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Carta ao bisneto
Sobrescritos / 16/06/2009

Meu querido Zeca, Por ocasião de teu aniversário de dúzia, ocasião tão venturosa quão promissora, endereço-te algumas palavras repletas das mais puras intenções. Teu bisavô não dura um ano; quando muito dois, se calhar, como imagino que saibas. Mas não transporei o Aqueronte naquela barca fatal sem antes deixar-te nesta margem um saquinho com as parcas pepitas que – garimpeiro inábil que fui, mas de longuíssimo curso –...

Começos (ainda) inesquecíveis: Italo Calvino

Não se sabe se Kublai Khan acredita em tudo o que diz Marco Polo quando este lhe descreve as cidades visitadas em suas missões diplomáticas, mas o imperador dos tártaros certamente continua a ouvir o jovem veneziano com maior curiosidade e atenção do que a qualquer outro de seus enviados ou exploradores. A primeira frase de “As cidades invisíveis”, obra-prima lançada em 1972 por Italo Calvino (Companhia das Letras, traduçã...

Palavra
A palavra é... / 13/06/2009

Segundo o site da BBC Brasil, a empresa americana Global Language Monitor (GLM), que mede a ocorrência de vocábulos na rede mundial de computadores, anunciou que a língua inglesa acaba de ganhar sua milionésima palavra: Web 2.0. A “descoberta” foi criticada por dicionaristas, mas nem chega a se qualificar como polêmica: sua falta de rigor fica evidente no fato de que Web 2.0 não é sequer uma palavra, mas uma locução compost...

Herr Donald
NoMínimo / 12/06/2009

Como alguém que aprendeu a ler – literalmente – com o Pato Donald, nas revistinhas que lançaram as fundações do império Abril, gostei de saber (via Arts & Letters Daily) que a decadência cultural do sobrinho de Patinhas e de todos os habitantes de Patópolis não chegou à Alemanha, onde ele continua sendo um gigantesco ícone pop. Mais engraçado ainda é descobrir que a tradução tedesca sempre fez de Donald um pato cul...

Reinaldo Moraes: ‘Pornopopéia’
Primeira mão / 10/06/2009

É difícil dar uma idéia, para quem não estava na área naquele momento, do que significou o lançamento do livrinho “Tanto faz”, de um então recém-balzaquiano Reinaldo Moraes, pela editora Brasiliense em 1981. Para nós, a quem cabia desempenhar o papel de “novíssima geração” do momento, era como se a história do desbunde de um bolsista brasileiro em Paris finalmente introduzisse na literatura brasileira uma sintaxe, u...

Duas penas e dois martelos
NoMínimo / 09/06/2009

Dois casos inteiramente desconectados levam a literatura aos tribunais. J.D. Salinger, o recluso autor de “O apanhador no campo de centeio”, está processando um escritor – aparentemente sueco, embora só se conheça seu pseudônimo, John David California – que escreveu um romance chamado 60 years later: coming through the rye. Programado para sair em breve na Inglaterra e nos EUA, o livro de California seria uma seqüência nã...

Começos (ainda) inesquecíveis: Gabriel García Márquez

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Muitos anos depois, quando lhe perguntassem por que o começo de “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez (Record, tradução de Eliane Zagury), um dos mais inesquecíveis de quantos possam ser assim chamados, demorou tanto a figurar naquela inesquecível se...

Algazarra
A palavra é... / 06/06/2009

“Eu tenho muitos filhos, e toda vez que o pai sai de casa, a meninada faz algazarra.” Foi o que Lula disse na Guatemala sobre os conflitos em seu ministério, centrados na insatisfação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, com alguns de seus colegas. Depois da declaração infeliz em que comparava a procura de uma caixa-preta no fundo do mar à prospecção de petróleo em águas profundas, a tirada da algazarra representou a...

Oficina literária ensina a escrever?
NoMínimo / 05/06/2009

Algumas questões parecem voar no ar dos tempos. O “Rascunho” que começou a circular nos últimos dias (ainda indisponível online) traz uma longa entrevista comigo em que, entre outros assuntos, o editor Rogério Pereira lança o da eterna dúvida sobre a eficiência das oficinas de criação literária na formação de escritores. Por coincidência, e guardadas algumas proporções, a mesma questão anima um ótimo artigo da “N...

O livro proibido de Tezza (final)
NoMínimo / 03/06/2009

Colocado no centro dessa fogueira de paspalhos, faço um apelo: por favor, não me adotem. Não sou um escritor de confiança. Cristovão Tezza, na “Gazeta do Povo”, comentando o caso do seu livro recolhido da rede escolar em Santa Catarina....

E o prêmio de maior perdedor vai para…
NoMínimo / 02/06/2009

Acho difícil entender por que alguém iria querer passar suas horas de leitura na companhia dos virtuosos, dos realizados e dos capazes quando o fracasso é tão mais interessante – e, infelizmente, muito mais comum. Hoje em dia nós os chamamos de anti-heróis (é mais educado), mas para mim eles sempre serão os perdedores da literatura. Gostei desta lista de grandes “perdedores” da ficção, publicada pelo BookForum e elaborad...

Começos (ainda) inesquecíveis: Graciliano Ramos

Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho. Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a composição literária convidei Lúcio Gomes ...

Bomba
A palavra é... / 30/05/2009

A bomba norte-coreana que explodiu no noticiário da semana traz em seu nome ecos da Grécia antiga. É do grego bómbos – uma palavra de origem onomatopaica, isto é, de imitação de um som natural – que provêm, no fim das contas, todas as bombas e bombs e bombes que tornam minado o vocabulário da maioria das línguas do mundo. Bómbos queria dizer na origem “estrondo seco, trovão”, sentido que passaria ao latim bombus (usa...

O livro proibido de Tezza
NoMínimo / 29/05/2009

O caso do recolhimento, pelo governo de Santa Catarina, de 130 mil exemplares do livro “Aventuras provisórias”, do catarinense Cristovão Tezza, depois de adquiri-los para distribuição na rede escolar em licitação do ano passado, está bem contado nesta reportagem do “Diário Catarinense”, que ouve todos os lados envolvidos na história. Inclusive uma professora que justifica a proibição com ataques morais ao livro – &#...

Quem quer ser um milionário?
Sobrescritos / 28/05/2009

Saudação, amigo de internet! Eu é Sr. Kumbundu Wahaha, um filho de extinto ilustre escritor Sr. Dr. Kuagananga Wahaha, maior de Nigéria. Meu pai tem sido assassinado em Dezembro passado ano, 2008, por fanáticos suportadores de ex-amigo então inimigo de letras, Sr. Tutu T. Pendengas, ilustre não este, bem bastardo como uma questão de fato. A razão que eu escreve, amigo de internet, meu extinto querido pai tem deixado soma de US$...

Noções de Alice
NoMínimo / 27/05/2009

Você já leu a contista canadense Alice Munro? Eu confesso que não, e convido quem tiver lido a se manifestar aqui nos comentários. O mais-que-prestigioso prêmio Man Booker International que ela ganhou hoje pelo conjunto de sua obra e “contribuição à ficção no cenário mundial”, concorrendo com nomes como Mario Vargas Llosa, V.S. Naipaul e Peter Carey, recomenda jogar logo alguma luz nas trevas da minha ignorância....

Pingos de ‘Leite’
NoMínimo / 26/05/2009

Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. São trechos lapidares como esse, prontos para ascenderem da página contingente que temos diante do nariz ao repositório atempo...