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Pelé e a aura do livro

O mais famoso ensaio do pensador alemão Walter Benjamin, A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, pode ter algo a nos dizer sobre este momento em que o povo do livro se divide em tribos, todas em pé de guerra, diante do avanço do livro digital. Há os que acham que o livro de papel logo estará extinto – entre estes, uns festejam, outros choram – e há os que apostam a reputação em sua eternidade, dividindo-se, ...

Ronaldo Helal: ‘Brasil se crê o mais entendido em futebol’

Se a ficção brasileira, como a de qualquer país, parece tímida ao retratar nossa maior paixão esportiva (veja nota abaixo), não se pode dizer o mesmo da literatura em sentido mais amplo. A produção cultural em torno do futebol, que tem na crônica esportiva seu gênero mais tradicional, vem ganhando nos últimos anos a contribuição da universidade, especialmente na área de sociologia. Em entrevista por e-mail, um dos represen...

O Grande Romance do Futebol e outras lendas

Onde está o Grande Romance do Futebol Brasileiro? Por que nossos escritores perebas não conseguem fazer justiça a essa porção tão risonha e límpida da alma nacional? A questão vive rondando a fronteira entre a crítica literária e o departamento de vigilância da auto-estima brasileira. A cada Copa do Mundo, ressurge com ares de grande sabedoria para rechear cadernos literários, blogs e seminários. Convocados a explicar o fen...

CONTAGEM REGRESSIVA
NoMínimo / 11/06/2010

Paciência, pessoal. O novo Todoprosa, uma das atrações do novo Veja.com, voltará a ser atualizado em breve neste endereço. Até lá!...

Notícias de uma guerra literária
NoMínimo / 12/05/2010

Sob o título “Duas elites”, o “Rascunho” traz um bom artigo de Luiz Bras (mais conhecido como Nelson de Oliveira) sobre a guerra entre alta literatura e literatura de gênero. Trata-se – e o autor é o primeiro a admitir isso – de uma caricatura, um quadro em preto e branco que ignora “todas as gradações, todos os matizes”. Isso não diminui o valor do texto. Caricaturas são perfeitas para expor o ridículo de person...

Que livro você aprenderia de cor?
NoMínimo / 10/05/2010

No terreno cada vez mais batido da interatividade internética, o pessoal do Papeles Perdidos (em espanhol), blog do “Babelia”, encontrou um cantinho original: perguntar aos leitores que livro eles memorizariam para salvar do fogo, como se fossem aqueles heróis da resistência de “Farenheit 451”, de Ray Bradbury. Cerca de oitenta livros ganharam menção. O título mais citado, com oito votos, foi “Cem anos de solidão”. Em...

Começos inesquecíveis: Alejo Carpentier

De prata as delgadas facas, os finos garfos; de prata os pratos onde uma árvore de prata lavrada na concavidade de suas pratas juntava o suco dos assados; de prata as fruteiras, com três bandejas redondas, coroadas por uma romã de prata; de prata as jarras de vinho marteladas pelos artesãos da prata; de prata as travessas de peixe com seu pargo de prata inflado sobre um entrelaçamento de algas; de prata os saleiros, de prata os que...

‘Pornopopéia’ em Parati
NoMínimo / 06/05/2010

O escritor Reinaldo Moraes, autor do ótimo “Pornopopéia”, da editora Objetiva (leia aqui trecho publicado neste blog na época do lançamento), está confirmado na Festa Literária Internacional de Parati (Flip). Ainda não anunciado oficialmente, Moraes é o 18.º nome a garantir presença num elenco que tem como maiores estrelas Salman Rushdie, que já esteve na cidade em 2005, e Robert Crumb. Como Rushdie, Moraes também é rei...

Rimbaud e a maldição de ser ‘maldito’
Resenha / 05/05/2010

Acontece no roteiro das leituras como em qualquer tipo de roteiro, sentimental, profissional ou turístico: de repente o inesperado faz uma surpresa, como diria Johnny Alf. Foi assim, fisgado por uma espiada despretensiosa na primeira página, que suspendi a conversa com livros mais urgentes para dar cabo em dois dias do excelente “Rimbaud – A vida dupla de um rebelde” (Companhia das Letras, tradução de Marcos Bagno, 192 página...

Marçal Aquino: ‘A literatura é a minha casa’

Marçal Aquino é, no meu caderninho, o melhor contista brasileiro a surgir depois da geração de Luiz Vilela, Sérgio Sant’Anna e Sergio Faraco. Um cara como ele assinar os roteiros (em parceria com o também escritor Fernando Bonassi) de uma série da TV Globo – “Força-Tarefa”, que vai ao ar nas noites de terça-feira – traz imediatamente à lembrança a experiência da ótima série policial americana “The Wire” (2002...

A crítica de mal com a literatura
NoMínimo / 01/05/2010

O interessante artigo de Flora Süssekind publicado na última edição do Prosa & Verso, sob o título “A crítica como papel de bala”, investe contra o “conservadorismo” e o “beletrismo” que sua autora julga hegemônicos no atual cenário da crítica literária brasileira – ou talvez devêssemos chamá-lo de ambiente de recepção de livros, pois o pensamento crítico anda mesmo um tanto anêmico. Esse ambiente, argu...

Começos inesquecíveis: Siri Hustvedt

Ontem, encontrei as cartas que Violet escreveu para Bill. Estavam escondidas entre as páginas de um dos livros dele, de onde escorregaram e caíram no chão. Embora eu já soubesse da existência dessas cartas fazia anos, Bill e Violet nunca me contaram o que havia nelas. Contaram, no entanto, que minutos depois de ter lido a quinta e última carta, Bill mudou de idéia sobre seu casamento com Lucille, saiu pela porta do prédio da Gre...

Twitter, o maior clube de leitura do mundo
NoMínimo / 29/04/2010

Este artigo (em inglês) de Viv Groskop no site do jornal “Daily Telegraph” defende bravamente uma tese com a qual, para minha surpresa, estou cada vez mais de acordo: o Twitter é o “paraíso dos viciados em livros”. O texto invoca em seu apoio uma frase de Margaret Atwood, aliás, @MargaretAtwood, ela própria tuiteira: “Fui tragada pela Twittersfera como Alice pela toca do coelho” – 67 toques no original, 60 na traduç...

‘Solar’ prova que humor é coisa séria
Resenha / 28/04/2010

A indicação de “Solar”, o novo livro de Ian McEwan, para o prêmio britânico Wodehouse (homenagem ao escritor P.G. Wodehouse), dedicado exclusivamente à ficção cômica, é uma rara ponte sobre o abismo que parece estar se alargando no mundo inteiro – e certamente no Brasil – entre a “literatura séria” e o humor. “Solar” não é um livro de piadas e seu autor, definitivamente, não está para brincadeiras. Mas ser...

Wendy, Wendy
NoMínimo / 26/04/2010

A confirmação da cubana Wendy Guerra na Flip não poderia ofuscar a do lendário quadrinista americano Robert Crumb, mas, por razões alheias à qualidade artística, chegou perto. A autora de “Nunca fui primeira-dama” – seu primeiro romance traduzido no Brasil, a ser lançado esta semana – é uma ex-apresentadora de programa infantil de TV que já posou nua por amor à arte. É também uma escritora séria cujos romances perm...

Curiosidades etimológicas: Escambau
A palavra é... / 24/04/2010

O leitor Igor Felipe, do Recife, gostou da palavra “escambau”, que usei outro dia, e pergunta por seu “significado e origem”. “Desde pequeno escuto essa palavra mas só descobri sua grafia na sua coluna”, diz Igor, acrescentando já ter visto por aí as formas “iscambau”, “uscambau” e “scambau”. “Escambau” – grafada assim nos dicionários – é uma das minhas gírias antiguinhas de estimação. Leva a data...

Começos inesquecíveis: Gabriel García Márquez (II)

No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava um bosque de grandes figueiras onde caía uma chuva branda, e por um instante foi feliz no sonho, mas ao acordar sentiu-se completamente salpicado de cagada de pássaros. “Sempre sonhava com árvores”, disse-me sua mãe 27 anos depois, evocando os pormenores daquela segunda-feira ingrata...