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Começos inesquecíveis: Jules Michelet

Certos autores garantem-nos que, pouco antes da vitória do cristianismo, se ouvia, ao longo das margens do mar Egeu, uma voz que dizia: “O grande Pã morreu”. Finara-se o antigo Deus universal da Natureza. Imaginava-se que, morta a Natureza, estaria morta a tentação. Durante tanto tempo perturbada pela tempestade, a alma humana ia enfim descansar. Tratar-se-ia simplesmente do fim do antigo culto, da sua derrota, do eclipse das ve...

Gripe
A palavra é... / 02/05/2009

Suína, mexicana, norte-americana – ainda não se chegou a um acordo sobre o nome definitivo que ganhará o surto de gripe que preocupa o mundo, provocado pelo vírus A/H1N1. O que se sabe com certeza é que a história da palavra atesta o quanto é antigo o contágio entre línguas. A epidemia de gripe que se espalhou pela Europa a partir da Itália, em 1743, provocou em seu rastro a disseminação de dois nomes para a doença: o fra...

Em pé ou deitado?
NoMínimo / 30/04/2009

Para quem se identificou com meu TOC brando em relação às lombadas que não sabem se sobem ou descem, essa estante, digamos, multidirecional do designer espanhol Jordi Milà pode ser uma solução. Em pé, deitado, mais ou menos? Que tal todas as alternativas acima? A Árvore da Sabedoria – é esse o nome da peça – tem engenhosidade e bastante charme decorativo, suponho, embora me incomode imaginar o quanto os livros pod...

A volta do ponto de exclamação!
NoMínimo / 29/04/2009

Scott Fitzgerald disse que usá-lo é como rir da própria piada! Mas agora ele vive uma renascença, segundo este post de Stuart Jeffries no blog do “Guardian”! E a culpa – adivinhem – está sendo atribuída mais uma vez à internet! (Vão acabar descobrindo que a gripe suína se espalha pelo Twitter!)...

Subindo ou descendo?
NoMínimo / 28/04/2009

Trata-se, sem dúvida alguma, da descoberta mais idiota e inútil que já fiz em minhas estantes. Resolvi compartilhá-la com os leitores por dois motivos: primeiro, me intriga que, sendo óbvio, o padrão tenha me escapado em tantos anos de convivência com livros; segundo, nunca se sabe que sentido ou proveito alguém poderá tirar de detalhes como esse. Mas depois não digam que eu não avisei: Na imensa maioria dos meus livros, os n...

Começos inesquecíveis: John Cheever

Esta é uma história para ser lida na cama de uma casa velha em noite chuvosa. Os cachorros dormem e os cavalos de montaria – Dombey e Trey – podem ser ouvidos em suas baias do outro lado da estrada de terra, para lá do pomar. A chuva é suave e necessária, mas não desesperadamente necessária. O nível dos lençóis freáticos se mantém equilibrado, o rio próximo é abundante, os jardins e pomares – é uma virada de estaç...

Patrimonialismo
A palavra é... / 25/04/2009

Ao fazer seu mea culpa no caso do uso abusivo pelos parlamentares de passagens aéreas pagas pelo contribuinte, o deputado Fernando Gabeira deu certa profundidade ao debate: “Agi como se a cota fosse minha propriedade soberana”, disse a Josias de Souza, da Folha de S.Paulo. “Confesso que caí na ilusão patrimonialista brasileira.” O uso do conceito de patrimonialismo, termo do vocabulário sociológico, é preciso. Estranho é ...

A cor do estrelismo é púrpura?
NoMínimo / 24/04/2009

A intrigante nota que o diretor de programação da Flip, Flavio Moura, publicou há poucos dias em seu blog sob o título “Proposta indecente” fala de um autor americano que fez exigências descabidas para vir à Flip – passagens de primeira classe para ele e seu assessor e 65 mil dólares de cachê. Discreto, Moura não dá o nome, mas adianta que o principal livro da figura ganhou um prêmio relevante há cerca de vinte anos, &...

O fim do Nobel? Sem essa, Arana!
NoMínimo / 22/04/2009

Quem se lembra da guerrinha cultural entre Europa e EUA iniciada de forma idiota pela Academia Sueca às vésperas da entrega do Nobel de Literatura do ano passado? Algumas conseqüências já se tinham feito notar, como esta, mas nada que se compare ao artigo infantil publicado neste domingo por Marie Arana, crítica do “Washington Post”, propondo simplesmente a extinção do prêmio. Seu argumento? Ah, em primeiro lugar (b...

Ballard e a matéria vivida
NoMínimo / 21/04/2009

Você escreve porque escreve, não porque tenha necessariamente algo interessante a dizer. Provavelmente escreve bastante bem, mas seu negócio é estilo, não substância, porque você nunca chegou a fazer grande coisa na vida além de escrever. O importante em Ballard é que ele tinha estilo e substância. Como escritores da estirpe de Joseph Heller e Kurt Vonnegut, Ballard pagou seus tributos à vida real, e sua literatura tinha prof...

Começos inesquecíveis: Mario Vargas Llosa

Da porta do La Crónica Santiago olha a avenida Tacna, sem amor: automóveis, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos flutuando na neblina, o meio-dia cinzento. Em que momento o Peru se fodera? Boa pergunta: em que momento? Antes ou depois do Brasil? Em busca de uma resposta, o leitor é convidado a atravessar as 790 páginas de “Conversa na Catedral” (Arx, 2004, tradução de Wladir Dupont), o terceiro ...

Republicano
A palavra é... / 18/04/2009

Houve um tempo em que o adjetivo republicano se opunha ao adjetivo monarquista. Mas quem é monarquista hoje em dia? Por falta de um adversário de peso, republicano se viu no papel de palavra sonora e respeitável (república existe em nosso idioma desde o século 15 e veio do latim res publica, isto é, coisa pública, o bem comum pelo qual zela o Estado) em busca de uma aplicação mais moderninha. Talvez tal disponibilidade ajude a ...

Elza em Parati
NoMínimo / 16/04/2009

Mais três autores brasileiros estão confirmados na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip): Arnaldo Bloch, Sérgio Rodrigues e Tatiana Salem Levy. Durante o evento, que vai de 1 a 5 de julho, eles participarão de um debate sobre pesquisa e invenção. O furo foi dado hoje pelo repórter Miguel Conde no blog Prosa Online. Só me resta confirmar a informação e dizer que considero essa mesa sobre “pesquisa e invenção&#...

Mala direta
Sobrescritos / 15/04/2009

Venho em nome de nossa empresa, a Write Right, oferecer nossos serviços diferenciados de soluções literárias com foco customizado nas necessidades de escritores situados em qualquer nicho mercadológico/estético/igrejístico. Dos minicontos aguadinhos aos grandes épicos pedregosos, da poesia formalista altamente ilegível às letras de música dããã de axé e pagode, nosso compromisso é agregar o máximo de valor às suas cria...

O poder da leitura
NoMínimo / 13/04/2009

Creio que pelo trechinho abaixo já dê para sentir a qualidade da resenha que o escritor Ernani Ssó publicou hoje sobre meu romance “Elza, a garota” em sua coluna no site gaúcho Coletiva.net. Quem acha que escritores valorizam elogios — mesmo ocos — acima de qualquer coisa não conhece o poder das leituras capazes de iluminar aspectos de um livro que se mantinham penumbrosos até para o autor: Não há uma simetria de...

Começos inesquecíveis: Miguel de Cervantes

Desocupado leitor: sem juramento meu embora, poderás acreditar que eu gostaria que este livro, como filho da razão, fosse o mais formoso, o mais primoroso e o mais judicioso e agudo que se pudesse imaginar. Mas não pude eu contravir a ordem da natureza, que nela cada coisa engendra seu semelhante. E, assim, o que poderá engendrar o estéril e mal cultivado engenho meu, senão a história de um filho seco, murcho, antojadiço e cheio...

Terremoto
A palavra é... / 11/04/2009

O terremoto veio da Itália. E não apenas no sentido imediato de ter abalado o noticiário da semana, mas no etimológico também. A palavra italiana terremoto, cunhada no século 13, é considerada pela maioria dos estudiosos a matriz do vocábulo português, que fez sua aparição por aqui já no século seguinte, e também do espanhol, todos com grafia idêntica. O inglês earthquake e o alemão Erdbeben são traduções literais de...