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O blog é meu, ninguém tasca, eu vi primeiro!
NoMínimo / 19/02/2009

De vez em quando eu dou para os outros, vocês, o endereço informático e depois me arrependo. Um blog ainda contém certos resquícios gutenberguianos. Feito a revista que a gente assina, recebe em casa e não empresta para ninguém, nem deixa exposta em cima de coffee table na sala de visitas. Nós, ou ao menos este criado que vos fala, quer exclusividades. Não estou aqui também, sou franco, para dar hit e page impression para malandro nenhum. Podem me fazer de dado estatístico, mas minha alma informatizada, nem que seja apenas para as aparências, continua sendo minha, só minha. Ivan Lessa encontra paralelos insuspeitados entre o papel e a tela do computador. Imaginei um conhecido meu, com seu português de legenda de filme, interpelando o homem: “Mas, senhor Lessa, a internet é sobre compartilhando!” Mas fiquei bem curioso para saber: será que mais alguém aí tem ciúme e sentimentos de posse em relação a seus blogs favoritos?

A recusa de um manuscrito em 99 versões
NoMínimo / 17/02/2009

O livro mais engraçado que leio em um bom tempo é o recém-lançado “A arte de recusar um original” (Rocco, tradução de Pedro Karp Vasquez, 144 páginas, R$ 24), do escritor canadense de língua francesa Camilien Roy. A idéia é simples: Roy enfileira 99 cartas de recusa de originais, nos mais variados estilos, todas enviadas ao autor por editores a quem ele submeteu pelo correio o manuscrito de seu primeiro romance. Algumas dessas peças, supõe-se, devem ser baseadas nas que o autor de verdade recebeu um dia – como se diz no prólogo, ninguém, nem Proust, escapou disso –, mas o caráter furiosamente ficcional da brincadeira não demora a ficar claro. A vida real pode ser tão cruel quanto aquilo, sem dúvida. Mas não é tão divertida. Em meio a uma variedade quase inimaginável de tocos editoriais, do mais rebuscadamente insultuoso (“O pântano pestilento que lhe serve de cérebro, e do qual o senhor extraiu a inspiração para essa nauseabunda aberração, me paralisa de desgosto”) ao mais cinicamente modesto (“Nossos recursos são insuficientes para enfrentar as responsabilidades decorrentes do estrondoso sucesso que lhe é predestinado”), passando por cartas em verso e em forma de peça teatral, aparecem de repente umas…

Começos inesquecíveis: Milan Kundera

Em fevereiro de 1948, o dirigente comunista Klement Gottwald postou-se na sacada de um palácio barroco de Praga para discursar longamente para centenas de milhares de cidadãos concentrados na praça da Cidade Velha. Foi um grande marco na história da Boêmia. Um momento fatídico que ocorre uma ou duas vezes por milênio. Gottwald estava cercado por seus camaradas, e a seu lado, bem perto, encontrava-se Clementis. Nevava, fazia frio e Gottwald estava com a cabeça descoberta. Clementis, muito solícito, tirou seu gorro de pele e o colocou na cabeça de Gottwald. O departamento de propaganda reproduziu centenas de milhares de exemplares da fotografia da sacada de onde Gottwald, com o gorro de pele e cercado por seus camaradas, falou ao povo. Foi nessa sacada que começou a história da Boêmia comunista. Todas as crianças conheciam essa fotografia por a terem visto em cartazes, em livros ou nos museus. Quatro anos mais tarde, Clementis foi acusado de traição e enforcado. O departamento de propaganda imediatamente fez com que ele desaparecesse da História e, claro, de todas as fotografias. Desde então Gottwald está sozinho na sacada. No lugar em que estava Clementis, não há mais nada a não ser a parede vazia…

Antropofagia
A palavra é... / 14/02/2009

A palavra antropofagia, que andou no noticiário esta semana, chegou ao português no século 19, por influência do francês, mas o membro mais antigo da família, antropófago, estreou em nossa língua em 1537. Foi o ano em que, com a grafia antropophago, ele apareceu na tradução que o matemático português Pedro Nunes publicou do clássico medieval “Tratado da Esfera” (Tractatus de Sphaera), do astrônomo Johannes de Sacrobosco. É curioso pensar que, apenas onze anos depois do nascimento oficial da palavra em nosso idioma, desembarcou no país para uma estada infernal o mercenário alemão Hans Staden. Capturado pelos tupinambás, povo antropófago, Staden viveu meses como prisioneiro deles. Escapou milagrosamente de virar refeição e, de volta à Europa, publicou na Alemanha em 1557 “A verdadeira história dos selvagens, nus e ferozes devoradores de homens, encontrados no Novo Mundo, a América”. Sucesso imediato de público, o livro é um dos mais saborosos relatos de viajantes europeus da época. O costume bárbaro de comer gente, claro, não era novo – o latim tinha ido buscar a palavra no grego anthropo (homem) + phágos (que come) – mas as grandes navegações que estavam em curso davam uma atualidade sinistra ao termo. Poucas décadas antes, tinha…

Livros no celular… e sem sotaque
NoMínimo / 12/02/2009

Estava nu e do lado de fora do apartamento. Situação difícil em qualquer lugar do mundo. Mas aqui não é qualquer lugar. Aqui é o Rio de Janeiro. E no Rio é tudo praia, sol, Cristo, bunda, bala. Homem pelado aqui não é problema. – Que porra é essa, meirmão? O corredor vazio. Nove da manhã. Apenas o pelado e um careca. – Meu senhor, a porta bateu. Fiquei na rua. Compreenda. O sujeito ajeitou a calça e entrou no apartamento. Minutos depois, voltou com um calção vermelho. – Agora vê se não vacila. – Ô amigo, sem palavras. Despediram-se com um leve sinal de cabeça. O dia correu normalmente. O continho paródico acima, uma boa zoação com Fernando Sabino, chama-se O homem vestido e faz parte do livro “Histórias mal contadas”, de Bruno Germer e Maurício Azevedo. A novidade é que o livro está disponível para ser baixado gratuitamente e lido no celular, um dos sete títulos – todos inéditos – que a recém-criada Editora Plus, de Porto Alegre, lançou neste formato que os japoneses adoram. Enquanto as grandes casas editoriais não querem nem ouvir falar em livro digital, fingindo enquanto podem que o tempo parou, as pequenas se…

A volta das cartas manuscritas?
NoMínimo / 11/02/2009

Apesar da turbulência financeira, as vendas de canetas e papel estão disparando. Pode chamar de retro chic ou de esnobada nas engenhocas eletrônicas, mas as cartas e cartões estão vivendo um renascimento. E já era tempo, porque ninguém deixa de se impressionar com uma nota manuscrita. Hmmm, será? O excelente The Elegant Variation, onde eu achei o link para esse artigo do “Daily Telegraph” (em inglês, acesso gratuito), acha que ele pode ser mais a expressão de um desejo do que o retrato de uma tendência. Além de serem frágeis os fatos apresentados para sustentar a tese, eu confesso que não consigo me lembrar de ninguém que ainda escreva cartas à mão. Você consegue?

Cortázar redescoberto
NoMínimo / 10/02/2009

Na próxima viagem, sem dúvida, irei a Montparnasse, à Pont des Arts onde a Maga passeia, comerei a sopa de lentilhas de sempre do Pollydor onde, descubro hoje, se passa “62 modelo de armar”, um livro que não li. Mas aí já será uma outra Paris, soma fantasmagórica das que conheci em outros tempos e mais a dele, que, assim como quem não quer nada, voltou às prateleiras, às leituras, à vida. A redescoberta de Julio Cortázar em Paris inspira uma bonita crônica de Paulo Roberto Pires em seu blog no site da “Bravo!”

Começos inesquecíveis: Ralph Ellison

Sou um homem invisível. Não, não sou um fantasma como os que assombravam Edgar Allan Poe; nem um desses ectoplasmas de filme de Hollywood. Sou um homem de substância, de carne e osso, fibras e líquidos – talvez se possa até dizer que possuo uma mente. Sou invisível, compreendam, simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver. Tal como essas cabeças sem corpo que às vezes são exibidas nos mafuás de circo, estou, por assim dizer, cercado de espelhos de vidro duro e deformante. Quem se aproxima de mim vê apenas o que me cerca, a si mesmo, ou os inventos de sua própria imaginação – na verdade, tudo e qualquer coisa, menos eu. Assim começa o prólogo de “Homem invisível”, romance lançado em 1952 com grande sucesso por Ralph Ellison (Marco Zero, 1990, tradução de Márcia Serra) e em geral considerado o ponto mais alto da literatura negra americana – o que bem pode ser verdade, embora eu confesse um fraco pela prosa mais fina de James Baldwin. Quando se fala em romance de tese (como acredito ser o caso aqui, com um “homem invisível” e sem nome que simboliza todos os negros vivendo numa sociedade racista), é…

Maquiagem
A palavra é... / 07/02/2009

“Governo maquia PAC com inclusão de obras antigas”, anunciava a manchete principal do jornal “O Globo” de quinta-feira, 5 de fevereiro. Ilustrando a notícia, uma foto gigante de Dilma Rousseff com maquiagem pesada, penteado de cabeleireiro e colar de pérolas – uma imagem de glamour até então inédito da ministra da Casa Civil, talvez o ponto culminante do processo de “suavização” de sua estampa que, com mira na eleição presidencial de 2010, teve início no fim do ano passado. A graça dessa primeira página está na forma como texto e fotografia dialogam em torno do verbo maquiar, um francesismo que tem tanto a acepção positiva de cobrir de maquiagem com propósitos de embelezamento (sentido ilustrado pelo retrato de Dilma) quanto a negativa de mascarar, falsear (como o jornal afirma que o governo fez com o PAC). Os dois sentidos estão ligados: embelezar e fraudar são ações fronteiriças, separadas pela linha nem sempre muito nítida entre a boa e a má-fé. O curioso é observar que, no idioma em que a palavra nasceu, o primeiro registro do verbo maquiller com o significado de falsificar é de 1815, cerca de um quarto de século antes de surgir, no jargão do teatro, a…

Quando Nabokov não veio
Sobrescritos / 06/02/2009

Quando Vladimir Nabokov não veio ao Brasil, em 1921, foi como entomologista convidado da expedição que a Universidade de Cambridge, onde ele estudava, organizou para subir o Xingu ciceroneada por um já alquebrado Cândido Rondon, empreendimento ambicioso que reunia mais de oitenta profissionais entre cientistas, cinegrafistas, artistas plásticos, nobres entediados, adidos militares discretos e espiões da indústria farmacêutica – e que também acabou não vindo. Foi assim que Nabokov não avistou à beira de um córrego um belo e até então desconhecido espécime crepuscular da família Nymphalidae, que desse modo, num bater de asas, perdeu para sempre a chance de inaugurar uma subespécie batizada Nabokovia. Foi também naquele ano que o jovem Vlad não sentiu a tentação de trocar a vida sombria de exilado russo na Europa pela de russo maluco nos trópicos, nem decidiu se recuperar dos rigores amazônicos que não lhe subtraíram sete quilos da carcaça no embalo de uma rede recifense na praia de Boa Viagem, onde, como é natural, tampouco conheceu biblicamente uma prostituta de doze anos chamada Dolores. Entre as mais notáveis conseqüências desses não-fatos pode-se salientar a circunstância incontornável de que Nabokov também não aprendeu a escrever em português com uma excelência de estilo…

As cinco (ou seis) regras de Updike
NoMínimo / 04/02/2009

Dias de luto por John Updike, trezentas mil reportagens e artigos pipocando na internet, eu – que nunca fui fã do ficcionista, que li de forma incipiente e há muito tempo – me lembrei das ótimas (e pouco observadas) cinco regras para uma boa crítica jornalística que ele, resenhista prolífico, escreveu há décadas. Faz uns dois anos que esbarrei com elas e nunca esqueci. Resumindo (a íntegra, em inglês, pode ser lida aqui), trata-se do seguinte: 1. Tente entender o que o autor quis fazer, e não o culpe por não conseguir fazer aquilo que não tentou. 2. Transcreva trechos da prosa do livro em extensão suficiente – pelo menos uma passagem mais longa – para que o leitor da resenha possa formar sua própria impressão. 3. Confirme sua descrição do livro com uma citação do próprio, mesmo que só uma frase, em vez de fazer apenas um resumo vago. 4. Vá devagar com o resumo da trama, e não entregue o fim. 5. Se o livro for considerado deficiente, cite um exemplo bem-sucedido de outro que vá na mesma linha, seja ele tirado da obra do mesmo autor ou de outro. Tente compreender o fracasso. Tem certeza de que…

Millôr e o presidente do Senado
NoMínimo / 03/02/2009

Em homenagem à eleição de José Sarney para a presidência do Senado, tomo a iniciativa de republicar, para refrescar a memória das velhas gerações e implantar memórias fresquinhas nas novas, um dos textos em que, em 1988, em seu “quadrado” no “Jornal do Brasil”, Millôr Fernandes dissecou o livro “Brejal dos Guajas”, do imortal maranhense. Millôr não ficou nisso: a série crítica completa pode ser lida aqui. As opiniões divergem. Alguns brilhantes e cultos intelectuais (…) afirmam, audaciosamente, que Brejal dos Guajas é um livro. Eu garanto que não. É uma anedotinha “socialzinha” tolinha (já contada mais de um milhão de vezes) da briguinha de dois coroneizinhos de uma cidadezinha perdidinha no interiorzinho do Maranhão. O autor deve ter lido umas 20 páginas de Jorge Amado (Marli, que socialismo!) e umas cinco de Guimarães Rosa (Zezinho, que linguagem! E que difícil, Murilo!) e isso, claro, lhe causou uma indigestão na cabeça. Reacionário desde sempre, deve ter achado fascinante e lucrativo ser um escritor do povo. Sem jamais ter entendido a realidade em volta, naturalmente fundiu diante do realismo mágico. Incapaz de juntar sujeito e predicado em português escolar, se perdeu na aventura da linguagem que é Guimarães Rosa – e…

Começos inesquecíveis: Roberto Bolaño

2 de novembro Fui cordialmente convidado a fazer parte do realismo visceral. Claro que aceitei. Não houve cerimônia de iniciação. Melhor assim. 3 de novembro Não sei muito bem em que consiste o realismo visceral. Tenho dezessete anos, meu nome é Juan García Madero, estou no primeiro semestre de Direito. Não queria estudar Direito, e sim Letras, mas meu tio insistiu e acabei cedendo. Sou órfão. Serei advogado. Foi o que disse ao meu tio e à minha tia, depois me tranquei no quarto e chorei a noite inteira. Assim, com uma piadinha simples (“claro que aceitei”, “não sei em que consiste”) e no embalo aparentemente despretensioso do diário juvenil de Madero, aspirante a poeta, o leitor é suavemente puxado pela mão para dentro do monumental turbilhão de vozes e tramas que torna o romance “Os detetives selvagens” (Companhia das Letras, 2006, tradução de Eduardo Brandão), do chileno Roberto Bolaño, uma das obras fundamentais da literatura contemporânea.

Holocausto
A palavra é... / 31/01/2009

A palavra holocausto entrou no vocabulário de nossa língua no século 14. Vinha em última análise, depois de uma tabela com o latim, do grego holókaustos, “sacrifício ritual pelo fogo”. Mas isso se tornou uma espécie de pré-história do vocábulo depois que seu sentido dominante – já como nome próprio – passou a ser o genocídio dos judeus empreendido pelo regime nazista de Adolf Hitler. Não era a primeira vez que a palavra era usada em referência a massacres. Consta que, antes da Segunda Guerra, o brilhante orador Winston Churchill a tinha empregado para descrever o assassinato de um milhão de armênios pelo governo turco. Mas a escala inédita do extermínio de judeus europeus pelos nazistas exigia um nome próprio para marcar seu caráter único – um crime que, em relação a todos os outros pogroms que vitimaram judeus ao longa da história, era diferente “não só em grau de seriedade, mas em essência”, nas palavras da filósofa Hannah Arendt. Holocausto começou a ganhar esses contornos específicos como tradução do termo hebraico Shoah, “catástrofe”, que já em 1940 era usado para designar o massacre de judeus poloneses pelos alemães. Segundo dicionários etimológicos americanos, a palavra apareceu registrada com inicial maiúscula…

Sei lá, mil livros… (II)
NoMínimo / 30/01/2009

Crise séria no mercado editorial turco, o secretário-geral do sindicato nacional dos escritores aparece com uma proposta que, embora pareça fadada a ser ignorada pelo governo de lá, tem tudo para frutificar em certos setores da literatura brasileira: “Poderia ser um primeiro passo se o ministério (da Cultura) comprasse mil exemplares de cada livro publicado”. Atenção, isso é só uma notícia: depois não vão dizer que eu dei a idéia. Via blog de livros da “New Yorker”.

Prefácio do autor à edição portuguesa
NoMínimo / 29/01/2009

“Tudo aquilo que o malandro pronuncia com voz macia é brasileiro, já passou de português.” Assim cantava o grande Noel Rosa, um dos gênios da música brasileira, num samba-crônica dos anos 1930 chamado Não tem tradução. Apesar dos óbvios pontos de contato entre a canção – que diz a certa altura que “as rimas do samba não são I love you” – e o livro que você tem em mãos, não foram tais semelhanças que trouxeram o velho sambista para esta página. Noel está aqui para ser publicamente desautorizado diante do leitor lusitano. Porque o idioma falado no Brasil é o português, ponto. Um português à brasileira, claro, como não podia deixar de ser. No entanto, com todas todas as suas liberdades, ousadias, alfinetes espetados no umbigo, influências indígenas e africanas, plasticidade dos pronomes e paixão pelas vogais, nunca “passou de português” e não creio que algum dia passará. E por que deveria? Se a língua de Fernando Pessoa é estrangeira para mim, então já não sei quem sou – “fico sem poder ligar ser, idéia, alma de nome a mim, à terra e aos céus”. Da língua de Luís de Camões, com seus gerúndios de sabor tão brasileiro quanto…

John Updike (1932-2009)
NoMínimo / 27/01/2009

A morte de John Updike, hoje, aos 76 anos, de câncer no pulmão, deixa Philip Roth como o último remanescente dos Grandes Machos Narcisistas (obrigado, David Foster Wallace) que dominaram a literatura americana na segunda metade do século 20: Norman Mailer, morto em novembro de 2007, era o terceiro da trinca. Prosador excepcional e romancista por excelência do subúrbio americano, o narigudo Updike passou a vida criando alter egos mal disfarçados como Henry Bech e Rabbit Angstrom, homens solitários – ainda que às vezes (mal) casados – fixados em sexo. Escritor prolífico, foi também presença constante na imprensa como crítico literário. Dos cerca de cinqüenta livros que publicou, a Companhia das Letras tem 14 em catálogo. O mais recente deles, lançado ano passado, é “Cidadezinhas”. Aqui, em inglês, mediante cadastro gratuito, o obituário do “New York Times”.