Acontece no roteiro das leituras como em qualquer tipo de roteiro, sentimental, profissional ou turístico: de repente o inesperado faz uma surpresa, como diria Johnny Alf. Foi assim, fisgado por uma espiada despretensiosa na primeira página, que suspendi a conversa com livros mais urgentes para dar cabo em dois dias do excelente “Rimbaud – A vida dupla de um rebelde” (Companhia das Letras, tradução de Marcos Bagno, 192 páginas, R$ 35,00). Meu interesse por informações biográficas de artistas costuma ser escasso. Nada no mundo me faria percorrer, por exemplo, as quase 800 páginas do prestigiado “Genet: uma biografia” (Record, tradução de Alves Callado, R$ 92,90), do mesmo Edmund White, lançado aqui em 2003. Mas Rimbaud não é Genet – por mais que os dois possam ter em comum, além da nacionalidade francesa, a aura de malditos e a homossexualidade – e o livrinho sobre o pioneiro da poesia moderna não é bem uma biografia. “Rimbaud” é um perfil leve e livre, entre o jornalismo e o ensaio, conduzido pela inteligência e pela sensibilidade de White. Eu o li como um romance. Como quase todo mundo que se pretendia escritor, pelo menos na minha geração, devorei Rimbaud aos vinte anos e…

