Clique para visitar a página do escritor.
Orwell: É a política, estúpido!
NoMínimo / 18/03/2009

Todos os escritores são vaidosos, egoístas e preguiçosos, e bem no fundo de suas motivações jaz um mistério. Escrever um livro é uma luta terrível, exaustiva, como um longo padecimento de alguma doença dolorosa. Algo que nunca se deve fazer, a menos que se seja movido por um demônio irresistível que não se pode compreender. Até onde nos é dado saber, esse demônio é o mesmo instinto que faz um bebê se esgoelar por atenç...

Notícias de ‘Elza’
NoMínimo / 16/03/2009

“Elza, a garota” (Nova Fronteira, 240 páginas, R$ 29,90), meu novo livro, começou a chegar às livrarias neste fim de semana e já nos próximos dias deve estar com boa distribuição nacional. Para quem ainda não sabe, trata-se de um romance histórico que mistura de forma pouco convencional pesquisa jornalística, ensaio e, claro, ficção para contar a tragédia de Elvira Cupello Calônio, codinome Elza Fernandes, uma menina d...

Começos inesquecíveis: James Baldwin

Estou em pé à janela de um casarão no sul da França enquanto a noite cai, a noite que me conduzirá à manhã mais terrível da minha vida. A primeira frase de “O quarto de Giovanni” (Giovanni’s room, Penguin Books, 1990, tradução caseira), novela lançada em 1956 por James Baldwin, está entre os começos mais singelos e perfeitos – no sentido de conjurar de saída um clima, uma voz e uma expectativa na cabeça do leitor ...

Marolinha
A palavra é... / 14/03/2009

E a marolinha de Lula era mesmo um tsunami, afinal. É fácil fazer piada com um erro de avaliação tão caudaloso, mas a própria eloqüência das imagens favorecidas pelo presidente da República torna isso inevitável. Opor o duplo diminutivo de uma pequena marola, isto é, ondinha ou ondulação natural do mar, a tsunami, nome japonês da vaga gigantesca provocada por tremores de terra ou erupções vulcânicas, é um exercício re...

Papo de mulher
NoMínimo / 13/03/2009

Este artigo de Katha Pollitt para a revista eletrônica Slate (em inglês, acesso gratuito), a propósito do livro A jury of her peers – American women writers, de Elaine Showalter, lida de forma inteligente e pouco previsível com um assunto que a moda dos estudos culturais transformou nos últimos tempos em algo bastante burro: a questão do gênero na literatura. O texto passa longe de defender a compartimentação do mundo em prat...

Literatura brasileira com merchandising (II)
Sobrescritos / 11/03/2009

“Das mais surpreendentes é a vida de tal faca: faca, ou qualquer metáfora, pode ser cultivada. E mais surpreendente ainda é sua cultura: medra não do que come porém do que jejua. Podes abandoná-la, essa faca intestina: jamais a encontrarás melhor que Tramontina.” *** “Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa – e qual defesa seria mais legítima? – logrei ser absolvido por cinco votos cont...

Literatura brasileira com merchandising
Sobrescritos / 10/03/2009

“Fui dar em Budapeste graças a um pouso imprevisto, quando voava de Istambul a Frankfurt, com conexão para o Rio, mas a impecável companhia aérea, além de não ter culpa pelo transtorno, ainda nos hospedou em um hotel de primeira qualidade no aeroporto aquela noite – grande Lufthansa.” *** “– Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córre...

Começos inesquecíveis: Mario Filho

Há quem ache que o futebol do passado é que era bom. De quando em quando a gente esbarra com um saudosista. Todos brancos, nenhum preto. Foi uma coisa que me intrigou a princípio. Por que o saudosista era sempre branco? O saudosista sempre branco, nunca preto, dava para desconfiar. E depois, a época de ouro, escolhida pelo saudosista, era uma época que se podia chamar de branca. Os jogadores claros, bem brancos, havia até louros n...

Banco
A palavra é... / 07/03/2009

Quando se diz que um banco foi ou está ameaçado de ir à bancarrota – e como se diz isso nos últimos meses, não? –, esbarramos numa sabedoria etimológica que, apesar de óbvia, o hábito mantém trancada no cofre da língua. É que o substantivo bancarrota, existente no português desde o século 16, foi importado do italiano banca rotta, que significa literalmente “banco quebrado”. Quase um século antes da bancarrota, e v...

Não vem por quê? Por que não vem?
NoMínimo / 05/03/2009

Foi anunciado ontem que o escritor dominicano-americano Junot Díaz, que tinha confirmado presença na Flip, desistiu da viagem. “Não se perde grande coisa”, já vejo alguns leitores dizendo, mas não se trata disso. O fato provocou um post interessante no blog de Flavio Moura, diretor de programação do evento, que eleva a um novo patamar a transparência (estamos em tempos de Obama, afinal) com que as negociações pré-festival...

O problema é o 'problema'
Sobrescritos / 03/03/2009

Qual é o maior problema da literatura brasileira? ( ) Os escritores não sabem escrever. ( ) Os leitores não sabem ler. ( ) Os críticos não sabem criticar. ( ) Os blogueiros se acham escritores. ( ) Os comentaristas de blog se acham críticos. ( ) Os críticos dos comentaristas de blog se acham. ( ) Os críticos dos comentaristas dos críticos dos comentaristas de blog… hã, onde estávamos mesmo? ( ) Ser brasileira demais. ( ) N...

Começos inesquecíveis: Henry James

A história havia nos prendido em suspense suficiente ao redor da lareira, mas exceto pela observação de que ela era horripilante, como, na véspera do Natal em um casarão antigo, qualquer relato estranho devia ser mesmo, não me lembro de nenhum comentário ter sido feito até calhar de alguém dizer que, em sua experiência, aquele era o único caso em que a aparição havia surgido para uma criança. O caso, devo mencionar, envolv...

Ditadura
A palavra é... / 28/02/2009

Ditabranda, o polêmico neologismo com que a “Folha de S.Paulo” se referiu ao regime de exceção instaurado com o golpe militar de 1964, é um trocadilho baseado na sonoridade da palavra e não em seu sentido histórico. O adjetivo “dura”, por mais que soe apropriado neste caso, nada tem a ver com ditadura além da sugestão que acidentalmente evoca. O termo existe no português desde o século 16 e veio do latim dictatura, ist...

Quando todo mundo acordar escritor…
NoMínimo / 27/02/2009

Peço licença para, correndo o risco de parecer obsessivo, citar mais um trecho do brilhante “O livro do riso e do esquecimento”, de Milan Kundera, que andou por aqui há pouco tempo. A atualidade destas palavras escritas em 1978 – muito antes, portanto, de haver sombra de internet no horizonte – tem algo de dolorosamente profético: Aquele que escreve livros é tudo (um universo único para si mesmo e para todos os outros) ou ...

NoMínimo, vida após a morte
NoMínimo / 25/02/2009

Para quem ainda se lembra com saudade do NoMínimo, eis uma página boa de visitar. O site se espatifou em meados de 2007, mas a cola virtual junta os caquinhos. Obrigado à Shirlei Horta pela lembrança....

Começos inesquecíveis: Javier Marías

Eu não quis saber, mas soube que uma das meninas, quando já não era menina e não fazia muito voltara de sua viagem de lua-de-mel, entrou no banheiro, pôs-se diante do espelho, abriu a blusa, tirou o sutiã e procurou o coração com a ponta da pistola do próprio pai, que estava na sala de almoço com parte da família e três convidados. Quando se ouviu a detonação, uns cinco minutos depois de a menina ter abandonado a mesa, o p...

Oscar
A palavra é... / 21/02/2009

A origem do nome da estatueta careca que a Academia de Artes e Ciências de Hollywood distribuirá mais uma vez neste domingo 22 é controversa. A tese mais aceita sustenta que, em 1931, uma funcionária comentou que o prêmio – até então sem nome – lhe lembrava seu tio Oscar. A observação teria sido presenciada por uma jornalista de fofocas hollywoodianas e, por meio de sua coluna, ganhado o mundo. Há até quem acrescente que ...