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Promover a leitura é alfabetizar de verdade
NoMínimo / 18/11/2009

Diz o escritor argentino César Aira em entrevista à revista “Letras Libres”, aqui: Acho que a literatura não tem uma função importante na sociedade. Por outro lado acho que a literatura sempre foi e é e continuará a ser minoritária, para poucos. E acho que a literatura tem que ser opcional. Há muitos colegas meus pregando a obrigatoriedade da literatura. Fazer os jovens lerem. Não gosto disso. Na nossa sociedade tu...

Cafungadores e coveiros: vamos virar a página?
NoMínimo / 16/11/2009

Um maniqueísmo mais apaixonado que inteligente tem marcado as conversas sobre o livro eletrônico no Brasil, entre o pessoal que prefere morrer a abrir mão de uma cafungada no papel e o que prega simplesmente a morte do livro como o conhecemos. Nesse cenário, é uma boa notícia este artigo de Jerome Vonk, que o autor me enviou por email e que pode ser lido na íntegra em pdf em seu site. Não por conter novidades, mas por trazer um ...

Curiosidades etimológicas: Puxa!
A palavra é... / 14/11/2009

Todo mundo pode falar “puxa!”. Tem ótimo trânsito na família brasileira essa interjeição, faz tempo que vem se perdendo nela a memória da puta. Puxa vida! Vida cadela! Está no Houaiss: puxa, “forma eufemística do substantivo puta, tomada de empréstimo ao espanhol pucha (c1500) ‘eufemismo por puta; interjeição de surpresa, desgosto etc.’” Puxa é como cacilda, caramba, caraca, tabuísmos atenuados. De todos...

Um Nabokov ‘devastadoramente triste’
NoMínimo / 13/11/2009

Quem acompanha este blog começou a ouvir falar no ano passado do projeto de romance que o grande Vladimir Nabokov deixou rascunhado em 138 fichas antes de morrer, em 1977 – e que, de acordo com seu desejo, deveria ter virado cinza há muito tempo. Como se sabe, seu filho Dmitri descumpriu a ordem paterna. “O original de Laura”, sobre um escritor que decide morrer pelo processo inaudito de “autodissolução”, começando pelos ...

Diálogo entreouvido na fila do sopão
Sobrescritos / 11/11/2009

Imagine o processo de fazer um livro como se estivéssemos na indústria automobilística. Só faz sentido fabricar um carro se for para ele andar, certo? O livro também precisa andar, quer dizer, cumprir sua própria função. E qual é a função do livro, me diz? Vender? Que vender! Se fazer ler, é óbvio. Ser lido. Esta é a viagem, o passeio. Carros precisam andar. Podem se destacar por serem velozes, lentos mas confiáveis, eleg...

Reificação da hegemonia pós-capitalista é a…
NoMínimo / 10/11/2009

Uma divertida ferramenta da Universidade de Chicago, chamada “Monte sua própria frase acadêmica” (em inglês), permite a qualquer pessoa escrever sentenças tão boas quanto – ou melhores que – as de muitos pós-doutores cascudos. Ou seja, coisas inteiramente destituídas de sentido, mas com aquele ar hermético de altíssima sabedoria que é fundamental para enganar trouxas. Funciona assim: você escolhe quatro substantivos c...

Como escrever um grande romance
NoMínimo / 09/11/2009

A reportagem do “Wall Street Journal” (em inglês, acesso gratuito) pergunta a um punhado de escritores qual é sua rotina ao escrever. Previsivelmente, aparecem métodos, hábitos, rituais e manias de todos os tipos – ou alguém achou que o título deste post, que é também o da reportagem, anunciava um passo-a-passo de validade universal? De qualquer modo, é sempre interessante saber o que se passa na mesa de trabalho dos outr...

Curiosidades etimológicas: Hipócrita
A palavra é... / 07/11/2009

Recuando na história da palavra, vamos encontrar um parentesco entre o hipócrita (falso, dissimulado) e o adivinho grego, o hupokrites. De início, a palavra que hoje parece feita sob medida para letras de bolero designava um intérprete de sonhos, profeta ou vidente; em seguida, passou a nomear um ator, um comediante; por fim, o mentiroso genérico. De todos esses sentidos, o que transbordou para diversas línguas modernas, por meio ...

Eu vi o futuro, mas esqueci
NoMínimo / 06/11/2009

Este post ambiciona ser uma saudável ducha de humildade no caldeirão quente em que agora nos debatemos todos os que lidam com livros, da escrita à divulgação, empenhados – inevitavelmente, mas mesmo assim… – em prever o futuro do nosso negócio. Vale lembrar um axioma indestrutível: todas as grandes previsões sociais, econômicas e tecnológicas estão fadadas ao erro. Por definição, só o que não foi previsto pode a...

Demorou: novo Rubem tem clipe, twitter, e-book…
NoMínimo / 05/11/2009

O primeiro bom exemplo brasileiro de como serão os lançamentos de livros no nosso futuro (presente) digitalizado é o que cerca o “O seminarista”, título de estréia de Rubem Fonseca na Editora Agir, que sai neste sábado – simultaneamente em versão de papel, para Kindle (que o próprio autor já disse detestar, como lembra oportunamente Lauro Jardim) e iPhone. Não é só: desde ontem, no twitter da editora Agir, uma saraivad...

Apontamentos levianos para um ensaio gravíssimo: o anacoluto
Sobrescritos / 04/11/2009

O anacoluto, do grego anakólouthon, “o que não tem seqüência”, sem ele não vivemos. Quebra de estrutura, não exagera quem diz que o recurso está para a sintática como o non sequitur para a lógica. Eu, tanto faz que os conformistas do papai-e-mamãe gramatical riam de mim, apontando tropeços, gagueiras: o anacoluto para reproduzir na escrita o tumulto da vida não existe outro igual....

O livro, o celular e o mingau
NoMínimo / 03/11/2009

Uma empresa de pesquisa de mercado chamada Flurry acaba de anunciar (em inglês) que, em setembro deste ano, os aplicativos de livros para iPhone tomaram pela primeira vez dos aplicativos de games a liderança em número de downloads. A informação fica mais interessante quando degustada ao lado da reportagem (em inglês) que Joel Achenbach publicou na quinta-feira passada no “Washington Post”, sobre o futuro das narrativas longas ...

Curiosidades etimológicas: Bonito
A palavra é... / 31/10/2009

A história da palavra “bonito” prova que tem raízes mais fundas do que se imagina a identificação entre as idéias de beleza e bondade, que num exame superficial talvez tenhamos a tentação de atribuir a uma “ditadura estética” inaugurada pela cultura de massa e cujos arquétipos poderiam ser dois personagens de velhos filmes de faroeste: o mocinho de traços finos e o bandido abrutalhado com uma cicatriz na cara. No entan...

Crimes suecos, crimes brasileiros
NoMínimo / 30/10/2009

Por que não temos uma tradição de escritores dedicados à ficção policial? Logo o nosso país, com sua espiral incontrolável de violência urbana e enredos de crimes de fazer inveja às mentes mais febris. Tantos que basta esticar a mão e colher as histórias como se brotassem em árvores. Pode ser por isso? A gratuidade daquilo que permeia nosso cotidiano afastaria nosso interesse? As perguntas são feitas por Paulo Lima num art...

A mulher de Botero
Sobrescritos / 28/10/2009

João Pontes, o escritor, olhou um dia pela janela ao lado de sua mesa de trabalho, no nono andar de um edifício na Gávea, e viu na cobertura do outro lado da rua, bem à sua frente, entre vasos de planta, uma mulher de Botero. A visão o desagradou, como o desagradavam as mulheres de Botero. Mas logo João a decompôs numa ilusão de folhas amarelas e vasos escuros, tela nublada pela lâmina de vidro que tudo recobria, com seus refle...

Três endereços
NoMínimo / 27/10/2009

Duas estréias recentes ajudam a elevar o QI médio da internet brasileira em seu maltratado departamento cultural: os novos sites da editora Cosac Naify, que inclui um blog bastante esperto, e do Instituto Moreira Salles. E já que estamos nesse assunto, o também noviço blog da “New York Review of Books” é outro que vale uma visita....

Curiosidades etimológicas: Garnisé
A palavra é... / 24/10/2009

O nome desse galináceo pequeno e invocado, reizinho dos quintais de todo o país, de agitação inversamente proporcional à estatura, é um tributo ao cruzamento de culturas como forma de enriquecimento da língua. Pega bem lembrar a história do garnisé nesses tempos bicudos, quando anglicismos de todos os formatos vêm cantar de galo em nosso terreiro e dão a tanta gente a sensação apocalíptica de que o inglês, apesar das espo...