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Erico no IMS, McCarthy no Twitter, Franzen na TV
Vida literária / 25/01/2012

Amanhã à noite terei uma conversa íntimo-pública com Luis Fernando Verissimo sobre “Incidente em Antares”, o último romance do pai dele, diante de uma plateia de bolso no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. Lançado em 1971, o divertido livro em que Erico Verissimo (foto) cutucava a ditadura no auge da repressão e flertava com o “realismo mágico” latino-americano pela via do humor rasgado – além de passar bem perto de antecipar a moda moderninha dos zumbis – já tem um pouco mais de quatro décadas, mas a comemoração do aniversário atrasou. Fiquei tão honrado quanto surpreso ao ser convidado para o evento por Elvia Bezerra, coordenadora de Literatura do IMS, que detém o acervo do maior nome da literatura gaúcha. Como podia ela saber, se quase nunca falo disso, que em minha adolescência quem me enfiou na cabeça que eu ia ser escritor foi justamente Erico, que tinha presença imponente na biblioteca de meus pais e que eu li de forma compulsiva entre os 12 e os 14 anos? Pois é, ela não sabia. O que me deixa com a sensação – nada desagradável, devo reconhecer – de ter feito algumas escolhas certas na vida. Não é só…

Quer ganhar aumento? Leia Guimarães Rosa
Pelo mundo / 23/01/2012

Assolado por uma sensação de perda de tempo toda vez que abre “Em busca do tempo perdido”? Em busca de uma razão utilitária para ler – com perdão da palavra – ficção? Bem, a executiva americana Anne Kreamer também estava, até que descobriu uma série de pesquisas que associam a leitura de ficção literária com “inteligência emocional”, empatia, capacidade de imaginar o outro e se adaptar a situações novas, eficiência no trabalho em equipe – e, como consequência de tudo isso, maiores chances de descolar bons salários no mundo corporativo, especialmente na era da globalização. O artigo (aqui, em inglês, no blog da Harvard Business Review) vale mais como curiosidade do que como guia de comportamento para futuros executivos. Por um lado, o que Anne Kreamer afirma não é muito diferente de algo que já virou lugar-comum entre letrados, uma espécie de último reduto de “relevância social” da ficção num mundo em que ela perdeu centralidade: aquilo que Amós Oz chama de “antídoto contra o fanatismo”, a “virtude moral” de exercitar sistematicamente a imaginação de tudo que ultrapassa o círculo limitado do ponto de vista individual do leitor. (O mesmo vale para histórias contadas em filmes, peças de teatro etc.?…

Como não escrever um romance – o escracho
Pelo mundo / 20/01/2012

httpv://www.youtube.com/watch?v=ocvlo3XG8aY&feature=related O livro é de aconselhamento literário do tipo sério – ou quase isso. O filmete de animação (em inglês) que acompanhou seu lançamento, porém, é puro escracho, com aquela sátira da vida boêmia podre de chique à la Scott e Zelda Fitzgerald que já era falsa no original: como escrever um bom romance, ganhar rios de dinheiro e ser sexualmente irresistível, tudo sem derramar o dry martini? Tem coisas que só o Pop Literário de Sexta faz por você.

‘E foram todos para Paris’: uma viagem na primeira classe
Resenha / 18/01/2012

Terá começado com o fim da Primeira Guerra Mundial, nos passos de John dos Passos e e.e. cummings? Ou antes disso, com o desembarque do crítico de arte Leo Stein, irmão de uma certa Gertrude? Ou teria sido alguns anos mais tarde, quando lá pôs os pés pela primeira vez um sujeito chamado Ernest Hemingway – que se tornaria seu principal divulgador e figura mais emblemática? Seja como for, o fato incontestável é que a mitológica Paris da chamada Geração Perdida é uma criação americana, celebrada nostalgicamente por geração após geração de artistas americanos – o último deles, o cineasta Woody Allen, com o divertidíssimo “Meia-noite em Paris”. Se a mitologia parisiense dos anos 1920-1930 tem em seu coração esse drástico deslocamento geográfico-cultural, não é tão espantoso que seu mais sucinto e espirituoso guia turístico-literário seja de autoria não de um americano, nem de um francês, mas de um brasileiro. Em “E foram todos para Paris – Um guia de viagem nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald & Cia.” (Casa da Palavra, 128 páginas, R$ 39,30), o jornalista Sérgio Augusto equilibra num volume magro e bem ilustrado, que se presta tanto à leitura corrida quanto à consulta, o rigor no acompanhamento…

O grandioso projeto de Antenor, microcontista do Twitter
Sobrescritos / 16/01/2012

O microcontista Antenor já gostava de escrever contos curtos antes do Twitter. O que a rede social lhe proporcionou, além de um mural onde publicar sua obra até então inédita, foi um foco preciso. Isso foi mais importante até do que o próprio mural: a concentração que o limite de 140 caracteres lhe deu. De mistura com a concentração de Antenor veio a grande ambição de Antenor: ser o primeiro dos microcontistas “científicos”. Aplicar a exigente moldura dos 140 toques a todos os aspectos da técnica ficcional, mapeando exaustivamente recursos e efeitos. Esquadrinhar as sete províncias da prosa imaginativa, projeto rascunhado certa manhã por Walser numa cabeça de alfinete, e ir além. Construir personagens redondos com pinceladas retas, lançá-los em conflitos épicos, guardar espaço para o twist final. Tudo num registro que ponha em questão a própria ideia de registro, brincando com a linguagem. Eis a meta, de resto tão inatingível quanto a imortalidade do corpo. Contudo, não sendo possível conjugar perfeitamente foco e amplitude, é possível – tem de ser, é a aposta de Antenor – determinar onde e por quê. Onde começa o impossível e o que acontece com a história a partir daí: quando se fica com…

O ‘crítico demolidor’ como figura folclórica e outros links
Pelo mundo / 13/01/2012

Para críticos e resenhistas que se ressentem, às vezes de forma dolorosa, da importância atribuída às obras dos escritores em detrimento da sua própria, uma boa notícia: um prêmio (anglófono, of course) para resenhas jornalísticas. Mas não se trata de qualquer resenha. Só podem concorrer aquelas que, de preferência com estilo, fizerem picadinho de seu objeto, como o nome do galardão indica: Hatchet Job of the Year, isto é, Serviço de Machadinha do Ano. Talvez a notícia não seja tão boa, afinal. Por que não premiar simplesmente a melhor resenha, a que jogue mais fachos de luz – negativos ou positivos, mas mais provavelmente uma mistura deles – sobre o livro que analisa? O foco em textos de espinafração espirituosa é claramente uma forma de, pela via do folclore, dar contornos nítidos a algo que permanece embaçado e amorfo na cena cultural contemporânea. * Talvez seja o caso de refletir sobre a surpreendente humildade declarada por George Steiner, crítico de altíssimo coturno, nesta entrevista (em inglês) de duas semanas atrás: Críticos, comentaristas e exegetas, mesmo os mais talentosos, ainda estão a anos-luz dos criadores. Nós não compreendemos as fontes íntimas da criação. Por exemplo, imagine esta cena, que se passou…

Ainda ‘A geração superficial’: e a literatura com isso?
Resenha / 11/01/2012

Na resenha do livro “A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros” (The shallows), segunda-feira, faltou falar justamente do que está no foco do Todoprosa: livros, e dentro dos livros a literatura, e dentro da literatura a prosa de ficção. Como ficam essas coisas arcanas, o texto enquanto arte e tal, no mundo colorido, afogado em informação, compulsivo e desatento que Nicholas Carr vê na internet? Um mundo em que todos os textos – e não só os feitos de palavras – viram “conteúdo” indexado, imediatamente acessível na forma de excertos, caquinhos interligados de modos imprevisíveis, tão descontextualizados quanto certo microfragmento triangular de louça cartaginesa azul num caleidoscópio que tende ao infinito. A literatura não é abordada diretamente em “A geração superficial”. Não é este seu foco. Uma exceção é o capítulo em que seu autor discorre sobre o Google Book Search (mas aí está falando mais de mercado editorial, política cultural e biblioteconomia que de literatura). A outra é o momento em que ele fulmina o triunfalismo digital anencefálico de um articulista que nega todo valor à leitura de “Guerra e paz”, um romance que estaríamos na obrigação histórica de finalmente admitir ser uma…

A internet é uma máquina de fazer idiotas?
Resenha / 09/01/2012

“A geração superficial – O que a internet está fazendo com os nossos cérebros” (Agir, 384 páginas) é o livro que consolidou a posição do jornalista americano Nicholas Carr como principal crítico cultural do mundo digital. O livro nasceu de um artigo polêmico que Carr publicou em 2008, chamado “O Google está nos deixando burros?”, comentado na época aqui no blog. A tese central é a mesma: ao nos ensinar a ler de outra forma – veloz, horizontal, volúvel, interativa, baseada na satisfação imediata –, a tecnologia digital está reprogramando nossas mentes no nível bioquímico, devido a uma característica do cérebro chamada neuroplasticidade. Em consequência disso, a capacidade da espécie de acompanhar raciocínios longos e mergulhar sem distração na solução de um problema complexo pode estar simplesmente em vias de extinção. Se a ideia central já constava do artigo de 2008, “A geração superficial” sustenta o pessimismo de seu autor com uma impressionante variedade de informações históricas, científicas, econômicas etc. Consegue manter no ar todos esses malabares sem perder a atenção do leitor – isto é, daquele leitor que ainda for capaz de prestar atenção em um texto com mais de cinco linhas. Carr não é um luddita, um reacionário….

‘Livro? Oba! Vamos ler agora, professor!’
Pelo mundo / 06/01/2012

O Pop Literário de Sexta saúda 2012 e pede passagem. * PROFESSOR: Muito bem, crianças, sentem-se. Houve uma mudança de orientação pedagógica na escola. Vou passar um livro para vocês lerem. ALUNO: Livro? Cara, como eu odeio isso. P: Turma, este livro é muito polêmico e acaba de ser retirado da lista de livros proibidos. A: É mesmo? Maneiro. P: Chama-se “O apanhador no campo de centeio” (começa a distribuir exemplares entre as carteiras), e tem algumas partes muito censuráveis… A: Eba! P …e linguagem forte e vulgar. Por sinal, diversas escolas do país ainda proíbem este livro, considerado realmente impróprio. A: Cara, mal posso esperar! P: Como dever de casa, eu quero que vocês leiam do capítulo 1 ao 5, e amanhã debateremos… A: Não, não, vamos ler agora! A: Sr. Garrison, o cara que matou o John Lennon não botou a culpa neste livro? P: Sim (a contragosto), parece que o assassino de John Lennon alegou ter sido inspirado pelo “Apanhador no campo de centeio”. Mas ele era só um maluco. A: Olha só, você tá dizendo que esse livro é sujo, impróprio, e ainda fez um cara dar um tiro no rei dos hippies? Quer fazer o…

Nelson Rodrigues está vivo e tuitando
Sobrescritos / 04/01/2012

Imagine que Nelson Rodrigues não morreu. Às vésperas de completar cem anos, tem um blog chamado A vida como ela ainda é, que atualiza dia sim, dia não (a idade pesa), embora mantenha com as tecnologias digitais uma relação irônica e cheia de ambiguidade. Aproveita-se do que elas têm de prático, mas sente falta do teclado pesado da máquina de escrever. Só consegue continuar publicando porque já não precisa frequentar redações, resolve tudo do sofá de casa, mas morre de saudade do papo furado com os colegas da Geral e do Esporte. Acha que a humanidade se amarrou de bom grado ao pé da mesa e que o computador pessoal, o notebook, o smartphone, o tablet – que nomes absolutamente abomináveis! – não passam de versões metidas a besta da cuia de queijo Palmira. Nelson sabe que o mais descolado animador de rede social não conseguiria atravessar a rua sem ser atropelado pela carrocinha do Chicabon. A certeza de que os cretinos fundamentais venceram a guerra o atormenta um pouco. Não porque um dia tenha duvidado que esse fim seria inevitável, mas por ter sido incapaz de antever, distraído que andava com a cretinice vermelha dos bigodudos de capote, o…

Machado em hipertexto
Vida literária / 02/01/2012

Que tal abrir o ano com uma boa notícia? Então lá vai: com a entrada no ar da edição em hipertexto de “Memorial de Aires”, o último romance de Machado de Assis, no site machadodeassis.net, a Casa de Rui Barbosa cumpre a promessa de disponibilizar nesse formato toda a obra romanesca do maior escritor brasileiro. O espírito didático das notas, que se abrem em caixinhas na tela quando se passa o cursor sobre uma palavra marcada, é explícito: a ambição declarada é fornecer “explicações sobre todas as citações e alusões do texto: tanto as de natureza simbólica (autores, obras de arte, personagens, fatos históricos referidos por Machado de Assis), como as menções a lugares e instituições não-ficcionais (bairros e ruas da cidade do Rio de Janeiro, lojas, teatros, cafés que as personagens machadianas frequentam)”. É possível que, não sendo um marciano recém-desembarcado neste planeta, o leitor estranhe entradas como esta, logo a primeira do “Memorial”, que começa com a seguinte frase: “Ora bem, faz hoje um ano que voltei definitivamente da Europa“: A Europa é um dos cinco continentes da Terra, onde, desde a Antiguidade Clássica, até o século XIX, a civilização ocidental alcançou o maior desenvolvimento. Para os países…

Pequena antologia de um ano grande (1)
Sobrescritos / 26/12/2011

A colheita de Sobrescritos – aquele tipo de post, também chamado conto, que acontece aqui no blog quando o discurso jornalístico já não dá conta – foi farta como nunca em 2011: 24, dois por mês. Escolhi três para comemorar. Este aqui apareceu no dia 13 de maio. * O AMOR NOS TEMPOS DO CÓDICE Não fazia tanto tempo que costumavam chamá-la de promessa vigorosa da nova literatura brasileira. Flipou, flopou, fliportou, festpoou, e por cinco ou seis anos, se não foi famosa, existiu inquestionavelmente, carta no baralho das antologias igrejísticas e nome no caderninho dos repórteres de metrópoles e grotões, a fazer aparições frequentes em telas e papéis a pretexto de polêmicas culturais aguadinhas que, sustentadas pelo acordo tácito de que o rei nu exibia vestes de alta costura, às vezes abriam caminho para a republicação daquela sua fotinho de dez anos atrás em que luz chapada, rímel e lábio inferior levemente mordido compensavam a escassa beleza de nariz adunco e pele áspera. Ele, sim, era bonito, talvez até lindo, mas era um menino, um fedelho de cabelo desgrenhado e barba por fazer, quando se aproximou dela no fim do coquetel com jeito de fã encabulado e a presenteou…

Livros do ano? Me vê meia dúzia
Resenha / 21/12/2011

“Habitante irreal”, de Paulo Scott – Atolada num ambiente besta que se assemelha a uma guerrinha entre fiéis e infiéis (existe ou não existe, é divina ou é uma fraude, vamos à missa ou não vamos?), a literatura brasileira contemporânea corre o risco de nem se dar conta de que acaba de ganhar um livraço. Acerto de contas com os sonhos e desilusões de uma geração, o romance de Scott revela-se um cruel espelho político-social de impasses coletivos e, no caminho oposto, um objeto que se quer tão xamânico quanto a bizarra máscara construída pelo personagem Donato, o “índio mais não índio do qual já se teve notícia”, com o propósito de dar voz aos mortos. (Leia mais..) “Diário da queda”, de Michel Laub – Sem grandiloquência e acomodadas confortavelmente no arco da narrativa, ideias grandiosas tornam notável o novo romance de Laub. Cobrindo três gerações, desde a história do avô do narrador em Auschwitz, e apontando com comedida esperança para uma quarta, “Diário da queda” é uma pequena joia ficcional que, ao tratar sem temor ou reverência a pesada herança da literatura pós-Holocausto, adiciona uma dimensão histórica universal à costumeira obsessão do autor com o passado e esmiúça de…

Um Vargas Llosa panorâmico e coloquial
Vida literária / 19/12/2011

O recém-lançado “Conversas com Vargas Llosa – Antes e depois do Nobel” (Panda Books, 232 páginas), de meu vizinho de blog Ricardo Setti, é um livro que tem a ambição de, sem perder o tom de bate-papo, dar conta de tudo que diga respeito ao mundo do entrevistado – vida literária, política, politicagem, sexo, visão de mundo, rotina de trabalho. A meta é atingida com folga. Admirador e conhecedor da obra de Vargas Llosa, Setti, jornalista do primeiro time, se vale dessa condição para deixar o entrevistado à vontade, mas não permite que ela lhe exclua da pauta nenhuma pergunta embaraçosa. Nem mesmo sobre a famosa briga com o ex-amigo Gabriel García Márquez – o único tema que leva Vargas Llosa a desconversar. Ampliação de um volume lançado em 1986 pela Brasiliense, com a inclusão de conversas que os dois tiveram no fim do ano passado, o livro traz uma visão panorâmica da cabeça do escritor peruano e é cheio de passagens preciosas para quem escreve ou gostaria de escrever – como na amostra abaixo: Como começa um livro? – Bem, primeiro de tudo é um ‘fantaseo’, uma espécie de especulação em torno de certo personagem ou certa situação, algo…

Pop Literário de Sexta: ‘O jogador’
Pelo mundo / 16/12/2011

O filme “O jogador” (1992), de Robert Altman, satiriza a indústria cinematográfica americana na pessoa de um produtor tão cheio de talento quanto desprovido de caráter, vivido por Tim Robbins. Mas sobra para quem escreve também, como o roteirista “artístico” interpretado pelo britânico Richard E. Grant, visto aqui em toda a glória de seu pitch, a tentativa de vender um roteiro ao establishment em poucas palavras, à mesa de um restaurante. Curiosidade: a cena ganha certo tom metalinguístico quando se sabe que “O jogador”, adaptação de um romance, foi roteirizado pelo próprio autor, Michael Tolkin. Um ótimo fim de semana para nós. httpv://www.youtube.com/watch?v=sxDHMspVzsQ&feature=player_embedded

Ian McEwan de volta à Flip e outros links
Pelo mundo / 14/12/2011

O escritor inglês Ian McEwan, uma das estrelas da edição 2004, estará de volta à Festa Literária Internacional de Paraty em 2012. “Se não será necessariamente ‘maior’ do que a criada em 2004, a expectativa com a vinda de McEwan para a Flip 2012 deve (…) ter um lastro ao mesmo tempo mais sólido e diverso”, diz o curador Miguel Conde, em post publicado hoje no site do evento, referindo-se ao fato de o autor, na época, ser conhecido do público brasileiro quase exclusivamente pelo sucesso do romance “Reparação”. Não precisava se incomodar. É verdade que a obra de McEwan não é só “Reparação”, mas este romance permanece como seu ponto mais alto – tão alto que já justificaria a repetição do convite. Com o americano Jonathan Franzen, estreante na festa e também já confirmado, o escritor inglês monta um meio-campo literário de peso como há anos não se via. Se “Liberdade”, de Franzen, andou sendo saudado por aí como “o livro do século”, considero “Reparação” um candidato muito mais respeitável a essa hipérbole – desde que sejamos capazes de abstrair o quanto ela tem de tolinha, claro. Para outras novidades da Flip 2012 anunciadas hoje, clique aqui. * O…