“Ficção completa”, de Bruno Schulz: O escritor polonês (1892-1942) ficou marcado pela sombra de Franz Kafka, que como ele era um judeu europeu desenraizado. A ligação entre os dois foi estimulada pelo próprio Schulz, que chegou a assinar uma tradução de “O processo” que não fez, mas tem valor dúbio. A verdade é que sua literatura de estonteante originalidade não deve nada a ninguém. O principal indício da diferença entre os dois escritores está no modo como tratam a linguagem. Em Kafka ela mantém uma superfície lisa, homogênea e próxima do tédio dos relatórios, enquanto a narrativa enlouquece por baixo. Em Schulz o enlouquecimento poético da prosa é o próprio espetáculo. Os dois são alucinógenos, mas Kafka é uma substância injetável e Schulz, uma bebida de estalar a língua e lamber os beiços (leia mais). . “O espírito da prosa”, de Cristovão Tezza: Livro corajoso e único no cenário brasileiro, em que um escritor de sucesso reflete sobre sua formação, expõe dúvidas e fraquezas e defende teoricamente suas escolhas estéticas no quadro histórico da prosa de ficção. Tezza faz uma defesa enfática de algo que grande parte de nossa inteligência literária tem gostado de tratar como defunto, muitas vezes com…

