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O Modesto Diagrama Universal da Arte
NoMínimo / 26/08/2008

Para ser mais ambicioso, só se invadisse o terreno do divino. O diagrama acima busca dividir em tribos e agrupá-las em relação a eixos definidos por pares de valores opostos todos os praticantes de todas as formas de arte que jamais existiram. Ridículo, não? No entanto, depois que se começa a brincar com a idéia, não dá vontade de parar. Em nome da justiça é preciso esclarecer que o tal diagrama, atração de hoje no blog de...

Começos (ainda) inesquecíveis: Machado de Assis

Para que 2008 fosse o ano do homem também por aqui, faltava republicar este post de 3/9/2006: * AO LEITOR Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, cousa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na...

Nepotismo
A palavra é... / 23/08/2008

A notícia é excelente: o Supremo Tribunal Federal declarou ilegal o nepotismo, a prática de favorecer parentes com empregos públicos. Resta saber se isso bastará para extirpar uma crença tão trançada em nossa armação social – a crença no direito sagrado ao favorecimento, à mamata – que chega perto de constituir uma religião. A palavra nepotismo desembarcou no português no início do século 18. Vinha em última anális...

Nada será como antes
NoMínimo / 22/08/2008

Trechos dos romances finalistas do Booker poderão ser lidos – ou ouvidos – de graça no celular. Definitivamente, este é o ano em que o tradicional prêmio britânico decidiu desbundar de vez em forma e conteúdo: como comentado aqui, a “lista longa” dos finalistas inovou ao incluir um thriller assumido, “Criança 44”. Acessíveis por celular estarão apenas trechos dos livros da “lista curta”, a dos finalistas entre o...

Ponto-e-vírgula; morto?
NoMínimo / 21/08/2008

Num artigo recente para o “Boston Globe” (em inglês, acesso gratuito), Jan Freeman comenta a queda em desgraça do ponto-e-vírgula, que não vem de hoje. Segundo um estudo restrito à língua inglesa, sua incidência teria despencado de 68,1 para 17,7 (por mil palavras) entre os séculos 18 e 19. O século 20 não é mencionado, mas suponho que um levantamento semelhante encontraria esse sinal de pontuação – “que indica paus...

Ainda Kafka: a barata que não era
NoMínimo / 20/08/2008

A recente aparição de Franz Kafka neste blog, embora talvez motivada por interesses menores (de um crítico inglês, não meus, como se pode conferir aqui embaixo), teve pelo menos um efeito divertido: o leitor Eric Novello explorou num comentário certa ambigüidade semântica característica do português brasileiro para declarar: Nunca mais verei a barata do Kafka da mesma forma! Claro que a piada seria inviável se Gregor Samsa ti...

Deixadinha
Sobrescritos / 18/08/2008

Quando João começou a namorar Letícia, todo mundo apostava numa relação de um mês ou dois, três no máximo. Ficava por aí a média dele. Galinha famoso na rede do Leblon que ambos freqüentavam, João era medíocre no vôlei de praia, mas compensava a insuficiência atlética com uma condição de semicelebridade artística – advinda de sua inclusão numa antologia de jovens contistas, quatro anos antes – para ir ampliando u...

Começos (ainda) inesquecíveis: Franz Kafka

E já que falamos no homem… Post publicado em 23/9/2006: * Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado, viu que se transformara, em sua cama, numa espécie monstruosa de inseto. Eis o primeiro parágrafo de “A metamorfose” (Civilização Brasileira, tradução de Brenno Silveira, 5.a edição, 1988), do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Sem comentários....

Recorde
A palavra é... / 16/08/2008

A profusão de recordes batidos nos Jogos Olímpicos de Pequim e sua extensa cobertura põem em evidência uma dúvida de pronúncia que sempre acompanhou esse termo importado do inglês record. Afinal, devemos falar récorde, palavra proparoxítona, como a maioria dos locutores e comentaristas da TV? Ou, seguindo a recomendação de dez entre dez sábios, recórde, paroxítona? Trata-se de um caso clássico em que a língua da vida rea...

O que Kafka fazia no banheiro
NoMínimo / 15/08/2008

É mais enrolada do que parece a última polêmica “literária” européia, que põe de um lado uma tropa de críticos de língua alemã e do outro, sozinho, o acadêmico e escritor inglês James Hawes, que publicou ontem a biografia “Excavating Kafka”, sobre o escritor tcheco (aqui, em inglês, acesso livre). Sem ler o livro é impossível opinar sobre quem tem razão, se é que alguém tem, mas o resumo do arranca-rabo, em trê...

O pensamento voa, as palavras andam
NoMínimo / 14/08/2008

Gosto de livros de citações. Seria cômodo dizer que minha eterna busca de frases espirituosas sobre o ato de escrever, provocada pela necessidade de renovar pelo menos uma vez por semana a epígrafe do Todoprosa, me levou a uma convivência íntima com eles. Mas é mais honesto reconhecer que não foi essa a ordem dos fatores. Há um modo melhor e um modo pior de apreciar um livro desses. O pior é transformá-lo em algo próximo do ...

De Kindles e boitatás
NoMínimo / 12/08/2008

As conversas sobre o livro na era eletrônica, tema da reportagem que recomendei no post de ontem, têm muito a ganhar com esta nota do site nova-iorquino “Gawker” sobre o Kindle, a maior aposta – ao lado do Sony Reader – de quem acredita, discordando de Steve Jobs, que aparelhos eletrônicos dedicados à leitura vão revolucionar a indústria editorial em poucos anos: Já houve dezenas de supostas aparições, mas você ou algu...

Link para o ‘Link’
NoMínimo / 11/08/2008

O caderno de informática do “Estadão”, o Link, traz hoje, em quatro páginas, a mais completa e arejada reportagem que já vi na imprensa brasileira sobre todas as questões que envolvem o livro na era digital, assinada por Bruno Galo....

Começos (ainda) inesquecíveis: Will Self

Nem só de clássicos vivem os começos inesquecíveis. Post publicado em 11/3/2007: * Bull, um rapaz encorpado e musculoso, acordou certa manhã e não levou muito tempo para se dar conta de que, enquanto dormia, adquirira uma outra característica sexual primária: a saber, uma vagina. A vagina brotara atrás de seu joelho esquerdo, dentro da covinha macia e flexível localizada no ponto onde terminam os tendões. É quase certo que B...

Olimpíadas
A palavra é... / 09/08/2008

Quem não sabe que as Olimpíadas da era moderna, disputadas desde 1896, herdaram seu nome e seu ideal de confraternização dos jogos que se realizavam na cidade de Olímpia, na Grécia Antiga? No sítio arqueológico da velha Olímpia, tombado pela Unesco, a tocha é acesa de quatro em quatro anos antes de ser conduzida ao país-sede da vez. Mas o que eram aqueles jogos é algo pouco lembrado, mesmo em momentos olímpicos. O festival ...

Vallejo queria ser Bernhard
NoMínimo / 08/08/2008

Vallejo não consegue, salvo em uma ou outra passagem, fazer com que seus argumentos mereçam ser ouvidos como mais do que uma piada de mau gosto. Pior: não convence de que sua argumentação é tão sólida e fundamentada quanto a de um pré-adolescente. E não é que seus alvos mereçam muito crédito. (…) Só que a prosa de Vallejo é pobre demais para fazer valer suas idéias. Ora, da mesma forma que um ditador pode chegar ao...

Dan Brown, personagem de Umberto Eco?
NoMínimo / 07/08/2008

PARIS REVIEW: O senhor leu “O código Da Vinci”? UMBERTO ECO: Sim, sou culpado disso também. PR: Esse romance parece um subproduto bizarro de “O pêndulo de Foucault”. ECO: O autor, Dan Brown, é um personagem de “O pêndulo de Foucault”! Eu o inventei. Ele tem as mesmas fascinações dos meus personagens – a conspiração mundial de rosa-cruzes, maçons e jesuítas. O papel dos Cavaleiros Templários. O segredo hermétic...