Quem gosta de se sentir angustiado ao contemplar toda a montanha de livros que ainda não leu vai se divertir, mesmo que perversamente, com a lista de mil romances que “todo mundo precisa ler” publicada pelo “Guardian” na semana passada (em inglês, acesso gratuito). Bobagem, claro, como toda lista do gênero. A própria idéia de que existam mil livros de leitura “obrigatória” é absurda – seja porque, como diria Nelson Rodrigues, bastam dois ou três, seja porque a relação de cada leitor deve ser sempre profundamente pessoal e idiossincrática, sob pena de ser tão vazia quanto aquelas lombadas decorativas em estante de novo-rico. Mas vale uma olhada. Dividida em categorias temáticas, a relação exige fôlego do leitor, mas tem lá suas compensações. Como encontrar “Dom Casmurro” na prateleira Amor e “Grande sertão: veredas” na rubrica Guerra e viagem. Ou constatar que José Saramago só comparece com “Ensaio sobre a cegueira”, o que faz pensar sobre o papel espúrio desempenhado pelo celulóide numa lista que deveria ser só de celulose. Ou ainda ficar perplexo diante de nomes obscuríssimos (talvez apenas para o leitor brasileiro ou quem sabe para mim, acho que não importa muito nesse caso) e, naturalmente, imaginar quais são…
Mandei um garoto para a câmara de gás em Huntsville. Foi só um. Eu prendi e testemunhei contra ele. Fui até lá conversar com ele duas ou três vezes. Três vezes. A última foi no dia da execução. Eu não tinha que ir, mas fui. Claro que não queria ir. Ele tinha matado uma garota de catorze anos e posso te dizer hoje que nunca tive muita vontade de conversar com ele, muito menos de ir à sua execução, mas fui. Os jornais diziam que tinha sido crime passional e ele me disse que não havia paixão nenhuma naquilo. Andava saindo com essa garota, mesmo tão jovem como ela era. Ele tinha dezenove. E me disse que estava planejando matar alguém desde quando era capaz de se lembrar. Disse que se o soltassem ia fazer de novo. Disse que sabia que ia para o inferno. Disse isso para mim com sua própria boca. Não sei o que pensar disso. Não sei mesmo. Achei que nunca tinha visto uma pessoa assim e fiquei me perguntando se ele seria de uma nova espécie. Fiquei observando enquanto amarravam ele no assento e fechavam a porta. Ele talvez parecesse um pouco nervoso, mas era…
Não vai ser fácil. O lobby que o presidente americano Barack Obama atacou em uma de suas primeiras medidas depois de ser empossado, numa tentativa de estabelecer um novo pacto de transparência na administração pública, é uma tradição política americana – e provavelmente universal, embora a palavra que a designa tenha surgido em Washington – que, se acreditarmos que as coisas só passam a ter existência plena quando são nomeadas, tem exatamente dois séculos de idade. Para quem acha que a realidade precede a linguagem, a tradição do lobby é ainda mais antiga. No inglês americano, foi registrada pela primeira vez no distante 1808 – data do desembarque da família real no Brasil – a acepção de lobby como grupo de pressão ou atividade exercida por esse grupo, como forma de influenciar os políticos e obter vantagens para causas privadas, empresariais etc. O mais curioso dessa acepção é que sua origem é, por assim dizer, arquitetônica. A palavra inglesa lobby já tinha naquela época o sentido – que conserva até hoje – de vestíbulo, salão que fica na entrada de um prédio público. Sua origem era o latim medieval laubia ou lobia, de raiz germânica, com o significado primitivo de…
Depois de orgulhosamente confirmar as presenças de Carlos Fuentes e do historiador Simon Schama, a organização da Flip anuncia seu (provavelmente) maior trunfo, o português António (com acento agudo, pois não?) Lobo Antunes. Recluso, mal-humorado, irascível, o lobo solitário que escreve a prosa mais luxuriantemente musical do português contemporâneo costuma ser confrontado com seu compatriota José Saramago por quem acredita que só pode haver um vencedor nas batalhas infinitas da literatura. Eu, que não concordo com essa bobagem, só posso adiantar que a festa deste ano em Parati está ficando imperdível.
Quem assina a epígrafe desse convite virtual, com a venerável chancela da PUC-RJ, é a escritora brasileira Clarisse (sic) Lispector. O lado bom é que pelo menos acertaram o sobrenome. Não faltam Clarisses Linspector por aí.
As possibilidades democratizantes da internet estão acelerando a degeneração da esfera pública numa proliferação de nódulos insulares, cada um combatendo uma guerra que nunca poderá ser vencida. Não se vencem nem se perdem batalhas na rede. O que resta é uma política solipsista de EU, EU, EU: meus pontos de vista, minhas verdades, meus fatos, minha dor, minha raiva. Convencer os outros e mudar o mundo ficou esquecido em favor da perpetuação da perspectiva individual. O artigo escrito a quatro mãos por Keith Kahn-Harris e David Hayes para o Open Democracy (em inglês, acesso gratuito) parte da guerra virtual que Gaza acirrou, mas acaba tocando em alguns pontos que dizem respeito aos “debates de idéias” em geral na internet. Quem ainda não sentiu um profundo desalento e achou que perdia seu precioso tempo diante de uma discussão internética típica, ou seja, tão cheia de ofensas e certezas inabaláveis de parte a parte quanto vazia de argumentos? Mesmo aqui no Todoprosa, com suas taxas de civilidade muito acima da média, de vez em quando temos uma amostra do que parece ser uma – paradoxal? – vocação do meio para os múltiplos monólogos paralelos. A solução? Sei lá. Só não acredito que…
Positivamente, meu irmão foi acima de tudo um torturado. Sua tortura seria interessante se eu a explorasse com critério – mas jamais me preocupei com problemas do espírito. Belo para mim é um bife com batatas fritas ou um par de coxas macias. Não sou lido tampouco. A única atração que tive por livro limitou-se à ilustração de um tratado de educação sexual que o vigário do Lins fez o pai comprar para nosso espiritual proveito. Uma mulher nua, devorada por cobras e chamas, nas profundezas do inferno. Segundo o texto, era essa a imagem da luxúria e demais safadezas que atentam de uma forma ou outra contra os mandamentos da Santa Lei de Deus. O livro fez sucesso em nossas mãos. Cometeu-se muita masturbação por causa dele – algumas páginas ficaram emporcalhadas. Se não cheguei a tanto não foi culpa da mulher, bem merecia o pecado, culpa das cobras, sempre me inspiraram repugnância. Só creio naquilo que possa ser atingido pelo meu cuspe. O resto é cristianismo e pobreza de espírito. Assim começa “O ventre” (Alfaguara, 2008, 12.ª edição), romance de estréia de Carlos Heitor Cony, escrito em 1955 e finalmente publicado em 1958 pela Civilização Brasileira. É impressionante…
A Flip anuncia a vinda do escritor mexicano (nascido no Panamá) Carlos Fuentes, de 80 anos. Pela importância histórica, um cachorro grande em Parati. * Khaled Hosseini e Ken Follett foram os autores mais lidos do ano passado, numa consolidação das listas de mais vendidos de nove países (de fora da Europa, só EUA e China). Paulo Coelho aparece em vigésimo lugar. * “Cada sentença é tão simples e verdadeira quanto o sangue.” Hã? O nível estilístico não é grande coisa, mas o entusiasmo do crítico por The taker and other stories, de Rubem Fonseca (uma coletânea americana pinçada de diversos livros e puxada por “O cobrador”, com tradução de Clifford E. Landers), vale a leitura do texto publicado este mês na revista eletrônica Words Without Borders. * Da editoria de bizarrices divertidas: quando você imaginou que veria Gustave Flaubert lendo um trecho de “Madame Bovary”? E tem muitas outras animações (toscas, mas…) com escritores mortos de onde saiu esta. * Michel Laub voltou a blogar, o que é ótimo. Mas prefere se abster de juízos sobre autores nacionais – o que é compreensível e talvez até sábio, mas uma pena assim mesmo.
E enquanto os smartphones se tornam mais disseminados, em parte graças à popularidade do iPhone da Apple, também se espalham as ferramentas que facilitam para o usuário a tarefa de baixar um livro por uma fração do custo de adquiri-lo de outra forma. Usuários do iPhone e de seu primo, o iPod touch, baixaram as obras reunidas de William Shakespeare mais de 300 mil vezes da loja virtual iTunes, de acordo com a Readdle, a empresa novata baseada na Ucrânia que criou o aplicativo gratuito que torna isso possível. A seção de livros conta com cerca de setecentos títulos; sozinha, a Apple oferece também 72 audiolivros. Na guerra dos leitores eletrônicos, a tela pequena do iPhone não parece ter munição para enfrentar a do Kindle ou similares, mas há quem acredite que a multifuncionalidade do aparelho vai compensar tudo isso – como andamos comentando aqui em julho do ano passado. O artigo recente (em inglês, acesso livre) de Olga Kharif, da “BusinessWeek”, de onde foi extraído o trecho acima, reforça essa tese. Não deve ser por outra razão que editoras graúdas como Random House e Simon & Schuster estão entrando na onda. Não, eu não tenho um iPhone (ainda?) nem…
Você já sonhou que estava dentro de um livro, vivendo aquela história? Ou fora do livro, mas convivendo com seu autor? Chas Newkey-Burden, que escreve no blog de livros do “Guardian”, jura que já, e os comentaristas que reagiram à sua provocação sugerem que o fenômeno é menos raro do que eu imaginaria. O sujeito conta que foi a julgamento em “O sol é para todos”, tomou porrancas épicas com os personagens de Kingsley Amis e até esquiou em companhia de Shakespeare. Confesso que isso me deixou bem desconcertado. Que eu me lembre, e apesar de tudo o que já li, os sonhos nunca me levaram para dentro de livro nenhum. Será uma falha de caráter? De imaginação? Nesse departamento onírico-literário, mas em chave bem diferente, o máximo que eu posso relatar é o fato de ter escrito um romance inteiro num sonho especialmente realista e detalhado em que a felicidade que se seguiu ao ponto final (o livro era muito bom) foi proporcional à infelicidade de acordar e me descobrir incapaz de recordar uma única frase da obra-prima. Nada mais. O que é uma pena. Deve ser uma experiência e tanto perambular por Paris à procura da Maga. Ou,…
As livrarias pequenas ou decadentes eram as melhores. Sentimentalismo? Picas: ausência de câmeras. Esgueirava-se entre as estantes feito réptil, puro sangue frio em movimento. Sim, um lagarto. Com olho de ave de rapina para que nada lhe escapasse: localização da obra em foco, vendedores mais próximos, possibilidade de flagra por meio de traiçoeiros espelhos ou jiraus. Suích, suích, lá ia ele dobrando esquinas acolchoadas de best-sellers, iguana com olho de gavião e mente hiperativa de escritor. A obra em foco era sempre, de algum modo, a mesma: o último sucesso de um de seus companheiros de geração. Pareciam inesgotáveis seus companheiros de geração. E os sucessos que produziam. Acompanhava os lançamentos, pupilas estreitas esquadrinhando os cada vez mais anêmicos cadernos literários dos jornais. Para isso pelo menos serviam os pasquins: montava ali, à mesa do café, o roteiro das próximas investidas. Às vezes acontecia de esbarrar com seu próprio livro perdido em algum pé de estante empoeirado, entre ácaros e oblívio. Raro, raríssimo. Mas sempre doía. Seu bebê incompreendido, seu prematuro grotesco. Era vexaminoso encontrá-lo nessas incursões, geralmente escondido atrás de tomos impossíveis, um guia de montanhismo lapão, a autobiografia da stripper que foi sucesso década e meia atrás. Preferia…
Crítica construtiva, tudo bem, mas eu gosto mesmo é de elogio, disse o jovem escritor do momento. A platéia riu. A boutade é boa, retrucou da poltrona ao lado o escritor de meia-idade, seu momento perdido em algum ponto remoto dos anos 80, mas eu sempre achei que elogio é que nem doce. Uma delícia, e te enche de energia. Mas não faz crescer. Críticas têm proteína, elogios têm açúcar. O escritor jovem que se esbalda nos primeiros elogios, se lambuza neles, principalmente acredita neles, está se recusando a crescer. O jovem escritor do momento ficou lívido. As juntas de seus dedos descoloriram em torno do microfone. Quem se recusou a crescer foi você, cara. Como disse? Quem se recusou a crescer foi você, você é que se recusou a ir além daquela lengalenga sub-mautneriana de marginais heróis e nonsense que eu li quando tinha quinze anos, como era mesmo o nome, Minhocas do asfalto? Não, agora lembrei: A cidade e os cupins. Li com quinze, achei razoável, com dezesseis já achava um lixo. Foi você que não cresceu, você que fracassou. Tudo bem, pode ser que eu não dê em nada também, é altamente provável, aliás. Mas tenha pelo…
O problema de Demóstenes Bastião era que ele escrevia em preto-e-branco. Não num preto-e-branco estiloso ou expressionista. Num preto-e-branco cinza, cinza-e-branco, cinza-e-cinza. Chiadeira das mais invernosas, sua prosa era mais cacete que a palavra “cacete” usada como adjetivo, mais morrinha que um daqueles lençóis de vapor que uma vez por década envelopam o mundo por semanas, meses, sem chover nem sair de cima, até os canários virarem limo e os orgasmos, perebas. Desprovida de quaisquer efeitos poéticos, dramáticos ou cômicos que soassem minimamente autênticos, a prosa de Demóstenes Bastião era sem lustro, sem lastro, sem risco, sem gosto, sem gusto. Nada iluminava, nada movia. Movia-se, só, e penosamente. Era como se desafiasse o leitor a cada advérbio preciosista, a cada contorno de frase corretíssimo e vão: se você não desistir, não espere que desista eu. Renitente, isso não dá para negar que a escrita de Demóstenes Bastião fosse. Feito um vírus combalido que, de uma hora para a outra, ao descuido mais bobo, pode ser mortal. E aqui não se trata de metáfora, infelizmente. Consta que houve mesmo seis ou sete casos funestos. Está certo que o sujeito acabar de ler um livro de Demóstenes Bastião e morrer ali mesmo,…
O lançamento do livro de memórias “Pugnus” faz do professor Cecilio Giovenazzi, 78 anos, renomado latinista da Unicamp, nada menos que “o maior memorialista do onanismo no Ocidente”, nas palavras do crítico Teodoro Spitz: Dono de uma memória digna de desafiar a do caipira de Borges, e com a vantagem de borrifar perfeitas citações em latim pelo caminho, esse escritor profundamente original nos brinda com relatos épicos de uma vida dedicada ao squirt-n-spurt. Tão ricos são os episódios em detalhe, circunstância, iluminação, grau de intumescimento, têm as cenas um tal rendilhado de sentimentos e sensações que fazem empalidecer, por infantil ou tosco, o mais impudente cronista de bacanal. Na multiplicidade de sessões febris ambientadas em banheiros, cozinhas, salas de estar, cabines telefônicas, elevadores, escadas de serviço, confessionários – ou mesmo, temerariamente, ao ar livre, em praças, parques, piscinas, terrenos baldios, ruas desertas de madrugada, no meio da multidão –, o que em todos esses cenários se conta é uma bela história de amor-próprio. Os jorros reflexivos de Giovenazzi atingem insuspeitada altitude filosófica. “Então me digam que metáfora do solitário, pungente, imaginoso ofício de escrever pode, nesta vida cachorra, superar o velho manutigium?”, perora o autor. Um livro seminal. De Spitz…
O que mais nos deve inquietar no chamado “escândalo dos escritores Jerominho” não é saber que eles – todos os sete – se sujeitaram a este triste papel, assinar seus nomes numa literatura que, se tem um autor, esse autor só pode ser o falecido Jerônimo Mayrink. Como se sabe, os escritores Jerominho, cujos nomes a recente notoriedade do caso me dispensa de declinar, compraram – por dez mil dólares a unidade – um produto anunciado aos sussurros no submundo literário como espetacular, uma espécie de pedra filosofal dos escritores. A coisa cheirava a picaretagem de longe, só que, surpreendentemente, funcionou: até o escândalo estourar, todos os clientes de Jerônimo Mayrink eram vistos como autores sérios, entrevistados por jornais e TVs, fartamente lidos – isto é, lidos no clubinho dos leitores de ficção nacional, uma turma que poderia fazer assembléia numa Kombi, mas essa é outra história. Batizado de MUSA (Mayrink’s Ultimate Simulator of Authorship), o programa podia não ser barato, mas mostrou-se genial. Essa máquina de escrever ficção usa algoritmos para “alterar” a prosa de autores consagrados, embaralhar frases, trocar palavras-chave, fundir dois ou mais textos, enfim, promover uma remixagem geral. “É mais ou menos como preparar um carro…
Começou a escrever porque tinha quinze anos, porque ninguém parecia querê-lo por perto e porque o que ele mais desejava na vida era reencenar para o mundo o velho número do patinho que se revela cisne no final. Cinqüenta e cinco anos depois, pegando com a faca uma pasta rosada extraordinariamente suspeita, espalhando-a numa torrada quadrada de pacote e jogando tudo na boca de poucos dentes verdadeiros remanescentes, o escritor se lembrou de sua juventude, do princípio daquela ciranda maluca de ler, escrever, ser lido, ler, escrever de novo… Vinham chamá-lo para cantar parabéns, uma das três coisas que mais abominava no mundo; as outras eram dentista e – o quê mesmo? Tentou não parecer um perfeito débil-mental enquanto entoavam aquelas palavras hediondas, às quais sua idade acrescentava agora o pecado do cinismo: muitos anos de vida, essa era muito boa. Aos quinze anos, não era ainda sequer um escritor: ridículo ter saudade daquilo. E, no entanto, havia alguma coisa ali, no fundo do papel em branco, na relação da palavra com a coisa ou dele mesmo com a coisa, sabia lá ele, mas alguma coisa havia ali, sim, de belo e bom que se perdera por inteiro e que,…
Ele perguntou a ela por que ela escrevia e ela respondeu que escrevia porque tinha vontade, e ele falou, muita gente tem vontade, vontade não basta, e ela disse mas então você está me perguntando como eu consigo escrever, é isso?, e ele ficou em dúvida e ela, eu achei que você tinha perguntado por que eu escrevo e não como eu faço para escrever o que eu escrevo, aí ele ficou um tempo em silêncio e depois riu e disse tá certo, touché, então ela olhou para baixo e notou que ele estava se assanhando outra vez, ah, a juventude, tocou nele e disse, como se fosse um eco na caverna, touché, e pronto, começaram tudo de novo, e só bem mais tarde, de madrugada, o apartamento já quase sem provisões, quando estavam bebendo o vinho velho que ela tinha separado para cozinhar e sorvendo por um buraco na lata o leite condensado encontrado por milagre no fundo da despensa, aquela mistura sensacional de caldo ultradoce e vinho avinagrado, mas um bom vinho avinagrado, chileno, só então ela disse, com os olhos bem encaixados nos dele, eu escrevo porque isso faz homens bonitos e gostosos que nem você gostarem…

