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A cidade imaginária de Marlowe
NoMínimo / 23/10/2009

– Toca pra oeste – disse ela – passando por Beverly Hills e em frente. Engatei a primeira e dobrei a esquina para seguir rumo ao sul até Sunset. Dolores sacou um de seus longos cigarros marrons. – Você trouxe uma arma? – perguntou. Descubro na “Paris Review” Daylight noir: Raymond Chandler’s imagined city, livro da fotógrafa Catherine Corman sobre a Los Angeles do escritor, legendado por trechos das histó...

Apontamentos levianos para um ensaio gravíssimo: o plausível
Sobrescritos / 22/10/2009

Na Flip, a pergunta de alguém da platéia se dirige a todos os que dividem o palco – Arnaldo Bloch, Tatiana Salem Levy e eu. E ficamos nos entreolhando, sem saber o que responder. Não me lembro textualmente da pergunta, mas a idéia era saber o que nós, escritores, fazemos para que nosso texto não soe falso, para que o leitor acredite naquilo, para que tudo fique, digamos, plausível. (Não sei se o autor da pergunta tinha lido al...

Apontamentos levianos para um ensaio gravíssimo: o fio
Sobrescritos / 21/10/2009

A boa escrita é a atualização, que parece se dar no ato mesmo da leitura, de um certo potencial literário da linguagem, coisa obviamente intangível: um jogo desesperado, uma dança sedutora, tapeçaria vaporosa de ritmos, vírgulas, climas e sabedoria vocabular lançada sobre um relevo concreto de topoi, de pressupostos culturais e sensoriais que compõem o território compartilhado por escritor e leitor. Um relevo de lugares-comun...

Apontamentos levianos para um ensaio gravíssimo: a barriga
Sobrescritos / 20/10/2009

O romance tem barriga. Se perdê-la, vira novela. A palavra barriga está carregada de conotações negativas que, no entanto, não quero absolutamente expressar. Pois é a barriga que torna o romance superior à novela: a imperfeição faz dele o veículo perfeito para a imitação literária (não necessariamente realista, é claro) da vida. Diante da barriga morna e fértil do romance, a novela é, no máximo, uma top model: linda, m...

Quando tudo parecia perdido…
NoMínimo / 19/10/2009

Achei “Cordilheira”, de Daniel Galera, um romance apenas correto – o que alguém poderia argumentar que não é pouco, e não é mesmo. Mas Paulo Polzonoff gostou muito mais. E assim começa finalmente, após longa espera e com menos semanas restantes em 2009 do que partidas na programação, mais uma edição da Copa de Literatura Brasileira....

Curiosidades etimológicas: Esculachar
A palavra é... / 17/10/2009

“Esculachar”, um dos verbos centrais da linguagem bandida de hoje, significa, como se sabe, baixar o cacete. Seu charme marginal lhe garante presença no vocabulário de um grande número de falantes urbanos, especialmente jovens. A maioria nem deve imaginar que se esculacha no Brasil faz tempo. Tudo indica que a palavra nos chegou com os imigrantes italianos no início do século 20. Sculacciare vem de culo e quer dizer dar palmada...

E-book à moda alemã
NoMínimo / 16/10/2009

Como se esperava, o livro digital é a grande estrela da Feira de Frankfurt – se não em vendas de direitos (o setor corresponde a apenas 1% do mercado livreiro dos Estados Unidos, país onde está mais avançado), pelo menos como centro das atenções do setor. É o que se conclui lendo a cobertura que o evento recebeu até agora. Com exceção do leilão pelos direitos de um livro que reunirá os apontamentos e diários que Nelson M...

Duas capas para ‘Lolita’
NoMínimo / 14/10/2009

Um concurso internético de melhor proposta de capa para “Lolita” (obsessivo, eu?), com 155 inscrições de 34 países, teve como vencedora a proposta à esquerda, de uma designer búlgara, que inova ao transferir o foco da ninfeta para Humbert Humbert, o tiozão – provavelmente um sintoma de nossos tempos politicamente corretos, ao recusar o ponto de vista do narrador papa-anjo para contemplá-lo de fora. Mas a derrota do criativ...

A inveja que move o mundo
NoMínimo / 13/10/2009

Quando Kelly de Souza, repórter da revista da Livraria Cultura, me procurou (e a outros escritores brasileiros) para perguntar que livro eu gostaria de ter escrito, não imaginei que aquilo fosse dar numa matéria tão interessante....

Frankfurt digital
NoMínimo / 12/10/2009

Sem mudar de assunto: a Feira de Livros de Frankfurt, o mais importante supermercado mundial de direitos literários, que começa depois de amanhã, também está preocupada com o livro digital: Metade dos profissionais do setor entrevistados pelos organizadores da feira estimou que a venda de livros digitais em 2018 será maior do que aquela de edições baseadas em papel. Os editores estão tentando descobrir um modo de ganhar dinheir...

Calma: o Kindle vai salvar os livros
NoMínimo / 10/10/2009

Dois dias seguidos, duas cidades distantes cultural e geograficamente, e a mesma preocupação: o Kindle – ou um similar – vai matar o livro (de papel)? Falando na Feira de Livros do Sesc Paraná, em Curitiba, quinta-feira de manhã, e na Bienal do Livro de Pernambuco, em Recife, ontem à noite, encontrei a mesma dúvida, a mesma angústia. E me espantei um pouco de descobrir o quanto essa questão não me preocupa. Sim, estamos viv...

Nobel para Herta Müller
NoMínimo / 08/10/2009

A vitória da ficcionista e poeta alemã (de origem romena) Herta Müller significa que, por dois anos seguidos, o Nobel de Literatura é concedido a um escritor premiadíssimo, respeitadíssimo, mas de reduzida projeção internacional, daqueles que pouca gente leu. Ano passado, para quem não se lembra (e é mesmo fácil esquecer), o ganhador foi o francês J-M.G. Le Clézio. Essa ignorância não é exclusiva de um Brasil periférico...

Começos inesquecíveis: Tolstoi é o campeão

Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. A força de aforismo e o jeitão de verdade universal do início do romance “Ana Karenina”, de Leon Tolstoi (tradução de João Gaspar Simões), conduziram o escritor russo a uma vitória incontestável na eleição do começo mais inesquecível de todos os tempos. Como eu disse no já distante agosto de 2006, quando ele apareceu pe...

Vou ali e já volto
NoMínimo / 21/09/2009

Como a disputa agora é séria, e só elegeremos o melhor começo inesquecível de todos os tempos uma vez, que tal deixar a votação (no post abaixo) rolando por duas semanas? É o tempo que o Todoprosa vai tirar de folga. Dia 7 de outubro eu volto a atualizá-lo. Abraços a todos e até lá....

Começos inesquecíveis: uma seleção (final)

Herman Melville e Fiodor Dostoievski, nessa ordem, foram os mais votados da última rodada classificatória, com Miguel de Cervantes num honroso terceiro lugar. Chegamos assim à finalíssima dessa disputa sumamente desimportante – mas, espero, divertida – para eleger o mais inesquecível começo de romance de todos os tempos. Agradeço a todos os que participaram das rodadas classificatórias, animando a conversa muito além do que...

Na Bienal
NoMínimo / 19/09/2009

Esta é só para os leitores do Rio: amanhã, domingo, último dia da Bienal do Livro, estarei no Café Literário às 17h para falar, ao lado de Carlos Heitor Cony, sobre o tema “A política entre a ficção e a realidade” – no meu caso, leia-se “Elza, a garota”; no de Cony, leia-se uma obra inteira e, de forma mais diretamente ligada ao mote político, “Pessach: a travessia”. Quem quiser aparecer será muito bem-vindo. A...

À moda do Zózimo
NoMínimo / 17/09/2009

E a relação dos finalistas do Portugal Telecom, hein? Nos seis anos de existência do galardão (os quatro primeiros, é verdade, em âmbito apenas nacional), só um português – o luso-angolano Gonçalo M. Tavares, em 2007 – ganhou o primeiro prêmio. Tem muita gente apostando que chegou a hora de equilibrar um pouco mais o jogo....