhamos, nem você disse já ter lido André Vianco.

  • vinicius jatobá 13/03/2007em17:39

    Li o novo romance do Bernardo Carvalho e, sinceramente, é muito bom, ótimo, ótimo mesmo. Tem dezenas de achados maravilhosos, é fluído e inteligente, adorei ‘O Sol de põe em São Paulo’, vale cada centavo. Impressionante como Bernardo Carvalho deu um salto de qualidade a partir de ‘Nove Noites’. Ele se tornou um escritor de mão cheia; estou impressionado e torcendo para que mantenha esse grau de qualidade por mais umas duas décadas.

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em17:52

    Vinícius, adorei o seu ato falho: “O Sol depõe em São Paulo”. Herr Freud explica 🙂

    (Anda sumido, hein rapaz? Vamos ver se a gente se encontra pra tomar uma coca-cola, você, seu primo e eu).

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em17:53

    Mais do que Lovecraft, eu prefiro Hoffman. Eu fico fascinado que nem uma criança numa loja só de brinquedos, quando leio o Hoffman. Êta sujeitinho danado de bão, sô! “Pequeno Zacarias chamado Cinábrio” é uma jóia. Encantador!

  • Tibor Moricz 13/03/2007em17:56

    Quer fazer parte da chapa, Saint?

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em17:57

    Estou agora lendo o “Lanark”, do Alasdair Gray. Alguém aí conhece? Não resisto a destacar um fragmento:

    “Lanark não desejava ser artista, mas sentia cada vez mais intensamente a necessidade de fazer algum tipo de trabalho, e um escritor só precisava de papel e caneta para começar. E ele também sabia um pouco sobre escrever, pois enquanto perambulava pela cidade tinha visitado bibliotecas e lido o suficiente para saber que havia histórias de duas espécies. Uma era um tipo de cinema escrito, com muita ação e pouco pensamento. A outra era sobre pessoas inteligentes e infelizes, frequentemente elas também escritoras, que pensavam muito mas faziam pouco. Lanark supunha que um bom escritor produziria mais provavelmente livros da segunda espécie.”

    Eu já falei pra vocês da minha teoria (endossada, descobri hoje, pelo Alasdair Gray) de que há dois tipos de escritores? Os “contadores de história” e os “escritores” propriamente ditos?

    P.s.: Vestindo a carapuça: não consigo deixar de pensar que faço parte desse grupo de pessoas “inteligentes e infelizes”… ***Suspiro*** Pronto, pronto, Saintzinho, já passou.

  • Cezar Santos 13/03/2007em17:57

    Claudio,
    Concordo com a importância do PCoelho para o Brasil…Milhões de pessoas que nucna leriam livro embarcam na dele. E, cá pra nós, é melhor ler Paulo Coelho do que não ler nada, certo? Muita gente vai “evoluindo” a partir dai.
    Mas eu não leio Paulo Coelho. Já tentei, mas não consegui. Confesso que ainda vou dar uma chance pra ele… um dia vou tentar de novo.

  • Cezar Santos 13/03/2007em17:58

    Clarice,
    isso é TPM, muié….

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em18:00

    Claro, Tibor! Quero ser o representante das minorias deste país, o “elemento de ligação” da chapa. O nosso patrono será o Quentin Crisp! Vou começar os meus discursos mais ou menos assim: “Nós, mulheres negras lésbicas e ignoradas desse país…”, HAHAHAHAHAHA. Chique no úrtimo!

  • Tibor Moricz 13/03/2007em18:03

    Nosso patrono? Você tá me estranhando, é? Acho melhor formar outra chapa, tendo o Quentim Crisp como patrono e manter a nossa com, com, com… Juliana Paes como potranca, quero dizer, patrona.

  • Tibor Moricz 13/03/2007em18:05

    Cruzes, juro que vi um post novo aí em cima…

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em18:06

    Tibor: “Homophobia is so gay”, já dizia a camiseta de um americano que vi certa vez. HAHAHAHAHAH.

  • Tibor Moricz 13/03/2007em18:10

    Eu vi, vi sim… dei um reload e tinha um post novo lá em cima. Não tô ficando louco não!

  • Rafael 13/03/2007em18:10

    Eu, que estudo latim e amo sobretudo a literatura produzida entre os séculos XV ao XVII, já li “O Alquimista” do execrado Paulo Coelho e “O Reverso da Medalha” do não menos execrado Sidnei Sheldon.

    Ambos são porcaria, admito, mas fui até o fim.

    Também é porcaria, e muitos aqui não ousarão concordar, devido à aura mágica que cerca seu autor, o livro “Estorvo” do Chico Buarque. Eu também fui até o fim com ele.

    Clarice, o interesse pela literatura deve nos levar a não só buscar os clássicos e os elogiados pelos críticos; devemos também ter olhos para a produção de segunda mão, digams assim, pois ela reflete muita coisa do espírito de nosso tempo. Estou, portanto, com o Cláudio Soares, embora não sei se subscreveria o juízo de que Paulo Coelho é o autor mais importante da literatura brasileira atual. Diria antes que ele é o principal indicador da pobreza da nossa vida literária.

  • Tibor Moricz 13/03/2007em18:12

    Mais um pra chapa. As pessoas estão se revelando…

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em18:17

    Quem???

  • Tibor Moricz 13/03/2007em18:18

    Quem? Ora, o Rafael. Ele não disse que lê Paulo Coelho e outras porcarias? Lembra, Saint-Clair, quando você reclamava que a freqüência aqui era de conservadores ranzinzas? As coisas estão mudando…

  • Claudio Soares 13/03/2007em18:18

    Rafael: pode ser. Mas, precisariamos ter um mercado que apostasse mais em autores nacionais para avaliarmos, não acha? Ou seja, precisariamos de uma amostra maior. Ô Tibor continue arregimentando membros para o Partido da Literatura Nacional. Rafael é elegível 🙂 Abs.

  • Claudio Soares 13/03/2007em18:20

    Tibor: tenho que confessar, não li o André Vianco. “Shame on me” 🙂

  • Tibor Moricz 13/03/2007em18:21

    Não perde nada. Dos grandes pecados, esse é daqueles que você jamais deve cometer, sob pena de arder eternamente nas chamas do inferno.

  • Claudio Soares 13/03/2007em18:22

    he he he não tem perigo de virar vampiro não?

  • Tibor Moricz 13/03/2007em18:23

    Só se for pra pular no pescoço do Vianco. Ele bem que merece pela ousadia de escrever tão mal.

  • Rafael 13/03/2007em18:24

    Antes de fazer minha adesão, pergunto: se eu for eleito, poderei empregar parentes?

    Cláudio, também acho que deveríamos apostar mais nos autores nacionais. Deveríamos nós, leitores, os consumidores de livros; se fóssemos mais fieis aos autores nacionais e não nos deixássemos seduzir tão facilmente pelas porcarias que vêm de fora, as editoras seriam compelidas a investir mais em autores nacionais.

    Não adianta as editoras irem revelando talentos se os livros ficarem empoeirando nas estantes das livrarias…

  • Claudio Soares 13/03/2007em18:32

    Tibor: já o cognominaram “O Stephen King brasileiro” ou “Anne Rice brasileira” (tudo bem que aqui o gênero nao combina), etc… Coisa que tenho mais raiva é essa mania de sempre relacionarem com algo lá de fora. Será que não observam que soa pejorativo?

    Rafael: Concordo. Mas, é certo que os de fora (que nos empurram goela abaixo, droga o que me interessa as ” associações de proteção das borboletas do afeganistão”?), muitos deles, tb ficam encalhados nas estantes das livrarias.

  • Clarice 13/03/2007em18:36

    Metrô no Rio? Nem morta, meu filho.
    Metrô é em Paris.
    TPM me dá sono. Eu não estaria aqui.
    Eu tô é zoando com vcs. Ninguém percebe. Vou ficar séria a partir do próximo post.

  • Clarice 13/03/2007em18:38

    Partido Alto?
    Não venham com política na literatura.
    Isto não dá muito certo…
    Vide ABL…

  • Rafael 13/03/2007em18:39

    O Luis Eduardo Matta é um ardoroso defensor da literatura de entretenimento tão desprezada no Brasil. Ele escreveu um texto interessante a respeito na Digestivo Cultural. Cito um trecho:

    “Quando se fala em literatura de entretenimento muita gente ligada ao mundo dos livros, automaticamente, se manifesta contra, antes mesmo de saber, ao certo, do que trata o assunto. Para essas pessoas, o simples fato de uma discussão a esse respeito estar sendo levantada constitui uma heresia e, em alguns casos, um verdadeiro atentado ao orgulho e à cultura nacionais. A seu juízo, o livro como mero entretenimento não possui nenhum valor. É subliteratura, não leva o leitor a crescer internamente e o aliena das grandes questões humanas, sociais e filosóficas; sua publicação, acreditam, deve-se, unicamente, ao desejo do autor e do editor de ganhar alguns cobres às custas de leitores ingênuos e despreparados intelectualmente, pessoas sem gosto estético, incapazes de dar valor à “verdadeira Literatura” e que não foram devidamente apresentadas ao que de melhor os grandes escritores produziram no decorrer da História. Essa mentalidade limitada e um tanto esnobe ajudou, e muito, a gerar a grande aberração que é a situação precária da leitura no Brasil contemporâneo. Pois, se por um lado, temos intelectuais encastelados em suas inexpugnáveis torres douradas de pretensa sabedoria dialogando entre si, para diminutas platéias de iguais ou para o espelho, por outro temos um imenso contingente de pessoas carentes de leitura e conhecimento, que nunca foram devidamente introduzidas no universo lúdico dos livros e permanecem distantes deles, muitas vezes por se sentirem incapazes de praticar a leitura com todo esse cerimonial amplamente apregoado pelos formadores de opinião.”

    Quem quiser ler a íntegra do artigo, segue o link:

    http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2110

  • Clarice 13/03/2007em18:39

    … concursos, academia, os exemplos estão aí.

  • Clarice 13/03/2007em18:42

    Rafael,
    Eu já demonstrei que não sou literalóloga.

  • Rafael 13/03/2007em18:45

    Clarice,

    Já havia percebido que você, em realidade, estava fazendo uma ironia. O tema, no entanto, é interessante e também cercado de preconceitos. Por isso, minha menção ao excelente artigo do Luis Eduardo Matta. Vale a pena ler.

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em19:03

    Claudio, feliz é você: o Vianco é, em minha opinião, o pior escritor brasileiro de todos os tempos. Perto dele, o Paulo Coelho parece Machado de Assis.

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em19:05

    Rafael: mas eu também sou ardorosíssimo fã de literatura de entretenimento! Desde que bem-feita. Por isso já citei aqui a Susanna Clarke e os guerreiros que são os nossos escritores de Ficção Científica.

  • Rafael 13/03/2007em19:16

    Saint-Clair,

    Já o imaginava, devido ao seu humor.

    Aliás, é muito fácil distinguir as pessoas que verdadeiramente gostam de literatura das criaturas abjetas que fingem gostar dela por pura ornamentação. Os primeiros (rol no qual eu modestamente me incluo) passaram febrilmente uma noite sem dormir com “As Minas de Salomão” nas mãos, loucos para saber o desfecho; estes ficam ruminando digressões filosóficas a respeito da linguagem de “Finnigans Wake” e nada sabem sobre Kipling.

  • Saint-Clair Stockler 13/03/2007em19:17

    Hahaha, é por aí Rafael, é bem por aí… 🙂

  • Roberto R. 13/03/2007em19:39

    “A dificuldade de profissionalizar-se ajuda a explicar a quase ausência, entre nós, daquele tipo de artesão despretensioso de cuja competência nasce a boa literatura de entretenimento. As condições brasileiras são propícias mais ao surgimento de literatos que de artesãos. Estes não podem dispensar a profissionalização; aqueles se contentam com o prestígio que sua arte lhes dá. (…) Numa cultura de literatos como a nossa, todos sonham ser Gustave Flaubert ou James Joyce, ninguém se contentaria em ser Agatha Christie. Trata-se obviamente de um erro de perspectiva: da massa de leitores desses últimos autores é que surge a elite dos leitores daqueles, e nenhuma cultura realmente integrada pode se dispensar de ter, ao lado de uma vigorosa literatura de proposta, uma não menos vigorosa literatura de entretenimento”.

    José Paulo Paes, “Por uma literatura brasileira de entretenimento”

  • Roberto R. 13/03/2007em19:41

    Adendo: em “ninguém se contentaria ser Agatha Christie”, ler “ninguém se contentaria em ser Alexandre Dumas ou Agatha Christie”.

  • Rafael 13/03/2007em20:01

    Tenho em casa a obra completa de Monteiro Lobato. Num dos volumes, em que há uma coletânea de artigos e prefácios, Monteiro Lobato escreve que o maior estimulante à literatura não era nenhuma obra-prima da literatura clássica ou contemporânea, e sim um livro (tenho também em casa) chamado “Tereza Filósofa”, obra libertina do século XVIII que trata detalhadamente das iniciações sexuais de Tereza, com capítulos picantes que se passam dentro de um convento. Para Monteiro Lobato, este tipo de livro aguçava a curiosidade do jovem e o atraia ao universo da literatura.

    Da minha parte, dou graças a Deus que ter sido apresentado à dita cuja através da Coleção Vaga-Lume.

  • Claudio Soares 13/03/2007em20:48

    Rafael: pois é, ninguém faz sua iniciação literária por um Victor Hugo, Anatole France, Balzac, Flaubert ou James Joyce (pois prefiro os franceses). Eu comecei a gostar de literatura (e tive a felicidade de contar isso pessoalmente ao mestre) com o “Auto da Compadecida” de Ariano. Achei muito legal quando, em uma palestra no início do ano passado, Ariano comentou que um de seus livros preferidos era o Scaramouche de Sabatini. Caramba, eu havia colocado uma citação a esse livro no meu SD8! Coincidência? Não, talvez sintonia.

  • maria emília 13/03/2007em22:34

    clarice, o avião que sobrevoa o céu plúmbeo (” avião sobrevoando a cidade e um ceú ‘plúmbeo’ cheio de poluição) não está na foto, é o logo da editora.

  • Tibor Moricz 14/03/2007em10:25

    Eu tomei gosto pela Literatura com Cassandra Rios. Quer mais erotismo que isso naquela época?

  • Clarice 14/03/2007em13:02

    “Tereza Filósofa” tem na edicão de bolso da LPM.
    Eu gosto do avião, Maria Emília, por favor, me deixa ver o avião. Faz parte do enredo do comentário.

  • Cezar Santos 14/03/2007em15:35

    Rafael,
    quer dizer que a condição sine qua non pra gostar de literatura é ser admirador de Kipling?
    Tem de ser mesmo admirador de Kipling?
    Puxa, então quer dizer durante décadas pensei que gostava de literatura/livros e estava enganado?
    Não gosto de Kipling, logo, não gosto de literatura, certo?
    Ainda bem que vc me esclareceu o equívoco, Rafael… agora posso me libertar desse peso, jogar fora (ou vendê-los a peso no sebo e faturar uma merreca)as poucas centenas de livros que tenho, deixar de me preocupar com ler os mais recentes livros dos autores que cultivo (há anos)…
    Que alívio, Rafa…vc não imagina o bem que me fez, rapaz, o peso que me tiraste das costas.
    Finalmente, minha carta de alforria, meu grito de liberdade…
    Obrigado! Obrigado! Obrigado, Rafael!

  • Tibor Moricz 14/03/2007em16:40

    Irônia mordaz ou é impressão minha?

  • Tibor Moricz 14/03/2007em16:40

    Leiam “ironia”.

  • Rafael 15/03/2007em10:46

    Eu escrevi ao Saint-Clair:

    “(…) é muito fácil distinguir as pessoas que verdadeiramente gostam de literatura das criaturas abjetas que fingem gostar dela por pura ornamentação. Os primeiros (rol no qual eu modestamente me incluo) passaram febrilmente uma noite sem dormir com “As Minas de Salomão” nas mãos, loucos para saber o desfecho; estes ficam ruminando digressões filosóficas a respeito da linguagem de “Finnigans Wake” e nada sabem sobre Kipling.”

    E Cezar Santos leu o seguinte:

    “(…) a condição sine qua non pra gostar de literatura é ser admirador de Kipling”.

    Ou eu não sei escrever, ou Cezar Santos não sabe ler. “Tertium non datur”.

  • Cezar Santos 15/03/2007em15:21

    Rafael, Rafael,…
    E ai vem vc com questiúnculas, com filigranas, pequenos torneios verbais na busca de torcer o que o outro disse. Típico de advogado, desses bem “litigosos”, que ganham as pendengas no “papo”, mesmo que estejam erradas…
    Tenho notado que vc sempre, repito, sempre, faz suas afirmações de forma absolutamente cabal, como se fossem verdades inquestionáveis.
    Quando alguém não concorda, ou pelo menos relativiza, vc vem com um latim, uma afirmação peremptória de forma a desqualificar esse alguém. Agora é dizer que eu não sei ler…
    Vc disse claramente que só gosta realmente de literatura quem gosta de Kipling, está lá, Rafael, não adianta torcer as palavras.
    Pelo seu post, a equação é clara: gosta de Kipling gosta de literatura. Otra, as coisas não são simples assim. Tem muita gente que ama literatura e nunca nem ouviu falar de Kipling (não é o meu caso, já li algumas coisas do cara, mas não acho essa coca-cola toda não, mas isso é opinião).
    E eu ironizei, só pra deixar claro que não existe pre-condição para gostar de literatura, meu amigo. Só por que vc gosta, os outros não são obrigados a gostar.
    Cara, um pouco de humildade, de admitir que ninguém é o dono da verdade absoluta, não faz mal a ninguém… nem a vc, preclaríssimo advogado.

  • Tibor Moricz 15/03/2007em15:40

    Desculpa Cezar, mas acho que você está equivocado. Leia mais atentamente o texto do Rafael. Você vai entender que as pessoas que gostam de literatura nada sabem ou não precisam necessariamente saber sobre Kipling. Está lá, claro como água.

  • Rafael 15/03/2007em16:29

    Cezar,

    Não usei de filigranas, nem de questiúnculas. Apenas transcrevi, com a fidelidade que o recurso copia/cola permite, o meu e o seu textos, sem emitir nenhum juízo de valor. Não torci palavras coisa nenhuma.

    Mas já que você quer explorar o mérito, digamos assim, da minha afirmativa, vamos lá.

    Eu não disse que para gostar de literatura é preciso admirar Kipling. Menos ainda disse que essa seria uma condição “sine qua non”. Apenas fiz um paralelo entre dois estereótipos de leitores: os que vêm na literatura uma força que absorve o espírito com tal energia que o indíviduo se sente tragado para dentro do universo da história narrada, vivendo-a com toda a intensidade, como se fosse um dos personagens e os que lêem livros por ostentação, para fazer pose e para exibir uma erudição postiça. Note bem, digo estereótipos de leitores. Leitores de carne e osso, obviamente, gravitam entre esses dois pólos, não os havendo que se situem unicamente num deles.

    Para ilustrar meu racicínio, citei dois autores, Kipling e James Joyce, pois eles, de certa forma, simbolizam o tipo de literatura consumida por essas duas categorias de leitores. É claro que há quem se divirta muito com James Joyce, que se deleite infinitamente com os jogos vebais de que ele é o perito supremo; há também aqueles que lêem Kipling pelo interesse eminentemente filológico, para entender a estrutura de uma narrativa de aventuras.

    Quem lê Kipling não necessariamente é uma apaixonado pela literatura, assim como muitos leitores de Joyce estão longe de serem pedantes.

    Kipling e Joyce aparecem no meu texto como símbolos. Tal dicotomia é, aliás, muito comum: pode-se falar no classicismo contido de Racine em contraposição à exploção de emoções humanas que é Shakespeare; pode-se opor o gênio disciplinado de Haydn ao irrequieto Beethoven; pode-se bem dizer que a literatura brasileira oscila entre o estilo sóbrio de Machado de Assis e o barroquismo de Euclides da Cunha.

    Nada disso, prezado Cezar, é afirmar-se como dono da verdade absoluta, pretensão que me escapa por completo.

  • Tibor Moricz 15/03/2007em16:44

    Putz, Rafael, a explicação ficou pior.

  • Rafael 15/03/2007em17:06

    Por quê, Tibor? Disse algo de que você discorde?

  • Tibor Moricz 15/03/2007em17:11

    Não, absolutamente (meu Deus, ele vai começar, ele vai começar…), mas sabe aquele negócio do remédio ser mais forte que a doença e matar o doente? Tanta explicação só torna e entendimento mais vago.

  • Rafael 15/03/2007em17:15

    Vou começar o quê, Tibor? Sou uma pessoa tão má assim?

  • Tibor Moricz 15/03/2007em17:16

    Começar a falar, Rafael, começar a falar…

  • Cezar Santos 15/03/2007em17:19

    Rssss……..

  • Cezar Santos 15/03/2007em17:26

    Rafael,
    Adora vc relativizou a coisa. Agora sim, estamos de acordo… vc agora disse que uma coisa (Kipling) não é necessariamente obrigatória para outra (gostar de literatura). Ou seja, não são excludentes.
    Cara, que bom saber que temos opiniões parecidas…

    Tibor, desculpe, mas sobre o texto do Rafael (o primeiro, sobre Kipling e Joyce), vc é que está equivocado.

  • Tibor Moricz 15/03/2007em17:29

    Se eu estou equivocado, então o Rafael, que escreveu o texto, também está. Isso significa que você estava certo o tempo inteiro? Ok? Então o Rafael não sabe escrever, eu não sei ler e você precisa de óculos.

  • Cezar Santos 15/03/2007em17:32

    Rsssss……. pode ser isso aí, se vc quiser que seja…

  • Tibor Moricz 15/03/2007em17:34

    Veja bem, ele primeiro explicou a coisa em letras miudas, você não entendeu. Aí ele explicou a mesma coisa em letras graúdas e você então entendeu. Foi preciso ou Outdoor pra você entender.

  • Tibor Moricz 15/03/2007em17:34

    leia “um” em lugar de “ou”

  • Cezar Santos 15/03/2007em17:41

    Esse tipo de afirmação é que pretende liquidar a discussão, Tibor…
    Claro que o Rafael sabe escrever.
    Claro que vc sabe ler.
    E Claro que eu preciso de óculos..rssssss….literalmente… já sinto um certo cansaço visual, que dizem chamar, se não me engano, presbiopia…
    Será que isso está afetando minha percepção das coisas, Tibor? Inclusive sobre definições sobre o que é gostar ou não de livros e literatura?
    Pensando bem, faz sentido…rsssss

  • Tibor Moricz 15/03/2007em17:42

    Mas pelo menos concordamos que quando o Rafael começa, dá vontade de virar a página. Como fala esse rapaz!

  • Rafael 15/03/2007em17:46

    Ué, Tibor. Aqui não é um espaço para discutir literatura? Quem gosta de literatura não gosta de ler e escrever? Prometo ser breve da próxima vez.

  • Tibor Moricz 15/03/2007em17:47

    Hi… pensei que você já tinha ido pra casa. Disfarça…

  • Rafael 15/03/2007em17:48

    Cezar,

    Fico feliz por termos hasteado a bandeira branca. Sou mais pela paz.

  • Radykal Xike 16/03/2007em17:26

    Toda literatura é de entretenimento. Mas há entretenimento para pessoas inteligentes, e a há entretenimento para pessoas burras. Paste o que você quiser, numa boa! A grama é lauta refeição para quem aprecia. Moscas comem merda, e nunca ninguém viu nenhuma mosca reclamando que estava mal-passada ou queimada demais, que faltava sal ou que o molho estava muito pesado.

  • mausóleu 16/03/2007em18:04

    Putz!

    Fui ler o último comentário e acabei pastando na merd*

  • Sylvia Koury Martins 01/11/2007em11:25

    Bernardo Carvalho é o melhor!

  • Tamires Fonseca 09/11/2007em15:45

    Muito bom!Pra os amantes da literatura…uma verdadeira pérola.O que mais me encantou foi a forma alegórica e única como o autor explorou temas aparentemente clichês como metalinguagem e o pensamento e escrita pós modernos.Muito bom mesmo!