Clique para visitar a página do escritor.
Essa ironia que nos tiraniza
NoMínimo / 20/11/2008

Então como foi que a ironia, a irreverência e a rebeldia se tornaram debilitantes, em vez de libertadoras, na cultura sobre a qual a vanguarda de hoje tenta escrever? Uma pista pode ser encontrada no fato de que a ironia ainda está aí, maior do que nunca, depois de trinta anos como modo dominante de expressão dos artistas antenados. Não é um recurso retórico que envelheça bem. (…) Porque a ironia, embora prazerosa, tem um...

Beijos de língua em tempos bicudos
NoMínimo / 18/11/2008

Mario Vargas Llosa prevê (em inglês, acesso livre) uma fase áurea e “muito estimulante” para a literatura, agora que, em sua opinião, o mundo será inteiramente mudado por uma crise financeira que está “apenas começando”. O escritor peruano defende a tese de que “grandes traumas” estimulam a criatividade dos escritores. Isto é (ele não acrescentou, mas acrescento eu), dos que conseguem sobreviver. * Acho que não era...

Debate literário
Sobrescritos / 17/11/2008

Quem não gosta de João Stepanides é um jumento. Quem leva Manoel Tibúrcio a sério é uma anta. Quem nunca leu Carmen Clara é uma ameba lobotomizada. Quem não gosta de Manoel Tibúrcio sabe menos que a idiota da Carmen Clara. Quem leva João Stepanides a sério não vale o que come. Tibúrcio leva Stepanides a sério, logo merece morte lenta e excruciante. Stepanides não tem o menor respeito por Tibúrcio, mas comeu Carmen Clara....

América II
A palavra é... / 15/11/2008

Na semana passada falamos sobre o hábito que têm os americanos de chamar de América um país que, em nossa língua, é conhecido como Estados Unidos. Sem pretender lhes negar o direito de se referir desse modo a seu país, o argumento usado aqui foi o de que o português tem sua história, seu próprio jeito sedimentado ao longo de séculos, e ao não respeitá-lo corremos o risco de resvalar no servilismo cultural. Curiosamente, o r...

O baú de Thomas Bernhard
NoMínimo / 13/11/2008

Baús de escritores devem ser esquecidos no sótão, pegando poeira? Bom, depende do escritor. Esta notícia do “Austrian Times” (via blog de livros da “New Yorker”) tem tudo para deixar muitos leitores em alvoroço: será lançado ano que vem um manuscrito inédito do celebradíssimo austríaco (nascido na Holanda) Thomas Bernhard. Escrito em 1980, nove anos antes da morte do autor, com o título de Meine Preise – “Meus pr...

Afeganistão literário
NoMínimo / 12/11/2008

O prêmio Goncourt para o romance Syngué sabour, de Atiq Rahimi, anunciado segunda-feira, é a prova que faltava de que o atributo mais valioso para um escritor do Terceiro Mundo, hoje, é ser afegão. Exilado, claro. De Rahimi, li apenas a bela novelinha “Terra e cinzas”, lançada aqui em 2002 pela Estação Liberdade e mais tarde adaptada para o cinema por ele mesmo. O suficiente para saber que, nacionalidade da moda à parte, o ...

Carta aberta aos leitores da Copa
NoMínimo / 11/11/2008

Reproduzo aqui o comentário que publiquei no site da Copa de Literatura Brasileira, da qual sou um dos jurados este ano. Um reconhecimento de derrota que é ao mesmo tempo uma tentativa de salvar o que for possível. A luta continua. Caros, Enquanto minha resenha não vem (o que fazer, se já tinha me comprometido?), gostaria de explicar por que considero a Copa 2008 um fracasso. Divertida, pode ser, num sentido meio espírito-de-porco...

Começos inesquecíveis: Ricardo Piglia

Dá uma história? Se dá, começa há três anos. Em abril de 1976, quando é publicado meu primeiro livro, ele me manda uma carta. Com a carta vem uma foto, eu no colo dele: nu, estou sorrindo, tenho três meses e pareço um sapinho. Ele, em compensação, saiu bem na fotografia: paletó cruzado, chapéu de aba fina, o sorriso franco – um homem de trinta anos que olha o mundo de frente. Ao fundo, apagada e quase fora de foco, aparec...

América
A palavra é... / 08/11/2008

“Bem-vinda de volta, América.” A mensagem de um leitor do “New York Times” ganhou destaque no site do jornal no dia seguinte à vitória histórica de Barack Obama. É evidente que, mais do que o nome que os americanos dão a seu país, a palavrinha mágica América representa nessa frase um mito, um ideal de liberdade e oportunidade para todos – a corporificação daquele “sonho americano” que, de tão universalmente dif...

Dos poderes da ficção
NoMínimo / 07/11/2008

A ficção é tão boa ou melhor do que estudos acadêmicos em “representar e comunicar as realidades do desenvolvimento internacional”, concluiu um estudo conjunto da Universidade de Manchester e da London School of Economics, segundo notícia publicada ontem pelo jornal “Daily Telegraph” – em inglês, acesso livre. O argumento é que a ficção (o que, para efeitos do estudo, inclui poesia e dramaturgia) “não é compromet...

Michael Crichton (1942-2008)
NoMínimo / 05/11/2008

A família acaba de anunciar que o escritor americano Michael Crichton, autor de best-sellers como “Jurassic Park” e “O enigma de Andrômeda”, morreu ontem de câncer, aos 66 anos. Leia aqui (em inglês, mediante cadastro) a notícia no site do “New York Times”. Crichton foi fartamente traduzido no Brasil, com livros lançados por diversas editoras, mas sobretudo pela Rocco. Nos últimos anos, sua carreira estava em ...

Como se não bastasse, Obama sabe escrever!
NoMínimo / 05/11/2008

Barack Obama tem tudo para ser um grande presidente porque escreve muito bem. No blog de livros do “Guardian” de hoje (em inglês, acesso gratuito), o escritor Rob Woodard admite que pode haver deformação profissional em julgamentos desse tipo, mas não o suficiente para fazê-lo descartar o raciocínio. Em busca de precedentes históricos, cita entre outros Abraham Lincoln, que teria sido, em sua opinião, “um dos maiores escri...

‘Gente inteligente, de muito discernimento…’
NoMínimo / 03/11/2008

RASCUNHO: Recentemente, no blog do jornalista Sérgio Rodrigues, “Viva o povo brasileiro” foi o vencedor de uma enquete sobre o principal romance brasileiro dos últimos 25 anos. O sr. concorda com a votação ou escolheria outro livro? JOÃO UBALDO RIBEIRO: Uma pergunta dessa é novidade pra mim. Vou até anotar, porque gosto de elogio, gosto desse tipo de coisa (risos). Eu concordo (risos). Não sei se houve outro livro, é cedo p...

Começos (ainda) inesquecíveis: Graciliano Ramos

Eis um belo exemplo de como (não) começar um livro. Publicado em 20/6/2006: Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho. Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a sintaxe; prometi ao Arquimedes a co...

Afro-americano
A palavra é... / 01/11/2008

Barack Obama está perto de se tornar o primeiro presidente negro da história dos EUA. Ou o primeiro presidente afro-americano, dependendo do gosto do freguês – e o número de fregueses desse eufemismo, inclusive no Brasil, não parou de crescer sob a influência da onda politicamente correta emanada das universidades americanas nos anos 70 e 80 do século passado. A mesma onda que, em seus extremos de pedantismo, transformou mendig...

Jabuti.com
NoMínimo / 31/10/2008

Uma boa novidade marca o aniversário de 50 anos do velho Jabuti: a solenidade de premiação, daqui a pouco, em São Paulo, poderá ser acompanhada em vídeo pela internet a partir das 19h30 neste link. Além da entrega de troféus aos três primeiros colocados de cada uma das vinte categorias do prolixo prêmio (o que bastaria para encher a Sala São Paulo), serão anunciados os Jabutizões para os dois livros realmente laureados – ...

Por que Tezza ganhou o Portugal Telecom
NoMínimo / 30/10/2008

A vitória de Cristovão Tezza no Portugal Telecom, confirmada ontem à noite em São Paulo, foi uma das mais previsíveis da curta história do mais importante prêmio literário do país. Isso é chato? Não, isso é muito bom. Se, no método científico, a capacidade de sustentar previsões é prova fundamental da validade de uma teoria, no discurso sobre a literatura, que de científico não tem nada, previsões que se confirmam pod...