Três anos e meio após a sua morte, David Foster Wallace (foto) se consolida como o Raul Seixas da literatura americana: os últimos achados em seu baú são um cartão postal que ele escreveu para Don DeLillo e algumas cenas ainda inéditas de The Pale King, romance inacabado publicado postumamente. * Da mesma geração de DFW e, para todos os efeitos, tão sério quanto ele no modo de encarar a literatura, Jonathan Franzen se distingue pela absoluta ausência de autoironia. Após mais uma entrevista em que martelou seus temas preferidos – a necessidade que o ser humano tem de ler histórias literárias “complexas” como as que ele escreve e a incapacidade escrevê-las quando se tem conta no Twitter ou no Facebook – abriu a porta para que Tim Parks levantasse dúvidas interessantes sobre a tal “necessidade humana de histórias” e lhe dirigisse outras perguntas incômodas neste artigo (em inglês) no blog da “New York Review of Books”: Naturalmente, é conveniente para um romancista pensar que, pela própria natureza de seu trabalho, está do lado do bem, provendo uma demanda urgente e geral. (…) Mas qual é a natureza dessa demanda? O que aconteceria se ela não fosse atendida? (…) E…
Bem, vocês que são jovens corajosos, abram o ‘Grande sertão’ e leiam as 565 páginas. Isso para mim é um ato de coragem, ler ‘O jogo da amarelinha’, do Cortázar. Leia ‘Guerra e paz’. É um ato de coragem, transgressor, vai fazer bem para a sua vida, para a sua alma, para as conversas com a namorada. É um assunto e tanto. Já pensou, ‘Guerra e paz’? Três anos de conversa. Poucos momentos de silêncio e tédio. Chega o tédio, você fala: “tem uma cena no Grande sertão…”. É um casamento, uma vida inteira. Quando ele entra nas veredas mortas… sabe por que veredas mortas? Porque alguma coisa vai acontecer. É um lugar sombrio, obscuro. Conta isso para ela. Milton Hatoum, autor de “Dois irmãos” e “Cinzas do Norte”, saiu-se com a excelente tirada acima em seu bate-papo público na série de encontros Um escritor na Biblioteca, organizada pela Biblioteca Pública do Paraná, transcrita e publicada pelo jornal “Cândido”. Tocou num ponto nevrálgico que as campanhas pró-leitura, em geral chatíssimas, costumam deixar de lado por pudor ou caretice: o fato de que, em sua fase de formação, todo leitor é um aventureiro movido pela libido – nem mais nem menos…
Lean Back 2.0 – updated February 2012 O link acima abre uma apresentação de slides feita há menos de dois meses por Andrew Rashbass, presidente do grupo “The Economist” (em inglês). Para quem tiver paciência de aguentar um certo visgo Powerpointilhista de embromação corporativa, ela traz algumas ideias novas e surpreendentes – numa palavra, revolucionárias – sobre os padrões de leitura online na segunda década do século 21. “O velho é novo de novo”, afirma um dos quadros. O que isso quer dizer? Resumindo, trata-se da constatação de que, após um período em que a leitura online foi feita basicamente em desktops e laptops, estamos entrando de modo resoluto na era do tablet, que – eis a tese, sustentada por pesquisas e tendências já visíveis de comportamento – muda tudo: daquilo que já se convencionou chamar de Lean forward para Lean back 2.0. Lean forward, para quem não sabe, faz referência à posição do corpo do internauta diante da máquina, inclinado sobre ela: é uma postura ativa que favorece o compartilhamento de informação, a navegação nervosa de link para link e o vaivém da atenção entre texto e vídeo, por exemplo. Lean back 2.0 – e agora a inclinação é…
httpv://www.youtube.com/watch?v=v1EbNvHDxbA O Pop Literário de Sexta volta com “O velho e o mar”, curta de animação russo (postado no YouTube em duas partes) que faturou o Oscar da categoria em 2000. Baseado na famosa novela de Ernest Hemingway sobre a luta de um velho pescador solitário contra um peixe gigantesco, o belíssimo filmete do animador Aleksandr Petrov foi feito com uma técnica peculiar – pastel sobre vidro em 29 mil quadros – e tem cenas de tirar o fôlego. Boa Páscoa a todos. httpv://www.youtube.com/watch?v=l2_KszEnlq0&feature=related
“Por que só digo agora,/ velho e com minha última gota de tinta,/ que a potência nuclear Israel põe em risco a já frágil paz mundial?” É curioso que o escritor alemão Günter Grass, Nobel de literatura de 1999, tenha abordado retoricamente em seu polêmico poema-manifesto “O que precisa ser dito” – publicado na quarta-feira em diversos jornais do mundo com duras críticas a Israel – a questão do longo silêncio que finalmente se quebra. Foi um desses atrasos que, em agosto de 2006, arranhou sua imagem de tal forma que faz a manifestação de agora ser recebida com maior perplexidade. Naquele momento, veio a público a confissão de Grass – parte de seu livro de memórias “Descascando a cebola” – de que tinha sido nazista na juventude, tendo pertencido às tropas SS em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial. Uma informação que ele mantivera em segredo até então. Muitos alemães tinham e têm histórias semelhantes. A diferença é que o autor de “O tambor” havia passado seis décadas como uma das principais vozes da consciência moral alemã, instando seus compatriotas a encarar de frente o passado nazista, sem no entanto aplicar a receita a si mesmo (leia aqui…
A fórmula v = b², proposta em seu clássico The supercool writer’s decalogue por Otto Bax, o berlinense suicida, é a genial quantificação de uma lei universal que, apesar de pressentida por geração após geração de cultores das letras, permanecia desde Homero no campo obscuro das intuições: no âmago de todo escritor, o número de colegas desprezados é igual ao número de colegas admirados ao quadrado. O que equivale a dizer, naturalmente, que o amor literário é a raiz quadrada do ódio. (As iniciais v e b correspondem respectivamente às palavras Verachtung, “desprezo”, e Bewunderung, “admiração”. Optamos por não traduzi-las, discordando de outros autores, devido à consagração da fórmula de Bax nos mais influentes círculos da coologia acadêmica literária internacional.) Não contente em capturar na malha dos números aquilo que se julgaria imponderável, Bax foi além e, antes de aplicar na própria veia uma gorda injeção de Frischluft, propôs outra lei universal: quando se levam em conta apenas autores vivos, a fórmula se transforma em v = b³, o desprezo equivalendo à admiração elevada ao cubo. Infelizmente, a morte prematura de Bax não lhe deu tempo de se aprofundar nas consequências de seus achados para o estudo da complexa rede…
Descubro sem surpresa, mas com algum pesar, que já existe alguém na internet declarando seu ódio a máquinas de escrever como peças de decoração moderninha – um tumblr dedicado à trollagem dos modismos do design chamado, significativamente, Fuck Your Noguchi Coffee Table. Não, é claro que isso não quer dizer muito. Tente imaginar qualquer coisa no universo que não mereça declarações de ódio em algum lugar da internet e você se verá em apuros. Mas achei curioso, porque não fazia ideia disso e nunca vi nada parecido nas casas que frequento, descobrir que uma paixão que alimento há anos vai, em alguma parte do mundo, entrando no terreno do clichê. Há dois anos e meio, quando rolou a notícia de que Cormac McCarthy estava leiloando sua velha Olivetti, saí do armário aqui no blog como amante e pequeno colecionador de máquinas de escrever. Na verdade, tenho só três peças, todas de valor afetivo, que na época apresentei assim: Tenho em casa um modesto museu da máquina de escrever. Além da portátil Hermes 2000 que já comprei velhinha nos anos 1980, num antiquário, mas ainda cheguei a usar, conservo a pesada Remington que herdei de meu pai, na qual batuquei meus…
A literatura é hoje um campo que se questiona de modo histérico, com resultados entre o suicida e o narcísico. O discurso literário parece sentir, de alguma forma, que perdeu o direito à existência. O que quer que o justificasse perante si mesmo não o justifica mais. Entre as atitudes que o discurso literário toma diante disso, destaco duas que me parecem especialmente significativas: deitar no caixão e declarar-se morto, como um personagem de Nelson Rodrigues, procedendo então à auto-autópsia; ou, feito uma drag queen de quermesse, se montar inteiro com maquiagem, bijuterias, próteses, piscando muito para o espelho e dizendo: “Eu existo, ói eu ali”. (Seria interessante – mas foge aos propósitos deste artigo, para não falar da minha competência – investigar o que haverá de analogia estrutural e especularidade simbólica entre duas crises culturais contemporâneas, a “do macho” e a da literatura de ficção.) A verdade é que, além daqueles que a fazem e da pequena seita que a consome sistematicamente, ninguém no mundo de 2012 está prestando lá uma terrível atenção à ficcão literária, como diriam em inglês – literatura artisticamente ambiciosa, digo eu. A ficção comercial vai bem, mas o público da ficção dita séria míngua…
Millôr Fernandes é um escritor de domínio linguístico invejável e ouvido perfeito. Em crônicas, frases soltas, poemas curtos, pastiches, peças de teatro originais e memoráveis traduções, deixa um legado textual variado que expressa com grande coerência, em meio à diversidade das formas, uma visão de mundo que se poderia chamar de, hmm, milloriana. O esquema é provisório, claro, traçado ainda sob o impacto de sua morte, mas acredito ser possível identificar quatro linhas de força principais em seus escritos: pessimismo, anarquismo, humanismo e uma quarta qualidade, mais difícil de definir, que ele mesmo chamou de audácia, mas que também se poderia chamar de irreverência, caso a palavra não estivesse tão gasta, ou mesmo de molecagem. Volto à versão bruta da entrevista que fiz com Millôr para a revista “Bravo!”, no dia 14 de novembro de 2008 (versão editada aqui), e descubro que os quatro pontos são cobertos de alguma forma em nossa conversa, embora eu ainda não os tivesse discriminado na época. O pessimismo de Millôr é uma das fontes evidentes de seu humor. Levado ao superlativo, dá em frases como estas: “Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade”; “Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem” e…
A perda de Millôr Fernandes (1923 ou 1924-2012, ele dizia haver controvérsia sobre o ano de nascimento) chega a ser, sob muitos aspectos, ainda maior que a de Chico Anysio para a cultura brasileira, mas as duas nos atacam na mesma esquina, a da inteligência com a alegria, o que basta para tornar este março de 2012 um mês inesquecivelmente funesto. Para mim, existe ainda um agravante: com Millôr eu tive a sorte de ter contatos profissionais que, se não me permitem falar propriamente em amizade, enchem este momento de um luto mais sombrio e mais sentido. Não é à toa que o céu hoje está enfarruscado sobre o mar de Ipanema, bairro que “o grande filósofo brasileiro” – nas palavras do jornalista Sérgio Augusto – adotou precocemente em 1954, quando aquilo mal passava de um areal, e cuja mitologia ajudou a construir. Pouco mais de três anos atrás, em novembro de 2008, quando, por encomenda da revista “Bravo!”, eu me encontrei com Millôr em sua cobertura-estúdio junto à hoje atarefadíssima praça General Osório, o gênio carioca já se movia com dificuldade, mas mentalmente conservava uma vivacidade e um fôlego que renderam muitas horas vertiginosas de conversa, piadas, maledicências, trocadilhos,…
A vida não está em ordem alfabética como há quem julgue. Surge… ora aqui, ora ali, como muito bem entende, são migalhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? Por vezes, aquele que está mesmo no cume e parece sustentado por todo o montinho, é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física, retira o grão que aparentemente não sustentava nada e esboroa-se tudo, a areia desliza, achata-se e resta-lhe apenas traçar uns rabiscos com o dedo, contradanças, caminhos que não levam a lado nenhum, e você continua insistentemente no vaivém, que é feito daquele abençoado grão que mantinha tudo ligado… até que um dia o dedo resolve parar, farto de tanta garatuja, você deixou na areia um traçado estranho, um desenho sem jeito nem lógica, e começa a desconfiar de que o sentido de tudo aquilo eram as garatujas. E que belas garatujas! O trecho acima é de “Tristano morre” (Rocco, tradução de Gaetan Martins de Oliveira), romance em forma de monólogo de um moribundo que o escritor italiano Antonio Tabucchi (foto) lançou em 2004. Tabucchi morreu ontem, aos 68 anos,…
Interessante com certeza, preocupante talvez: a enquete sobre o mais inesquecível personagem da literatura brasileira, que lancei aqui na quarta-feira, ainda está em andamento, mas com mais de oitocentos votos já permite traçar um padrão claro. Quanto mais velho o livro, mais ele ressoa junto aos leitores. Está certo que temos no século 19 um monstro chamado Machado de Assis (foto). Está certo também que o recuo no passado costuma ser um dos requisitos para a incorporação de uma obra literária ao cânone. No entanto, nada disso permitiria prever uma curva quase inteiramente linear: começando por Capitu e Brás Cubas, os líderes da corrida, e passando por Emília, Macunaíma, Capitão Rodrigo, Diadorim, Gabriela, a votação dos personagens vai minguando à medida que os livros em que eles surgiram se aproximam do presente. A tendência é tão forte que passa por cima até de algo que, à primeira vista, poderia parecer decisivo para a popularidade de personagens literários: o fato de terem ou não transcendido as páginas para ganhar adaptações de sucesso no cinema ou na TV. Emília e Gabriela são figurinhas manjadas na cultura audiovisual das últimas décadas, mas isso não foi suficiente para movê-las dos lugares que a linha…
O jornal literário “Rascunho” está preparando sua edição de aniversário – o 12º, marca heroica – e me pede um depoimento breve sobre “uma característica, uma marca da literatura brasileira atual”. Vale notar que a chamada “nova literatura” do país tem mais ou menos a idade do jornal curitibano, o que ajuda a entender a atenção sem rival com que ele a vem acompanhando desde 2000. Tentei dar uma resposta não viciada, entre o otimismo com uma efervescência “profissional” que é inédita em nossa história e o reconhecimento de que ainda falta um salto, quem sabe vários saltos – a conquista do leitor é provavelmente o maior deles, mas a afirmação de uma crítica mais consequente e menos autista não fica muito atrás. Depois que mandei o texto para o editor Rogério Pereira, porém, a questão continuou dando voltas em minha cabeça. Foi só então que me ocorreu o problema do personagem – que os antigos chamavam de a personagem, no feminino, mesmo que fosse macho. Mas de que personagem estamos falando? De nenhum, aí é que está. Até agora, o século não parece ter dado à literatura brasileira um daqueles personagens que transcendem o texto e vão se incorporar…
Principal editora de literatura do país, a Companhia das Letras anunciou há pouco – neste texto assinado pelo editor Luiz Schwarz em sua coluna no blog da casa – a criação escalonada, entre o mês que vem e março de 2013, de quatro novos selos que tornarão a empresa um “grupo editorial”. Os novos selos terão autonomia, “como se fossem novas editoras”, e para eles serão desviados inclusive autores que hoje são publicados pela Companhia. Os selos são Paralela (ficção comercial), Boa Companhia (antologias temáticas), Seguinte (infanto-juvenil) e Portfolio Penguin (negócios). * Não duvido que as fascinantes esculturas (como a da foto acima) do artista americano Brian Dettmer, que conheci no ótimo blog de Almir de Freitas, sejam a prova mais irrespondível de que, embora o mundo digital tenha muitos encantos, existem coisas que só um livro físico pode fazer por nós. * Momento egopress: meu romance “Elza, a garota” (Nova Fronteira, 2009) vai virar filme, anuncia hoje em primeira mão no “Globo” o colunista Ancelmo Gois. Os direitos de adaptação foram adquiridos pelo diretor e produtor Dodô Brandão, autor de “Dedé Mamata”, uma ficção que tem pontos de contato com a temática de “Elza”, e do documentário “3 Antônios…
Interessado em compreender melhor as entranhas do novo mundo dos e-books, em especial a luta dos modelos comerciais antípodas oferecidos por Amazon e Apple e como se situam escritores, editores e livreiros diante deles? Bem, levando-se em conta que, a maior parte do tempo, o Brasil ainda age como se nada disso existisse, você precisa em primeiro lugar saber inglês. Cumprido tal requisito, não existe curso melhor e mais intensivo do que ler a carta aberta – pró-Apple e grandes editoras – que o escritor best-seller Scott Turow (foto), presidente do Authors’ Guild, a associação dos escritores dos EUA, enviou aos membros da organização. Depois é só tomar fôlego e emendar, rolando a tela, na longa lista de comentários postados no site da AG, divididos entre o apoio e a crítica ao ponto de vista de Turow. Além de ser didático, o debate dá inveja: fora um papalvo internético ou outro, o grau de civilidade, informação, articulação e até estilo dos debatedores é de derrubar o queixo. * No momento histórico em que a Enciclopédia Britânica deixa de circular em papel, que tal olhar em volta e medir nosso atraso em relação ao país que ocupa a extremidade oposta da…
O ensaio do crítico americano Lee Siegel no décimo número da revista “serrote”, chamado John Updike ou A desimportância de ser sério, tem duas partes instigantes que, no entanto, não se encaixam muito bem. Ambas – e sua (des)conexão – vão comentadas abaixo. Na primeira parte Siegel defende John Updike (foto, 1932-2009) do que considera uma campanha sórdida – nem tão nova, mas acelerada à medida que sua vida se aproximava do fim – para desmoralizar um dos grandes escritores americanos da segunda metade do século 20. Os maiores inimigos de Updike seriam, pela ordem, o crítico James Wood e o escritor David Foster Wallace, mas o complô acabaria envolvendo Harold Bloom e a própria revista “New Yorker” em que Updike se consagrou – e que mesmo involuntariamente, nothing personal, teria aplicado no criador de Coelho Angstrom um golpe duro ao contratar Wood. O ensaísta é galhardo e até valente em sua defesa crítica de um escritor de inegáveis méritos, prolífico e generoso, que de alguma forma tornou-se uncool e anda necessitado de defesa em seu país. Deixa a sensação de que poderia ter feito um trabalho melhor em demonstrar por que Updike é importante, como eu acredito que seja…
httpv://www.youtube.com/watch?v=EfzuOu4UIOU O Pop Literário de Sexta não viveria sem eles, mas trailers de livros partem, segundo uma boa tirada de Drew Grant na Salon, de “um conceito razoavelmente ridículo: tentar vender literatura para pessoas que prefeririam esperar pela adaptação cinematográfica”. Seja como for, o gênero está em ascensão (transparência total: eu mesmo já cometi um e dificilmente escaparei de outros) e tem até seu próprio prêmio no âmbito da anglofonia, o Moby Awards, que destaca os melhores e os piores exemplares do mercado no período de um ano. Nem sempre é fácil distinguir uns dos outros. Grande vencedor (sem ironia) do Moby 2011, o vídeo acima ilustra bem a observação de Grant sobre o ridículo do conceito. Feito para promover o último romance de Gary Shteyngart, já lançado no Brasil com o título “Uma história de amor real e supertriste” (Rocco, tradução de Antônio E. de Moura Filho, R$ 49,50), o trailer é quase uma superprodução. Tem participações especiais de colegas do autor – especialmente Jeffrey Eugenides, Edmund White e Jay McInerney – e até do astro hollywoodiano James Franco. Tudo para levar à estratosfera aquele manjado mandamento, “ria de si mesmo antes que os outros o façam”, caro a…

