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Enfim, o nosso Booker?
NoMínimo / 29/05/2008

A Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo vai lançar nos próximos dias o mais bem pago prêmio literário do Brasil. O Prêmio São Paulo de Literatura pagará R$ 200 mil para o melhor livro de ficção do ano, mais R$ 200 mil para o melhor livro estreante, também ficção. A primeira edição levará em conta livros de autores brasileiros publicados no ano passado. A quantia ultrapassa com folga os valores máximos de outras l...

Amazônia
A palavra é... / 29/05/2008

Assim como o estado da federação, a floresta que alguns gringos gostariam de internacionalizar deve seu nome ao rio. Tudo começou com um potamônimo, palavrão que quer dizer “nome de rio”. Coube ao explorador espanhol Francisco de Orellana, o primeiro a descer o Amazonas de ponta a ponta, rebatizar em 1542 aquele marzão doce – a princípio chamado pelos colonizadores, justamente, Rio Santa Maria de la Mar Dulce – de Rio (da...

Um escritor no hospício
NoMínimo / 28/05/2008

Os cursos de escrita, especialmente quando envolvem a palavra “criativa”, são os novos hospícios. Uma das coisas que se nota é que, toda vez que ligamos a televisão e um estudante enlouqueceu com uma metralhadora em algum campus dos Estados Unidos, é sempre um aluno de um desses cursos. Hanif Kureishi, autor do roteiro de “Minha adorável lavanderia” e do romance “O buda do subúrbio”, estava atacado em sua palestra no ...

Risoto de cavaquinha na Pomerânia
NoMínimo / 27/05/2008

Por que tenho de diminuir as minhas horas em frente à televisão e começar a ler alguma coisa? Não tem, não. Apenas deveria. Pela mesma razão que deveria comer menos cachorro quente e mais risoto de cavaquinha ao limão siciliano. Se livros são tão bons, por que ninguém dá bola pra eles? Não dar bola é relativo. Conheço um monte de gente que mataria por um conto, pularia no abismo por um poema. Quem não conhece os livros te...

Uma revolução em dez capítulos
NoMínimo / 26/05/2008

O jornalista Robert McCrum, que assumiu o cargo de editor de literatura do jornal inglês “Observer” em 1996 e acaba de deixá-lo, escreveu um artigo (acesso livre, em inglês) em que tenta explicar como e por que o mundo literário “virou do avesso” ao longo desses anos: Tudo isso foi alimentado por uma mistura explosiva de comércio global e tecnologia. Em termos simples, pode-se dizer que Amazon mais Microsoft é igual a uma ...

Começos (ainda) inesquecíveis: Charles Dickens

Todo domingo, o leitor encontrará aqui uma retrospectiva da seção mais querida do blog. O post de hoje foi publicado pela primeira vez em 30/6/2006. * Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo dian...

O choro de Saramago
NoMínimo / 23/05/2008

O link já anda circulando por aí, mas merece circular mais. José Saramago chorou quando terminou de assistir ao filme “Blindness”, baseado em seu romance “Ensaio sobre a cegueira”. Enquanto rolavam os créditos finais, disse que estava tão feliz quanto ao terminar de escrever o livro. O diretor Fernando Meirelles, ao seu lado, sapecou-lhe um beijo na careca. O alívio de Meirelles foi tão evidente que parece ter valido mais...

A ira implosiva de Fernando Vallejo
NoMínimo / 22/05/2008

Será que só eu achei uma chatice sem tamanho a iconoclastia marqueteira de Fernando Vallejo, escritor colombiano que virá à Flip? Vallejo tem despejado na imprensa brasileira vitupérios em série contra tudo o que se move: de Chávez a Uribe, do papa a Fidel, da Colômbia ao Brasil, de García Márquez ao que você quiser imaginar – isto é, se a essa altura o tédio não tiver congelado sua imaginação. Tudo com mão tão pesad...

Casal (gay)
A palavra é... / 21/05/2008

“Casal gay está certo?”, perguntam-me de vez em quando. Por trás da curiosidade lingüística, mal se esconde o desejo de encontrar no idioma um solo “natural” onde enraizar uma noção nada natural: a de que, se os pares homossexuais não têm sequer o direito legítimo à denominação de casal, outros direitos também não devem ter. No entanto, não há nada errado, do ponto de vista da etimologia, com a expressão casal g...

Mais polêmica: Machado, o enganador
NoMínimo / 20/05/2008

O Sr. Machado de Assis passa atualmente pelo mestre incomparável do romance nacional. (…) Mas é preciso romper o enfado que me causa este romântico em desmantelo, despi-lo à luz meridiana da crítica. Esse pequeno representante do pensamento retórico e velho no Brasil é hoje o mais pernicioso enganador, que vai pervertendo a mocidade. Essa sereia matreira deve ser abandonada. Está bem, pode ser que as polêmicas literárias...

Temporada de polêmicas
NoMínimo / 19/05/2008

Anda quente a temporada de quebra-paus literários. Primeiro foi a mãe de Michel Houellebecq, a senhora Lucie Ceccaldi, que decidiu se vingar do retrato ultrajante que o filho traça dela – sem sequer alterar seu nome – na hippie hedonista de “Partículas elementares”. Em sua recém-publicada autobiografia, “L’Innocente”, a encantadora velhinha de 83 anos promete, segundo o blog da revista “New Yorker”, ir às vias de...

Começos (ainda) inesquecíveis: Italo Calvino

A seção que se tornou a maior marca registrada do Todoprosa está perto de completar dois anos, mas não é só por isso que dou início hoje a uma retrospectiva dos mais inesquecíveis começos inesquecíveis. A razão principal é que os leitores que estão descobrindo o blog agora, no iG, merecem ser inteirados do que passou. Mesmo porque os começos são inesquecíveis mas não infinitos – embora sejam imortais enquanto durem. C...

O romance o que é?
NoMínimo / 17/05/2008

O romance é um gênero flexível, tolerante e magnânimo em que cabe tudo, menos o que é aborrecido. Tentar delimitá-lo ou direcionar seu curso carece de sentido histórico e evidencia apenas fanatismo intelectual ou um afã mercantil de notoriedade. O romance carece de regras. O romance é por excelência o último bastião da liberdade criativa do indivíduo. O romance é o território da fantasia, a imitação impossível da reali...

O acordo ortográfico é bom para o Brasil
NoMínimo / 16/05/2008

As reações assimétricas ao acordo ortográfico da língua portuguesa que têm se observado aqui e em Portugal dizem alguma coisa a respeito do abismo cultural sobre o qual a reforma busca construir sua pinguela. Do lado de lá do Atlântico, um abaixo-assinado online contra o acordo – e “em defesa da Língua Portuguesa”, naturalmente com ênfase no “Portuguesa” – chegou em duas semanas a 33 mil assinaturas, inclusive de i...

Inflação
A palavra é... / 15/05/2008

O que é, o que é? Nunca some por completo, corroendo devagarzinho nossas riquezas, mas só lhe damos atenção quando ameaça fugir ao controle e pôr a casa abaixo? É curioso que a inflação, mesmo tendo semelhança com uma colônia de cupins, seja representada por bicho tão diferente, o dragão, num dos mais vigorosos lugares-comuns da linguagem jornalística. O monstro mitológico é tudo o que o cupim não é – imaginário, g...

Notícias da Bolsa de Valores Literários
NoMínimo / 14/05/2008

Concordo com o crítico italiano Franco Moretti, autor do provocante A literatura vista de longe (Arquipélago Editorial, tradução de Anselmo Pessoa Neto, 160 páginas, R$ 34), um dos melhores lançamentos recentes na área, sobre o qual espero falar mais detidamente tão logo consiga digerir seus altos teores de novidade: o estudo de literatura tem muito a lucrar se absorver ferramentas e modelos das ciências exatas. (Relendo essa f...

O desastre de ganhar o Nobel
NoMínimo / 13/05/2008

A escritora inglesa Doris Lessing disse em entrevista a um programa de rádio veiculado ontem à noite em seu país (via The Independent, em inglês) que ganhar o Prêmio Nobel de Literatura de 2007 foi um “tremendo desastre” – se alguém tiver uma tradução melhor para bloody disaster, que obviamente não inclua o adjetivo “sangrento”, aceito sugestões. Ah, mas essa velhinha (88 anos) não está só fazendo tipo, ensaiando ...