O crítico inglês Terry Eagleton (foto) acaba de dar uma interessante entrevista para a revista acadêmica “The Oxonian Review” (em inglês, aqui). Nela apresenta uma visão extremamente negativa do atual estado dos estudos literários acadêmicos e dá um conselho seco aos “jovens críticos”: “Não é um bom momento para estar nas universidades”. Vindo de um nome fundamental da teoria literária britânica, o desabafo tem impacto. Na sua opinião, os jovens estudiosos de literatura sabem “discorrer de forma muito inteligente sobre o contexto de um poema”, sem no entanto ter a menor ideia de como “falar dele como poema”. Marxista, Eagleton tenta dar a esse desejo de restauração dos valores tradicionais da literatura uma roupagem progressista: trata-se, a seu ver, de recuperar para os críticos a relevância cultural dos grandes “intelectuais públicos”, em oposição ao que considera o conformismo reinante com o fechamento da academia em si mesma. Reagindo a uma provocação dos entrevistadores, o crítico traça então um limite para a autocrítica: afirma não acreditar que a razão do problema deva ser buscada numa suposta overdose de teoria dentro da universidade. Ela estaria no mundo lá fora, num miasma em que entram “a mídia, o pós-modernismo, o status da palavra…

