Clique para visitar a página do escritor.
Agora vai, né?
NoMínimo / 28/10/2008

Regozijai-vos, ó militantes do livro eletrônico! A apresentadora americana Oprah Winfrey decretou em seu programa de TV que o Kindle, o aparelho de leitura digital da Amazon, é uma maravilha: “Não sou uma pessoa de engenhocas eletrônicas, mas me apaixonei por esta aqui”. (Via blog de livros da “New Yorker”.) Depois que Oprah transformou Cormac McCarthy em best-seller, pôr um Kindle em cada lar americano não deve ser tão ...

A volta de uma pequena obra-prima
NoMínimo / 27/10/2008

Contos recontados – covers literários, talvez se possa chamá-los assim – por autores diversos para coletâneas comemorativas não estiveram em falta no recente centenário de Machado de Assis. É até possível que, no meio da oferta claramente excessiva, tenha passado despercebida uma ou outra maravilha que um dia, para o bem de nossa inteligência coletiva, teremos que aprender a valorizar. Mas pelo menos uma pepita eu posso apo...

Começos (ainda) inesquecíveis: Rodrigo Lacerda

Publicado em 10/12/2006: Eu, Valfredo Margarelon, subscrevo esta declaração no intuito de recolocar a justiça acima dos boatos e restaurar a fachada honrosa do brasão de minha família, sordidamente maculada por três elementos nocivos à ordem e aos bons costumes do reino inglês. Meu espírito simples, desabituado à lida com as palavras, vem a público para desmentir as ignominiosas calúnias feitas contra minha prima, Maria Marg...

Pacote
A palavra é... / 25/10/2008

O governo federal não quer que a medida provisória 443 fique conhecida como pacote. Nenhuma surpresa. Pacote é uma palavra de tom crítico que costuma ser mais favorecida pela imprensa do que por governantes. Usado no Brasil desde aproximadamente 1960, segundo o Houaiss, com o sentido de conjunto de medidas adotadas de um só golpe a fim de atacar um problema emergencial na área econômica ou política, não é de hoje que o termo c...

Frente e verso
NoMínimo / 24/10/2008

A web acaba de ficar mais inteligente com duas adesões quase simultâneas ao mundo virtual: Tina Brown com sua revista eletrônica, The Daily Beast, e Lúcia Guimarães, ex-“Manhattan Connection”, com seu site. Ao mesmo tempo, para nos lembrar que a guerra vai ser longa e difícil, uma idéia brilhante como a da Copa de Literatura Brasileira, que teve início promissor ano passado, corre o risco de atolar na lama das torcid...

Informação demais
NoMínimo / 23/10/2008

Autores que admiramos nunca devem ser tratados com intimidade excessiva – um risco sempre presente em nossa era de superinformação. Que Virginia Woolf, uma escritora e tanto, era também uma intelectual londrina enfarada e esnobe (com perdão da múltipla redundância) eu já sabia. Mas acho que preferia não ter ouvido isso corporificado em sua voz....

A epígrafe
Sobrescritos / 22/10/2008

Foram as poucas linhas daquela carta de recusa que fizeram Lúcio Nareba, lenda da blogosfera literária nacional, perder a cabeça. Não fosse o veneno destilado – gratuitamente, gratuitamente! – pela famosa editora Bia Escarpin, o adorável Nareba estaria entre nós até hoje, esvaziando dois engradados e meio de cerveja por dia às custas de seus admiradores mais jovens, fumando pelos ouvidos, coçando a bunda agressivamente como...

‘Seus ignorantes…’
NoMínimo / 21/10/2008

Sabe aquela guerrinha literária entre Europa e Estados Unidos, que a Academia Sueca abriu de forma um tanto cretina ao atacar os escritores da terra de Philip Roth? Pode estar se deslocando – o que, pensando bem, talvez estivesse nos planos europeus o tempo todo – para um campo de batalha mais interessante: o da lendária inapetência do mercado editorial de língua inglesa diante das traduções. Segundo um estudo da Universidade ...

Começos (ainda) inesquecíveis: James Joyce

Era uma vez um post publicado em 6/8/2007: * Era uma vez e uma vez muito boa mesmo uma vaquinha-mu que vinha andando pela estrada e a vaquinha-mu que vinha andando pela estrada encontrou um garotinho engrachadinho chamado bebê tico-taco. Seu pai lhe contava aquela história: seu pai olhava para ele através dos óculos; ele tinha um rosto peludo. Não deixa de ser uma prova de que não há palavras proibidas, apenas maior ou menor habi...

Vaca-fria
A palavra é... / 18/10/2008

Nas últimas semanas brilharam nesta página as palavras juros, crise e pânico. Como a histeria financeira ainda parece longe de passar, é hora de voltar à vaca-fria – expressão que quer dizer retomar algo deixado para trás no atropelo da conversa, mas que não se considera devidamente resolvido. No caso, retomar o saudável ecletismo do papo sobre termos de nosso vocabulário. Como, por exemplo, vaca-fria. “Voltar à vaca-fria...

De prêmios, jaguares e tigres
NoMínimo / 16/10/2008

O jornal português “Diário de Notícias” estranha o fato de não encontrar grande repercussão por aqui a vitória de um brasileiro na primeira edição do gordo prêmio da editora lusa Leya (para romance inédito, em português): A conquista do primeiro Prémio Leya pelo brasileiro Murillo António de Carvalho, autor do romance “O Rasto do Jaguar”, surpreendeu os portugueses. No seu país de origem a situação não foi muito...

Asimov e o Nobel de Economia
NoMínimo / 15/10/2008

Esta é para fazer a festa daquela turma de freqüentadores do Todoprosa (Tibor e Saint-Clair à frente) que leva a sério a ficção científica – como ela merece ser levada mesmo, por mais que a dinâmica anti-renascentista do novo século, com sua ultracompartimentação do mundo em gôndolas de supermercado, tente trancafiar o gênero num gueto. Numa das entrevistas que deu à imprensa americana no dia em que foi anunciado seu Nob...

A blogueira e o estruturalista
Sobrescritos / 13/10/2008

O DJ retrô contratado pelo shopping center enchia os corredores com a voz grossa de Renato Russo cantando “Eduardo e Mônica” quando a blogueira perguntou as horas ao estruturalista na fila do caixa da megalivraria. Mais tarde, ao se lembrar desse momento e observar que a trilha era simplesmente perfeita, ela o ouviria responder corado com a falta de prática que não, não, perfeita é você. Quando a blogueira o abordou, fingindo...

Começos (ainda) inesquecíveis: Ernest Hemingway

Post publicado em 1/10/2006: * Robert Cohn fora campeão de boxe na categoria dos pesos-médios em Princeton. Não pensem que esse título me impressione. Mas significava muito para Cohn. Os jabs em seqüência com que Ernest Hemingway (1899-1961) abre seu primeiro romance, “O sol também se levanta” (Bertrand Brasil, 2001, tradução de Berenice Xavier), são mais do que o começo de um livro. Desferidos em 1926, quando o autor tin...

O Nobel de Le Clézio e a regra idealista
NoMínimo / 09/10/2008

Se a notícia do Nobel de Literatura é recebida com certa frieza no Brasil, onde pouca gente leu o francês J-M. G. Le Clézio, 68 anos, a culpa desta vez não pode ser atribuída às editoras. A Brasiliense foi a pioneira, lançando “À procura do ouro” e o clássico “Deserto” – seu livro mais premiado. Depois vieram a Companhia das Letras, com “O peixe dourado” e “A quarentena”, e a Cosac Naify, com “O africano”...

Da série ‘Mark Twain tinha razão’
NoMínimo / 08/10/2008

Entraram em exposição há poucos dias num museu de Jerusalém 37 páginas saídas diretamente do inferno – tudo o que restou do diário do astronauta israelense Ilan Ramon, morto na explosão do ônibus espacial Columbia, em 2003. Ninguém sabe explicar como o caderno, encontrado em campo aberto no Texas, não virou fumaça como o resto da nave. Agora experimente pôr uma história como essa num romance, em chave realista, para ver ...

Apontamentos levianos para um ensaio gravíssimo: o fio
Sobrescritos / 07/10/2008

A boa escrita é a atualização, que parece se dar no ato mesmo da leitura, de um certo potencial literário da linguagem, coisa obviamente intangível: um jogo desesperado, uma dança sedutora, tapeçaria vaporosa de ritmos, vírgulas, climas e sabedoria vocabular lançada sobre um relevo concreto de topoi, de pressupostos culturais e sensoriais que compõem o território compartilhado por escritor e leitor. Um relevo de lugares-comun...