Um post no blog de livros do “Guardian”, a propósito da recém-lançada edição temática da revista “Granta” sobre sexo, sustenta – meio a sério, meio brincando – que a masturbação é a última fronteira. Em outras palavras: que hoje, quando os leitores já não se chocam com quase nada, as imaginosas artes do amor-próprio sobrevivem como o último tabu literário. Segundo o autor do post, Chris Cox, muito pouca boa l...
1. Minha contribuição ao (bem-vindo) tsunami de informação provocado pela estréia iminente da “Alice” de Tim Burton, hoje na home de Cultura do iG: Inspiradas nas histórias orais que Dodgson improvisava para uma amiguinha real, Alice Liddell, de 10 anos, as aventuras de Alice são uma das obras capitais da literatura infantil, com tradução para 125 línguas. Mas são mais do que isso: a fúria com que seu autor, matemático ...
A Penguin australiana está recolhendo e destruindo 7 mil exemplares de um livro de culinária especializado em massas, “Pasta Bible”, por causa de um erro de revisão. Um erro gravíssimo: uma receita manda adicionar ao tagliatelle salt and freshly ground black people (“sal e pessoas negras recém-moídas”) em vez de black pepper (pimenta-do-reino)....
“Aloprado” é uma palavra exclusiva do português brasileiro que quer dizer “amalucado, desatinado” ou “agitado, inquieto”. Vem de “lorpa”, termo que, como “pascácio”, é hoje pouco usado mas designa com eloqüência cômica um idiota, imbecil, palerma. De “alorpado”, apalermado, se fez “aloprado” por meio de uma operação lingüística conhecida como metátese, que consiste no deslocamento de fonemas ou le...
O “avô dos e-books” (o honroso título lhe foi dado pelo “New York Times” neste artigo) chamava-se Bob Brown e viveu entre os anos 1930 e 1940 no Rio de Janeiro, onde fundou uma revista de negócios chamada “Brazilian American”. Seu nome completo era Robert Carlton Brown, nascido em Chicago em 1886. Trata-se de uma figuraça: autor de literatura popular, poeta, roteirista de cinema, jornalista, editor e artista de vanguarda...
Por falar em trailer de livro, taí uma coisa bela....
Um amigo me dá a notícia que, confirmada, seria um dos mais eloquentes sinais do fim do mundo como o conhecemos: “O Google Translate virou uma ferramenta perfeita!” Como assim? Até outro dia mesmo, eu me lembrava bem, a burrice cômica dos tradutores automáticos e os textos pedregosos e repletos de armadilhas que eles produziam eram parte da paisagem virtual. Pareciam indicar um limite claro – e provavelmente eterno – para a...
Este trecho de um atualíssimo ensaio do historiador americano Robert Darnton, intitulado O Google e o futuro dos livros e publicado no número de estréia da revista “Serrote”, dá uma boa idéia de por que o diretor da Biblioteca de Harvard é até o momento, das atrações já confirmadas pela Flip para depois da Copa do Mundo, a mais atraente: O que acontecerá se o Google privilegiar a lucratividade ao livre acesso? Nada, se eu...
A consulta vem do leitor Olney Figueiredo: Dá pra explicar o motivo do uso de “cachê” (do francês, “oculto”) como forma de pagamento de artistas? Na verdade, nosso cachê foi importado do francês cachet, que não guarda relação com o verbo cacher, “disfarçar, dissimular, esconder”. Embora possa sugerir a imagem de um pagamento envergonhado, feito na moita, o cachê não tem nada a ver com isso. A palavra cachet, cujas...
É divertido este artigo (em inglês) de Jeanette Demain na “Salon” sobre os resenhistas amadores da Amazon que detonam clássicos da literatura. O que poderia ser até saudável – a candura de um olhar leigo servindo para balançar certos consensos enferrujados da crítica acadêmica – acaba se tornando um espetáculo deprimente em que o analfabetismo funcional (ou, nos casos menos graves, literário) se cruza com aquela dispos...
Correndo para pegar daqui a pouco o vôo para São Paulo, onde lanço hoje à noite o “Sobrescritos” na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, publico alguns links que, mesmo mal passados, espero serem capazes de preencher a cota diária de todoprosismo dos mais inveterados todoprosistas: 1. Em sua coluna (em inglês) sobre questões éticas da vida moderna no “New York Times”, Randy Cohen considera perfeitamente legítimo baixa...
Usar a beleza feminina para vender produtos é a mais velha das idéias publicitárias. Curioso que seja tão pouco empregada para promover livros ou o próprio hábito da leitura. Não é evidentemente irresistível o apelo de uma imagem que junta dois dos maiores prazeres da vida? (Sim, queridas leitoras: este é um post de gênero. Fiquem à vontade para adaptar o argumento com, sei lá, Paulo Zulu lendo “Out of Africa”.)...
Espero vocês lá. Até quarta!...
A palavra smoking, nome daquele traje masculino formal, tem uma história curiosa. Nos EUA, onde a coisa foi inventada há 124 anos ao se suprimir a cauda do fraque, o nome da roupa é tuxedo – porque era esse o nome do clube em que foi lançada. Na Inglaterra, é dinner jacket. De onde terá saído o smoking? Veio da expressão smoking jacket, algo como “traje de fumar”. O processo de importar do inglês um adjetivo e tratá-lo c...
Um repórter italiano chamado Tommaso Debenedetti tem o hábito de fazer entrevistas fictícias com ficcionistas americanos – e, claro, vendê-las como verdadeiras aos jornais com os quais colabora. Philip Roth, que apareceu numa delas descendo a lenha no presidente Barack Obama (que na verdade apóia), foi o primeiro a descobrir a fraude. John Grisham e Gore Vidal vieram em seguida. Por enquanto, só Grisham declarou pensar numa aç...
Certo, todos nós amamos nossos lobisomens e vampiros, mas onde estão os novos monstros do nosso tempo? Onde estão os personagens que refletem a diversidade de nossas ruas e nossas vizinhanças? Quais são as histórias que acessam os terrores da vida moderna? A Campanha pelo Medo Verdadeiro, recém-lançada na blogosfera literária britânica, seria só uma bobagem – reação ao modismo tolinho de enfiar zumbis em todos os clássic...
Abaixo, a tradução caseira de um trecho publicado pelo “Guardian” de The good man Jesus and the scoundrel Christ (O bom homem Jesus e o canalha Cristo), o novo livro de Philip Pullman, que está sendo lançado depois de amanhã na Inglaterra. Na história, o autor de “A bússola de ouro” – primeiro romance de uma série best-seller cuja suntuosa adaptação cinematográfica foi interrompida após campanha da direita cristã ...

