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As quinhentas palavras de Nooteboom
NoMínimo / 17/07/2008

Passou a Flip, passou a ressaca da Flip, e eu me pego pensando insistentemente em algo que, no calor da hora, julguei trivial demais para comentar aqui no blog: o limite de quinhentas palavras por dia que o escritor holandês Cees Nooteboom se impõe. Convém deixar claro: o que me impressionou não foi a disciplina de Nooteboom, o fato de que ele se obriga a escrever todo dia, em qualquer estado de espírito. Isso é rotina de escritor...

O melhor livro e o pior sexo
NoMínimo / 16/07/2008

Sim, eu sei: Salman Rushdie levou dias atrás o prêmio de melhor Booker entre os Bookers, no aniversário de quarenta anos do prêmio, por “Os filhos da meia-noite” (Companhia das Letras, tradução de Donaldson M. Garschagen). Quem sabe agora eu perco o preconceito, tiro da cabeça que ele é só um epígono de “realista mágico” e dou uma chance ao homem. Alguém aí se anima a deixar na área de comentários uma recomendaç...

Enfim, o MacLivro Eletrônico
NoMínimo / 15/07/2008

Quem se lembra da esnobada que Steve Jobs, da Apple, deu no livro eletrônico depois que a Amazon lançou o Kindle? Disse o homem que sua empresa não se interessava por esse mercado porque “as pessoas não lêem mais” – e não estava falando da classe média brasileira. Na época, comentei aqui no Todoprosa que Jobs podia estar disfarçando, enquanto se preparava para lançar um aparelho matador. Acho que me enganei. Tudo indica ...

Começos (ainda) inesquecíveis: Marguerite Duras

Depois de um domingo flípico, esta retrospectiva volta ao lugar que é seu. O post abaixo foi publicado em 21/1/2007. * Certo dia, já na minha velhice, um homem se aproximou de mim no saguão de um lugar público. Apresentou-se e disse: “Eu a conheço há muito, muito tempo. Todos dizem que era bela quando jovem, vim dizer-lhe que para mim é mais bela hoje do que em sua juventude, que eu gostava menos de seu rosto de moça do que d...

Colarinho-branco
A palavra é... / 12/07/2008

A palavra composta colarinho-branco, que traduzimos do inglês white-collar, está tão associada à expressão “crime do colarinho branco” que deixa em segundo plano sua idéia de origem, que era simplesmente dividir os trabalhadores em dois grupos: de um lado os colarinhos-brancos, com terno e gravata, alto grau de escolaridade e salários gordos; do outro os blue-collar workers, o pessoal de uniforme, mal remunerado, encarregado ...

O maior intelectual do mundo?
NoMínimo / 11/07/2008

O religioso turco Fethullah Gülen venceu a eleição online de mais importante “intelectual público” do mundo, promovida pelas revistas – pesadamente intelectuais e ocidentais – “Prospect” e “Foreign Policy” (via Arts & Letters Daily). Todos os dez primeiros colocados são de países muçulmanos. Só na 11.ª posição aparece o primeiro do Ocidente, Noam Chomsky, vencedor da edição de 2005 do prêmio. Tom Nuttal...

Uma orelha para Diana Wurz
Sobrescritos / 10/07/2008

Ela leu: Diana Wurz escreve sustos, mastigando reticências como sucrilhos. Afaga tormentos, faz cócegas nos cânones, soluça anacolutos com uma graça súbita de bailarina imaginária. Humana, eis a palavra. Humanérrima. Em seus contos-relicários de sondar desvãos, de acender o sol, de entesourar momentos, atinge uma materialidade porosa e cheia de reentrâncias, ainda que cuidadosamente depilada, que denuncia sua filiação àque...

Pornografia em dois tempos
NoMínimo / 09/07/2008

“Tentei ser oswaldianamente pornográfico… folclorizam-me”, diz Xico Sá em seu blog, considerando incompreendida sua participação numa mesa flipesca que, também por causa da licenciosidade do cronista, o Todoprosa achou inesquecível. Só não entendi uma coisa: pornografia oswaldiana é folclore puro, Xico. Folclorizar o quê? Mas para quem não agüenta mais ouvir falar em Flip – eu, por exemplo –, boa mesmo é essa ...

Calote
A palavra é... / 07/07/2008

No dia em que for contada a história da crise econômica que, com maior ou menor força, aflige hoje o mundo inteiro, é provável que o primeiro capítulo seja dedicado a um calote, ou melhor, um megacalote: o das hipotecas subprime no mercado imobiliário dos EUA. Caída a primeira peça do dominó, os efeitos seguintes foram – estão sendo – complexos demais para resumir numa palavra, mas uma coisa é certa: o calote sempre volt...

Flip 2008: altos, baixos, médios
NoMínimo / 06/07/2008

A Flip 2008 teve altos, baixos e, sobretudo, médios, mas termina como um bom filme hollywoodiano: deixando no freguês a impressão de que, se a redenção do herói é possível, então existe justiça no mundo. O que, como se sabe, é apenas uma ilusão, mas disso também se vive. Se o colombiano Fernando Vallejo, rei dos marqueteiros, tivesse conseguido roubar a cena de um escritor sério como o holandês Cees Nooteboom, na tarde-no...

A Flic e a Clip
NoMínimo / 06/07/2008

Depois de Luiz Melodia chamar a Flip de “Flic”, foi a vez de Luis Fernando Verissimo, em sua primeira frase da conversa com Tom Stoppard, ontem à noite, chamá-la de “Clip”. Ao contrário do músico, o escritor percebeu imediatamente o erro e se corrigiu. Cáspite! Coincidência, com certeza. Contudo, cabe a conjetura: e se a letra cê estiver cavando um convite para o convescote?...

Aula de inglês
NoMínimo / 05/07/2008

Vou resumir aqui, mais em espírito que literalmente, o que foi a aula dada pelo dramaturgo inglês Tom Stoppard na mesa mais nobre da Flip, a das 19h de sábado. Aula? Sim, foi nisso que consistiu a primeira metade do programa, quando, depois de apresentado por Luis Fernando Verissimo, Stoppard pediu licença para ficar em pé no palco e passou a se dirigir diretamente ao auditório lotado, expondo uma espécie de cartilha de princípi...

O cabelo de Stoppard, segundo Gaiman
NoMínimo / 05/07/2008

A coisa mais notável sobre Tom Stoppard (deixando de lado toda essa história dele ser um gênio e tal) é que ele é vinte anos mais velho, e tem o mesmo cabelo que eu! Neil Gaiman, estrela da mesa de 11h45, sobre Tom Stoppard, estrela da mesa de logo mais, em seu blog pessoal (dica de Marcelo Tas). Ter se dado bem nos bastidores da Flip com Stoppard, um sujeito que ele quer ser “quando crescer”, é apenas um dos assuntos ...

O diálogo de Gaiman e Price
NoMínimo / 05/07/2008

Foi perfeita a mesa que reuniu Neil Gaiman e Richard Price. Além da qualidade da obra dos dois e da lucidez com que falam dela, acho que algumas questões de formato, digamos assim, ficaram bem claras. Em primeiro lugar, mesas com três convidados não funcionam. Dois é o número ideal para que cada um tenha tempo de dar o seu recado. Um, se o cara for uma grande estrela, tudo bem. Três é demais. Segundo: o mediador é mais importan...

O humor, o humor…
NoMínimo / 04/07/2008

O americano David Sedaris encerrou a programação de sexta-feira da Flip dando o que pensar. Depois da mesa gelada sobre uma certa (e nebulosa) “estética do frio”, Sedaris, mestre naquele tipo de humor bem americano em que o sujeito ri cruelmente de si mesmo antes de rir dos outros, conseguiu soar simpático até quando disse que, no Brasil, tinha dois desejos: comer carne assada em espadas (espetos de churrasco) e ver mac...

Começos inesquecíveis: Martín Kohan

O caderno de anotações estava aberto no meio da mesa. Tinha só uma frase escrita nessas duas páginas que ficavam à vista. Dizia: “A partir de que idade se pode comesar a torturar uma criança?” O fortíssimo começo de “Duas vezes junho” (Amauta Editorial, 2005, tradução de Marcelo Barbão), do argentino Martín Kohan, que comprei ontem na tenda montada pela Livraria da Vila em Parati, fez crescer meu inte...

Botequim em festa
NoMínimo / 03/07/2008

Pronto, aconteceu: a Flip 2008 teve sua primeira mesa para ser lembrada por muitos anos. “Você estava naquela mesa do Ovalle?”, muita gente perguntará ano que vem, dedicando então, em caso de resposta negativa, um olhar de pena ao interlocutor. E por que foi tão boa a tal Conversa de Botequim entre Humberto Werneck e Xico Sá, com mediação de Paulo Roberto Pires? Bom, qualquer tentativa de dissecar friamente esses mome...