(…) é evidente que ainda não se ressaltaram, conveniente e convincentemente, as qualidades que converteram a obra de Leonardo Sciascia em uma das mais importantes precursoras da profunda renovação da literatura policial ou romance negro que se produziu nas últimas décadas do século passado e que sobrevive até hoje. Às vezes, aliás, nem se recorda que, ao lado de autores como o brasileiro Rubem Fonseca e o americano Donald Westlake (em seu momento literariamente distantes entre si, mas conectados pelas exigências da época e o esgotamento de um certo tipo de escritura), Sciascia foi um dos encarregados de estabelecer, na década de 1960, os pressupostos estéticos e sociais do que seria a revolução conceitual que acabaria por conferir um caráter literário e social indiscutível à narrativa policial.
Foi uma surpresa agradável ver que, fazendo no “Babelia” do último sábado uma defesa do excelente Leonardo Sciascia, seu xará Padura – um autor cubano de quem li apenas o bom “Adeus Hemingway”, daquela coleção Literatura ou Morte da Companhia – acaba por trazer de cambulhada em sua vindicação um velho conhecido nosso.
4 Comentários
SR, você tem notícia de continuidade de publicação de Sciascia, e principalmente de John Fowles, pelo Alfaguara? Você já leu e gosta de John Fowles? Um abraço a todos.
Alfaguara, se liga: mais Sciascia!
Faço coro ao Carlos:
Alfaguara, se liga: mais Sciascia!
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Quanto á Agir: onde está o relançamento da Obra de Fonseca? Não quero mais a companhia da antiga editora…
O Sciascia é bárbaro. Bem que a Alfaguara podia reeditar os livros dele já publicados pela Rocco e publicar os inéditos em português. Quanto à “distância” literária entre o Rubão Fonseca e o Donald Westlake, lembro que ambos eram publicados pela editora Artenova nos anos 70. Acho que o Fonseca era uma espécie de consultor do Álvaro Pacheco (editor da Artenova), mas alguém teria que perguntar isto a ele. Lembram dos Vonneguts naquelas edições sem costura que se despedaçavam entre os dedos? E do fabuloso SOB O VULCÃO, do Malcolm Lowry? Pois é, tudo da Artenova, que sumiu no mundo.
Sérgio, outro artigo muito bom do Babelia de sábado passado é aquele sobre a nova literatura argentina. Chega a dar água na boca! E a grande novidade é uma escritora de 85 anos!!! Pode? Abraços.